sexta-feira, 21 de junho de 2013

"A situação virou. Tentemos estar à altura." (Reflexão de um militante do LSR)

O texto a seguir é de André Ferrari, militante da LSR, corrente interna do PSOL. Nele, André faz uma análise da situação a partir do que viu ocorrer na Avenida Paulista durante os atos desta quinta-feira, 20 de junho. Uma reflexão valiosa que merece ser lida e com a qual tenho grandes acordos. Existe uma batalha em curso para que se possa ter o direito democrático de se participar dos atos e manifestações sem ter de abaixar as bandeiras. É sem dúvida uma batalha importante mas restringir-se a ela é um equívoco que pode ser criminoso e até mesmo mortal. É preciso mais, muito mais. Sem a participação dos trabalhadores nas ruas, todo o momento tende a se perder. Tentar construir um dia de paralisação nacional das principais categorias do país é fundamental e inadiável. Tal como coloca André: "A esquerda socialista brasileira precisa sair da rotina dos 20 anos passados."

Segue o texto. Boa leitura.
Companheirada,

O país vive uma sublevação popular.
Não há direção política ou eixo programático unitário.
O fim do PT e da CUT criou um vazio político assustador.A ausência de uma referência política de esquerda nos últimos 20 anos, incluindo a traição aberta do PT com Lula e Dilma nos últimos 10 anos, criaram uma geração que se indigna, quer lutar, toma as ruas, mas não parte (ainda) das referências classistas, de esquerda, socialistas.
Aliás, esquerda, partido, política, para muitos deles é o governo Dilma, é corrupção, é safadeza.Entre um empurrão e outro, conversei com muitos jovens hoje na Paulista. A raiva em relação aos partidos é uma raiva difusa contra os políticos.
É também uma raiva contra quem manipula a vontade do povo.A maioria não conhece, nem tem ideia de que o PSOL e o PSTU são oposição de esquerda ao governo Dilma e que fazem luta contra os governos há muito tempo.Na manifestação, não ajudou nada o fato de que bandeiras do PT estavam próximas a nós.
O PT é o grande responsável por essa confusão na consciência de amplos setores. Acho que têm o direito de levantar suas bandeiras, mas que respondam por sua traição histórica.
Eles são o governo que queremos derrotar.É evidente que hoje na manifestação havia uma direita organizada atuando.
Ela vai desde a FIESP até bandos de conotação "fascista" e P2s.
Esses setores encontram eco fácil em parte da massa na hostilização aos partidos e sabem fazer o seu trabalho.Mas, isso não significa necessariamente que a coisa vai dar numa base de massas para o "fascismo" ou algo do tipo.
Vamos com cuidado, senão entregamos de bandeja esse movimento para quem saberá utilizá-lo muito bem. E contra nós.A esquerda se organizou para o Ato. isso é bom e precisa continuar. Mas, continuar em um patamar superior.A esquerda socialista e classista, independente de governos e patrões, precisa se unificar para o próximo período.
Qualquer sectarismo e estreiteza autoproclamatória representa suicídio. É bom aprendermos de vez essa lição.A classe trabalhadora enquanto classe também precisa entrar em cena.
A disputa da consciência nas ações do MTST e outros ontem em Taboão da Serra e M'boi Mirim é muito mais favorável.Nas fábricas e locais de trabalho também.
Ainda será difícil, mas as condições serão melhores.Um Encontro Nacional de trabalhadores que tire um eixo programático para as lutas e prepara o caminho para uma greve geral de 24 horas pode aos poucos reconstruir uma referência política para amplas massas.Essa é a tarefa imediata!!Sem isso, ficaremos disputando espaço na Avenida Paulista e brigando pelo direito de levantar uma bandeira.
Quero mais. Podemos ter mais.A esquerda socialista brasileira precisa sair da rotina dos 20 anos passados.A situação virou. Tentemos estar à altura.

O Rio de Janeiro continua lindo: Presidente Vargas tomada de manifestantes nesta quinta. #ProtestoRJ


quinta-feira, 20 de junho de 2013

#Fotos de cartazes e faixas coerentes e outros nem tanto na manifestação em Fortaleza nesta quarta dia 19/06 #protestoCe

E depois da Copa? Vou morar no estádio?
Cura para preconceito tem?
Polícia também é gente. Desmilitarização Já!
10 PMs demitidos por participar de reunião pacífica. Que governo é esse?
A maquiagem fa FIFA nunca cobrirá a miséria do Ceará
Odeio nacionalismo
Cavalheiros, o tempo de vida é muito curto. Se vivemos, vivemos para arrancar a cabeça de reis. 
Mão, tô no protesto lutando por um Brasil melhor pros teus futuros netos.
Se não fores bravo tu serás escravo.
Um país que não escuta o seu povo não se pode chamar de nação...
#vemprotestar #vemprarua
Nossa revolução será televisionada
Aqui só se varre quando vem visita
e ....
Ai, ai... volta pro seu PS3 volta bebê... #voltaPraCasaCriança

#Fotos da manifestação em Fortaleza nesta quarta dia 19/06 #protestoCe













quarta-feira, 19 de junho de 2013

"E não sobrou ninguém" (#poema de Martin Niemöller em especial para os que gritam #SemPartido)


Veja também a versão do mesmo poema (que é de Maiakovsky) escrito por Bertold Brecht aqui.

Quem tem medo da esquerda é a direita! Quero os partidos do povo na luta do povo!


Um levante popular tomou as ruas do país. Nem é preciso falar isso, afinal a notícia já correu o mundo, está em todos os noticiários e é divulgado em todas as redes sociais.

Não tenho dúvida de dizer que nunca vimos nada parecido em nosso país. A última grande manifestação nacional data de 21 anos atrás quando um certo presidente foi a TV pedir que o povo saísse às ruas de verde e amarelo em sua defesa. O povo saiu, só que de preto e só deixou as ruas quando o tal presidente foi posto pra fora. Mas os tempos eram outros. O PT não era governo e junto com a CUT, o PCdoB e a UNE organizava as lutas. Muita coisa se passou depois de 1992. Passamos por 2 anos de Itamar, 8 de FHC, 8 de Lula e estamos no terceiro ano de Dilma. As organizações do movimento popular construídas ao longo desses anos já não possuem peso nem influência sobre o próprio movimento popular como antes. O PT já não representa mais o desejo de mudança, e a esperança que havia "vencido o medo" lá na primeira eleição do Lula, pelo jeito, perdeu a paciência.

É nesse contexto que um perigoso sentimento vem tomando corpo nas manifestações que se vê pelo país: o anti-partidarismo. Não é a primeira vez que o danado bota as manguinhas de fora. Nada disso. A diferença é que no passado não havia partidos da esquerda governando o país com o programa da direita. Agora não vemos nem o PT, nem o PCdoB, os maiores partidos brasileiros de origem popular, disputando para desfraldar suas bandeiras nos atos. Muito pelo contrário. São governo. E com isso, a desesperança e a desilusão tomaram a forma de repulsa a qualquer outro partido. É compreensível. Mas não é aceitável e precisa ser combatido.

Ao passo que manifestantes gritam "Sem par-ti-do" quando as bandeiras vermelhas se apresentam nos atos, é a grande imprensa organizada como um verdadeiro partido de direita quem aplaude e difunde a ideia supostamente benéfica do anti-partidarismo para as manifestações populares. Não é que a imprensa burguesa seja contra partidos. De jeito nenhum. Ela é contra os partidos do povo. Ela é contra a organização do povo. O povo na rua não tem mais como evitar. Mas o povo na rua organizado em partidos? Não. Isso não pode ser aceitado. Afinal, qual o problema de partidos como PSOL, PSTU e PCB participarem de uma manifestação de rua? Por acaso eles são contra a redução da tarifa? Estranho seria a participação do PT e o PSDB que administram, aumentam as tarifas e muitas vezes clamam por repressão contra as lutas populares. Mas de partidos que se colocam contra o aumento e se dispõem a apoiar as manifestações com sua experiência de luta, qual o problema? Para a direita com certeza há todos os problemas possíveis, não há nem o que discutir. Mas para quem quer mudanças profundas no país, não pode nem deve haver problemas.

Em algum momento alguém vai dizer: "pode participar mas não pode usar outra bandeira que não seja a do Brasil", o que, obviamente, não faz o menor sentido. Recentemente a Gaviões da Fiel chegou a divulgar nota chamando seus torcedores a apoiar as manifestações. Agora pergunto: E se a nação corintiana resolver aderir com suas bandeiras, camisas e flâmulas? Algum problema? Não, não é mesmo? Quer dizer então que o problema são os partidos de esquerda com suas bandeiras vermelhas? É isso? E essa é a noção de democracia que o movimento quer como base para a construção de um novo Brasil? Se for é preciso ter muito cuidado com os rumos desse tal novo Brasil, pois a cada vez que os vermelhos foram censurados ou mesmo caçados o que se viu surgir foi o velho e carcomido fascismo.

Quem tem medo da esquerda é a direita. Eu quero mais é o povo na rua com todas suas bandeiras e partidos. Viva a luta popular. Viva o direito de organização. E viva a classe trabalhadora organizada em seus partidos.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Imagens históricas dos protestos brasileiros nesta segunda #protestosp #protestorj #protestodf










#VerásQueUmFilhoTeuNãoFogeALuta em primeiro lugar no TT Mundial


O que mais se fala no mundo neste momento? Pelo menos no Twitter é a hashtag #VerásQueUmFilhoTeuNãoFogeALuta em referência aos protestos em boa parte do país ocorridos nesta segunda-feira. É... por mais que pareça lugar comum, algo novo corre o país e de fato parece que o #OGiganteAcordou.

Não estamos diante de uma revolução socialista no país. Talvez nem sequer de uma revolução. O poder não está sendo questionado (ainda). Os grandes batalhões da classe trabalhadora seguem observando de longe o que está ocorrendo com a juventude e com setores da classe média. Mas sem dúvida alguma estamos diante de algo histórico. Há décadas não vimos nada parecido em nosso Brasil e desta vez sem absolutamente nenhuma organização com capacidade de empalmar a insatisfação popular. Absolutamente nenhuma das organizações construídas ao longo da história do movimento brasileiro tem qualquer influência sobre as manifestações de desobediência civil em curso no país. O PT, a CUT e seus sindicatos, o MST, a UNE, a UBES não possuem qualquer peso ou capacidade de influenciar o rumo das mobilizações em curso.

Estamos diante de um momento histórico. Infelizmente com uma imensa possibilidade de se perder, de se esvair de nossas mãos, simplesmente pela ausência de um sujeito coletivo capaz de empalmar tais manifestações. Mas é histórico e é belo e empolgante de se ver.

domingo, 16 de junho de 2013

Vinagre em #charges (via @sabadoqualquer, @tirinhasdoze e outros) #contraoaumento








Praça turca + piano alemão = Canção italiana de resistência (Bella ciao)


Aconteceu no último dia 12 de junho. O alemão Davide Martello levou por conta própria em sua caminhonete um piano para a praça Taksin e tocou por 14 horas seguidas ao lado dos manifestantes turcos. Um dos pontos emocionantes da apresentação de Martello foi a execução de Bella Ciao, uma canção de origem italiana que remonta ao fim do século XIX, originalmente cantada por trabalhadores e trabalhadoras em referência ao trabalho precarizado e humilhante nas plantações de arroz no norte da Itália. Ao longo dos anos ganhou novas versões, tornou-se hino na luta contra a primeira guerra mundial e também da segunda guerra mundial, popularizou-se por toda a Europa e ganhou gravações em várias linguas e por vários artistas. Durante os anos 1960 a canção fez especial sucesso na juventude comunista e fez parte da trilha sonora das lutas populares do final daquela década. Entre os artistas que a gravaram temos Yves Montand, Banda Basssotti, Modena Citty Ramblers, Mercedes Sosa e Mano Chao.

Seguem video e letra traduzida para o português de uma das versões. E que viva a luta da classe trabalhadora mundial!



De manhãzinha
pela alvorada,
oh bela ciao bela ciao bela ciao ciao ciao
De manhãzinha
pela alvorada,
apareceu-me o invasor.

Ó guerrilheiro
quero ir contigo
oh bela ciao bela ciao bela ciao ciao ciao
Ó guerrilheiro
quero ir contigo
que estou prestes a morrer.

E se eu morrer
na Resistência
oh bela ciao bela ciao bela ciao ciao ciao
E se eu morrer
na Resistência
tu me deves sepultar.

Vai sepultar-me
lá na montanha
oh bela ciao bela ciao bela ciao ciao ciao
Vai sepultar-me
lá na montanha
à sombra de bela flor.

E toda a gente
quando passar
oh bela ciao bela ciao bela ciao ciao ciao
E toda a gente
quando passar
te dirá: Que bela flor!

E é esta a flor
do guerrilheiro
oh bela ciao bela ciao bela ciao ciao ciao
E é esta a flor
do guerrilheiro
que morreu pela liberdade!