terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Você faz ideia do que é ser mulher e militante? (texto de Thais Justen via @BiscateSC)

O texto a seguir é da anarcofeminista Thais Justen e foi publicado no blog Biscate Social Club com o título Militância há quase 10 dias. Trata de um tema que está intimamente relacionado com o post  "A opressão e o machismo devem ser combatidos de forma implacável" de Cecília Toledo. A abordagem é absolutamente diferente mas é uma variação do tema "machismo e opressão nas organizações dos movimentos sociais".

Neste texto a militante aborda faces distintas do machismo no movimento de massas como a falta de preocupação com a segurança para mulheres nas reuniões, a intimidação, o desrespeito, o assédio, a falta de um simples espaço adequado para os filhos, além da violência e de estupro pelos próprios "companheiros". Pela forma como trata o assunto aparentemente Thais parte das suas próprias experiências ou mesmo de outras militantes do movimento de ocupações urbanas do centro do Rio, mas tal como o texto da Cecília, pelo menos em grande medida suas preocupações poderiam ser transportadas para quaisquer outros movimentos ou partidos de esquerda. E isso é muito preocupante. Percebam que não me preocupo com a direita que por definição já é machista em si. A preocupação é que qualquer movimento de esquerda, em especial os da esquerda socialista, possuem a necessidade de combater de forma implacável o machismo e a opressão. E isso se faz em primeiro lugar dentro de casa, na própria organização.

Em determinado ponto o tom parece contrapor a luta de classe com a luta contra a opressão. E uma coisa não deve contradizer a outra. Não há porque ser assim. Mas é compreensível que escorregue para esse terreno, na medida em que o próprio machismo nas organizações operárias também faça isso.

Anarcofeminista, Thais conclui reproduzindo Bakunin. Sendo trosko obviamente prefiro citações de Lênin, que não são poucas sobre o combate ao machismo, mas de forma alguma isso poderia ser impeditivo para divulgar o texto aqui.

Militante


O que alguns militantes esquecem é seu lugar de privilégio na militância e no mundo, pelo simples fato de serem homens. Você sabe, militante, o que é ter medo de ir numa reunião porque o lugar é escuro? e porque, se for estuprada, vão dizer que a culpa é sua? sabe o que é estar numa reunião num lugar muito quente e com pouca água e não poder usar roupas curtas ou tirar a camisa, porque os companheiros de luta dizem que, neste caso, isso estaria desrespeitando eles? sabe o que é estar numa reunião e um homem dizer aos outros que não falará com você porque certamente você não entende tanto quanto eles(homens) sobre algum assunto qualquer independente da sua formação ou vivência, só por ser de outro gênero? sabe o que é após ter ocupado um imóvel ter um companheiro que se recusa a levar o prato pro local que foi escolhido pra ser a cozinha o que dirá então lavá-lo, e ainda por cima te chama pra fazer isso, porque afinal, você é mulher?

Eu poderia dar mais exemplos que você certamente não vive na pele, como, por exemplo, a possibilidade de ser excluída de um meio de militância porquê já transou com vários de lá. Ou o horror de ser estuprada numa ocupação e os companheiros de luta ainda dizerem que a culpa é sua porque já dormiu com vários. Ou o abandono de ser estuprada por seu companheiro que é militante e os companheiros de luta falarem que ele é um bom homem, por isso não farão nada. Ou ainda o medo de ir aos espaços de militância porque já apanhou de algum companheiro de luta que, em algum momento, foi seu namorado, e os outros companheiros de luta não considerarem isso um assunto importante.

Um lugar de privilégio, o seu, que ignora quem não pode ir às reuniões porque tem filhos e os espaços de militância não são adequados a presença de crianças e afinal, como a responsabilidade pela criação dos filhos é da mãe – diz a sociedade – ela não vai pra reunião pra cuidar de seu filho mas o companheiro vai. Um lugar de privilégio indiferente ao fato de que existe quem tem que se preocupar mais com preservativos, porque se engravidar e não puder abortar (e mesmo podendo, arcar com o julgamento e condenação social) é sobre ela que o peso da criação vai cair. E tem a questão, que você não pensa, do problema de que se não consegue gozar, não há ajuda pra isso, enquanto pros homens existem vários medicamentos pra impotência, e contraditoriamente, se goza com facilidade também é problema, porque aí os companheiros de luta que se deitarem com você podem achar que “não é boa pra casar” porque gosta muito de sexo.

Mas não, certamente você não sabe o que são essas preocupações, e aí, sendo homem, é muito fácil falar que o movimento que quer acabar com a sua hegemonia – ou seja, seu poder de bater, estuprar, não cuidar dos filhos, não pegar tarefas de cozinha, e ainda ser considerado bom militante – enfim, falar que esse movimento está errado, e deve se preocupar com a classe trabalhadora apenas, sem gênero, porque, afinal isso te interessa. Que mundo bom seria pros homens se vivêssemos no socialismo, não houvesse mais patrões, mas as mulheres continuassem a ter dupla jornada, o sexo continuasse a ser focado no homem e o prazer da mulher permanecesse não sendo importante, num mundo onde “ser muito homem” continuasse a ser um elogio e ser “mulherzinha”, um xingamento. E que mundo merda seria esse pras mulheres…

Como disse Bakunin, não poderei ser um homem verdadeiramente livre até que esteja cercado de homens verdadeiramente livres também, pois a existência de um único escravo basta para diminuir minha liberdade. Assim, só poderei ser uma mulher livre no dia que ninguém puder ser estuprada por ser mulher. Pois enquanto puderem estuprar uma burguesa por ser mulher, as proletárias também poderão ser estupradas pelo mesmo motivo (coisa que não ocorre com os homens, frise-se, pois nenhum homem é estuprado apenas por ser homem e/ou por usar pouca roupa). Assim também, nenhum homem, mulher, intersex etc, poderá ser livre enquanto alguma categoria não for, só seremos realmente livres quando nem mulheres, nem negrxs, nem indigenas, nem homossexuais forem vitimas de opressão!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

"A opressão e o machismo devem ser combatidos de forma implacável" (artigo de Cecília Toledo via @litci)

A Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI), organização mundial fundada pelo trotskista argentino Nahuel Moreno em 1982 e que segue na ativa desde então, publicou na semana passada um importante artigo de Cecília Toledo em seu portal tratando sobre a questão da moral revolucionária.

A partir de um episódio de machismo flagrante no SWP inglês, Cecília retoma um debate de moral imprescíndivel para os revolucionários e que quando ignorado, adiado ou menosprezado tende a transformar organizações inteiras em verdadeiros lixos imprestáveis para o movimento social.

No artigo, Cecília relata ainda que nem mesmo sua própria organização estaria imune à deformação moral e em função disso a necessidade do combate constante em defesa da moral revolucionária no seio da LIT e como se pode perceber, nada mais apropriado no momento para manter ativo o debate principista do que tal episódio inglês. O teor do artigo é claramente um alerta e um chamado para os partidos da própria LIT, mas sem dúvida alguma vale para qualquer organização que se pretenda revolucionária.

Colo aqui na íntegra o texto da trotskista.

Crise no SWP envolve a moral revolucionária e a luta contra a opressão das mulheres

Uma grave crise vem abalando o SWP inglês, um dos maiores partidos de esquerda da Inglaterra, que inclusive se reivindica trotskista. É uma crise de cunho moral e da qual a LIT não pode ficar à margem. Por um lado, os fatos graves que ocorrem em um partido de esquerda afetam os demais porque a burguesia trata de destruir a imagem da esquerda de forma conjunta, como se fossem uma única organização. Por outro lado, é através das ações de cada organização que se reivindica revolucionária que a esquerda vai construindo sua trajetória junto ao proletariado mundial.

Síntese do que ocorreu

Uma militante do partido acusou um dos membros do Comitê Central de tê-la estuprado. A Comissão de Disputas (comissão de moral) investigou o caso durante quatro dias e chegou à conclusão de que não havia provas suficientes contra o acusado. Nesse ínterim, outra militante do partido também acusou o mesmo dirigente de tê-la molestado sexualmente, desta vez por meio do assédio sexual. A Comissão de Disputas não levou em consideração essa segunda denúncia e manteve o relatório inicial, o que gerou descontentamento por parte dos delegados à Conferencia na qual o relatório foi apresentado. Também gerou protestos o fato de a militante que acusou o dirigente não ter sido convidada à Conferencia. Frente ao clima de descontentamento que se instalou, a Comissão de Disputa tratou de conduzir a discussão de forma burocrática, reduzindo o tempo de intervenção e cortando bruscamente a palavra dos oradores, impedindo que houvesse uma discussão ampla. Todos esses fatos lançaram suspeita sobre o trabalho da Comissão e do relatório apresentado, tanto que o plenário praticamente dividiu-se ao meio no momento da votação, com 231 votos a favor do relatório, 209 contra e 18 abstenções. Depois disso, abriu-se uma crise sem precedentes, com diversos militantes rompendo com o partido e inclusive vários intelectuais que sempre trabalharam com o SWP agora se recusam a qualquer colaboração com essa organização.

Por que não houve plena liberdade de discussão?

Em nossa opinião, esses fatos são graves e exigem uma reflexão profunda. Uma denúncia de estupro dentro das fileiras de um partido que se reivindica revolucionário tem de ser encarada com a maior seriedade por todos os militantes, em especial pela direção. O estupro é um tipo de violência contra as mulheres que deixa marcas pelo resto da vida. Uma mulher que já sofreu estupro passa a sentir-se permanentemente ameaçada e com medo de que isso se repita, o que a torna um ser fragilizado para todas as tarefas que tem adiante. É uma agressão física e psicológica que dificilmente se supera.

Por isso, a denúncia feita pela militante deve ser investigada exaustivamente, e a direção do partido tem de ser a maior interessada em encontrar a verdade para evitar que isso jamais volte a se repetir no seio do partido. Ela deveria ser a primeira em garantir a mais plena liberdade de discussão, incentivando todos os militantes a se pronunciar, sobretudo a própria companheira que fez a denúncia, sem qualquer tipo de constrangimento.

Mas não foi isso que aconteceu. A companheira que fez a denúncia não foi convidada a participar da Conferência, mas o dirigente acusado sim, fazendo com que o conjunto dos delegados ouvisse apenas um dos lados. Isso é extremamente grave, porque se houvesse por parte da direção do SWP um interesse sincero em esclarecer a denúncia e encontrar a verdade, teria sido fundamental a participação dessa militante. Por outro lado, o informe da Conferência mostra que, ao invés de garantir a mais ampla liberdade na discussão do relatório, os membros dessa Comissão procuraram a todo custo evitar que todos se manifestassem, prejudicando o esclarecimento dos fatos e criando um clima de desconfiança entre os delegados.

Um questionamento importante feito pelos delegados foi o fato de a Comissão de Disputas não ter levado em consideração a segunda acusação contra o mesmo dirigente, feita por outra companheira, para rever sua decisão de absolver o dirigente ou, como mínimo, de levantar dúvidas sobre sua decisão inicial.

A partir daí, a própria Comissão de Disputas ficou questionada e sob a suspeita de haver agido de forma a proteger o dirigente. Isso porque tem dois de seus integrantes indicados pelo CC, sendo que outros três são ex-membros do CC. O mais democrático é que todos os seus integrantes sejam indicados pelos delegados do Congresso, justamente para não incorrer no erro de favorecer os dirigentes do partido.

A questão da moral revolucionária

No Programa de Transição, Trotsky diz que “em uma sociedade baseada na exploração, a moral suprema é a moral da revolução socialista. Bons são os métodos que elevam a consciência de classe dos operários, a confiança em suas forças e seu espírito de sacrifício na luta. Inadmissíveis são os métodos que inspiram o medo e a docilidade dos oprimidos diante dos opressores”. O que ocorreu no SWP foi justamente o contrário: aplicaram-se métodos que minaram a confiança das militantes e inspiraram o medo diante dos opressores.

Esse texto de Trotsky mostra como a luta contra a opressão das mulheres está implicada na defesa da moral revolucionária em nossas organizações e como essas questões não podem ser tomadas de maneira formal.

Nenhuma organização política está isenta de incorrer em desvios da moral revolucionaria. A questão que se coloca é como esses desvios são tratados no interior da organização. Na LIT (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional) também já sofremos problemas desse tipo. Inclusive alguns deles foram tão graves que chegaram a ameaçar a existência da própria LIT. Qual foi a atitude tomada? Em primeiro lugar, não esconder os fatos, apurá-los até o fim e punir os envolvidos com a expulsão de nossas fileiras. Inclusive chegamos ao ponto de perder uma seção inteira de nossa Internacional. A companheira do principal dirigente da seção boliviana da LIT acusou-o de agredi-la de forma violenta e reiteradamente. O caso foi amplamente investigado por nossa Comissão de Moral, que acabou por comprovar as acusações. Mesmo sendo um dirigente de longa trajetória e responsável por uma seção inteira da Internacional, esse dirigente foi expulso de nossas fileiras, o que levou o restante dos militantes dessa seção a abandonarem as fileiras da LIT em solidariedade a ele. Assim, a LIT preferiu perder toda uma seção a manter em suas fileiras um militante que incorreu em graves problemas morais. A questão da moral revolucionária foi um ponto amplamente discutido entre todos os militantes e no IX Congresso Mundial (2008) da LIT foi votado o documento Em Defesa da Moral Revolucionária, que nos serve de parâmetro para nossa atividade diária como parte essencial de nossa construção. Esses fatos nos mostraram que a questão da moral revolucionária não é uma questão a mais, mas sim, a questão chave para uma organização de esquerda que se constrói para destruir o capitalismo e a sociedade burguesa.

Foi uma batalha dura, mas temos certeza de que a LIT saiu fortalecida. No entanto, somos conscientes de que a ameaça permanece, porque a burguesia sempre trata de impor a sua moral para nos destruir. Nós estamos sob a pressão constante da sociedade burguesa e sua moral degenerada, à qual temos de resistir com firmeza para essa moral não penetrar em nossas fileiras e destruir as nossas organizações.

Na LIT, também nesse terreno reivindicamos os ensinamentos de Trotsky. Abrimos com clareza essa discussão em nossas fileiras e enfrentamos os problemas, batalhando por uma moral comunista em nossas seções, no sentido de evitar que as pressões cresçam e acabem por nos destruir. Por isso nos preocupamos com o que está ocorrendo no SWP, e queremos que nossa experiência ajude a todos os militantes revolucionários nos diversos países a compreender a sua importância, a se conscientizar de que essa é uma batalha constante, se queremos construir uma verdadeira organização que sirva para a luta revolucionária do proletariado. A cada dia que passa nos convencemos mais e mais de que não haverá uma construção sólida de um partido revolucionário nacional e nem da Internacional à qual tanto aspiramos se não defendermos com toda a coragem e doa a quem doer a moral revolucionária em nossas fileiras.

A moral partidária

Assim como a classe operária necessita de uma moral própria para lutar contra a burguesia, que envolve questões específicas do movimento operário, como a proteção mútua entre os trabalhadores perseguidos, nunca entregar um companheiro de luta à patronal ou à polícia, não utilizar meios violentos para dirimir divergências e manter relações de lealdade e honestidade entre as organizações operárias, o partido revolucionário também tem uma moral específica.

O partido é um instrumento mais avançado- que luta para derrubar a burguesia e pela ditadura do proletariado. Para isso, precisa ter uma disciplina de ferro e uma moral superior inclusive à moral proletária, ainda que parta dela.

A confiança entre todos é seu cimento essencial, é a chamada “confraria dos perseguidos”, dos que querem destruir o capitalismo e por isso são perseguidos e podem pagar o preço com a própria vida. Portanto, é necessária uma moral superior para manter a força dessa organização, para resistir às pressões que a burguesia nos impõe. No partido, o coletivo é tudo, em oposição à idéia típica do capitalismo, onde prevalece o individualismo e o egoísmo. É preciso fortalecer a confiança de cada um em suas próprias forças, e ao mesmo tempo desenvolver a confiança entre todos os militantes, fazendo com que um confie no outro, porque nos momentos mais graves de nossa luta, vamos ter de confiar em nossos companheiros. Para isso, queremos e fazemos com que cada um cresça e se desenvolva politicamente. Porque nosso partido tem de ser conspirativo contra o Estado, e isso exige uma total confiança entre os camaradas, sejam homens ou mulheres.

A confiança nas mulheres

Como na sociedade existe uma defasagem entre os homens e as mulheres – estas têm menos condições de militar, são vistas como seres inferiores, tardaram mais na história a entrar para a vida política, continuam carregando o peso da dupla jornada –, o esforço para que as mulheres cresçam deve ser redobrado.

Em casa, no trabalho, na escola, em todos os âmbitos da sociedade, a mulher é colocada em situação de inferioridade e sofre todo tipo de opressão, preconceito e abuso sexual. O partido tem de ser o oposto. Nele ela deve encontrar um ambiente de respeito e interesse por seu desenvolvimento político. O respeito revolucionário em relação a uma mulher que entra no partido e se dispõe a dar sua vida pela revolução é tudo, porque ao entrar no partido ela estará superando obstáculos muito maiores que um homem.

Dentro do partido, quando um dirigente partidário oprime sexualmente uma camarada, comete uma falta gravíssima, sobretudo porque não é isso o que se espera de um militante que se disponha a dedicar sua vida à revolução socialista. O socialismo é incompatível com esse tipo de atitude. Dentro do partido, as mulheres conscientes, as militantes revolucionárias, não esperam encontrar o mesmo que encontram todos os dias na sociedade em geral. Dentro do partido, elas confiam nos camaradas, baixam sua guarda em relação a eles, e só esperam em troca confiança e uma relação de respeito e camaradagem.

Nós, que lutamos contra a opressão das mulheres, sabemos como é importante para uma mulher tornar-se consciente politicamente e, sobretudo, entrar no partido. Por isso se os casos de machismo são graves na sociedade como um todo, eles são duplamente perniciosos dentro de nossas fileiras, porque estarão destruindo uma militante e também o nosso objetivo final, ou seja, a própria construção do partido, o instrumento que vamos construindo dia a dia para conquistar uma sociedade socialista e, com ela, a emancipação total das mulheres. Um partido revolucionário que não incorpora a luta contra a opressão em sua atividade cotidiana não pode ser vitorioso na luta pela liberação da classe. É necessário combater todos os desvios morais e, ao mesmo tempo, ser coerente com o programa de liberação para toda a classe trabalhadora; homens e mulheres.

Um combate constante

Inseridos na sociedade burguesa, onde prevalece uma moral degenerada, existe para o partido uma necessidade impostergável, que é educar teórica e programaticamente a sua militância na moral revolucionária. E essa tarefa tem de ser diária. Quando os desvios morais ocorrem, fica evidente que essa tarefa não está sendo levada a sério ou é levada apenas de maneira formal. E com isso o partido fica mais exposto ainda aos ataques da imprensa burguesa e das forças conservadoras, que se aproveitam desses desvios para fazer todo tipo de ataque às organizações de esquerda.

Por isso é tão importante ir até o fim na apuração dos fatos. Para mostrar à classe trabalhadora e ao conjunto da sociedade que nossos partidos são distintos dos partidos burgueses, onde reina a corrupção, a calúnia, o engodo. Para mostrar que os políticos revolucionários são diferentes dos políticos burgueses, que usam a política para se promover e para roubar os cofres públicos. Para mostrar que nós temos uma moral distinta e que nossa luta contra a opressão das mulheres é uma luta sincera, que não figura apenas em nossos documentos, mas faz parte de nossa vida cotidiana. Só dessa forma poderemos ganhar os trabalhadores - homens e mulheres - para as nossas fileiras.

Os camaradas do SWP têm um exemplo na própria Grã Bretanha de como esse tipo de desvio moral pode destruir nossas organizações, por mais fortes que elas sejam. O WRP, de Healy, uma organização com uma longa trajetória na esquerda inglesa, mas que nos anos 80 veio abaixo por desvios morais. Como dirigente máximo do partido, Healy traiu a confiança dos militantes, sobretudo das mulheres. Várias delas foram abusadas sexualmente por ele, e quando encontraram coragem para denunciá-lo, a maior parte da direção tratou de abafar os fatos e desqualificar as acusações para proteger o dirigente. O resultado dessa atitude veio logo em seguida: a destruição total da organização.

Precisamos aprender com esses erros para evitar que se repitam e cheguem ao ponto de nos destruir. A opressão das mulheres e os desvios machistas dentro de nossas organizações devem ser combatidos de forma implacável. A moral revolucionária exige de nós uma vigilância constante, que implica não apenas em uma discussão frequente junto à militância por meio de debates, palestras e cursos, mas, sobretudo, uma apuração exaustiva de seus desvios. Nossa experiência mostra que se não exercemos uma vigilância constante e uma posição firme e principista em relação a esses desvios, não seremos capazes de evitar resultados desastrosos e irreversíveis.

Extraída de nossa experiência diária e muitas vezes dolorosa, essa é a maior lição que devemos deixar para todos os militantes, homens e mulheres que hoje estão aderindo às organizações revolucionárias no mundo inteiro e se dispondo a combater a moral burguesa, assentada no egoísmo, no privilégio de uns sobre outros e na odiosa opressão das mulheres.

Cansei de Cuba (#charge de @Benett_)


Mais charges de Benett aqui.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ratzinger não aguentou o tranco e pediu pra sair. Vaticano deveria chamar o Lula.


A grande notícia da semana não é a bomba de Kim Jong-il nem os beijos, bundas e peitos das personalidades globais do carnaval do Rio. Não que não haja espaço na grande imprensa e redes sociais para ambos mas o papo que de fato bomba é a renúncia do papa.

Pois é... o velho Ratzinger não aguentou o tranco e pediu pra sair. O motivo anunciado: a saúde não o permitiu prosseguir. Não se sabe ao certo qual mal teria derrubado o papa mas aos poucos informações vão sendo noticiadas tal como a que revela que há três meses o velho homem trocou as baterias de seu marca-passo, o que para alguns é de fato uma grande novidade, havia dúvidas se o sumo pontífice tinha qualquer coisa parecida com coração.

Ainda assim, vamos e venhamos, isso por si só não é motivo pra pedir pra sair. Assim fosse o velho Joseph não deveria nem sequer ter assumido o posto máximo do catolicismo mundial, afinal o aparelhinho já estava em seu peito quando a fumaça branca saiu pela última vez da chaminé de capela sistina no Vaticano. Doença por doença, seu antecessor segurou a onda até o dia de sua morte. No fim das contas, os reais motivos com certeza não estão no que foi dito e sim naquilo que não foi dito.

Apesar da justificativa oficial a tese que mais ganha força e não sai dos noticiários, embora nenhum deles se aprofunde, é a de uma disputa no interior da empresa católica. Bem... isso sim dá um pouco de sentido à renúncia, desde que tal disputa seja não entre "liberais" e conservadores, como os mais devotados se apressam em reproduzir e sim, entre conservadores e ultra-conservadores. No fim das contas o papa não teria pedido pra sair. Ele praticamente teria sido posto pra fora por não estar à altura de cumprir o papel reservado ao sumo-sacerdote católico em uma Europa no meio de uma crise econômica.

É preciso entender o mundo em seu tempo e o catolicismo não pode ser isento disso. Já se vão cinco anos que a crise mostrou-se de forma inquestionável e até o momento não há menor sinal de vestígio algum de seu fim ou de qualquer saída suave que seja. Ao passo que segue, a luta de classes se apresenta. Ventos revolucionários sopram forte por toda região do mediterrâneo, a oeste na Espanha e em Portugal, a leste na Grécia, ao sul no Egito e até mesmo ao norte na França, ainda que em menor medida. Diante de tal turbulência Ratzinger até que cumpriu seu papel de "santo homem" estando ao lado dos governos e seus planos de austeridade que atacaram direitos dos trabalhadores da União Européia. Mas ao passo que tais planos não dão conta de paralisar as massas, governos perdem força e aparelhos ideológicos que os apóiam também.

Nessa queda de braço, como os trabalhadores de todo o mundo vivem ainda sua maldita crise de direção e a direita não mais dá conta de ganhar a partida, é a ultra-direita quem põe suas manguinhas de fora. Enquanto na Grécia crescem as marchas fascistas, na Espanha, Ópus Dei e outras pestes do mesmo naipe reivindicam um programa católico ainda mais à direita com um acobertamento da pedofilia em uma escala muito superior ao que o Vaticano conseguiu realizar e muito pelo contrário se viu obrigado inclusive a investigar e condenar publicamente. No fim das contas Ratzinger e seu papado do retorno ao culto ao místico fechando os olhos para os anseios populares caducou muito rápido. Os ultra-conservadores não querem olhos fechados. Os querem abertos, prontos e ávidos a liberar uma nova Santa Inquisição se preciso for. Para conseguir isso nem mesmo o assassinato de seu chefe maior estaria descartado tal como insinuou o canal Euronews.

Para o azar dos ultra-católicos, em tempos de internet e redes sociais, é muito mais difícil do que parece encobrir escândalos ou mesmo anestesiar o movimento dos trabalhadores quando esses ganham as ruas. Mas não que seja impossível. Prova disso está bem aqui em nosso Brasil: já não se fala em reforma agrária, passeata é coisa difícil de se ver, o maldito FMI agora virou nosso amigo, torturadores e corruptos seguem impunes e tudo isso após 10 anos de um governo de Frente Popular. Então fica a sugestão ao próximo conclave católico que elegerá o sucessor do Bento: chamem o Lula. Esse sabe como falar para os pobres, governar para os ricos, esconder escândalos e trocar seis por meia dúzia mantendo tudo exatamente como estava e ainda assim estar entre os políticos mais amados e queridos de norte a sul do país. É de um Lula que o Vaticano precisa.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Novecentas e vinte famílias felizes por seus filhos. Parabéns pra elas. Coitados de nós.


Me perdoem as famílias dos novos 920 policiais militares empossados no Ceará na última terça-feira, dia 5 de fevereiro, mas não dá pra ficar feliz com a imagem. Sim, é empregos garantidos para os rapazes. Mas também é violência praticamente certa contra povo pobre e movimentos sociais.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Charges de carnaval: Inflação (Alecrim, Clayton, Dum, Dálcio, Nani, Paixão)


Mais charges do Alecrim aqui.

Mais charges do Clayton aqui.


Mais charges do Dum aqui.

Mais charges do Dálcio aqui.


Mais charges do Nani aqui.

Mais charges do Paixão aqui.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O que você faria se estivesse armado e frente a frente com Renan #Foto #ForaRenan

Viu a foto da Reuters onde a espada do milico ficou na linha de degola do novo presidente do senado? 


O que será que passou pela cabeça do rapaz nessa hora hein? Abaixo algumas variações sobre o tema.




quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

As bobagens que se diz por aí: "Como pode ser de esquerda e beber coca-cola?"


Se fala muita bobagem da esquerda por aí. Uma dessas bobagens é aquela da tal "incoerência" entre ser de esquerda e beber Coca-Cola, comer McDonnald's, usar Microsoft Windows, etc, etc e mais outro tanto de etcéteras. Já ouvi cada uma das ditas incoerências que citei acima e inclusive usadas contra mim. Bom... não sou muito fã de Coca-cola, sanduíches do McDonald's, nem muito menos do Windows, mas não por me reivindicar de esquerda, aliás, acho uma imensa asneira vincular uma coisa à outra. Não sou fã porque prefiro outros produtos, seja porque deixei de gostar de refrigerantes, acho horríveis aqueles sanduíches produzidos em série e considero o Windows uma verdadeira bosta (pelo menos até o Windows 7). Nem por isso deixaria de consumir cada um desses esses produtos caso fosse necessário e de modo algum me sentiria nenhum pouquinho a menos de esquerda por isso.

Sim é verdade que Coca-cola é um simbolo do capitalismo desde muito antes do RPM cantar que a China já a bebia lá pelos idos de 1985. Da mesma forma é verdade que o "M" amarelo da grande fast-food estadunidense e seu palhaço Ronald são a cara do consumismo moderno. E, sim, a Microsoft tornou Bill Gates, um dos homens mais ricos do mundo por anos a fio. Mas levar o que é fato ao extremo de traçar como um verdadeiro certificado de esquerda a não utilização de qualquer um desses produtos é de uma idiotice digna de quem tem preguiça, mas muita preguiça mesmo, de pensar um pouquinho que seja.

Em certa medida o raciocínio é similar ao que levou o movimento operário em seu nascedouro a se enfrentar com as máquinas no início do século XIX. Pois bem, não são as máquinas ou as coisas que elas produzem que fazem do capitalismo o que é. São as relações sociais. Que os ludistas culpassem as máquinas ainda se consegue dar o desconto de ter de enfrentar a revolução industrial, agora depois de mais de 200 anos da bandalheira do capital, sacar essas comparaçõezinhas, é muita dificuldade de raciocínio. Então, pra deixar claro o quanto esse tipo de consumo influencia no teor de esquerda de alguém vale dizer que se um ativista for a uma passeata contra a exploração em sua categoria e em seguida for comer um hamburguer sem gosto do McDonnalds, esse cara é sim de esquerda, e honestamente será muito mais de esquerda, do que aquele que fica em casa lendo livros de economia política comprados em sebo tomando chazinho e sem nunca ter levantado um único dedo para defender suas posições.

Um amigo uma vez me disse que no socialismo não se deixaria de produzir Coca-Cola. Pelo contrário, ela seria servida encanada na casa de cada trabalhador. Espero que no socialismo consigamos produzir coisas muito mais saborosas e saudáveis do que o tal refrigerante de cola, mas gosto muito do argumento desse meu amigo. No fim das contas nada melhor que um exagero para combater e ridicularizar outro. Que venha encanada então. Tenho a ligeira impressão que Che aprovaria.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Você precisa ler: "A palavra dos mortos" (artigo de @jeanwyllys_real via @brasil247)

Na última quinta-feira, dia 10/01/13, o Grupo Gay da Bahia divulgou relatório anual que mostra o aumento de 27% nos assassinatos de LGBTs no país durante o ano de 2012. O dado é assustador e mostra que a intolerância homofóbica matou 1 pessoa a cada 26 horas ano passado. Mas por incrível que possa parecer a notícia tornou-se ainda mais mórbida e assustadora graças ao "humorista" Danilo Gentili que no mesmo dia teve a "genialidade" de comentar a seguinte pérola em sua conta no twitter: "1 gay é morto a cada 26 hs? 140 heteros são mortos a cada 24 hs. Alguém aí come meu cú hj? Só por segurança".

Obviamente não faltaram seguidores do engraçadinho para repassar sua "piada" (foram 1397 retweets). Felizmente também não faltaram vozes contrárias e atentas a esse tal humor "politicamente incorreto" como a do cartunista Laerte Coutinho e sua charge "Longe de mim preconceito mas..." e, é claro, do deputado do PSOL e ativista LGBT Jean Wyllis com seu artigo "A palavra dos mortos" que recomendo muito e reproduzo na integra aqui.

A palavra dos mortos

Diz-se que uma imagem vale mais que mil palavras, mas há palavras que mil imagens não traduzem: preconceito é uma delas. Ao contrário: as imagens, sejam quantas forem, podem reforçar aquilo a que se refere a palavra preconceito. Esta palavra também não pode ser traduzida por números nem estatísticas. Estes, porém, sempre atraem ou despertam palavras.

Ontem, por exemplo, no rastro da divulgação, nos principais portais de notícias, das estatísticas do Grupo Gay da Bahia acerca dos homicídios motivados por homofobia (o conjunto dos atos – inclusive dos atos linguísticos - apoiados no preconceito social anti-homossexual, um dos muitos preconceitos socialmente partilhados), vieram muitas palavras: a palavra dos leitores da notícia expressa em comentários publicados logo abaixo da mesma; a palavra dos intelectuais conservadores; as palavras dos políticos reacionários à esquerda e, principalmente, à direita; a palavra dos fundamentalistas cristãos católicos e evangélicos; e até a palavra de um famoso humorista que se diz "politicamente incorreto", mas que, ao fim e ao cabo, apenas põe seu "humor" a serviço da correção e da ortopedia moral que há séculos constrangem e estigmatizam, com violência verbal e/ou física, aqueles "desviantes" da ordem do macho-adulto-branco-heterossexual-e-cristão (ou seja, as mulheres, os negros, os judeus, os indígenas, o povo-de-santo, os gays, as lésbicas, as travestis e transexuais e as pessoas com deficiências; principalmente os mais pobres dentre esses).

Pode-se dizer que as palavras deles (dos leitores da notícia, dos intelectuais conservadores, dos políticos reacionários, dos fundamentalistas cristãos e do humorista) são quase as mesmas - com variações que dependem do grau de instrução e da posição social que cada um ocupa – e têm o mesmo objetivo: silenciar LGBTs e reprimir sua organização política por meio de interpretações deliberadamente equivocadas das estatísticas divulgadas e da conseguinte desqualificação das mesmas.

Não repetirei aqui todos "argumentos" dessa gente – até porque seu preconceito ou má fé não precisa de mais espaço do que já tem! – mas vou destacar um que é recorrente: a estatística de 336 homicídios em 2012 motivados por homofobia (numa proporção de um homossexual morto a cada 26 horas) seria irrelevante já que, no mesmo período, a taxa de homicídios em geral é de mais 50 mil. Ora, os porta-vozes desse "argumento" se não agem de má fé são limitados mesmo. As estatísticas não dizem apenas que 336 homossexuais morreram ano passado. As estatísticas dizem que 336 homicídios motivados por homofobia foram perpetrados em 2012 (o que representa um aumento de 26% em relação a 2011). Ou seja, 336 seres humanos foram assassinados em decorrência de sua orientação sexual ou identidade de gênero; foram mortos apenas porque eram gays, lésbicas, travestis e transexuais ou em circunstâncias em que sua orientação sexual e/ou identidade de gênero contribuiu/contribuíram decisivamente para o homicídio. Esses crimes não podem, portanto, ser dissolvidos nas taxas de homicídios em geral cujas motivações não são a orientação sexual nem a identidade de gênero.

Não conheço até o momento nenhum caso de homem que tenha sido cruelmente assassinado porque era heterossexual, ou seja, apenas pelo fato de que gostava de "comer mulher"; tampouco conheço um caso em que um homem tenha sido morto a pauladas por estar "vestido como homem". Mas posso citar centenas de casos de homens e mulheres que foram mortos apenas pelo fato de gostarem de transar com pessoas do mesmo sexo; e posso citar milhares de caso de pessoas que foram mortas apenas porque estavam vestidas de acordo com sua identidade de gênero. Esses crimes são considerados crimes de ódio porque vitima toda a comunidade à que pertence suas vítimas. Aliás, o fato de se pertencer a essa comunidade é a razão última do crime. Ora, será preciso desenhar para que essa gente entenda o que querem dizer as estatísticas?! Se uma imagem vale mais que mil palavras, talvez eu tente me aventurar pelo desenho pra ver se consigo sensibilizar esses caras (na hipótese de algum deles ser apenas equivocado e não estar agindo de má fé)...

E, por falar em imagem, a que ilustra este texto quer valer mais que as mil palavras não ditas pelo morto retratado. Perdoem-me os mais sensíveis, mas, numa sociedade devota da imagem como a nossa, "educada" pela televisão e pela publicidade, a foto chocante de um homicídio brutal motivado por homofobia talvez sensibilize mais as pessoas do que todas as palavras já ditas até aqui...

Por mais que eu me esforce, não conseguirei expressar as palavras não ditas pelos mortos... Aquelas palavras que sucumbem aos números frios das estatísticas e à tagarelice dos canalhas insensíveis à desgraça alheia; palavras que expressariam o horror diante da crueldade que põe fim às vidas e a dor insuportável dos que perderam seus entes queridos para a violência.

Quem sabe se com essa imagem principalmente o humorista "politicamente incorreto" e sua claque cruel e sem pensamento mas de riso frouxo não percebam que não se pode fazer piada da dor dos outros? Sou um homem esperançado! Mas sou também um ativista: não fico apenas à espera de dias melhores, atuo para que eles cheguem logo; por isso mesmo, questionei e questiono os insensíveis e opressores, mesmo que isso implique em insultos impublicáveis e em injunções ao silêncio do tipo "você tem que trabalhar para o povo brasileiro e não para a sua classe" – injunções que nada mais são do que frutos da ignorância sobre o meu trabalho como parlamentar; da preguiça de se informar mais e melhor; da despolitização em geral e da falta de raciocínio lógico, uma vez que a minha "classe" pertence ao povo brasileiro.

De mais a mais, não vejo ninguém reclamar dos parlamentares ruralistas nem dos evangélicos por defenderem apenas seus interesses em casas legislativas; logo, ainda que eu atuasse para defender só os interesses de LGBTs (o que não é verdade; qualquer pesquisa básica mostrará isso), ainda assim eu estaria honrando o mandato que conquistei no jogo democrático. Não há insulto ou injunção ao silêncio que me detenha ou que me impeça de trazer, à luz, a palavra dos mortos!

"Longe de mim ter preconceito, mas..." (#charge de @LaerteCoutinho1)

Mais charges de Laerte aqui.