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| Nem submissos, nem adormecidos. O povo está organizado |
segunda-feira, 25 de junho de 2012
sábado, 23 de junho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
segunda-feira, 18 de junho de 2012
terça-feira, 12 de junho de 2012
domingo, 10 de junho de 2012
Pornografia é uma questão de esquerda? Gail Dines afirma que sim. E eu concordo. #antiporn
Gail Dines é uma professora estadunidense nascida na Inglaterra e uma atuante feminista anti-pornografia. Robert Jensen é um professor de jornalismo da Universidade do Texas nos Estados Unidos de posições anti-machistas, anti-porno, anti-racistas e crítico da ação bélica dos Estados Unidos pelo mundo. Juntos eles escreveram em dezembro de 2005 um valioso texto sobre a relação da esquerda de um modo geral com a pornografia chamado "Pornography Is A Left Issue" ou "Pornografia é uma questão de esquerda".
Logo em seu primeiro parágrafo Dines e Jensen se dedicam a falar dos insultos vindos da esquerda contra os ativistas do movimento anti-porn, em especial contra as mulheres desse movimento, normalmente tratadas como "anti-sexo, pudicas, simplistas, politicamente ingênuas, diversionistas e tacanhas" chegando ao conhecido insulto do estilo "o problema de vocês é falta de uma boa trepada". E isso, vale lembrar, vindo da esquerda. Mas por que tanta rispidez e ignorância nesse debate? Não seria o combate anti-pornografia uma questão de esquerda? Ou a pornografia não passa de fantasia que contribui para libertar a sexualidade e como tal não deve ser combatida?
Os professores elaboram suas posições anti-porn partindo exatamente de um ponto comum com o movimento de esquerda que é a critica dos meios de mídia de massa como "um local onde a classe dominante cria e impõe definições e explicações do mundo". Segundo o que nos explicam:
Aparentemente, a percepção comum da esquerda de que as imagens da mídia podem ser ferramentas para a legitimação da desigualdade, vale para uma análise da CBS ou CNN, mas evapora-se quando a imagem é de uma mulher tendo um pênis enfiado em sua garganta com tanta força que engasga. Nesse caso, por razões inexplicáveis, não devemos tomar a sério as representações pornográficas ou visualizá-los como produtos cuidadosamente construídos dentro de um sistema mais amplo de gênero, raça e desigualdade de classe. O valioso trabalho realizado pela crítica sobre a política da mídia de produção, aparentemente, não tem valor para a pornografia.E quando o assunto é a tal fantasia eles disparam:
A pornografia é fantasia, de uma espécie. Assim como programas policiais na TV que afirmam a nobreza da polícia e promotores como protetores do povo são fantasia. Assim como as histórias de Horatio Alger de que trabalho duro são recompensados no capitalismo são fantasias. Assim como os filmes onde o elenco árabe são todos terroristas, são uma fantasia.Uma posição absolutamente fundamentada e de esquerda. Ponto para os professores. Mas fica a pergunta: Por que raios a esquerda não assume também posições anti-pornô? Quando o tema é prostituição por exemplo existem as posições de combate, embora não seja descartável a possibilidade de muitos militantes de esquerda e muitas vezes seus próprios quadros dirigentes utilizar de seus serviços. Mas quanto à pornografia de fato sequer existe alguma crítica da mais ralinha que seja no campo da grande esquerda e seus partidos. Qual o motivo? Eles explicam:
Todos esses produtos da mídia são criticados pela esquerda, precisamente porque o mundo de fantasia que eles criaram é uma distorção do mundo real em que vivemos. A polícia e promotores fazem, por vezes, a busca pela justiça, mas também reforçam o regime dos poderosos. Os indivíduos no capitalismo prosperam algumas vezes como resultado de seu trabalho árduo, mas o sistema não fornece a todos os que trabalham duro uma vida decente. Um pequeno número de árabes são terroristas, mas isso fica obscurecido na América branca quanto à humanidade da grande maioria árabe.
Tais fantasias também refletem como os detentores do poder querem que as pessoas subordinadas se sintam. Imagens de negros felizes nas plantações fazem brancos se sentirem satisfeitos na sua opressão aos escravos. Imagens de trabalhadores satisfeitos acalmam os receios capitalistas de uma revolução. E homens lidam com seus complexos sentimentais sobre a masculinidade contemporânea e sua tóxica mistura de sexo e agressão, buscando imagens de mulheres que gostam de dor e humilhação.
Depois de anos enfrentando a hostilidade da esquerda em público e na imprensa, nós acreditamos que a resposta é óbvia: o desejo sexual pode restringir a capacidade das pessoas para a razão crítica – especialmente em homens nessa sociedade patriarcal, onde o sexo não é só uma questão de prazer, mas sobretudo uma questão de poder.Ou seja, apesar do palavrório anti-machista, o movimento de esquerda que segue sendo um espaço amplamente masculino é um espaço machista. Por mais que os homens de esquerda combatam na superfície a opressão machista, via de regra, em seu íntimo, nem que seja em seu mais privado mundo de fantasias, sua relação com o sexo oposto segue sendo machista. Defender a pornografia e a indústria por tras dela não é defender a liberdade no prazer, é fundamentalmente, tal como nos explicaram Dines e Jensen, defender uma relação de poder do homem sobre mulheres, meninas e até mesmo meninos.
sábado, 9 de junho de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Chegou ao fim a greve do peão em Fortaleza. Fica a pergunta: mesmo com reajustes tão baixos ela foi vitoriosa?
Recebi e-mail de um companheiro com o comunicado do sindicato patronal da construção civil de Fortaleza sobre o fim da greve da categoria. Junto com o comunicado ele me encaminhou a seguinte pergunta: "a greve foi vitoriosa? Não achei que os reajustes tenham sido bons!". Esse é um questionamento muito importante em especial depois de uma greve de 28 dias (nas contas dos operários) e 31 (na da patronal que contabiliza seu próprio lockout como sendo parte do movimento paredista). Não sou nenhum especialista em lutas sindicais nem muito menos tenho autoridade de um dirigente sindical ou um de seus partidários, mas ainda assim me atrevo a esta pequena análise.
Primeiro vamos dar uma examinada nos novos vencimentos dos quatro pisos mais baixos os comparando com os valores de 2011. Fiz uma tabelinha pra tentar enxergar melhor o que meu amigo avaliou de reajuste "não bons" conforme segue:
Se avaliarmos a greve simplesmente do ponto de vista econômico é difícil de fato conseguir enxergar uma vitória mesmo com um índice de reajuste beirando os 10%. Índices as vezes costumam esconder a realidade. Dez por cento de muito pouco é sem dúvida alguma quase nada. Alguém em sã consciência consegue enxergar, não digo nem como justo, mas como digno, um reajuste R$ 61,50 para um servente? Alguém consegue crer que com R$ 639,00 um trabalhador consiga sustentar sua família? É claro que não. Mas agora imagine se a greve não tivesse ocorrido e o índice acertado fosse o de 6,5% proposto pela patronal. Estaríamos falando de um salário de R$ 615,00 que é inferior ao mísero salário mínimo nacional de R$ 622,00.
Mas como disse não se pode enxergar o resultado somente do ponto de vista econômico. O que vimos este ano foi uma quebra de braço duríssima entre classes sociais com interesses diametralmente opostos. Nunca se viu a patronal fortalezense descontar o salário dos grevistas e não se dispor a negociar ou compensar. Nunca se viu os canteiros de obra da capital trancarem suas portas e não reconhecerem o fim da greve decretado pelos trabalhadores. Nem muito menos chegamos a ver pedreiros e serventes se manterem parados mesmo com sua greve tendo sido decretada ilegal e com uma multa diária para seu sindicato de R$ 50.000,00.
O que fica de resultado dessa batalha é um aprendizado político para esses trabalhadores que nenhuma escola ou professor conseguiria fazer um peão entender em 28 dias. Isso não é mensurável em índices ou números e ajuda a preparar novas batalhas. Talvez esse aprendizado tivesse sido ainda maior se por acaso a categoria tivesse outros fóruns além da própria diretoria e das assembléias para se preparar para um enfrentamento como esse exercitando a democracia operária cotidianamente. Mas o fato da vitória econômica não ter sido do tamanho que a categoria precisa ou quem sabe somente um pouco maior não a transforma em derrota. Então voltando ao questionamento do meu amigo: no fim das contas foi ou não vitoriosa? Eu respondo: sim meu camarada, foi uma belíssima vitória.
Primeiro vamos dar uma examinada nos novos vencimentos dos quatro pisos mais baixos os comparando com os valores de 2011. Fiz uma tabelinha pra tentar enxergar melhor o que meu amigo avaliou de reajuste "não bons" conforme segue:
Se avaliarmos a greve simplesmente do ponto de vista econômico é difícil de fato conseguir enxergar uma vitória mesmo com um índice de reajuste beirando os 10%. Índices as vezes costumam esconder a realidade. Dez por cento de muito pouco é sem dúvida alguma quase nada. Alguém em sã consciência consegue enxergar, não digo nem como justo, mas como digno, um reajuste R$ 61,50 para um servente? Alguém consegue crer que com R$ 639,00 um trabalhador consiga sustentar sua família? É claro que não. Mas agora imagine se a greve não tivesse ocorrido e o índice acertado fosse o de 6,5% proposto pela patronal. Estaríamos falando de um salário de R$ 615,00 que é inferior ao mísero salário mínimo nacional de R$ 622,00.
Mas como disse não se pode enxergar o resultado somente do ponto de vista econômico. O que vimos este ano foi uma quebra de braço duríssima entre classes sociais com interesses diametralmente opostos. Nunca se viu a patronal fortalezense descontar o salário dos grevistas e não se dispor a negociar ou compensar. Nunca se viu os canteiros de obra da capital trancarem suas portas e não reconhecerem o fim da greve decretado pelos trabalhadores. Nem muito menos chegamos a ver pedreiros e serventes se manterem parados mesmo com sua greve tendo sido decretada ilegal e com uma multa diária para seu sindicato de R$ 50.000,00.
O que fica de resultado dessa batalha é um aprendizado político para esses trabalhadores que nenhuma escola ou professor conseguiria fazer um peão entender em 28 dias. Isso não é mensurável em índices ou números e ajuda a preparar novas batalhas. Talvez esse aprendizado tivesse sido ainda maior se por acaso a categoria tivesse outros fóruns além da própria diretoria e das assembléias para se preparar para um enfrentamento como esse exercitando a democracia operária cotidianamente. Mas o fato da vitória econômica não ter sido do tamanho que a categoria precisa ou quem sabe somente um pouco maior não a transforma em derrota. Então voltando ao questionamento do meu amigo: no fim das contas foi ou não vitoriosa? Eu respondo: sim meu camarada, foi uma belíssima vitória.
domingo, 3 de junho de 2012
Dois meses do assassinato de Carlinhos. O silêncio do governador é sua declaração de cumplicidade.
Completaram-se dois meses do assassinato do ambientalista Carlos Guilherme, o Carlinhos, ambientalista e integrante do instituto Viramundo. Foi morto aos 42 anos, no dia primeiro de abril, na Praça da Santíssima Trindade, no conjunto José Valter. Executado com um tiro na nuca. A polícia até o momento não tem suspeitos mas o crime tem todos os traços de uma eliminação calculada e não seria de se estranhar se fosse a mando de algum grupo econômico ligado à especulação imobiliária. Carlinhos não era somente uma pessoa errada no lugar errado na hora errada. Era um ativista político de larga história e um verdadeiro militante ambientalista.
Carlinhos era um homem amável mas firme em suas convicções e de um sorriso calmo e inesquecível. No final dos anos 80, Carlinhos era estudante do curso de Estradas da Escola Técnica Federal do Ceará, hoje IFET, quando concorreu ao grêmio estudantil, com uma chapa de militantes ligados à administração da então prefeita Maria Luiza e alguns independentes. O nome da chapa era "Levante a voz e lute" e em seus materiais defendia a educação pública e denunciava o então presidente da república José Sarney. A chapa de Carlinhos perdeu as eleições para a chapa "Nossa força, nossa voz" ligada ao PLP, Partido da Libertação Proletária, fortíssimo no movimento estudantil cearense por aqueles anos.
Passados algum tempo começou a se dedicar à luta ambiental se envolvendo com a causa dos catadores de materiais da cidade e ajudando a fundar e manter o instituto ambiental Viramundo.
A vida de Carlinhos foi dedicada à luta por um mundo melhor. Seu assassinato é um atentado contra todos aqueles que tal como ele acreditam que é urgente e necessário transformar esse mundo. Sua morte sem dúvida alguma entristece a todos que um dia conheceram ou militaram a seu lado e soma-se ao rol de crimes políticos ocorridos contra ambientalistas sob a administração do senhor Cid Gomes, tal como a de Zé Maria do Tomé. O silêncio e a indiferença do governador é a melhor declaração de cumplicidade nessas mortes.
Leia mais sobre Carlinhos no blog criado por sua família e amigos, aqui.
sábado, 2 de junho de 2012
A violência da greve contra a violência do trabalho na construção civil de Fortaleza.
Quem vive em Fortaleza e acompanha minimamente o que acontece na cidade pelos jornais sabe que durante quase todo o mês de maio, as obras da construção civil foram paralisadas pela greve dos operários. Sabe também que a greve não foi feita só de piquetes e passeatas mas também de muitos episódios de quebradeiras de canteiros de obra e até mesmo de agressões de jornalistas pelos grevistas. Naturalmente o leitor ou espectador é levado a uma posição de horror e reprovação, afinal como se costuma dizer "greve é um direito mas quando descamba pra violência, aí tá errado".
Quando perguntados sobre o assunto, os dirigentes do movimento via de regra falam que, se houve violência, ela foi estimulada por "agentes provocadores" infiltrados no movimento a serviço da patronal. A violência no fim das contas não seria obra dos grevistas e sim dos próprios empresários dispostos a praticamente tudo para desqualificar o movimento que os dirigentes apresentam como ordeiro. Uma tese difícil de ser defendida por mais que seja amplamente possível.
Bem... prefiro apresentar uma versão diferente. A greve dos trabalhadores da construção civil é sim um momento de violência dos operários contra tábuas, vidros, tijolos, ferros, cimento e todos que se apressem a proteger tais coisas. E honestamente é praticamente impossível não ser assim. Por que? Porque a greve do peão é exatamente o momento da subversão do cotidiano. É quando se vira o jogo e a violência da qual os operários são vítimas é devolvida na moeda da insurgência operária.
Durante todo o ano, operários são menosprezados e maltratados pelos capatazes do patrão, encaram vez por outra comida estragada, fazem hora extra para completar o salário, são trapaceados em direitos mínimos, vêem companheiros se acidentando e até morrendo, até que um dia a greve começa e tudo o que foi acumulado só espera a primeira oportunidade para explodir em fúria e festa.
Sim, a greve é violenta e não há dirigente que consiga simplesmente dizer a esses homens e mulheres que não quebrem as vidraças dos escritórios e stands onde se escondem os engenheiros e administradores que personificam o mal do qual são vítimas dia após dia.
Mas no fim das contas é preciso concordar com a tal tese dos agentes provocadores. Sim, eles existem. Mas não será possível encontrá-los infiltrados no movimento grevista vestindo as roupas dos operários. Eles estão de terno e gravata contabilizando os lucros do quanto a super-exploração dos trabalhadores tem lhes rendido e procurando novas fórmulas para aumentar ainda mais essa super-exploração. Provocador é quem oferece uma "cesta-básica" de R$ 40,00 a um pai ou mãe de família. Provocador é quem se recusa a pagar um salário minimamente digno ou condições decentes de trabalho. Provocador é quem compra a imprensa escrita e falada para mostrar a violência da greve, sem nunca falar uma única palavra da violência cotidiana do trabalho na construção civil de Fortaleza.
Os empresários querem o fim da violência durante as greves? Pois que paguem dignamente e respeitem os homens e mulheres que constroem essa cidade. Quando isso ocorrer não só não se verá violência, como até difícil será convencer a esses trabalhadores da necessidade de ir a uma greve. Simples assim.
Quando perguntados sobre o assunto, os dirigentes do movimento via de regra falam que, se houve violência, ela foi estimulada por "agentes provocadores" infiltrados no movimento a serviço da patronal. A violência no fim das contas não seria obra dos grevistas e sim dos próprios empresários dispostos a praticamente tudo para desqualificar o movimento que os dirigentes apresentam como ordeiro. Uma tese difícil de ser defendida por mais que seja amplamente possível.
Bem... prefiro apresentar uma versão diferente. A greve dos trabalhadores da construção civil é sim um momento de violência dos operários contra tábuas, vidros, tijolos, ferros, cimento e todos que se apressem a proteger tais coisas. E honestamente é praticamente impossível não ser assim. Por que? Porque a greve do peão é exatamente o momento da subversão do cotidiano. É quando se vira o jogo e a violência da qual os operários são vítimas é devolvida na moeda da insurgência operária.
Durante todo o ano, operários são menosprezados e maltratados pelos capatazes do patrão, encaram vez por outra comida estragada, fazem hora extra para completar o salário, são trapaceados em direitos mínimos, vêem companheiros se acidentando e até morrendo, até que um dia a greve começa e tudo o que foi acumulado só espera a primeira oportunidade para explodir em fúria e festa.
Sim, a greve é violenta e não há dirigente que consiga simplesmente dizer a esses homens e mulheres que não quebrem as vidraças dos escritórios e stands onde se escondem os engenheiros e administradores que personificam o mal do qual são vítimas dia após dia.
Mas no fim das contas é preciso concordar com a tal tese dos agentes provocadores. Sim, eles existem. Mas não será possível encontrá-los infiltrados no movimento grevista vestindo as roupas dos operários. Eles estão de terno e gravata contabilizando os lucros do quanto a super-exploração dos trabalhadores tem lhes rendido e procurando novas fórmulas para aumentar ainda mais essa super-exploração. Provocador é quem oferece uma "cesta-básica" de R$ 40,00 a um pai ou mãe de família. Provocador é quem se recusa a pagar um salário minimamente digno ou condições decentes de trabalho. Provocador é quem compra a imprensa escrita e falada para mostrar a violência da greve, sem nunca falar uma única palavra da violência cotidiana do trabalho na construção civil de Fortaleza.
Os empresários querem o fim da violência durante as greves? Pois que paguem dignamente e respeitem os homens e mulheres que constroem essa cidade. Quando isso ocorrer não só não se verá violência, como até difícil será convencer a esses trabalhadores da necessidade de ir a uma greve. Simples assim.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Super-beijo gay nas páginas da DC Comics. Ponto pra ela. #homofobiaNão
A DC comics já havia anunciado que um de seus super-personagens iria sair do armário. Após alguns dias de suspense a editora revelou quem é o mais novo super-gay das histórias em quadrinhos e o fez em grande estilo: com um super-beijaço muito bem dado. A imagem das páginas que mostram o encontro inesperado de Allan Scott, o lanterna verde original, e seu namorado Sam em Hong Kong foram divulgadas nesta quinta-feira, dia 31/05/2012 com um comentário do responsável pela história, James Robinson.
Mesmo pra quem acompanha as histórias em quadrinhos é sempre complicado entender as reviravoltas no mundo dos heróis em especial nas HQ's da DC. O Lanterna Verde gay não é aquele bem conhecido seja pelos desenhos animados ou pelo recente filme no cinema. Aquele é o Hal Jordan criado em 1959 e um dos mais importantes personagens da DC. O Allan Scott foi criado em 1940 e não era gay. Aliás casou-se, teve dois filhos, e um deles, o Manto Negro, era gay. Num desses muitos recomeços de história que a editora usa seja pra tentar organizar suas inúmeras confusões, seja para tirar de cena personagens "pouco rentáveis", o Manto Negro simplesmente deixou de existir. Agora meio que pra compensar a perda de um super-herói homossexual, a DC resolveu recomeçar a história do Allan o introduzindo como gay.
Confuso? Mas pouco importa não é mesmo? Independente do zig-zag e da confusão, a DC merece um ponto pela coragem de não só anunciar um super-herói gay, como principalmente por fazê-lo com um super-beijo daqueles. Particularmente prefiro a coerência da Marvel e a coragem de assumir a defesa do casamento gay utilizando um integrante dos x-men, o Estrela Polar. Mas isso não gera demérito algum para a DC. Se isso é mera concorrência ou não, também tanto faz.
Parabéns às duas grandes editoras e que suas histórias e personagens ajudem nossas crianças a serem adultos mais tolerantes do que nós mesmos.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Sobre o que é e o que não é a #marchadasvadias e porque a esquerda socialista deve ser contra.
Na noite anterior à realização da edição 2012 da marcha das vadias publiquei o post "porque sou contra a #marchadasvadias" partindo de uma reflexão que a marcha nem é de esquerda, nem deveria ser reivindicada pela esquerda, em especial a dita socialista. Passado o fim de semana e publicados os primeiros posts e fotos da marcha eis que sobram referências às participações do PSOL e do PSTU nas marchas em todo o país. O movimento mulheres em luta da CSP-Conlutas, central ligada ao PSTU, chegou inclusive a convocar a participação, o que faz necessário no mínimo uma análise um pouco mais cuidadosa sobre a marcha das vadias e assim ter a clareza se o evento merece ou não ser fortalecido.
A marcha como muitos de seus defensores divulgam é uma iniciativa para "resignificar" o termo vadia afirmando que "se ser livre é ser vadia somos todas vadias". O mote central é a questão da liberdade sexual com muitas placas, cartazes e corpos pintados com "meu corpo, minhas regras", "ei machista, meu orgasmo é uma delicia", "eu escolho com que eu trepo", "nem puta, nem santa, livre" e um infindável número de consignas e "refrões" do mesmo estilo. O público notadamente tem sido de jovens universitárias e setores femininos da classe média, dificilmente se consegue perceber algum setor mais prole nas marchas em todo o país. O tema da violência contra a mulher está pautado mas praticamente como um pano de fundo para o ator principal que é o "direito ao corpo". E é claro que a sociedade que vivemos nega o direito ao próprio corpo, e não se engane, inclusive para os próprios homens. É o que chamamos de alienação. Somos todos aliendados de descobrir quem somos ou o que podemos ser em absolutamente todos os aspectos. Mas existem sim aqueles a quem o "direito de ser" é ainda mais negado, e entre eles estão as mulheres. Sim, isso é real.
Mas precisamos ir mais a fundo para entender o que é e o que não é a marcha. Comecemos com a composição social que citamos antes: estudantes universitárias e setores femininos da classe média, ou seja, setores não proles. E sendo assim, nada mais justo que a marcha expresse as ideias e ideais das classes que a compõem e que a dirigem, a classe média, ou para quem preferir, a chamada pequena-burguesia. Nada mais justo que a bandeira seja, o direito ao corpo. Afinal esses setores não precisam de creche, emprego digno, aumento de salário mínimo. Nada disso. Precisam que a sociedade aceite o direito dessas mulheres exercerem o poder sobre seu próprio corpo, de vestirem o que quiserem e transarem com quem quiser na hora que quiserem. Isso é o central na marcha. Todo o resto não passa de simples coadjuvante.
É exatamente por isso que a tarefa fundamental posta pela marcha é a de "resignificar" a palavra vadia. Torná-la sinônimo de mulheres que sabem o que querem e que não estão aí pra seu ninguém porque ninguém tem nada a ver com isso. Agora, alguém honestamente acha que com isso a violência contra a mulher diminuirá um milímetro que seja? É claro que não, né? Mas isso por si só não invalida essa tarefa por mais que ela seja absolutamente sem sentido. O fato é que a demanda de mudar o significado de uma palavra não moverá a maioria das mulheres em nenhum lugar do mundo. Ela não encontrará eco nas imensa maioria das donas de casa que precisam é do fim do trabalho doméstico. Não tocará os corações das mães mais pobres (que são a maioria das mães) pois elas precisam mesmo é de creche. Ela não encontrará identidade nas operárias que precisam de salário igual pra trabalho igual, fim do assédio no trabalho, aumento do salário mínimo, e um largo etcétera. Nem muito menos moverá as próprias vítimas de violência que precisam de abrigos e leis mais duras contra seus agressores. Nada disso é a pauta central da marcha das vadias. Quem quiser acreditar que é que acredite mas simplesmente está se enganando. E vindo da esquerda socialista, infelizmente está ajudando a enganar os que nela confiam.
Por ser uma marcha da classe média ela não consegue enxergar o capitalismo como inimigo e sim a sociedade machista patriarcal. E já que o problema é com "a sociedade" o enfrentamento é com tudo e todos e ao mesmo tempo com ninguém. Não há porque por exemplo exigir ou enfrentar os governos de plantão. Não é a toa que o ponto alto da marcha na capital federal tenha sido o enfrentamento com um machista que ousou falar o que não devia a algumas participantes. Foi acuado, posto pra correr e preso. Mereceu. Mas é de um triste simbolismo que exatamente na cidade que é o coração do poder político no país tenha sido esse o principal acontecimento. E a Dilma, gente?
Por fim, para não perder a oportunidade gostaria de citar mais uma vez Lenin em sua conversa com Clara Zetkin, imaginando que de alguma forma isso deixe ao menos a dúvida em muitos socialistas honestos que defendem e participaram da marcha. O velho Ulianov após defender a necessidade de um forte movimento internacional de mulheres repreendera Zetkin por não ter impedido que o partido alemão dedicasse seu tempo e energia em debater com as operárias o quanto as relações sexuais e o matrimônio eram peças de museu, com o que Clara após justificar-se, concordou. Segue o trecho:
A que conduz, na final das contas, esse exame insuficiente e não marxista da questão? Ao seguinte: a que os problemas sexuais e matrimoniais não sejam vistos como parte da principal questão social e que, ao contrário, a grande questão social, apareça como parte, como apêndice do problema sexual. A questão fundamental é relegada a segundo plano, como secundária. Isso não só prejudica a clareza da questão, mas obscurece o pensamento em geral, a consciência de classe das operárias.Bem, depois de tudo isso dito e depois de recorrer pela segunda vez a Lênin, tenho absoluta clareza que muitos seguirão defendendo que a participação na marcha e a luta pela resignificação são importantes até porque participam sim mas de uma forma "diferente". Bom, eu honestamente espero que ao menos para alguns tenha ficado no mínimo a dúvida para que dela possa quem sabe nascer a correção dessa infeliz política.
Outra observação, que não é inútil. O sábio Salomão dizia: cada coisa a seu tempo. Peço-vos responder: é precisamente este o momento de manter ocupadas as operárias, meses inteiros, para falar-lhes do modo como se ama ou se é amado, do modo como se faz a corte ou se aceita a corte entre os vários povos, tanto no passado, como no presente e no futuro? E é isso que se denomina orgulhosamente de materialismo histórico?
domingo, 27 de maio de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Porque sou contra a #marchadasvadias
A marcha das vadias que acontece nacionalmente neste dia 26 de maio praticamente é reivindicada por todos os setores da esquerda brasileira e rechaçado obviamente por todas as matizes e espécies de direitosos de plantão. Aos poucos a manifestação vem se tornando um divisor de águas. É contra a marcha? É de direita. É a favor dela? É de esquerda. A coisa é tão de um jeito que é cada vez mais comum ver perfis de militantes e ativistas de organizações socialistas como o PSOL e até mesmo do PSTU reivindicando o evento. Bem, não sou a favor da marcha e sou daqueles que pode se dizer que são de esquerda sem nenhuma concessão. E me permitam, ou não, não me somarei ao coro dos que chamam a fortalecer essa iniciativa como se ela tivesse o mesmo caráter da marcha da maconha ou das marchas do dia do orgulho gay. Não enxergo assim. E vejo na verdade com tristeza, o 8 de março ser esvaziado em especial de conteúdo, enquanto a marcha ganha força.
A primeira sluts walk ocorreu ano passado, 2011, no Canadá e teve como motivação a justa e necessária resposta à forma como a polícia vinha tratando os inúmeros casos de abuso sexual na Universidade de Toronto. O policial Michael Sanguinetti indicou como forma de combater a violência, que "as mulheres evitassem se vestir como vadias para não serem vítimas". Como resposta a essa declaração nojenta e absurda, 3000 pessoas ocuparam as ruas de Toronto com cartazes reivindicando, digamos assim, "o direito de ser vadia". Rapidamente várias outras marchas foram ocorrendo mundo afora e em 2012 chegam agora à sua segunda edição.
Antes de mais nada é fundamental condenar e combater qualquer argumento que responsabilize a vítima pela violência sofrida por seu agressor. Estupidez da estupidez do estilo "se você se veste como vadia deve ser tratada como uma vadia". Nunca uma roupa, maquiagem, postura, ou modo de agir, pode ser considerada como um convite do tipo "sou toda tua, me pegue e me come agora". Combater essas ideologia imunda é sim uma tarefa de todos aqueles que se dizem de esquerda.
Agora uma coisa é combater duramente as ideias e argumentos machistas e até mesmo achar justa a marcha canadense de 2011. Outra coisa é passar a defender o "orgulho de ser vadia" porque a sociedade machista chama de vadia mulheres que defendem o direito à liberdade sexual. Ora essa, a sociedade racista chama negros de "neguinhos de merda" e gays de "aberrações sexuais" e nem por isso, negros e gays precisam ou muito menos devem agitar o "orgulho de ser um 'neguinho de merda' ou de ser uma 'aberração sexual'". É absolutamente sem sentido exportar a marcha canadense de 2011 para fora de seu contexto no espaço e no tempo.
Mais estranho ainda é afirmar a busca irrefreável pela liberdade sexual como uma das bandeiras fundamentais da esquerda. Isso não é assim. Pelo contrário, ela é via de regra uma reivindicação de classe-média, ou para os mais marxistas, uma reivindicação pequeno-burguesa. Nada melhor do que ler o que escreveu Clara Zetkin sobre Lênin e o Movimento Feminista para perceber isso. Nas notas de seu diário a comunista alemã relata sua conversa com o revolucionário russo onde entre outros assuntos ele versa sobre a obsessão do movimento feminista alemão sobre a questão da sexualidade.
Diante da divisão que já citei que ou se é de esquerda ou se é contra a marcha das vadias, prefiro ficar com Lenin, Clara Zetkin e as mulheres trabalhadoras, sendo de esquerda e contra a marcha.
A primeira sluts walk ocorreu ano passado, 2011, no Canadá e teve como motivação a justa e necessária resposta à forma como a polícia vinha tratando os inúmeros casos de abuso sexual na Universidade de Toronto. O policial Michael Sanguinetti indicou como forma de combater a violência, que "as mulheres evitassem se vestir como vadias para não serem vítimas". Como resposta a essa declaração nojenta e absurda, 3000 pessoas ocuparam as ruas de Toronto com cartazes reivindicando, digamos assim, "o direito de ser vadia". Rapidamente várias outras marchas foram ocorrendo mundo afora e em 2012 chegam agora à sua segunda edição.
Antes de mais nada é fundamental condenar e combater qualquer argumento que responsabilize a vítima pela violência sofrida por seu agressor. Estupidez da estupidez do estilo "se você se veste como vadia deve ser tratada como uma vadia". Nunca uma roupa, maquiagem, postura, ou modo de agir, pode ser considerada como um convite do tipo "sou toda tua, me pegue e me come agora". Combater essas ideologia imunda é sim uma tarefa de todos aqueles que se dizem de esquerda.
Agora uma coisa é combater duramente as ideias e argumentos machistas e até mesmo achar justa a marcha canadense de 2011. Outra coisa é passar a defender o "orgulho de ser vadia" porque a sociedade machista chama de vadia mulheres que defendem o direito à liberdade sexual. Ora essa, a sociedade racista chama negros de "neguinhos de merda" e gays de "aberrações sexuais" e nem por isso, negros e gays precisam ou muito menos devem agitar o "orgulho de ser um 'neguinho de merda' ou de ser uma 'aberração sexual'". É absolutamente sem sentido exportar a marcha canadense de 2011 para fora de seu contexto no espaço e no tempo.
Mais estranho ainda é afirmar a busca irrefreável pela liberdade sexual como uma das bandeiras fundamentais da esquerda. Isso não é assim. Pelo contrário, ela é via de regra uma reivindicação de classe-média, ou para os mais marxistas, uma reivindicação pequeno-burguesa. Nada melhor do que ler o que escreveu Clara Zetkin sobre Lênin e o Movimento Feminista para perceber isso. Nas notas de seu diário a comunista alemã relata sua conversa com o revolucionário russo onde entre outros assuntos ele versa sobre a obsessão do movimento feminista alemão sobre a questão da sexualidade.
Desconfio daqueles que estão absorvidos constante e obstinadamente com as questões do sexo, como o faquir hindu com a contemplação do próprio umbigo.É preciso dizer algo mais?
Parece-me que essa abundância de teorias sexuais, que não são em grande parte senão hipóteses arbitrárias, provém de necessidades inteiramente pessoais, isto é, da necessidade de justificar aos olhos da moral burguesa a própria vida anormal ou os próprios instintos sexuais excessivos e de fazê-la tolerá-los.
Esse respeito velado pela moral burguesa repugna-me tanto quanto essa paixão pelas questões sexuais. Tem um belo revestimento de formas subversivas e revolucionárias, mas essa ocupação não passa, no fim das contas, de puramente burguesa.
Diante da divisão que já citei que ou se é de esquerda ou se é contra a marcha das vadias, prefiro ficar com Lenin, Clara Zetkin e as mulheres trabalhadoras, sendo de esquerda e contra a marcha.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
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