sábado, 30 de março de 2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
Desarquivando músicas da sexta-feira da paixão: Cálice #desarquivandoBr
Cálice é uma daquelas músicas que não pode faltar na trilha sonora de quem quer entender o que viveu o país entre os anos 1964 e 1985. Em especial para aqueles que entendem que apesar do discurso padrão dos últimos vinte e oito anos, aquelas páginas não estão viradas. Não enquanto toda a tortura não for devidamente desarquivada, os desaparecidos sejam "aparecidos", os mortos de então possam ser enterrados e esse "silêncio todo que atordoa" a todos nós a tanto tempo possa afinal ser afastado num imenso "grito desumano".
Foi na sexta-feira santa de 1973 (20 de abril) que Gilberto Gil propôs a Chico Buarque o nome "Cálice" como tema da canção que cantariam juntos em maio daquele mesmo ano no show Phono 73 organizado pela gravadora Phonogram. No sábado a música foi composta. A ideia foi mesclar o sofrimento do calvário de Cristo (era uma semana santa) com o sofrimento do povo brasileiro (era um governo militar). Duas estrofes foram de Gil, duas de Chico.
Para ser cantada no show a música precisaria ser apresentada à censura que proibiu sua exibição. Ainda assim Chico e Gil apresentaram uma versão somente com a melodia intercalada com a palavra "cálice". Ainda assim os microfones foram cortados. Ao final, da apresentação, ao cantar Baioque com o MPB4, no meio de vários gritos do grupo é possível ouvir a revolta de Chico num "censura filha da puta". A canção permaneceu censurada até 1978 quando foi gravada por Chico e Milton Nascimento.
No documentário "Canções do Exílio" Gil confessa para Geneton Moraes Neto seu mal-estar nunca resolvido com Cálice: a figura divina do "Pai" capaz de salvar a todos do calvário nunca lhe caiu muito bem, apesar de ter partido dele tanto a ideia como o próprio refrão. Apesar do incômodo a canção virou um hino que acompanhou a todos nós no calvário que calou a nossos pais, avós e a nós mesmos, e que ainda hoje nos silencia. Mas Gil tem razão em incomodar-se. Não será nenhum "Pai" divino que nos salvará dessa ou de qualquer outra tormenta. Ou seremos nós mesmos, ou não será ninguém.
Queremos a verdade ampla, geral e irrestrita. Precisamos dela desarquivada mais que urgentemente. Chega de tanta mentira. Chega de tanto silêncio.
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor e engolir a labuta?
Mesmo calada a boca resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada, prá a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
De muito gorda a porca já não anda (Cálice!)
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!)
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade?
Mesmo calado o peito resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Talvez o mundo não seja pequeno (Cale-se!)
Nem seja a vida um fato consumado (Cale-se!)
Quero inventar o meu próprio pecado (Cale-se!)
Quero morrer do meu próprio veneno (Pai! Cale-se!)
Quero perder de vez tua cabeça! (Cale-se!)
Minha cabeça perder teu juízo. (Cale-se!)
Quero cheirar fumaça de óleo diesel (Cale-se!)
Me embriagar até que alguém me esqueça (Cale-se!)
Nota: Este post é uma contribuição à VII blogagem coletiva #desaquivandoBR.
Foi na sexta-feira santa de 1973 (20 de abril) que Gilberto Gil propôs a Chico Buarque o nome "Cálice" como tema da canção que cantariam juntos em maio daquele mesmo ano no show Phono 73 organizado pela gravadora Phonogram. No sábado a música foi composta. A ideia foi mesclar o sofrimento do calvário de Cristo (era uma semana santa) com o sofrimento do povo brasileiro (era um governo militar). Duas estrofes foram de Gil, duas de Chico.
Para ser cantada no show a música precisaria ser apresentada à censura que proibiu sua exibição. Ainda assim Chico e Gil apresentaram uma versão somente com a melodia intercalada com a palavra "cálice". Ainda assim os microfones foram cortados. Ao final, da apresentação, ao cantar Baioque com o MPB4, no meio de vários gritos do grupo é possível ouvir a revolta de Chico num "censura filha da puta". A canção permaneceu censurada até 1978 quando foi gravada por Chico e Milton Nascimento.
No documentário "Canções do Exílio" Gil confessa para Geneton Moraes Neto seu mal-estar nunca resolvido com Cálice: a figura divina do "Pai" capaz de salvar a todos do calvário nunca lhe caiu muito bem, apesar de ter partido dele tanto a ideia como o próprio refrão. Apesar do incômodo a canção virou um hino que acompanhou a todos nós no calvário que calou a nossos pais, avós e a nós mesmos, e que ainda hoje nos silencia. Mas Gil tem razão em incomodar-se. Não será nenhum "Pai" divino que nos salvará dessa ou de qualquer outra tormenta. Ou seremos nós mesmos, ou não será ninguém.
Queremos a verdade ampla, geral e irrestrita. Precisamos dela desarquivada mais que urgentemente. Chega de tanta mentira. Chega de tanto silêncio.
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor e engolir a labuta?
Mesmo calada a boca resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta
De que me vale ser filho da santa?
Melhor seria ser filho da outra
Outra realidade menos morta
Tanta mentira, tanta força bruta
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada, prá a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
De muito gorda a porca já não anda (Cálice!)
De muito usada a faca já não corta
Como é difícil, Pai, abrir a porta (Cálice!)
Essa palavra presa na garganta
Esse pileque homérico no mundo
De que adianta ter boa vontade?
Mesmo calado o peito resta a cuca
Dos bêbados do centro da cidade
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Talvez o mundo não seja pequeno (Cale-se!)
Nem seja a vida um fato consumado (Cale-se!)
Quero inventar o meu próprio pecado (Cale-se!)
Quero morrer do meu próprio veneno (Pai! Cale-se!)
Quero perder de vez tua cabeça! (Cale-se!)
Minha cabeça perder teu juízo. (Cale-se!)
Quero cheirar fumaça de óleo diesel (Cale-se!)
Me embriagar até que alguém me esqueça (Cale-se!)
Nota: Este post é uma contribuição à VII blogagem coletiva #desaquivandoBR.
quarta-feira, 27 de março de 2013
O dia em que uma jovem apache impediu a premiação da máfia
Noite de 27 de março de 1973. Marlon Brando é indicado ao oscar de melhor ator em O Poderoso Chefão, mas ao invés dele, uma jovem de 26 anos trajando roupas tradicionais indígenas é quem se dirige ao palco. Meio sem jeito Roger Moore lhe oferece a estatueta para ficar ainda mais desconcertado com sua recusa. A mulher apresentada como Sacheen Littlefeather (Sachen Pena Pequena) tinha em suas mãos uma carta de Marlon Brando esclarecendo sua ausência e recusa ao prêmio, que não pôde ser lida em função da ameaça da indígena sair do local algemada. Em seu lugar, Pena Pequena fez a seguinte declaração:
Olá. Meu nome é Sasheen Littlefeather. Eu sou Apache e eu sou presidenta do Comitê Nacional de Imagens Afirmativas dos Nativos Americanos.O discurso que Brando havia preparado era obviamente muito maior. Foi substituído por uma declaração que não poderia superar em hipótese alguma o tempo de 1 minuto. Em determinado momento a ativista calou-se, sendo vaiada por uns poucos e aplaudida por outros. O episódio foi reproduzido na grande imprensa obviamente de forma muito negativa. Em pouco tempo veio a notícia de que Sacheen não era Sachhen, que era na verdade Marie e que não era indigena coisa alguma e sim uma atriz contratada por Marlon Brando.
Estou representando Marlon Brando esta noite e ele pediu-me para lhes falar em um discurso muito longo, que não poderei compartilhar com vocês hoje, por causa do tempo, mas ficarei feliz em compartilhar com a imprensa depois, que ele com muito pesar não pode aceitar este prêmio muito generoso.
E a razão para isto é o tratamento dado aos índios americanos hoje pela indústria cinematográfica - desculpe-me - e na televisão, em filmes regravados, e também com os acontecimentos recentes em Wounded Knee.
Rogo para que neste momento não seja vista como uma intrusa nesta noite, e que no futuro, nossos corações e os nossos entendimentos possam se reunir com amor e generosidade.
Obrigado em nome de Marlon Brando.
Marie Louise Cruz, esse era o nome da mulher, pelo menos seu nome de batismo. E sim, ela era uma atriz que em 1973 participou de seu primeiro filme, o Conselheiro do Crime (Il Consigliori). Mas da mesma forma ela também era Pena Pequena e uma ativista do movimento indígena, e agora havia protagonizado o primeiro ato de protesto político da história do Oscar, colocando a revolta de Wounded Knee no centro das atenções de toda a imprensa, quando aquilo que mais queria o governo Nixxon era exatamente mantê-lo bem escondido. Naquela mesma noite centenas de indígenas que ocupavam o pequeno distrito de Dakota do Sul exigindo respeito ao direito de viver em suas terras estavam cercados por agentes do FBI armados até os dentes. O cerco durou 71 dias, com um saldo de 2 mortes e mais de 500 presos e feridos, encerrando-se com mais uma rendição por parte dos povos indígenas e mais um acordo não cumprido por parte do governo federal dos EUA.
Passados quarenta anos, hoje, outro governo federal está disposto a enfrentar povos indígenas para explorar as terras onde eles nasceram. Mas ao invés de Wounded Knee e Richard Nixxon, o lugar é Belo Monte, e a presidenta que está disposta a massacrar direitos e vidas dos indígenas é a petista Dilma Roussef. Ao que tudo indica a história se repetirá como uma imensa tragédia, sem o glamour do protesto de um Marlon Brando, mas com tanta coragem quanto, ou quem sabe ainda mais do que a que protagonizou a jovem apache que impediu a premiação da máfia.
Abaixo o video com o momento em que o Oscar não foi entregue:
terça-feira, 26 de março de 2013
O beijo gay de Wolverine e o décimo terceiro trabalho de Hércules
O cara ficou tão atacado que não conseguiu distinguir o semi-deus romano Hércules do deus nórdico Thor. Aliás nem importava. O Wolverine já não podia ser o super-cara dos sonhos dele e de tantos outros mascu-nerds. Foi mal Cauê, mas que desespero todo é esse, meu?
É claro que qualquer um que tenha acompanhado a construção da figura do Wolverine sabe que não encaixa na história do cara uma relação homoafetiva. E como a Marvel resolveu isso? Com um mundo alternativo que é algo muito comum no mundo dos quadrinhos: o chamado multiverso. Ou seja, Em uma realidade paralela o personagem correspondente ao Wolverine, no caso James Howlett, é gay. Simples assim. No fim das contas, qual o problema?
Quanto ao Hércules não era nem preciso dizer absolutamente nada, mas com tanta crise nervosa de pseudo seguidores de quadrinhos por aí, é bom dizer que tanto em Roma como na Grécia antiga a relação homofoafetiva era absolultamente comum e obviamente isso foi representado nos mitos religiosos de então. O próprio Hércules teve pelo menos três eromenos (amantes adolescentes): Abdero, Hilas e Lolau.
Mas voltando à pergunta de qual o problema, eu respondo: HOMOFOBIA. Como sempre ninguém se permite admitir, mas é exatemente isso. Ora, não faltam versões alternativas do Wolverine no mundo Marvel.
Até versão Zumbi tem. Não haveria problema se fosse uma versão feminina do Wolverine tascando um beijo em outra mulher. Estaria tudo tranquilo se Wolverine fosse transformado no vilão mais canalha das histórias em quadrinhos. Nem mesmo se o cara se transformasse em ser humano comum dos mais medrosos isso teria grande repercussão. Mas um Wolverine gay, mesmo sendo em uma realidade alternativa é um afronta à simbologia masculina. Então até por isso, mais uma vez, meus parabéns Marvel Comics.
Até versão Zumbi tem. Não haveria problema se fosse uma versão feminina do Wolverine tascando um beijo em outra mulher. Estaria tudo tranquilo se Wolverine fosse transformado no vilão mais canalha das histórias em quadrinhos. Nem mesmo se o cara se transformasse em ser humano comum dos mais medrosos isso teria grande repercussão. Mas um Wolverine gay, mesmo sendo em uma realidade alternativa é um afronta à simbologia masculina. Então até por isso, mais uma vez, meus parabéns Marvel Comics.
Honestamente não importa se o interesse da editora era simplesemente chamar a atenção e assim vender mais. A atitude em si de confrontar os preconceitos é digna de respeito. Diante de tanta repercussão, os 12 trabalhos de Hércules foram fichinha, comparado a este décimo terceiro, que é o de combater a homofobia de alguns pseudo aficcionados.
Se você gosta de quadrinhos e ficou curioso com a série, o X-men blog e o Coringa Files disponibilizaram as dez primeiras edições do título X-Treme X-Men já traduzidas (vai precisar de um leitor de cbr). Na série você verá a mutante Cristal liderando uma equipe composta centralmente por uma cabeça voadora do Charles Xavier, o James Howlett e uma versão adolescente do Noturno. No decorrer da série serão apresentadas versões que vão desde um Ciclope negro a um Namor japonês e um Charles Xavier nazista. Bom proveito.
sábado, 23 de março de 2013
Francisco irá reformar a igreja? Tá! Mas quer saber? Não há demão de tinta que dê jeito.
Muito se falou sobre o novo sumo pontífice da igreja católica, o argentino Bergoglio, agora papa Francisco. E muita besteira se falou. Uma grande partes delas, brincadeiras bobas sobre a nacionalidade do homem. Mas as mais irritantes são aquelas que dão a entender que o novo herói católico, com sua simplicidade e amor aos pobres, salvará a igreja de si mesma. Santa idiotice.
Não entro nem no mérito da boa vontade do argentino em combater a pedofilia, coisa que nenhum papa até agora fez, nem mesmo João Paulo II ou Bento XVI. Então digamos que sim, que Bergoglio iniciará um enfrentamento verdadeiro no espírito de não transferir de uma paróquia a outra, mas de expulsar mesmo da igreja e entregar à justiça os padres, frades, bispos e cardeais criminosos. Se isso acontecer estaremos diante de um dos maiores expurgos já vistos em uma organização religiosa e isso por si só seria uma benfeitoria sem tamanho ao mundo.
Digamos ainda que Francisco, como homem simples que é, decida simplesmente não morar nos palácios suntuosos da capital mundial do catolicismo, bagunçando mesmo sem querer a máquina oficial, que segundo dados oficiais do próprio Vaticano, emprega 4862 pessoas, arrecada 1,1 bilhões de reais por ano e gasta 1,05 bilhões de reais (os números referente ao ano de 2010). E se for adiante e resolver bater de frente como os homens do dinheiro de sua igreja, coisa que por muito menos teria levado à morte em 1978 o italiano Albino Luciani, o João Paulo I, 33 dias após sua escolha como papa. Se for audacioso o suficiente e duro na queda o suficiente, ao ponto de tornar pública as tenebrosas relações financeiras do grande banco católico, os desdobramentos do ponto de vista da tranquilidade dos capitalistas seriam desastrosas... pelo menos para alguns capitalistas e por outro lado, uma benção para todos nós, os explorados de todo o planeta.
Bem... nem o expurgo dos pedófilos, nem a guerra santa contra os santos homens de negócio parecem hipóteses muito prováveis para o papado recém iniciado do argentino. Mas façamos um esforço para crer que dê uma louca no papa e o homem abrace o mundo das improbabilidades levando adiante uma muito bem-vinda lavandeira apostólica romana, ainda assim não estaríamos diante de uma mudança significativa capaz de "modernizar" a igreja tornando-a, como se diz, "mais humana".
Coisas como o fim do celibato, a ordenação de mulheres, a aceitação do divórcio, o uso de preservativo e de anticopecional, o aborto mesmo que em caso de estupro ou risco de morte para a mãe, o respeito à orientação sexual das pessoas e seu direito a uma união estável perante o Estado, entre outros, não estão em hipótese alguma em discussão com Francisco à frente do catolicismo. Algumas dessas santas intolerâncias, como o celibato, foram cunhadas no decorrer da construção do catolicismo ainda nos anos feudais e nada deixa a crer que isso possa ser revisto na era do capital e assim abrir o debate sobre herança e previdência das famílias dos clérigos. Mas outras, são a base da própria doutrina judaico-cristã que é misógina e homofóbica até a medula. Não faltam passagens no tal livro sagrado, do velho ao novo testamento, que alimentam desavergonhadamente a cultura machista.
Lá nas tais escrituras "sagradas" estão coisas como:
"Vós, mulheres sujeitai-vos a vosso marido, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seu marido.” (Ef 5:22-24)
"A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. Não permito, porém, que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão." (1Tm 2:11-14)
"Semelhantemente, vós, mulheres, sede sujeitas ao vosso próprio marido, para que também, se algum não obedece à palavra, pelo procedimento de sua mulher seja ganho sem palavra (...)" (Pe 3:1)
"O homem não deve cobrir a cabeça, porque ele é a imagem e o reflexo de Deus, a mulher, no entanto, é o reflexo do homem. Porque o homem não foi tirado da mulher, mas a mulher do homem. Nem o homem foi criado para a mulher, mas a mulher para o homem." (1Co 11:7-9)
"Que as mulheres fiquem caladas nas assembléias, como se faz em todas as igrejas dos cristãos, pois não lhes é permitido tomar a palavra. Devem ficar submissas, como diz também a lei. Se desejam instruir-se sobre algum ponto, perguntem aos maridos em casa; não é conveniente que a mulher fale nas assembléias." (1Co 14:34-35)
"Mulheres, sejam submissas a seus maridos, pois assim convém a mulheres cristãs." (Cl 3:18)E para completar a cereja do bolo que tal essa belíssima orientação de como os devotos do deus de Abrãao devem tratar estupradores e suas vítimas:
"Se uma mulher for estuprada na cidade, e não gritar alto suficiente, ela deve ser apedrejada até à morte (Dt 22:23-24). Caso seja no campo, então ela vive (Dt 22:25). Enfim, se o estuprador for apanhado, ele deverá pagar uma quantia ao pai e casar com a estuprada." (Dt 22:28-29).Então me perdoem meus amigos cristãos e católicos fervorosos ou não praticantes. A não ser que o tal Franscisco convoque a todos a queimar em praça pública suas bíblias, não serão quaisquer reformas que darão um novo ar à sua igreja.
Concluo este com dois videos que recomendo muito. O primeiro é o comentário de Luis Carlos Prates do último dia 14 de março sobre a necessidade de modernização da igreja e o segundo é do comediante Márcio Américo na figura do pastor Adélio falando sobre a Biblia. Bom proveito!
terça-feira, 19 de março de 2013
Elogio do revolucionário (poema de Bertold Brecht)
Quando aumenta a repressão, muitos desanimam.
Mas a coragem dele aumenta.
Organiza sua luta pelo salário, pelo pão
e pela conquista do poder.
Interroga a propriedade.
de onde vens?
Pergunta cada idéia:
Serves a quem?
Ali onde todos calam, ele fala.
E onde reina a opressão e se acusa o destino
ele cita nomes.
À mesa onde ele senta
se senta a insatisfação
a comida sabe mal e a sala se torna estreita.
Aonde vai há revolta
e de onde o expulsam
persiste a agitação.
quinta-feira, 14 de março de 2013
terça-feira, 12 de março de 2013
Viu essa? Mc Marechal vai ao BBB cantar rap criticando BBB. É mole?
O rapper Mc Marechal participou de um dos shows particulares para os integrantes do BBB da Globo e mandou um trecho de seu "Vamos voltar à realidade" criticando, olhem só, a televisão e o próprio BBB. Mas que pegadinha em Pedro Bial? No rap cantado como uma incursão em "Sossego" de Tim Maia, intrepretada no caso por Marquinho, OSócio. Na letra Mc Marechal dispara:
TV testa fidelidade, investe em falsa liberdade, te congela e fecha a imagem
Traz mensagem distorcida das festas e futilidade
Mas jamais vão expor quem chora, atrás dos restos de maquiagem, neguinho
Despertador, Big-Brother, 9,8,4!
A cena com a crítica não foi ao ar na versão aberta do programa que ao editar simplesmente eliminou a saia justa, mas o vídeo está aí pra quem quiser ver:. O video com a participação inusitada até esteve disponível por um período no VideoLog mas já não está mais(*).
Pontaço para Mc Marechal que mandou muito bem o que chamamos de "ação de guerrilha". A versão ficou obviamente muito rápida e pouco inteligível aos desapercebidos mas é possível apreciar a música em seu ritmo original na apresentação do rapper no programa Manos e Minas que foi ao ar lá pelos idos de 2011, por exemplo. Seguem letra e música:
Hoje o café da cabeceira esfria, igual suas emoções
Janela aberta, nem senti! O tempo ruim, sem previsões
Nada de paz! Seus sonhos estão mortos nos lençois
Sem voz, sem ação, suas razões esperançosas dormem a sós: Pim Plim!
TV testa fidelidade, investe em falsa liberdade, te congela entre as imagens
Traz mensagem distorcida das festas e futilidade
Mas jamais vão expor quem chora, atrás dos restos de maquiagem, neguinho
Despertador, Big-Brother, não agüento o quatro!
Sua tranca, seu quarto, seu tempo sentado, seu trago
Seu trampo, sentado, se seguindo, sem ver sentido
Sem teto, seu estado, no estúdio e não avista a intenção do inimigo
Papai Noel veste vermelho e te traz coca
Te lacra na embalagem no escuro e cê nem se toca
Não tem como sair mais já nem nota
Que o mundo é de plástico e tem quem finge não enxergar o que nos sufoca...
Vamos voltar a realidade...
Eles querem nos forçar a amar o que nos não podemos ter
E fazer tu se apaixonar pelo o que não é você
Tu acha que portar Nike é vencer? Chega o momento em que
Tu encara o espelho e não consegue mais se ver
Cadê tua alma? cadê tua fé, guerreiro?
Cadê teus princípios? Teu sentimento verdadeiro?
Cadê a mulher? Cadê o amor? Cadê? Qual foi? Cadê os parcero?
Vagabundo ta topando tudo por dinheiro...
Na ilusão de ser feliz, neguinho aceita os que eles disserem...
É o que o diabo quis, e o anjo protetor já não interfere
Abdicaram da raiz, vários irmão se matam em série
Eles alegam: "Nós só tamo dando ao povo o que eles querem"
Cada vez que o ego inflar, tu se sentir o fodão,
Não esquece que o poder não tem haver com sensação
Eles estudam o teu sentimento, exploram tua emoção
Se eles sabem o que tu sente pode prever sua reação...
Vamos voltar à realidade...
(*) Editado em 16 de março trocando o video que foi removido do VideoLog por uma imagem. Pelo jeito a Globo não quer nem vestígio da crítica do Marechal. :)
TV testa fidelidade, investe em falsa liberdade, te congela e fecha a imagem
Traz mensagem distorcida das festas e futilidade
Mas jamais vão expor quem chora, atrás dos restos de maquiagem, neguinho
Despertador, Big-Brother, 9,8,4!
A cena com a crítica não foi ao ar na versão aberta do programa que ao editar simplesmente eliminou a saia justa
Pontaço para Mc Marechal que mandou muito bem o que chamamos de "ação de guerrilha". A versão ficou obviamente muito rápida e pouco inteligível aos desapercebidos mas é possível apreciar a música em seu ritmo original na apresentação do rapper no programa Manos e Minas que foi ao ar lá pelos idos de 2011, por exemplo. Seguem letra e música:
Hoje o café da cabeceira esfria, igual suas emoções
Janela aberta, nem senti! O tempo ruim, sem previsões
Nada de paz! Seus sonhos estão mortos nos lençois
Sem voz, sem ação, suas razões esperançosas dormem a sós: Pim Plim!
TV testa fidelidade, investe em falsa liberdade, te congela entre as imagens
Traz mensagem distorcida das festas e futilidade
Mas jamais vão expor quem chora, atrás dos restos de maquiagem, neguinho
Despertador, Big-Brother, não agüento o quatro!
Sua tranca, seu quarto, seu tempo sentado, seu trago
Seu trampo, sentado, se seguindo, sem ver sentido
Sem teto, seu estado, no estúdio e não avista a intenção do inimigo
Papai Noel veste vermelho e te traz coca
Te lacra na embalagem no escuro e cê nem se toca
Não tem como sair mais já nem nota
Que o mundo é de plástico e tem quem finge não enxergar o que nos sufoca...
Vamos voltar a realidade...
Eles querem nos forçar a amar o que nos não podemos ter
E fazer tu se apaixonar pelo o que não é você
Tu acha que portar Nike é vencer? Chega o momento em que
Tu encara o espelho e não consegue mais se ver
Cadê tua alma? cadê tua fé, guerreiro?
Cadê teus princípios? Teu sentimento verdadeiro?
Cadê a mulher? Cadê o amor? Cadê? Qual foi? Cadê os parcero?
Vagabundo ta topando tudo por dinheiro...
Na ilusão de ser feliz, neguinho aceita os que eles disserem...
É o que o diabo quis, e o anjo protetor já não interfere
Abdicaram da raiz, vários irmão se matam em série
Eles alegam: "Nós só tamo dando ao povo o que eles querem"
Cada vez que o ego inflar, tu se sentir o fodão,
Não esquece que o poder não tem haver com sensação
Eles estudam o teu sentimento, exploram tua emoção
Se eles sabem o que tu sente pode prever sua reação...
Vamos voltar à realidade...
(*) Editado em 16 de março trocando o video que foi removido do VideoLog por uma imagem. Pelo jeito a Globo não quer nem vestígio da crítica do Marechal. :)
quinta-feira, 7 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
sábado, 2 de março de 2013
Nós, nós não temos heróis (#Poesia de cearense Francisco Carvalho na voz de Abujamra)
NÓS, NÓS NÃO TEMOS HERÓIS.
NEM JAMAIS OS TIVEMOS.
AFINAL, PARA QUE SERVEM OS HERÓIS
E SUAS ESTÁTUAS DE GRANITO OU MÁRMORE NEGRO,
SEUS CAVALOS DE BRONZE,
SUAS MEDALHAS BARROCAS
E AS ESPADAS QUE NÃO PASSAM DE METÁFORAS?
PARA QUE SERVEM OS HERÓIS
SE O ÁCIDO DA CHUVA
DESDENHA DA GLÓRIA DOS HOMENS
E NEM OS PÁSSAROS SE IMPORTAM COM ELES?
PARA QUE SERVEM OS HERÓIS
SE NEM SABE QUEM SOMOS
NEM JAMAIS OUVIRAM FALAR
DOS NOSSOS MITOS E UTOPIAS?
INFELIZ DO PAÍS QUE NECESSITA DE HERÓIS.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Alguns comentários sobre a entrevista de Marília Coutinho e a resposta do PSTU
Marília Coutinho, irmã do cartunista Laerte Coutinho, é atleta de powerlifting. Lutou durante anos contra um disturbio mental que a fez tentar inclusive o suicidio. Antes disso foi militante política do Partidão (1978) e da Convergência Socialsta (1979 a 1981), também conhecida como CS e que em 1994 dissolveu-se para dar origem ao PSTU, seçao brasileira da Liga Internacional dos Trabalhadores.
Recentemente o nome de Marília voltou às rodas da militância, inclusive à página do PSTU, em função de declarações dadas por ela à revista Trip em 2011 e à folha de São Paulo no último dia 25 de fevereiro. Nessas declarações a atleta afirma e reafirma: "Fui estuprada na CS".
Entendendo o caso
1. Marília ingressou na CS com 15/16 anos e mal entrou teve suas primeiras experiências sexuais com membros da direção, tal como ela relata na entrevista à Folha:
Suas primeiras experiências sexuais aconteceram com líderes partidários das duas organizações. "Sexo fazia parte da política", diz. "Eu estava despertando para a sexualidade e, de repente, tinha que transar para fazer parte do grupo", conta.
2. No mesmo ano que ingressou na CS e ainda com 15/16 anos foi estuprada em uma festa por um militante. Não sabemos se o militante é o mesmo lider partidário falado anteriormente, mas é um militante tal como confirma o texto de resposta dos militantes da época e que ainda estão no PSTU:
"quando desacordada numa festa foi estuprada por outro jovem militante da época".
3. O caso foi investigado, o militante foi punido e este acabou por se afastar por conta própria. Textualmente:
"o militante em questão foi punido e retirou-se da militância".
4. Em 1981, com 18/19 anos, Marília se afasta da organização psicologicamente destruída ao ponto de ter tentado o suicídio como reitera a entrevista.
"Marilia saiu da militância em 1981 e, no mesmo ano, recebeu o diagnóstico de psicose maníaco-depressiva".
5. Em 2011 em uma entrevista à Trip, Marília contou sobre sua superação e falou sobre a agressão que sofreu. O PSTU não repondeu mas 9 militantes da época postaram o seguinte comentário no artigo da Trip:
Lendo a entrevista de Marília Coutinho achamos necessário vir a público pois, como ela, fomos jovens e adolescentes que ao final da década de 1970 e início dos oitenta participamos do movimento estudantil contra a ditadura e militamos na mesma organização, na época a Convergência Socialista e sua seção de juventude, o Alicerce.
Antes de tudo, ficamos entristecidos com a difícil crise psicológica que Marília superou recentemente, mas vemos sua dedicação ao esporte como um sinal de que ela se encontra bem melhor.
Também nos solidarizamos com a lembrança de um triste e revoltante episódio ocorrido com ela, quando desacordada numa festa foi abusada sexualmente por outro jovem militante da época. Ela denunciou o fato na época, o caso foi para julgamento numa comissão interna da organização e o militante em questão foi punido e retirou-se da militância. Essa reação do partido em defesa de Marília ocorreu porque, ao contrário do que ela escreveu, não existia uma cumplicidade com este tipo de atitude, mas mecanismos de defesa moral dela e do partido.
A cultura machista reinava então como até hoje e sempre nos dedicamos a lutar contra ela, defendendo os movimentos e as causas feministas, dos direitos homossexuais e de todos os setores oprimidos e por isso participamos, desde a década de 70, na luta por essas questões que são parte do programa emancipatório do socialismo.
Por isso, ficamos chocados com a afirmação de Marília na entrevista, quando diz que "as militantes de base eram obrigadas a fazer sexo com os líderes". Nem ela nem ninguém que conheçamos foram obrigadas a isso. O caso específico por ela denunciado ocorreu entre jovens militantes e foi amplamente repudiado. A frase generalizante é obviamente uma calúnia, um absurdo completo, como também é dizer que mulheres da geração anterior foram mais mal tratadas por seus companheiros do que pelos torturadores.
A agressão que sofreu há 30 anos ou o seu rancor pela esquerda não podem justificar acusações graves e genéricas que se constituem como calúnias difamatórias contra os movimentos estudantis e de esquerda dos quais ela hoje parece se arrepender de ter participado.
Independente das opiniões políticas que possuímos hoje somos testemunhas de que as generalizações afirmadas nessa entrevista não expressam em nada a realidade do que foi o ambiente juvenil e estudantil da esquerda nos anos da derrubada da ditadura.
Carlos Alberto Baptistella
Fábio Bosco
Henrique Soares Carneiro
Karin Andreia Botini
Maria Mercedes César
Moacir Sousa
Rose Colombo
Ulysses Silva
Vera Guasso
6. Agora em 2013, Marília reiterou em entrevista à folha que foi estuprada no "PSTU, Convergência" e fez afirmações novas sobre a prática machista dentro da organização à época:
“Você é revolucionária, então vai limpar o chão! Abre a perna e dá pro cara! Faz não sei o quê!”
7. A falta de resposta do PSTU em 2011 não se repetiu desta vez e entre seus argumentos se lê:
7.1. Estranho Marília não citar que o estuprador foi punido e afastou-se por conta própria.
7.2. Mais estranho ainda falar em PSTU quando este foi fundado somente em 1994.
7.3. Como Marília não é desinformada o que ela está fazendo é uma calúnia com o intuito de desmoralizar a esquerda.
7.4. Militantes não são nem nunca foram obrigadas a transar com chefes partidários.
Consideração número 1: Afinal, o que é mais importante nessa história toda?
Em primeiro lugar vamos ao fato primordial de todo o episódio: HOUVE ESTUPRO. Este é o ponto fundamental e a partir daí é que deve partir toda a análise do caso. Não se pode em hipótese alguma menosprezar tal fato. Para termos noção do que isso pode significar na vida de uma mulher vale recorrer ao recente artigo de Cecília Toledo, militante do PSTU e dirigente da LIT:
"O estupro é um tipo de violência contra as mulheres que deixa marcas pelo resto da vida. Uma mulher que já sofreu estupro passa a sentir-se permanentemente ameaçada e com medo de que isso se repita, o que a torna um ser fragilizado para todas as tarefas que tem adiante. É uma agressão física e psicológica que dificilmente se supera."
Se isso é verdade para qualquer mulher tal como afirma Cecília imaginemos então o que não terá sido para a jovem Marília que recém iniciava sua vida sexual em 1979. Não é a toa que dois anos após ingressar nas fileiras foi diagnosticada com psicose maníaco-depressiva.
Diante de uma situação como essa, como uma organização trotskista deve se comportar? Mais uma vez vale recorrer ao artigo da Cecília:
"Em primeiro lugar, não esconder os fatos, apurá-los até o fim e punir os envolvidos com a expulsão de nossas fileiras."
É claro que para não esconder é preciso haver um ambiente propício para que a vítima se sinta a vontade para denunciar. É preciso grande força de vontade para fazê-lo. Marília fez. Talvez estimulada por alguns companheiros mas fez. Não se sabe se o fez logo quando aconteceu ou meses depois, talvez até próximo de sua própria saída da organização, mas fez, e a organização, por sua vez, apurou e puniu. Expulsou? Não, não expulsou. Por conta própria o agressor retirou-se. Parece um pequeno detalhe mas nestes casos pequenos detalhes fazem toda a diferença.
Mas por que não expulsou? Talvez o fato dela estar desacordada e não ter lutado contra seu agressor tenha pesado. Era uma festa. Todos eram jovens. Haviam bebido muito. Ela já havia transado com outros, inclusive com seus "líderes partidários". Quem sabe tenham pensado que foi grave mas não foi tão grave assim. Essas são coisas da juventude, não é mesmo?
Mas de qualquer forma houve uma punição. Não sabemos qual foi mas pelo menos houve. Mas e quanto à vítima? Como ela foi tratada? Como se manifestou o companheirismo de seus colegas militantes? Ela passou pelo momento com o apoio de seus pares ou teve que enfrentar sozinha? Não temos a resposta mas aparentemente Marília enfrentou tudo sozinha afinal seus contemporâneos praticamente ficaram surpresos com toda a paranóia pela qual a ex-militante teve que passar.
E como isso tudo se manifesta na cabeça de uma jovem? Quantos fantasmas alguém que passou pelo que passou Marília não teve que enfrentar depois disso? Pelo visto não foram poucos.
E por que Marília ao falar sobre seus fantasmas do passado não falou que a CS puniu e não expulsou seu agressor? Será porque a punição, que sequer foi a expulsão, acabou sendo algo insignificante diante da agressão? Será pelo fato de ter tido que encarar sozinha os traumas que sua passagem pela organização acabou por ajudar a construir? Será pelo fato de praticamente ter se visto forçada a manter o caso nas fileiras ou melhor consigo mesma ao invés de fazer a denuncia da agressão à polícia? Os motivos podem ser vários mas se não percebermos que isso é extremamente pequeno diante da violência sofrida acabaremos por reforçar a tese de que a vítima é quem é a culpada, que se faz de coitadinha, mas que no fundo quer mesmo é prejudicar o "suposto" culpado tal como no deixa a entender o referido texto de resposta:
"...a calúnia é proposital e pensada para desmoralizar a esquerda da qual um dia fez parte, talvez por um trauma e uma mágoa justificados, mas com declarações desonestas".
Consideração número 2: Marília se arrepende de seu passado e por isso calunia a CS/PSTU?
Tendo passado pelo que passou é difícil não se arrepender. Um exercício um pouco maior de empatia talvez nos ajudasse a todos a entender pelo que passou aquela menina, hoje mulher. Conheço gente que se arrependeu de sua militância por muito, muito menos e que guarda rancores absolutamente sem fim. Talvez tais rancores deturpem a visão da pessoa sobre o que de fato aconteceu com ela mas, via de regra, não consigo responsabilizar o indivíduo nesses casos. Via de regra defendo que o problema está exatamente no coletivo, na organização, que ao invés de estar disposta a "investigar e punir" deveria, em primeiro lugar, esforçar-se ao máximo para criar um ambiente propício a inibir problemas de moral.
Mas como fazer isso? Esse, sem dúvida, é um grande desafio. O que de cara posso dizer é que com certeza não será dando em cima das meninas que entram na organização nem muito menos dando bola às próprias investidas da nova militante, algumas vezes deslumbrada com a desenvoltura dos camaradas. Como nos diz o texto de Cecília:
"O respeito revolucionário em relação a uma mulher que entra no partido e se dispõe a dar sua vida pela revolução é tudo, porque ao entrar no partido ela estará superando obstáculos muito maiores que um homem". (...) "Dentro do partido, as mulheres conscientes, as militantes revolucionárias, não esperam encontrar o mesmo que encontram todos os dias na sociedade em geral. Dentro do partido, elas confiam nos camaradas, baixam sua guarda em relação a eles, e só esperam em troca confiança e uma relação de respeito e camaradagem".
Mas e quanto às calúnias? Não é preciso respondê-las? Bem... pra ser sincero eu nem trataria como calúnia. Trataria de ajudar a esclarecer o ocorrido, admitindo que sim, além do próprio caso de estupro, os militantes com que Marília conviveu podem ter tido atitudes machistas, muito dificilmente com o tom que ela expressou, mas que pode ter sim ocorrido e que a CS, mesmo compreendendo que tais atitudes são inadmissíveis e que devem ser combatidas de forma incansável, pode não ter estado à altura para em determinado momentos inibi-las. Uma resposta mais simpática, mais humilde e desprovida de patriotismo partidário cairia muito melhor neste caso do que uma defesa da honra da organização.
Consideração número 3: Não se obriga militantes a transar com seus chefes.
De fato acho muito difícil que qualquer organização obrigue seus militantes a transar com seus chefes. Mesmo em seitas religiosas onde jovens transam com seu mentor espiritual isso não é feito na base da obrigação. Existe todo um jogo de sedução que é jogado nesse terreno. O fato de que a possível transa com os dirigentes não seja tal como descreve Marília ("é revolucionária então abra as pernas") não diminui a gravidade do fato de que alguns quadros possam se utilizar de seu prestígio para rodear, seduzir e levar para a cama uma nova militante. Não considerar essa hipótese é o mesmo que fechar os olhos e compactuar com ela.
Para falar sobre a gravidade do que uma atitude como essa pode significar me valho novamente e pela última vez ao texto de Cecília Toledo:
"Nós, que lutamos contra a opressão das mulheres, sabemos como é importante para uma mulher tornar-se consciente politicamente e, sobretudo, entrar no partido. Por isso se os casos de machismo são graves na sociedade como um todo, eles são duplamente perniciosos dentro de nossas fileiras, porque estarão destruindo uma militante e também o nosso objetivo final, ou seja, a própria construção do partido, o instrumento que vamos construindo dia a dia para conquistar uma sociedade socialista e, com ela, a emancipação total das mulheres".
Em suma: compactuar com desvios morais machistas, e aí inclui-se o desvio do satisfazer desejos e taras pessoais que via de regra se escondem atrás do véu da "vida pessoal", é compactuar com a destruição de militantes mulheres e do próprio partido revolucionário o que por sua vez é conspirar contra a própria revolução.
Para concluir
De alguém que enfrentou os monstros e fantasmas que Marília enfrentou não vejo porque fazer quaisquer cobranças sobre o tema. Posso lamentar posições políticas e confusões desmedidas e nada críveis como a de afirmar que o abuso dentro da antiga CS poderia ser maior que os cometidos pela ditadura. Mas de uma organização revolucionária como o PSTU com certeza é preciso esperar muito mais do que o tom da resposta que foi dado inclusive com o argumento de que o partido ainda nem existia em 79. Tenho alguns bons amigos e companheiros no partido pelos quais guardo grande apreço e sinceramente torço para que o episódio, ao invés de fortalecer o patriotismo acima de qualquer coisa, sirva para fazer o debate sobre a moral revolucionária e a forma correta de como devem se portar seus militantes, e em especial seus quadros, diante de mulheres e meninas que ingressam em suas fileiras.
Recentemente o nome de Marília voltou às rodas da militância, inclusive à página do PSTU, em função de declarações dadas por ela à revista Trip em 2011 e à folha de São Paulo no último dia 25 de fevereiro. Nessas declarações a atleta afirma e reafirma: "Fui estuprada na CS".
Entendendo o caso
1. Marília ingressou na CS com 15/16 anos e mal entrou teve suas primeiras experiências sexuais com membros da direção, tal como ela relata na entrevista à Folha:
Suas primeiras experiências sexuais aconteceram com líderes partidários das duas organizações. "Sexo fazia parte da política", diz. "Eu estava despertando para a sexualidade e, de repente, tinha que transar para fazer parte do grupo", conta.
2. No mesmo ano que ingressou na CS e ainda com 15/16 anos foi estuprada em uma festa por um militante. Não sabemos se o militante é o mesmo lider partidário falado anteriormente, mas é um militante tal como confirma o texto de resposta dos militantes da época e que ainda estão no PSTU:
"quando desacordada numa festa foi estuprada por outro jovem militante da época".
3. O caso foi investigado, o militante foi punido e este acabou por se afastar por conta própria. Textualmente:
"o militante em questão foi punido e retirou-se da militância".
4. Em 1981, com 18/19 anos, Marília se afasta da organização psicologicamente destruída ao ponto de ter tentado o suicídio como reitera a entrevista.
"Marilia saiu da militância em 1981 e, no mesmo ano, recebeu o diagnóstico de psicose maníaco-depressiva".
5. Em 2011 em uma entrevista à Trip, Marília contou sobre sua superação e falou sobre a agressão que sofreu. O PSTU não repondeu mas 9 militantes da época postaram o seguinte comentário no artigo da Trip:
Lendo a entrevista de Marília Coutinho achamos necessário vir a público pois, como ela, fomos jovens e adolescentes que ao final da década de 1970 e início dos oitenta participamos do movimento estudantil contra a ditadura e militamos na mesma organização, na época a Convergência Socialista e sua seção de juventude, o Alicerce.
Antes de tudo, ficamos entristecidos com a difícil crise psicológica que Marília superou recentemente, mas vemos sua dedicação ao esporte como um sinal de que ela se encontra bem melhor.
Também nos solidarizamos com a lembrança de um triste e revoltante episódio ocorrido com ela, quando desacordada numa festa foi abusada sexualmente por outro jovem militante da época. Ela denunciou o fato na época, o caso foi para julgamento numa comissão interna da organização e o militante em questão foi punido e retirou-se da militância. Essa reação do partido em defesa de Marília ocorreu porque, ao contrário do que ela escreveu, não existia uma cumplicidade com este tipo de atitude, mas mecanismos de defesa moral dela e do partido.
A cultura machista reinava então como até hoje e sempre nos dedicamos a lutar contra ela, defendendo os movimentos e as causas feministas, dos direitos homossexuais e de todos os setores oprimidos e por isso participamos, desde a década de 70, na luta por essas questões que são parte do programa emancipatório do socialismo.
Por isso, ficamos chocados com a afirmação de Marília na entrevista, quando diz que "as militantes de base eram obrigadas a fazer sexo com os líderes". Nem ela nem ninguém que conheçamos foram obrigadas a isso. O caso específico por ela denunciado ocorreu entre jovens militantes e foi amplamente repudiado. A frase generalizante é obviamente uma calúnia, um absurdo completo, como também é dizer que mulheres da geração anterior foram mais mal tratadas por seus companheiros do que pelos torturadores.
A agressão que sofreu há 30 anos ou o seu rancor pela esquerda não podem justificar acusações graves e genéricas que se constituem como calúnias difamatórias contra os movimentos estudantis e de esquerda dos quais ela hoje parece se arrepender de ter participado.
Independente das opiniões políticas que possuímos hoje somos testemunhas de que as generalizações afirmadas nessa entrevista não expressam em nada a realidade do que foi o ambiente juvenil e estudantil da esquerda nos anos da derrubada da ditadura.
Carlos Alberto Baptistella
Fábio Bosco
Henrique Soares Carneiro
Karin Andreia Botini
Maria Mercedes César
Moacir Sousa
Rose Colombo
Ulysses Silva
Vera Guasso
6. Agora em 2013, Marília reiterou em entrevista à folha que foi estuprada no "PSTU, Convergência" e fez afirmações novas sobre a prática machista dentro da organização à época:
“Você é revolucionária, então vai limpar o chão! Abre a perna e dá pro cara! Faz não sei o quê!”
7. A falta de resposta do PSTU em 2011 não se repetiu desta vez e entre seus argumentos se lê:
7.1. Estranho Marília não citar que o estuprador foi punido e afastou-se por conta própria.
7.2. Mais estranho ainda falar em PSTU quando este foi fundado somente em 1994.
7.3. Como Marília não é desinformada o que ela está fazendo é uma calúnia com o intuito de desmoralizar a esquerda.
7.4. Militantes não são nem nunca foram obrigadas a transar com chefes partidários.
Consideração número 1: Afinal, o que é mais importante nessa história toda?
Em primeiro lugar vamos ao fato primordial de todo o episódio: HOUVE ESTUPRO. Este é o ponto fundamental e a partir daí é que deve partir toda a análise do caso. Não se pode em hipótese alguma menosprezar tal fato. Para termos noção do que isso pode significar na vida de uma mulher vale recorrer ao recente artigo de Cecília Toledo, militante do PSTU e dirigente da LIT:
"O estupro é um tipo de violência contra as mulheres que deixa marcas pelo resto da vida. Uma mulher que já sofreu estupro passa a sentir-se permanentemente ameaçada e com medo de que isso se repita, o que a torna um ser fragilizado para todas as tarefas que tem adiante. É uma agressão física e psicológica que dificilmente se supera."
Se isso é verdade para qualquer mulher tal como afirma Cecília imaginemos então o que não terá sido para a jovem Marília que recém iniciava sua vida sexual em 1979. Não é a toa que dois anos após ingressar nas fileiras foi diagnosticada com psicose maníaco-depressiva.
Diante de uma situação como essa, como uma organização trotskista deve se comportar? Mais uma vez vale recorrer ao artigo da Cecília:
"Em primeiro lugar, não esconder os fatos, apurá-los até o fim e punir os envolvidos com a expulsão de nossas fileiras."
É claro que para não esconder é preciso haver um ambiente propício para que a vítima se sinta a vontade para denunciar. É preciso grande força de vontade para fazê-lo. Marília fez. Talvez estimulada por alguns companheiros mas fez. Não se sabe se o fez logo quando aconteceu ou meses depois, talvez até próximo de sua própria saída da organização, mas fez, e a organização, por sua vez, apurou e puniu. Expulsou? Não, não expulsou. Por conta própria o agressor retirou-se. Parece um pequeno detalhe mas nestes casos pequenos detalhes fazem toda a diferença.
Mas por que não expulsou? Talvez o fato dela estar desacordada e não ter lutado contra seu agressor tenha pesado. Era uma festa. Todos eram jovens. Haviam bebido muito. Ela já havia transado com outros, inclusive com seus "líderes partidários". Quem sabe tenham pensado que foi grave mas não foi tão grave assim. Essas são coisas da juventude, não é mesmo?
Mas de qualquer forma houve uma punição. Não sabemos qual foi mas pelo menos houve. Mas e quanto à vítima? Como ela foi tratada? Como se manifestou o companheirismo de seus colegas militantes? Ela passou pelo momento com o apoio de seus pares ou teve que enfrentar sozinha? Não temos a resposta mas aparentemente Marília enfrentou tudo sozinha afinal seus contemporâneos praticamente ficaram surpresos com toda a paranóia pela qual a ex-militante teve que passar.
E como isso tudo se manifesta na cabeça de uma jovem? Quantos fantasmas alguém que passou pelo que passou Marília não teve que enfrentar depois disso? Pelo visto não foram poucos.
E por que Marília ao falar sobre seus fantasmas do passado não falou que a CS puniu e não expulsou seu agressor? Será porque a punição, que sequer foi a expulsão, acabou sendo algo insignificante diante da agressão? Será pelo fato de ter tido que encarar sozinha os traumas que sua passagem pela organização acabou por ajudar a construir? Será pelo fato de praticamente ter se visto forçada a manter o caso nas fileiras ou melhor consigo mesma ao invés de fazer a denuncia da agressão à polícia? Os motivos podem ser vários mas se não percebermos que isso é extremamente pequeno diante da violência sofrida acabaremos por reforçar a tese de que a vítima é quem é a culpada, que se faz de coitadinha, mas que no fundo quer mesmo é prejudicar o "suposto" culpado tal como no deixa a entender o referido texto de resposta:
"...a calúnia é proposital e pensada para desmoralizar a esquerda da qual um dia fez parte, talvez por um trauma e uma mágoa justificados, mas com declarações desonestas".
Consideração número 2: Marília se arrepende de seu passado e por isso calunia a CS/PSTU?
Tendo passado pelo que passou é difícil não se arrepender. Um exercício um pouco maior de empatia talvez nos ajudasse a todos a entender pelo que passou aquela menina, hoje mulher. Conheço gente que se arrependeu de sua militância por muito, muito menos e que guarda rancores absolutamente sem fim. Talvez tais rancores deturpem a visão da pessoa sobre o que de fato aconteceu com ela mas, via de regra, não consigo responsabilizar o indivíduo nesses casos. Via de regra defendo que o problema está exatamente no coletivo, na organização, que ao invés de estar disposta a "investigar e punir" deveria, em primeiro lugar, esforçar-se ao máximo para criar um ambiente propício a inibir problemas de moral.
Mas como fazer isso? Esse, sem dúvida, é um grande desafio. O que de cara posso dizer é que com certeza não será dando em cima das meninas que entram na organização nem muito menos dando bola às próprias investidas da nova militante, algumas vezes deslumbrada com a desenvoltura dos camaradas. Como nos diz o texto de Cecília:
"O respeito revolucionário em relação a uma mulher que entra no partido e se dispõe a dar sua vida pela revolução é tudo, porque ao entrar no partido ela estará superando obstáculos muito maiores que um homem". (...) "Dentro do partido, as mulheres conscientes, as militantes revolucionárias, não esperam encontrar o mesmo que encontram todos os dias na sociedade em geral. Dentro do partido, elas confiam nos camaradas, baixam sua guarda em relação a eles, e só esperam em troca confiança e uma relação de respeito e camaradagem".
Mas e quanto às calúnias? Não é preciso respondê-las? Bem... pra ser sincero eu nem trataria como calúnia. Trataria de ajudar a esclarecer o ocorrido, admitindo que sim, além do próprio caso de estupro, os militantes com que Marília conviveu podem ter tido atitudes machistas, muito dificilmente com o tom que ela expressou, mas que pode ter sim ocorrido e que a CS, mesmo compreendendo que tais atitudes são inadmissíveis e que devem ser combatidas de forma incansável, pode não ter estado à altura para em determinado momentos inibi-las. Uma resposta mais simpática, mais humilde e desprovida de patriotismo partidário cairia muito melhor neste caso do que uma defesa da honra da organização.
Consideração número 3: Não se obriga militantes a transar com seus chefes.
De fato acho muito difícil que qualquer organização obrigue seus militantes a transar com seus chefes. Mesmo em seitas religiosas onde jovens transam com seu mentor espiritual isso não é feito na base da obrigação. Existe todo um jogo de sedução que é jogado nesse terreno. O fato de que a possível transa com os dirigentes não seja tal como descreve Marília ("é revolucionária então abra as pernas") não diminui a gravidade do fato de que alguns quadros possam se utilizar de seu prestígio para rodear, seduzir e levar para a cama uma nova militante. Não considerar essa hipótese é o mesmo que fechar os olhos e compactuar com ela.
Para falar sobre a gravidade do que uma atitude como essa pode significar me valho novamente e pela última vez ao texto de Cecília Toledo:
"Nós, que lutamos contra a opressão das mulheres, sabemos como é importante para uma mulher tornar-se consciente politicamente e, sobretudo, entrar no partido. Por isso se os casos de machismo são graves na sociedade como um todo, eles são duplamente perniciosos dentro de nossas fileiras, porque estarão destruindo uma militante e também o nosso objetivo final, ou seja, a própria construção do partido, o instrumento que vamos construindo dia a dia para conquistar uma sociedade socialista e, com ela, a emancipação total das mulheres".
Em suma: compactuar com desvios morais machistas, e aí inclui-se o desvio do satisfazer desejos e taras pessoais que via de regra se escondem atrás do véu da "vida pessoal", é compactuar com a destruição de militantes mulheres e do próprio partido revolucionário o que por sua vez é conspirar contra a própria revolução.
Para concluir
De alguém que enfrentou os monstros e fantasmas que Marília enfrentou não vejo porque fazer quaisquer cobranças sobre o tema. Posso lamentar posições políticas e confusões desmedidas e nada críveis como a de afirmar que o abuso dentro da antiga CS poderia ser maior que os cometidos pela ditadura. Mas de uma organização revolucionária como o PSTU com certeza é preciso esperar muito mais do que o tom da resposta que foi dado inclusive com o argumento de que o partido ainda nem existia em 79. Tenho alguns bons amigos e companheiros no partido pelos quais guardo grande apreço e sinceramente torço para que o episódio, ao invés de fortalecer o patriotismo acima de qualquer coisa, sirva para fazer o debate sobre a moral revolucionária e a forma correta de como devem se portar seus militantes, e em especial seus quadros, diante de mulheres e meninas que ingressam em suas fileiras.
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