Mais fotos do protesto em Fortaleza aqui.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
terça-feira, 9 de julho de 2013
segunda-feira, 8 de julho de 2013
De qual Brasil se está falando quando se diz "o Brasil vai parar no dia 11"?
Falta menos de uma semana para o dia 11 de julho e tenho que fazer uma confissão mesmo que isso soe para alguns como um imenso sacrilégio. Pois bem, confesso que simplesmente não consigo entender a lógica daqueles que defendem que o "Brasil vai parar" na próxima quinta-feira. Fico a me perguntar: de que Brasil se está falando afinal? Daí quando vejo ativistas, alguns deles com uma larga experiência na luta de classes, divulgarem que teremos uma "greve geral" no dia 11 minha incompreensão dá lugar a um imenso receio. Já me parecia exagerado que o dia nacional de luta fosse convocado como "um dia de GREVES, paralisações e manifestações" com a palavra greves assim mesmo, em maiúsculas, mas... vá lá... era aceitável. Mas com o passar dos dias ver a proposta de dia nacional de lutas que poderia sim ser um pontapé para a construção de uma grande greve geral no país ser vendido como a própria greve geral, tenho que confessar que tenho ficado não só atônito, mas muito preocupado com a possibilidade se desperdiçar o momento. Sim, desperdiçar mesmo. Digo isso, porque não vejo sentido na hipótese de que a classe trabalhadora irá cruzar os braços e parar a produção no país nos próximos dias.
Sou daqueles que acredito que é preciso enxergar as necessidades mais sentidas da classe trabalhadora, transformá-la em programa para a ação, destacar daí as consignas que melhor dialogam para agitá-las às grandes massas ao mesmo tempo que se propagandeia detalhadamente para os ativistas a justeza e a necessidade de se realizar tal programa. Esse é o método científico para atuar sobre a classe trrabalhadora: entender as necessidades do sujeito social para se antecipar às lutas, porque elas virão, independente da vontade de quem quer seja, se houver razão para que elas venham, elas virão.
A camada média do subproletariado urbano está insatisfeita. Estava antes das mobilizações de junho e segue insatisfeita. Quem tivesse acompanhado com cuidado as transformações e o movimento da classe trabalhadora perceberia o barril de pólvora pronto para explodir. Mas é bom que se diga que essa camada da classe não reivindica os sindicatos. Muitos, de tão precarizados, sequer tem sindicatos. Ela não se organiza como categoria; não se enxerga como classe; não possui tradição de lutas, manifestações, paralisações muito menos de greves. Absolutamente ninguém se dispôs a entendê-la, dialogar com ela muito menos representá-la. A insatisfação foi tanta que levou à explosão que vivenciamos e que agora se dissipou. Pra nada está dito que novas explosões não possam vir a ocorrer mas o mais provável é que não ocorram por hora.
Mas e quanto os setores pesados do proletariado urbano? Qual seu nível de insatisfação? Seguiram Lula e via de regra ainda o reivindicam como o melhor presidente que já se teve. Sentem que Dilma não é Lula mas qual seu nível de descontentamento com o governo Dilma? Por acaso, os trabalhadores sentem que esse governo não é seu? E qual seu nível de confiança nos sindicatos? Qual sua disposição para segui-los nesse momento? Me corrijam se estou enganado mas embora possuam sindicatos, o nível de desconfiança neles é, via de regra, elevadíssimo. E não é pra menos. A maioria das categorias segue representada por sindicatos da Força Sindical, CUT ou CTB, diga-se de passagem centrais arqui-pelegas ou governistas, que em grande medida se acostumaram a realizar assembleias sem nenhuma representação e parar os trabalhadores de fora pra dentro. Olhamos de um lado para o outro e não temos notícias de que se esteja gestando qualquer movimento de rebelião pelas bases. O primeiro momento da reorganização já passou com uma explosão de novas centrais disputando aparatos desgarrados enquanto trabalhadores foram sendo entorpecidos pelo discurso do crédito fácil, bolsa família, minha casa minha vida, etc. Em suma, a frente popular tem cumprido, fantasticamente bem, seu papel histórico de desmobilizar e desmoralizar.
É esse o quadro desenhado nas relações entre a classe trabalhadora, seus sindicatos e o governo.
Já do ponto de vista econômico, em síntese, o que podemos dizer é que ainda não entramos no olho furacão da crise econômica mundial, não vivemos índices assustadores de desemprego e apesar da inflação vir crescendo as coisas ainda não chegaram ao andar do insuportável.
Então o questionamento é: por que o proletariado vai cruzar os braços dia 11? Simplesmente porque seus sindicatos estão chamando muitas vezes sequer sem assembleias para tanto? Agora é assim? A situação mudou a tal ponto que basta fazer o chamado que a classe atende apesar de todo o histórico de traição? E isso centralmente por pautas gerais como mais verba para educação, fim das privatizações e contra o plano econômico? Será que saímos da fase das greve contra o patrão para as greves abertamente políticas? A mecânica da luta de classes foi tão alterada a esse ponto? E se é assim por que é que não se paralisou antes mesmo? Por que é que a classe não participou ativamente da própria jornada de junho? Por pura falta de convite? Sério?
Me arrisco a afirmar que não teremos uma greve geral no dia 11. O Brasil não vai parar e isso não é algo que dependa das nossas vontades. Posso estar redondamente enganado e ficarei maravilhosamente satisfeito se a vida real me provar o quanto meu equívoco é colossal. Mas já parou pra pensar se for o contrário?
Ao se vender greve geral e se entregar um dia de mobilizações corre-se o sério risco de também se entregar de brinde a decepção e a desconfiança à classe trabalhadora.
É preciso construir o dia 11. E até por isso não é nada prudente se deixar embriagar pelo euforia do ufanismo impressionista muito própria, não dos trabalhadores, mas da pequena-burguesia. Chamar as coisas pelos nomes, não vender ilusões e inspirar a classe a confiar em si mesma é a base fundamental para que esse e muitos outros dias de lutas se realizem até que seja chegada a hora para verdadeiramente parar o país.
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Músicas para #ProtestoBr: #Vinagre by @iuskawolski
Nossa trilha sonora para os protestos juninos brasileiros tem a obrigação de ter como primeira faixa a música #Vinagre de Iuska Wolski. A não ser que alguém apresente algum video anterior ao dia 13 de junho que faça referência aos recentes protestos no país, a cantora Iuska leva o título de música que primeiro captou os sentimentos de protesto e os transformou em melodia. Sua canção #Vinagre faz referência à repressão policial em São Paulo que chegou a prender manifestantes pelo simples ato de portarem garrafas de vinagre.
Parabéns e nosso muito obrigado Iuska.
Muito cuidado se você esta pensando em comer uma salada em São Paulo
Na cidade onde um olho estourado com uma bala de borracha vale menos que lixeiras
Mantenha seus temperos bem guardados
ou vai ser condimentado
com spray de pimenta
Cuidado, presidenta
acho que a sua cozinheira
conspirou contra você!
O que é isso que ela usou para lavar a alface?
Vinagre, vinagre é o novo Anthrax
Por isso meu amigo vândalo
vagabundo, baderneiro
classe media, estudante
Quando o gás lacrimogênio
te fizer desmaiar
e bater com a cabeça no chão
Por favor seja
pisoteado na calçada
que é pra não atrapalhar
O transito de quem volta do litoral
Vinagre, vinagre é o novo Anthrax!
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Músicas para #ProtestoBr: Quem é você? by @detonautasRC
A banda Detonautas publicou hoje no YouTube sua contribuição à trilha sonora das manifestações que sacudiram o país nos últimos dias. Na música "Quem é você" os músicos destrincham uma série de preconceitos, falsas ideologias e costumes que ajudam a segurar as pessoas em suas poltronas na frente da TV ao invés de irem às ruas se manifestar. O clipe acompanha didaticamente a letra em cada momento representando ao fundo as cenas cantadas pelo vocalista Tico Santa Cruz e encerrando com a banda mostrando um cartaz "Quem é você" em frente ao Congresso Nacional.
Como nem tudo são flores a velha expressão machista de que você está sendo fodido acaba sendo utilizada pela banda no trecho "eles são o parafuso e você é a porca". É verdade que o "foder" como algo ruim é uma expressão popular, tal como o "chupa" tão comumente utilizado em especial nas redes socais. Mas isso não retira nem um pouco seu caráter machista.
De toda forma o clipe é muito bacana e vale bastante o play.
Você trabalha feito um burro de carga puxando um sistema podre que é bancado com o seu suor / E sexta-feira vai a igreja comungar com sua família a voz sagrada Jesus Cristo é o Senhor / Deixa parte do salário em retribuição a dádiva divina da palavra do pastor. / É melhor garantir um lugar no céu / Aqui nesse inferno tenta só sobreviver e o que salva é a cervejeira no fim de semana assistindo o jogo do seu time preferido na TV / Segunda-feira o seu filho tá em casa porque a escola onde estuda não tem nem um professor / E o professor esta na rua apanhando da policia tá cobrando seu salário do Governador / Enquanto isso numa casa confortável uma família abastada reunida assiste televisão / E praguejando fala mal de quem esta na rua enfrentando / E dando a cara pra lutar contra a situação! / Um fura fila que entrou na sua frente conseguiu ser atendido muito antes de você / E aquele cara que foi reclamar do caso chamaram de barraqueiro que não tinha o que fazer / A sogra dele há semanas na espera, vai pensando que já era, não consegue o leito em um hospital / E na favela aquela guerra continua traficante e policia no controle social!
Quem é você? Quem é você? Quem é você? Quem é você?
Tu fuma um Beck e é chamado de financiador por um senhor que toma uísque e bate na mulher / E nego enche a cara no fim de semana sai de carro dirigindo mata cinco e puxa o carro e sai de ré / A gente gasta são 6 meses de salário dando tudo pro governo e não tem quase nada em troca / E o governo vai tomando e gastando a parte dele eles são o parafuso e você é a a porca / Já passou 500 anos dessa história e não mudou tanto assim desde a colonização / A diferença é que hoje o colonizador é aplaudido num programa de televisão / A gente acha que um dia como se por um milagre Deus no auge da bondade fosse interceder / e enquanto esse diga não chega a gente vai aceitando e esperando alguma coisa acontecer
Quem é você? Quem é você? Quem é você? Quem é você?
O teu avô que trabalhou a vida inteira dia e noite noite e dia até se aposentar recebe agora uma miséria de salário fica 10 horas na fila esperando e não pode reclamar / Mas as crianças vão crescer e o futuro do Brasil por algum dia deverá ser bem melhor! / Só que o problema é que as crianças tão crescendo com seus pais longe de casa e mais ninguém a seu redor! / Eu não queria te dizer mas vou ter que falar tu é esperto mas tá sendo passado pra trás / Pode ser que quando tu percebas isso lá na frente já seja tarde demais
Agora dance! Agora dance / Mão na cabeça, mão no joelho
Fica de quatro, não pode parar / Agora dance / Dance
Mãozinha prum lado bundinha pro outro se finge de morto
mas não pare de dançar!mas não pare de dançar!"
Músicas de #ProtestoBr: Brasil em Cartaz by @thiagocorrea
E é claro que uma jornada de lutas e manifestações como a que vivemos recentemente não poderia passar em branco sem uma trilha sonora que a representasse. Uma das músicas dessa trilha sonora é a feita pelo artista independente Thiago Correa que juntou frases dos cartazes com palavras de ordem das manifestações e os musicalizou em "Brasil em Cartaz". A música subiu para o YouTube no dia 21 de junho e teve até o momento mais de 100 mil visualizações.
Seguem video e letra.
Saí do Facebook
Pra mostrar como se faz
E é tanta coisa
Que não cabe num cartaz
Brasil era um país muito engraçado
Não tinha escola, só tinha estádio
Ninguém podia protestar, não
Porque a PM sentava a mão
Brasil é o país do futebol
Porque futebol não se aprende na escola
Mas agora colocaram Mentos
Na geração Coca-Cola
E olha só
Que coincidência
Não tem polícia
Não tem violência
O transporte público
É pior que a Tim
Me chama de copa
E investe em mim
- Refrão -
Vem pra rua
Vem comigo
Mas seu guarda
Seja meu amigo
A bomba sobe
A gente abaixa
Me joga um halls
Odeio bala de borracha
The jiripoca is going to pew pew
Queremos formatar o Brasil
É uma vergonha, é uma vergonha
Passagem tá mais cara que a maconha
terça-feira, 2 de julho de 2013
Primavera partindo e as flores mais vermelhas ainda não vieram. E agora?
Já se vão vinte dias desde o despertar de nossa primeira onda, o dia 13/06, uma quinta-feira para entrar na história quando uma manifestação contra 20 centavos com cerca 5 mil pessoas foi duramente reprimida pela policia militar de São Paulo. Antes do dia 13 houve sim muitos protestos em São Paulo e, diga-se de passagem, com milhares de pessoas nas ruas, mas as cenas do vandalismo policial, inclusive contra jornalistas, bombardeadas tanto pela grande grande mídia como pelas redes sociais na sexta, no sábado e no domingo fizeram um sentimento nacional de descontentamento com o país estourar em protestos verdadeiramente continentais. Mais de 270 mil pessoas foram às ruas na segunda-feira, dia 17/06, em cerca de 30 cidades do país. No dia seguinte, 18/06, quatro cidades anunciaram redução na tarifa de transporte público e a presidente Dilma Roussef fez seu primeiro pronunciamento sobre as manifestações se dizendo atenta ao clamor das ruas. Na quarta, dia 19/06, foi a vez de São Paulo e Rio de Janeiro recuarem do aumento da tarifa. No dia, 20/06, uma semana após o grande ato de vandalismo policial paulista, cerca de um milhão e quatrocentas mil pessoas ocuparam as ruas em mais de 130 cidades em todo o país. Ali atingimos o ponto alto das manifestações e a partir daí governo federal, câmaras dos deputados, governos municipais, câmaras dos vereadores iniciaram um movimento para acalmar as ruas: a PEC 37 foi amplamente rejeitada no parlamento, Dilma passou a reunir com vários setores da sociedade, corrupção passou a ser crime hediondo, os royalties do petróleo foram encaminhados para as pastas da saúde e educação e até o projeto da "Cura gay" foi arquivado.
Apesar dos avanços e até mesmo por causa deles nunca mais vimos nada parecido com as manifestações do dia 20/06 ou mesmo do dia 17/06. Na quarta, dia 26, foram 83 mil pessoas em 57 cidades, sendo que 50 mil foram somente em BH que recebia a partida Brasil e Uruguai da Copa das Confederações. Na quinta, dia 27, foram 33 mil em 38 cidades. Na sexta, foram 27 mil, em 50 cidades. Isoladamente a maioria das manifestações vem voltando ao patamar anterior ao do dia 13/06, variando em torno de 5 mil pessoas.
Tudo indica que nossa primavera está partindo e o pior de tudo é que nossas mais belas flores, aquelas vermelhas que nascem das fábricas, canteiros e ocupações, simplesmente não desabrocharam. E agora o que fazer? Bem... uma coisa é certa não será simplesmente marcando um dia para que elas desabrochem que se iniciará uma segunda onda, ainda mais gigantesca e violenta que a primeira. Nada disso. Flores precisam ser cultivadas.
domingo, 30 de junho de 2013
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Bravo, Silvio. Bravo! #verasqueofilhoteunaofogealuta #protestobr
O juiz do trabalho aposentado Silvio Mota, 68 anos, ex-militante da ALN, coordenador do "Comitê pela Verdade, Memória e Justiça do Ceará", ganhou o mundo com uma imagem de coragem ao encaminhar-se sozinho à frente do cordão de isolamento do batalhão de choque da Polícia Militar durante a repressão aos protestos desta última quinta-feira, dia 27 de junho.
Silvio estava com sua esposa se confraternizando com os manifestantes quando a polícia começou a disparar bombas de gás de fumaça indiscriminadamente. Olhando o desespero de alguns dos presentes, não se intimidou, foi até aos policiais e literalmente os peitou.
Uma imagem ímpar. Uma atitude inspiradora. Bravo, Silvio. Bravo.
Leia a íntegra do depoimento de Silvio publicada na edição de hoje do jornal O Povo.
“Eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!”
Era isso que eu ia cantando quando avancei contra a PM do Sr. Cid Gomes.
Por que avancei?
Em primeiro lugar, porque a polícia não se manteve nas barreiras e avançou para acabar com a manifestação. Uma manifestação pacífica, de cara limpa, em que tremulavam bandeiras dos movimentos sociais e até de partidos políticos.
Não é verdade que os manifestantes provocaram o enfrentamento.
A PM do Ceará mentiu, e a Rede Globo também.
A maior manipulação da Globo foi a de não seguir a linha do tempo, e apresentar imagens do final do conflito sem nada dizer das horas de bombardeio que sofremos.
Tenho 68 anos e limitações de locomoção, e estava sentado quando eu e minha esposa, também com 68 anos, fomos atingidos por artefatos de gás lacrimogênio. Estávamos longe da barreira, com vários trabalhadores, professores universitários, profissionais da saúde, e até militantes das Pastorais da Igreja Católica.
Minha esposa foi levada por jovens manifestantes para longe, a fim de ser tratada dos efeitos do gás. Eu fiquei, inclusive porque peso mais de 100 quilos. Estava aplicando uma esponjinha molhada de vinagre para poder respirar, mas vi uma jovem tão apavorada que passei minha esponja para ela.
Levantei-me indignado e avancei contra os escudos da barreira, de cara limpa, com a camisa contra a PEC 37. Os PMs ficaram confusos, mas logo avançou um oficial superprotegido por escudos e asseclas que mal podia falar.
Foi logo dizendo que eu não podia fazer aquilo, mas respondi que estava no meu direito de manifestar-me sem armas. Ele alegou que eu podia ser atingido por pedras, mas nenhuma foi arremessada contra mim. As poucas que havia no chão eram pequenas, e nenhum risco causavam a seus escudos e coletes. Disse-lhe que dispensava sua proteção, pois quem tinha me agredido era ele, e não pedras.
Ele voltou para sua linha de escudos.
Os jornalistas presentes logo me perguntaram se eu era promotor, e lhes disse que era juiz aposentado e meu nome. Até defendi o plebiscito proposto pela Presidenta Dilma.
O garboso oficial com seus escudos laterais saiu da linha de novo e disse que iria prender-me.
Disse-lhe que não podia fazer isso porque eu era um magistrado vitalício e não estava cometendo nenhum crime. Exibi-lhe minha carteira funcional, e ele disse que não ia me prender, mas que ia prender a um senhor militante do MST que tinha avançado para meu lado para proteger-me e estava usando a camisa do movimento.
Disse-lhe então que iria com ele, e na confusão o camponês correu e o garboso oficial não teve coragem de abandonar a linha para persegui-lo.
Dei-lhe as costas e voltei para a meninada, que já estava mais calma, mas então ele teve coragem de mandar disparar pelos menos cinco artefatos de gás nas minhas costas. Os meninos apagaram quatro deles em baldes de água, e um quinto me atingiu no meio das costas. Caiu no chão e chutei para o lado. É bom saber: nunca dê as costas para uma hiena.
Depois de voltar para a manifestação encontrei minha mulher, ficamos ainda algum tempo aguentando gás lançado contra nós sem motivo, em trajetórias de longo alcance e ainda deu tempo para sair com nosso carro e almoçarmos em um restaurante (o que tinha que fazer com urgência, pois já eram duas da tarde e sou diabético).
Só então tivemos notícias dos confrontos mostrados nas imagens da Globo, por celular."
Sílvio Mota
Magistrado Federal
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