quinta-feira, 15 de agosto de 2013
sábado, 10 de agosto de 2013
"Carta às organizações da Esquerda sobre o machismo em suas Fileiras" (via @FeminismoSD)
O texto a seguir foi publicado no blog Feminismo Sem Demagogia há praticamente um mês refletindo ainda o espírito das jornadas de junho e o 11 de julho e trata de um tema caríssimo aos ativistas verdadeiramente socialistas e revolucionários: a necessidade de expulsar o machismo em todas suas variantes e manifestações das fileiras das organizações de esquerda. Como socialista, ex-militante de uma dessas organizações de esquerda e marido de uma super feminista fantástica também ex-militante, me vi praticamente empurrado a dar eco à postagem de Vera Silveira. Boa leitura!
Carta as organizações da Esquerda sobre o machismo em suas Fileiras
A esquerda socialista tem uma grande resistência em admitir o machismo dentro de suas fileiras, como se ao assumir se como socialista e ser militante socialista fizesse dos indivíduos automaticamente feministas, e sabemos que não é assim que funciona, desconstruir algo que foi enfiado em nossas mentes durante uma vida inteira e influenciou na formulação de opiniões e formas de agir não é algo fácil. Não. Ser socialista não te dá credenciamento para ser feminista e nem te livra de reproduzir o machismo, definitivamente.
Esta postura de entender as organizações de esquerda como algo perfeito, um lugar seguro onde não se reproduz as contradições históricas do machismo, racismo e homofobia (entre outras opressões) é um dos motivos que nos impede um debate, que de certo, se feito contribuirá para combatermos as opressões em nossas fileiras e até mesmo erradicá-lo.
Nestes últimos dias levantaram se várias manifestações pelo Brasil e a esquerda saiu à rua para apoiar e lutar junto com o povo e por suas reivindicações. Em espaços públicos onde poderíamos exercitar nossa camaradagem, e exercitamos em vários momentos, apareceram também às tais contradições que a esquerda insiste em não reconhecer dentro das suas fileiras, várias companheiras relataram casos de machismo sofrido por elas vindo de onde menos se espera: Dos próprios companheiros da esquerda.
Fica nítido nos relatos das companheiras denunciantes que os homens não conseguiram abrir mão da construção de uma política truculenta, intimidadora e provocadora, e se não entendem que isso trata se de uma forma masculinizada de fazer política é por que está tão naturalizado, que sequer a autocrítica conseguem fazer.
Esta forma de fazer politica deve ser questionada por todas a esquerda, não só as feministas, mas todos que desejam avançar a luta de classes, pois posturas enraizadas no machismo expulsam mulheres de nossas fileiras de militância todos os dias, para cada mulher expulsa, para cada mulher que se cala, a luta de classes se enfraquece, somos 50% da classe trabalhadora e que fique claro: Não se faz a luta de classe sem esta parcela significativa dos ativos.
Gostaria de salientar que este tipo de política não é exclusivo do homem, apesar de ser uma forma masculinizada de ação, é um modo naturalizado até por nós mesmos, as mulheres, sim o oprimido reproduz o discurso do opressor, e parafraseando Paulo Freire, sem uma educação libertadora, o sonho do oprimido será o de oprimir também.
O machismo não é algo para resolver depois da revolução, nenhuma opressão pode esperar, todas devem ser combatidas aqui e agora, e principalmente dentro de espaços que devem ser exemplo da sociedade igualitária que queremos. O machismo não é um ente etéreo, ele precisa de pessoas para se manifestar, e são pessoas que lutam contra uma opressão, a do capital contra o trabalhador, que estão reproduzindo outras opressões. Uma forma clara de observarmos o machismo são situações de Imposição de poder sobre as mulheres as quais devem ser criticadas por toda militância da esquerda.
As situações de imposição de poder sobre as mulheres se dão de várias formas, podendo citar aqui para compreensão: Interpelar as companheiras aos gritos, com gestos exagerados e intimidadores, desqualificação das opiniões, desqualificação inclusive das denuncias de machismo entre outras.
O machismo, esta forma de intolerância e imposição tem sido manifestada muitas vezes através da defesa apaixonada de posicionamentos políticos, confundindo as pessoas, mas não se trata de defesa apaixonada a posicionamentos, assim como não se trata de crime passional o feminicídio. Em nenhum dos dois casos há paixão, ambas são violência machista, e é necessário e urgente diagnosticar e combater a existência destas posturas em nossas organizações.
Infelizmente o contexto atual nos mostra que existe uma espécie de corporativismo entre as organizações políticas, onde o debate sobre o machismo é varrido para debaixo do tapete, não falo do debate superficial, falo do debate sincero e profundo sobre a questão, e quando vêm à tona situações de machismo companheiros e companheiras das organizações tratam como se fossem as denuncias oportunismo, como se partissem de pessoas que estão pré-dispostas a destruir estas organizações perfeitas que passam a ser defendidas com unhas, dentes e sectarismo, muito sectarismo. Esta defesa apaixonada dos militantes acaba por acumpliciar se da reafirmação do machismo em nossas organizações e expulsar as mulheres das nossas fileiras.
Confrontar o machismo é uma questão política, e ao contrário do que tenta se colocar não é menor, instrumentos de sansão aos militantes machistas devem ser aplicados para educação dos mesmos, para que reconheçam seus erros e não os repitam, pois não é justo que um camarada que utiliza se de métodos como intimidação, agressão física, verbal ou emocional, truculência etc. Continue representando publicamente as posições de sua organização política ou participar das reuniões de direção, ou será que é?
Gostaria de observar que pedir desculpas ou fazer autocrítica de forma privada, quando a agressão deu se de forma publica as mulheres militantes, dirigentes ou de qualquer organização política, principalmente as socialistas e de esquerda, não deve ser aceita. Pois quando uma agressão machista atinge uma mulher, atinge a todas.
Por entendermos que este tipo de opressão não deve se naturalizar dentro de organizações da esquerda, este debate deve fugir ao genérico e tornar se uma fonte de estratégias para combatermos o machismo tanto reproduzido pelo opressor, como reproduzido pelas oprimidas, conscientizando que nos lugares onde a classe trabalhadora se organiza para o combate ao sistema capitalista e suas classes, não há hierarquias de seres humanos e a prática do convívio de uma sociedade igualitária, deve começar a ser feita aqui e agora.
Vera L. da Silveira Aguiar
Coletivo Feminismo Sem Demagogia
terça-feira, 6 de agosto de 2013
Ele são muitos... mas não podem voar. #FreePalestine
"Ai se eu corresse assim, tantos céus assim, muita história eu tinha pra contar..."
Acabei de ouvir Ednardo que completa 40 anos de carreira artística e como que por encanto fui levado a uma imagem de 2012 com uma menina que corre com a bandeira Palestina às costas como que voando com sua "cauda aberta em leque". E uma passagem após a outra da canção me veio a imagem do povo palestino que apesar dos agora completados 65 anos de humilhação do "conde raivoso" sionista continuam vivos e lutando pelo seu direito de existir.
Nunca é demais homenagear e lembrar a luta palestina. É... eles (os sionsitas) são muitos mas não podem voar.
Pra quem não conhece Ednardo e seu Pavão Misterioso fica aqui letra e música.
Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse teu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...
Pavão misterioso
Nessa cauda
Aberta em leque
Me guarda moleque
De eterno brincar
Me poupa do vexame
De morrer tão moço
Muita coisa ainda
Quero olhar...
Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...
Pavão misterioso
Pássaro formoso
No escuro dessa noite
Me ajuda, cantar
Derrama essas faíscas
Despeja esse trovão
Desmancha isso tudo, oh!
Que não é certo não...
Pavão misterioso
Pássaro formoso
Um conde raivoso
Não tarda a chegar
Não temas minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos
Mas não podem voar...
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Afinal de contas o que foram as jornadas de junho? Ricardo Antunes e Ruy Braga nos ajudam a tentar entender.
O mês de julho vai chegando aos seus últimos dias e ainda que tenhamos vivido importantes manifestações e até mesmo um importante dia nacional de lutas, não vimos mais nenhum grande levante coordenado ou mesmo que de forma isolada nos últimos dias. Sim, tivemos ocupações de câmaras municipais, belas passeatas e até mesmo muita repressão. Mas nada mais como o que vimos na segunda quinzena de junho com mais de um milhão e quatrocentas mil pessoas protestando em mais de 130 cidades em todo o país em um único dia. Ainda que não tenha atingido sequer um por cento dos nossos 190 milhões de habitantes, foi sem dúvida a primeira grande onda de protestos dos últimos vinte anos no Brasil.
Alguns eufóricos e apressados dirão que a camisa de força que prendia a classe trabalhadora e a juventude no país foi rompida em um ato de impressionismo que nada ajuda a entender o que se passou e o que se passa na luta de classes do país. Essa prática nociva de agitar exageros descabidos empurra os ativistas para o movimentismo frenético e desenfreado que não só de nada adianta, como no fim das contas atrapalha e muito.
Nesses dias em que vivemos é preciso mais que antes duvidar das fórmulas prontas. É preciso questionar. E em especial é preciso se esforçar para entender.
Como parte deste esforço, dois importantes intelectuais da esquerda revolucionária do país produziram juntos ao final do mês de junho um texto chamado "A explosão social no Brasil: Primeiras anotações (para uma análise posterior)" publicado originalmente em espanhol e que por sua importância traduzimos e disponibilizamos aqui. Boa leitura.
quinta-feira, 25 de julho de 2013
terça-feira, 23 de julho de 2013
@PMERJ brinca com fogo: Coquetel molotov lançado contra policiais foi obra de P2. #Veja #Divulgue
Não é a toa que a policia militar do Rio tem interesse em deter a imprensa livre tal como fez com os repórteres do @MidiaNinja. Poucas horas após os acontecimentos da noite do dia 22 de julho em que um coquetel molotov foi arremessado contra policiais, fato este amplamente coberto pela grande mídia, videos independentes começaram a pipocar na internet associando o suposto ativista incendiário com agentes infiltrados nas manifestações, os agora mais que famosos e popularizados "P2".
Tudo é muito rápido mas é possível verificar que o homem que lançou a bomba caseira é branco, usa calça jeans e camisa preta. Seu rosto estava coberto com uma camisa branca. Em outro dois videos captados de diferentes ângulos é possível ver dois homens brancos de calças jeans e camisas pretas se misturando rapidamente com policiais e tratando de retirar a camisa o quanto antes. Um deles carrega uma mochila nas costas.
A cada novo elemento que vem a tona sobre as manifestações @PMERJ só confirma o que já gritaram os verdadeiros manifestantes: "Ei, Beltrame, a polícia é um vexame!"
O video a seguir faz a junção dos dois momentos. Veja e divulgue.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
Impressionante: @PMERJ prende @MidiaNinja simplesmente por filmar protestos.
Relatos falam que a PM possuía ordens expressas para prender os integrantes do MidiaNinja.
Não só o ativismo de todo o país mas inclusive a imprensa e as entidades de direitos humanos precisam exigir explicações imediatas do senhor secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrame, e caso esse não o faça, o senhor governador Sérgio Cabral deve fazê-lo. Quem deu as ordens para prender o Midia Ninja? Que seja esclarecido imediatamente e que o responsável seja prontamente afastado.
Como gritaram os manifestantes durante o protesto que exigiu a libertação dos ninjas: "Ei Beltrame! A Polícia é um vexame!"
O que precisamos saber: Onde está Amarildo? #CabralOndeEstaAmarildo #OndeEstaAmarildo #WhereIsAmarildo
O pedreiro Amarildo Souza Lima, 47 anos, pobre, negro, morador da Rocinha, marido de Elisabete Gomes de Souza, pai de 6 filhos, está desaparecido desde o domingo, dia 14 de julho, após ser conduzido por policiais para prestar depoimento em uma delegacia da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP da Rocinha. Os quatro policiais envolvidos no desaparecimento foram afastados, mas até agora ninguém sabe onde está Amarildo.
Mais de uma semana depois, a TV e a grande mídia se dedicam exaustivamente à visita do papa Francisco dando conta de cada passo e gesto. Enquanto isso, a família do pedreiro conhecido como "Boi" aguardam pelo direito de ao menos de enterrar o corpo de Amarildo. Mas o desaparecimento arbitrário de um trabalhador pobre e preto da Rocinha não cabe nas manchetes dos jornais.
Nos solidarizamos com a família de Amarildo e exigimos das autoridades que assumam a responsabilidade por seu desaparecimento.
sexta-feira, 19 de julho de 2013
O apogeu da covardia (texto de @mariomagalhaes_)
O jornalista carioca Mário Magalhães, autor do livro a biografia “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”, publicou hoje em seu blog o texto "O apogeu da covardia" onde comenta sobre a comoção carioca acerca da depredação do Leblon na madrugada do dia 18 de julho e o silêncio desinteressado acerca dos dez mortos da Favela da Maré pelo BOPE na madrugada do dia 25 de junho. Vale a leitura.
O apogeu da covardia: lojas quebradas no Leblon comovem o Rio e o jornalismo, mas os mortos pela PM na Maré já foram esquecidos
O Rio se comoveu com o quebra-quebra ocorrido no Leblon na virada de 17 para 18 de julho de 2013. Balanço da baderna: depredação de orelhões, placas e 25 lojas.
O Rio não se comoveu com a morte de pelo menos dez pessoas na Maré na noite de 24 e na madrugada de 25 de junho, menos de um mês atrás.
O Rio em questão é o retratado pelo jornalismo mais influente. Danos ao patrimônio no bairro bacana, paraíso onde vivi por tantos anos, receberam muito mais atenção do Estado, dos meios de comunicação e de parcela expressiva da classe média do que a perda de vidas na favela Nova Holanda, no complexo da Maré.
É muita covardia. Contra quem? Contra os de sempre, os mais pobres.
Os crimes contra o patrimônio na zona sul foram obra de bandidos, de fascistoides, de ultra-esquerdistas, incluindo pseudo-anarquistas, de pequenos burgueses vagabundos e de alguns miseráveis desejosos de trajar roupas de grife (alguém viu um operário vandalizando?). Como queimam o filme dos protestos e beneficiam o governo estadual com o verniz de vítima, talvez haja infiltrados de origem nebulosa. Cometeram crimes, têm de ser punidos escrupulosamente, nos termos da lei.
Na Maré, o Bope invadiu a favela contra a vontade dos policiais que lá estavam. O efetivo era minúsculo, pois o grosso do batalhão estava cuidando de reprimir manifestações políticas. Resultado: uma bala provavelmente disparada por traficante de drogas matou um sargento da tropa de elite.
Em seguida, sobreveio a vendeta, com a invasão massiva. Nove moradores locais mortos e nenhum PM ferido gravemente. Confronto? Isso tem outro nome: chacina. No mínimo, dois jovens não tinham antecedentes criminais, um deles de 16 anos. A legislação penal brasileira não prevê pena de morte, para qualquer crime, ainda que seja o de assassinato.
Na Maré, o grosso do jornalismo não informou nem a identidade dos mortos, com exceção da do PM. No Leblon, os personagens tinham nome, sobrenome e lágrimas de quem perdeu alguns bens. Na favela, o pranto das mães que perderam seus rebentos quase não saiu no jornal.
A cúpula da segurança do Estado convocou uma reunião de emergência horas depois de os vândalos detonarem no Leblon. Alguém sabe de um encontro dessa natureza para tratar do morticínio na Maré?
Há mais diferenças além da essencial, entre crime contra a vida e crime contra o patrimônio. No bairro das adoráveis novelas do Manoel Carlos, aprontaram criminosos que devem responder judicialmente por si mesmos. Na Maré, atuaram agentes públicos. Se não se sabe ao certo qual foi o comportamento deles, a responsabilidade é do Estado, que deveria investigar para valer, e não encenar apurações.
As agências bancárias com vidros estilhaçados e as butiques dilapidadas costumam estar protegidas por seguros. Que seguro haveria de confortar os irmãos do pessoal morto na Maré?
Acadêmicos, jornalistas, autoridades e politiqueiros que não pronunciaram uma única sílaba sobre a Maré agora posam de valentões bradando contra a desordem no Leblon. Eles só saem em defesa dos mais ricos, os pobres que se danem. São covardes, não valentes.
Merece respeito o sofrimento de tantos antigos vizinhos meus que se assustaram com o pega pra capar. Mas a vida seguiu. Na Maré, para tantos pais, a vida seguiu sem seus filhos. Já cantou Chico Buarque, saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu _teria um quarto ou dormiria no colchão da sala o adolescente que mataram?
O farisaísmo não reconhece limites. Às vésperas do desembarque do papa, celebra-se a existência. Mas muitos corações, que nojo, abalam-se apenas com a perda de patrimônio, e não de vidas. O que diria Francisco?
O recado das últimas semanas é que, para muita gente, crime contra a vida não é nada diante de crime contra o patrimônio.
Isso não é só covardia. É barbárie.
quarta-feira, 17 de julho de 2013
Nosso blog citado no Marxismo21 como referência para as jornadas de junho.
O blog Marxismo21 fez uma excelente coletânea de textos e materiais diversos publicados na internet sobre as jornadas de junho e o dia 11 de julho. A coletânea organiza os materiais em 5 seções: Documentos e notas de entidades, blogs, artigos (por autor), multimídia e leituras complementares. E é com grande satisfação que vemos o Deve Haver Algum Lugar na lista de blogs relacionados pelo Marxismo21.
Confira aqui o que publicamos:
- Postagens sobre a Jornadas de junho
- Postagens sobre o dia 11 de julho
terça-feira, 16 de julho de 2013
Tuitaço hoje as 15h: #GolpePLP227Não #participe via @candinho1979
Para entender:
- Artigo "Urgente: golpe parlamentar contra direitos indígenas é grave ameaça à Constituição" de Márcio Santilli
- Post "PLP 227: Dedinhos deles, mãos de Dilma" de Cândido Neto
segunda-feira, 15 de julho de 2013
Uma primeira análise daquilo que foi e do que não foi o 11 de julho.
O dia 11 passou. Milhares de pessoas tomaram as ruas em várias cidades do país. Algumas delas com números poderosos como os 15 mil de Natal e os 20 mil do Rio de Janeiro. Na cidade operária de São José dos Campos, várias fábricas paralisaram suas atividades. Por todo o país, em torno de 50 estradas foram bloqueadas em especial pelo MST. São Paulo colocou em torno de 8 mil pessoas na avenida Paulista numa grande marcha. Difícil falar em números mas é provável que mais de duzentas mil pessoas tenham participado do dia nacional de luta. Pela primeira vez um ato unitário das oito centrais sindicais brasileiras, partidos de esquerda e movimentos organizados proporcionaram um importante marco para o movimento operário e sindical do país.
Para muitos dos que participaram da construção do ato talvez tenha sido a maior atividade de suas vidas. Também não é pra menos. Estamos há 10 anos e meio de governos petistas, e antes disso, outros dez anos de governos declaradamente burgueses em que fundamentalmente o PT serviu de freio à luta de classes no país. A última grande manifestação nacional, desconsiderando as imensas jornadas de junho, ocorreu em 1992, por ocasião do Fora Collor. A última grande greve geral ocorreu em 1991 com a participação de 20 milhões de brasileiros. Antes dela, tivemos a greve de 1989 com 35 milhões de brasileiros mobilizados e com um apoio de 70% da população. Eram outros tempos, a inflação e o desemprego viviam rondando as famílias do país. E quando falo de inflação não me refiro ao aumento do preço do tomate nos dias recentes. Era coisa de algo ter um preço hoje e outro amanhã. Mas, de lá pra cá, pós plano real, o controle da inflação e a política de vale tudo para eleger Lula presidente, não tivemos mais grandes atos de repercussão nacional. Talvez nem mesmo o movimento pelo Fora FHC que colocou 100 mil em Brasilia em 1999 tenha tido uma amplitude tão grande e coordenada quanto o último 11 de julho.
Dito isso, é importante sabermos o que foi e o que não foi nosso último dia nacional de luta. Pontuemos:
1. As grandes massas que participaram das jornadas de junho, em especial a juventude, não atenderam aos chamados das centrais e não tomaram as ruas, nem muito menos cruzaram os braços se negando a trabalhar. As lutas de junho e o 11 de julho apesar de próximos não fazem parte da mesma coisa. O que aconteceu em junho, centralmente ficou em junho.
2. Apesar da propaganda das centrais de que colocariam dois milhões de pessoas nas ruas, o que superaria em quantidade, o dia com mais gente na rua nas manifestações de junho, a quantidade de pessoas paradas não chegou nem perto de número tão ousado.
3. Não houve uma greve geral no país nem muito menos o Brasil parou. A imensa e estúpida maioria da classe trabalhadora manteve sua rotina e os batalhões pesados do proletariado brasileiro infelizmente não entraram em cena.
4. As principais centrais e até o MST não mobilizaram com força suas bases, seja por uma atitude deliberada para não fazê-lo, seja por crise de representatividade mesmo.
Todos esses pontos merecem que os ativistas sérios analisem com cuidado as razões por trás de cada um deles. Não está em questão aqui o quanto um ou outro ativista se jogou na construção do dia 11 de julho. Também não está em questão, por mais que seja extremamente importante, o quanto os trabalhadores que resolveram parar suas atividades na última quinta estejam correndo risco de represálias por seus patrões. O que está em questão é o futuro do movimento de massas brasileiros. Dar uma roupagem mais pomposa ao que foi o dia 11 o fará parecer com aquilo que ele não foi e nos levará a apostas erradas daqui pra frente, o que, por sua vez, poderá nos fazer atrasar ainda mais um levante da classe trabalhadora no país.
Analisemos então:
1. O que aconteceu em junho foi uma explosão de descontentamento de uma camada do proletariado urbano muito jovem que não reivindica as centrais e seus sindicatos porque via de regra esse tem se negado a representá-los. Caso o dia nacional de luta dos trabalhadores tivesse ocorrido uma ou mesmo duas semanas antes, teríamos sim um quadro completamente distinto no país. Mas tendo ocorrido praticamente um mês depois, a grande energia dos protestos de junho já havia sido dissipada. Colocar um sinal de igual entre um movimento e outro não ajuda a dialogar com aqueles que estiveram no centro do primeiro.
2. Apesar da disposição de ir às ruas das centrais e do programa mais que justo que vai desde a redução da jornada à reforma agrária, a imensa maioria dos trabalhadores não vai às ruas porque ainda não se vê empurrada a fazer isso. É preciso condições objetivas que levem os trabalhadores às lutas. Além disso é bom lembrar que a imensa maioria das centrais sindicais são governistas e/ou arqui-pelegas. Mentem descaradamente a todo momento e para todos. Não é possível confiar no que elas dizem que vão fazer simplesmente porque estão dizendo.
3. Uma greve geral pressupõe ou uma explosão espontânea só imaginável por condições de deterioração econômica e social em grande escala ou um nível de organização da classe trabalhadora nacional em um patamar muito elevado. Não temos ainda nem uma coisa nem outra. Antes de mais nada é preciso que a classe recupere a confiança em suas próprias forças, qualidade que foi minada por dentro tanto pelo movimento sindical governista como pelo governo petista. Vender que o primeiro ato nacional da classe dos últimos vinte anos em nosso país tomaria dimensões de greve geral chega a ser criminoso porque ao invés de ajudar a recuperar a auto-confiança dos trabalhadores chega a jogar água no moinho da desmoralização da classe. Pelo bem dos trabalhadores é preciso jogar exageros e impressionismos na lata do lixo.
4. Os dez anos de colaboração de classe do governo de Frente Popular obviamente tem seu peso e parte dele foi mostrado agora. As grandes centrais tornaram-se grandes aparatos que simplesmente não podem cumprir seu objetivo até o final, seja por estarem atreladas ao governo, seja por auto-preservação. O dia 11 de julho para elas foi expressão exatamente desses dois sentimentos. Parte se dispôs a ir às ruas para de uma suposta forma independente defender Dilma, que de segunda mulher mais importante do mundo passou a ser questionada por todos e pode inclusive perder o apoio do PMDB. Ir às ruas é de certa forma mostrar à burguesia e seus partidos que abandonar Dilma seria empurrá-la para os braços da classe trabalhadora o que pode ser muito pior para eles. Outra parte, como a FS, foi às ruas por acreditar que novos levantes como o de junho podem vir a acontecer e caso a classe trabalhadora vier a participar deles, sua própria pele corre perigo, por isso preferem se antecipar, se postular como dirigentes e assim conseguir afastar a fúria da classe de seu peleguismo de sempre.
Pois bem. O dia 11 passou. É preciso aprender com ele. Um novo dia nacional e unificado de luta foi marcado para 30 de agosto. Construí-lo com fervor mas sem impressionismos, com dedicação mas sem nenhuma confiança nos pelegos e governistas, eis a tarefa dos militantes honestos de nosso país.
domingo, 14 de julho de 2013
"Uma pessoa muito idosa esquerdista está com problema" #recordaréviver #luizinaciofalou
Que pessoas supostamente de esquerda reivindiquem Lula e seu governo, vá lá. Agora fazer isso ao mesmo tempo que o reivindicam como sendo de esquerda: alto lá! Se até o próprio tem a muito tempo consciência que passou para o outro lado, não me venha agora você afirmar o contrário.
quinta-feira, 11 de julho de 2013
Assinar:
Postagens (Atom)



































