quarta-feira, 21 de agosto de 2013

O dedo sujo do maleducado secretário de educação de Fortaleza e a sujeira sem fim dos Ferreira Gomes #ForaIvoGomes


O secretário municipal de Educação de Fortaleza teclou ofensas a mais do que devia com a militância da redes sociais. Ivo Gomes é irmão do atual governador do Ceará, Cid Gomes, e do ex-prefeito, ex-ministro, ex-presidenciável e execrável Ciro Ferreira Gomes. Pelo jeito a forma ruim de um é exatamente a mesma a de todo o clã e honestamente é muita sujeira pra uma famíla só. Aos impropérios ditos por Ciro ao longo de sua carreira política e às impobridades feitas por Cid em 6 anos e meio de governo somam-se agora às grosserias de seu irmão Ivo que na última segunda-feira, dia 19, levou adiante um bate-boca virtual através do Facebook com o internauta Renato Yuri.

Não é a primeira vez que o destemperado secretário arma o barraco virtual com internautas mas é a primeira vez que desce ao nível que desceu. Como resposta à provocação de Yuri que chamou o governador de "Cidoca Dondoca", Ivo Gomes disparou um "enfie o dedo no cu e rasgue, marginal". Exatamente isso. Na sequência chamou o internauta de "marginal", "aprendiz de bandido", "meio tapadim" e pra fechar a conta da obra mandou um "vá dá o cuzim pro João Alfredo"

Obviamente as diabruras do maleducado secretário de educação não poderiam passar em branco para qualquer prefeito. E Roberto Cláudio veio a público comentar o ocorrido. Só que como bom capacho da família real, ao invés de repreender, defendeu seu secretário. É sem dúvida a apoteose da submissão. Chamar de "firmes e contundentes" as porcarias tecladas pelos dedos sujos de Ivo Gomes é no mínimo uma piada de altíssimo mau-gosto.

Um amigo de Maceió me chamou atenção para o fato de que por muito, mas muito menos mesmo, o secretário de educação da capital alagoana, Adriano Soares Costa, deixou o cargo no último dia 12 de julho. Na noite do dia 11 o secretário postou um famoso video da apresentadora Eliana em sua conta no Facebook como forma de sugestão aos manifestantes alagoanos para que fossem "tomar no cu". Arrependido, apagou a mensagem e em seu lugar postou um pedido público de desculpas. No dia seguinte, entregou o cargo. Já foi tarde. Mas sua atitude ao menos nesse momento foi a de um "homem público". O mesmo não se pode dizer dos Ferreira Gomes.

O pedido de desculpas em nosso caso já não cabe mais. A permanência de Ivo Gomes na secretária de educação de Fortaleza é a verdadeira ofensa a todo o povo de Fortaleza. Seu afastamento é mais que necessário. É uma obrigação. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Leon Trotsky: Presente! Até o socialismo: Sempre!


Em 21 de agosto de 1940 morreu Lev Davidovich Bronstein, o homem cujas ideias e pseudônimo, Leon Trotsky, fizeram a seu tempo e de grande maneira fazem ainda hoje, 73 anos depois, estremecer de horror e ódio o coração de muitos poderosos. Foi assassinado por Ramon Mercader, um agente provocador que fingiu-se de namorado de sua secretária pessoal para aproximar-se, espionar e se possível matar o revolucionário russo. O atentado foi feito com um golpe de picareta de alpinista na cabeça do homem de então 60 anos. Ainda que ferido de morte gritou a seus seguidores que não matassem o assassino para que assim ele pudesse tornar pública a mente criminosa por trás daquilo: o carniceiro Iosef Stalin. Chegou ao hospital ainda lúcido mas logo entrou em coma vindo a morrer no dia seguinte.

Muito antes do golpe que arrancou-lhe a vida, Trotsky tinha consciência que seus dias estariam contados. Mais cedo ou mais tarde morreria. Ainda naquele ano, em fevereiro, acometido de problemas de saúde escreveu um texto que ficou conhecido como seu testamento onde professa seu amor à causa da revolução socialista que abraçara ainda aos 18 anos, à sua esposa Natasha ("fonte inesgotável de amor, magnanimidade e ternura") e à própria vida.

Rendemos aqui nossa homenagem ao velho Leon. Que estejamos à altura de livrar o mundo de todo mal, toda opressão e toda violência tal como nos propõe seu testamento.

Leon Trotsky! Presente! Até o socialismo! Sempre!

"Minha pressão sangüínea elevada (e que continua a elevar-se) engana àqueles que me são próximos sobre minhas reais condições físicas. Estou ativo e capaz de trabalhar, mas o fim está evidentemente próximo. Estas linhas serão tornadas públicas após minha morte.

Não preciso mais uma vez refutar aqui a calúnia vil de Stalin e seus agentes: não há uma só mancha sobre minha honra revolucionária. Não entrei, nem direta nem indiretamente, em nenhum acordo, ou mesmo em nenhuma negociação de bastidores, com os inimigos da classe operária. Milhares de adversários de Stálin tombaram, vítimas de falsas acusações. As novas gerações revolucionárias reabilitarão sua honra política e tratarão seus carrascos do Kremlim como eles merecem.

Agradeço ardentemente aos amigos que se mantiveram leais através das horas mais difíceis de minha vida. Não cito nenhum em particular, porque não os posso citar todos.

Apesar disso, considero-me no direito de fazer exceção para o caso de minha companheira, Natália Ivanovna Sedova. Além da felicidade de ser um combatente da causa do socialismo, quis a sorte me reservar a felicidade de ser seu esposo. Durante quarenta anos de vida comum, ela permaneceu uma fonte inesgotável de amor, magnanimidade e ternura. Sofreu grandes dores, principalmente no último período de nossas vidas. Encontro algum conforto no fato de que ela conheceu também dias de felicidade.

Nos quarenta e três anos de minha vida consciente, permaneci um revolucionário; durante quarenta e dois destes, combati sob a bandeira do marxismo. Se tivesse que recomeçar, procuraria evidentemente evitar este ou aquele erro, mas o curso principal de minha vida permaneceria imutável. Morro revolucionário proletário, marxista, partidário do materialismo dialético e, por conseqüência, ateu irredutível. Minha fé no futuro comunista da humanidade não é menos ardente; em verdade, ela é hoje mais firme do que o foi nos dias de minha juventude.

Natascha acabou de chegar pelo pátio até a janela e abriu-a completamente para que o ar possa entrar mais livremente em meu quarto. Posso ver a larga faixa de verde sob o muro, sobre ele o claro céu azul, e por todos os lados, a luz solar. A vida é bela, que as gerações futuras a limpem de todo ó mal, de toda opressão, de toda violência e possam gozá-lá plenamente."

O que é o proletariado e a classe trabalhadora hoje? Ricardo Antunes explica.


Um dos temas que ganhou grande importância desde a queda do muro de Berlim até a nova definição de classe média dos governos petistas é a definição do que é a classe trabalhadora e o que é o proletariado hoje. O professor e sociólogo Ricardo Antunes que tem colocado sua produção teórica a serviço de entender o mundo do trabalho nos ajudar a colocar alguns pingos nos "i's" sobre o assunto com um texto de 2001 escrito para a revista Debate Sindical: O proletariado e a classe trabalhadora hoje.

Apoiado na obra de Karl Marx e Friederich Engels, Ricardo Antunes trata logo de colocar um sinal de igual entre proletariado e classe trabalhadora, esclarecendo que "como Marx e Engels entendemos inicialmente classe trabalhadora e proletariado (em sentido amplo) como sinônimos. Por diversas vezes, eles nos afirmaram que a classe trabalhadora (ou o proletariado) incorpora a totalidade dos assalariados (homens e mulheres), que vive da venda da sua força de trabalho e que é completamente despossuída dos meios de produção".

Mas o professor não para por aí, vai além e provoca: "é possível detectar maior potencialidade mesmo centralidade nos seus segmentos mais qualificados, naqueles que vivenciam uma situação mais "estável" e que têm, conseqüentemente, maior participação no processo de criação de valor? Ou, pelo contrário, o polo mais fértil da ação encontraria maior impulsão nos segmentos assalariados mais precarizados, nos estratos mais subproletarizados ou mesmo nos desempregados?"

Vale a leitura. Clique aqui e bom proveito.

sábado, 17 de agosto de 2013

Roberto Cláudo foi a missa comemorar o aniversário e ganhou de presente um sermão do padre


E a missa que que era pra ser sido festa e palanque pro prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, reverteu-se em uma belíssima demonstração exatamente do contrário graças ao sermão do padre que a celebrava. Nascido em 15 de agosto, feriado católico da padroeira da capital cearense, o afilhado do governador do Ceará, foi ao santuário de Nossa Senhora de Assunção no bairro operário "Barra do Ceará", ganhar afagos da população e em seu lugar ouviu o que não queria. Durante o sermão o Bispo Dom Vasconcelos aproveitou para lembrar ao prefeito do que o povo de Fortaleza precisa, que por sinal está muito distante das famigeradas e questionáveis obras do Viaduto do Cocó e do tal Aquário milionário. Vale destacar que a cada questionamento de Dom Vasconcelos ouviu-se os gritos de apoio da população ali presente.

sábado, 10 de agosto de 2013

"Carta às organizações da Esquerda sobre o machismo em suas Fileiras" (via @FeminismoSD)


O texto a seguir foi publicado no blog Feminismo Sem Demagogia há praticamente um mês refletindo ainda o espírito das jornadas de junho e o 11 de julho e trata de um tema caríssimo aos ativistas verdadeiramente socialistas e revolucionários: a necessidade de expulsar o machismo em todas suas variantes e manifestações das fileiras das organizações de esquerda. Como socialista, ex-militante de uma dessas organizações de esquerda e marido de uma super feminista fantástica também ex-militante, me vi praticamente empurrado a dar eco à postagem de Vera Silveira. Boa leitura!

Carta as organizações da Esquerda sobre o machismo em suas Fileiras

A esquerda socialista tem uma grande resistência em admitir o machismo dentro de suas fileiras, como se ao assumir se como socialista e ser militante socialista fizesse dos indivíduos automaticamente feministas, e sabemos que não é assim que funciona, desconstruir algo que foi enfiado em nossas mentes durante uma vida inteira e influenciou na formulação de opiniões e formas de agir não é algo fácil. Não. Ser socialista não te dá credenciamento para ser feminista e nem te livra de reproduzir o machismo, definitivamente.

Esta postura de entender as organizações de esquerda como algo perfeito, um lugar seguro onde não se reproduz as contradições históricas do machismo, racismo e homofobia (entre outras opressões) é um dos motivos que nos impede um debate, que de certo, se feito contribuirá para combatermos as opressões em nossas fileiras e até mesmo erradicá-lo.

Nestes últimos dias levantaram se várias manifestações pelo Brasil e a esquerda saiu à rua para apoiar e lutar junto com o povo e por suas reivindicações. Em espaços públicos onde poderíamos exercitar nossa camaradagem, e exercitamos em vários momentos, apareceram também às tais contradições que a esquerda insiste em não reconhecer dentro das suas fileiras, várias companheiras relataram casos de machismo sofrido por elas vindo de onde menos se espera: Dos próprios companheiros da esquerda.

Fica nítido nos relatos das companheiras denunciantes que os homens não conseguiram abrir mão da construção de uma política truculenta, intimidadora e provocadora, e se não entendem que isso trata se de uma forma masculinizada de fazer política é por que está tão naturalizado, que sequer a autocrítica conseguem fazer.

Esta forma de fazer politica deve ser questionada por todas a esquerda, não só as feministas, mas todos que desejam avançar a luta de classes, pois posturas enraizadas no machismo expulsam mulheres de nossas fileiras de militância todos os dias, para cada mulher expulsa, para cada mulher que se cala, a luta de classes se enfraquece, somos 50% da classe trabalhadora e que fique claro: Não se faz a luta de classe sem esta parcela significativa dos ativos.

Gostaria de salientar que este tipo de política não é exclusivo do homem, apesar de ser uma forma masculinizada de ação, é um modo naturalizado até por nós mesmos, as mulheres, sim o oprimido reproduz o discurso do opressor, e parafraseando Paulo Freire, sem uma educação libertadora, o sonho do oprimido será o de oprimir também.

O machismo não é algo para resolver depois da revolução, nenhuma opressão pode esperar, todas devem ser combatidas aqui e agora, e principalmente dentro de espaços que devem ser exemplo da sociedade igualitária que queremos. O machismo não é um ente etéreo, ele precisa de pessoas para se manifestar, e são pessoas que lutam contra uma opressão, a do capital contra o trabalhador, que estão reproduzindo outras opressões. Uma forma clara de observarmos o machismo são situações de Imposição de poder sobre as mulheres as quais devem ser criticadas por toda militância da esquerda.

As situações de imposição de poder sobre as mulheres se dão de várias formas, podendo citar aqui para compreensão: Interpelar as companheiras aos gritos, com gestos exagerados e intimidadores, desqualificação das opiniões, desqualificação inclusive das denuncias de machismo entre outras.

O machismo, esta forma de intolerância e imposição tem sido manifestada muitas vezes através da defesa apaixonada de posicionamentos políticos, confundindo as pessoas, mas não se trata de defesa apaixonada a posicionamentos, assim como não se trata de crime passional o feminicídio. Em nenhum dos dois casos há paixão, ambas são violência machista, e é necessário e urgente diagnosticar e combater a existência destas posturas em nossas organizações.

Infelizmente o contexto atual nos mostra que existe uma espécie de corporativismo entre as organizações políticas, onde o debate sobre o machismo é varrido para debaixo do tapete, não falo do debate superficial, falo do debate sincero e profundo sobre a questão, e quando vêm à tona situações de machismo companheiros e companheiras das organizações tratam como se fossem as denuncias oportunismo, como se partissem de pessoas que estão pré-dispostas a destruir estas organizações perfeitas que passam a ser defendidas com unhas, dentes e sectarismo, muito sectarismo. Esta defesa apaixonada dos militantes acaba por acumpliciar se da reafirmação do machismo em nossas organizações e expulsar as mulheres das nossas fileiras.

Confrontar o machismo é uma questão política, e ao contrário do que tenta se colocar não é menor, instrumentos de sansão aos militantes machistas devem ser aplicados para educação dos mesmos, para que reconheçam seus erros e não os repitam, pois não é justo que um camarada que utiliza se de métodos como intimidação, agressão física, verbal ou emocional, truculência etc. Continue representando publicamente as posições de sua organização política ou participar das reuniões de direção, ou será que é?

Gostaria de observar que pedir desculpas ou fazer autocrítica de forma privada, quando a agressão deu se de forma publica as mulheres militantes, dirigentes ou de qualquer organização política, principalmente as socialistas e de esquerda, não deve ser aceita. Pois quando uma agressão machista atinge uma mulher, atinge a todas.

Por entendermos que este tipo de opressão não deve se naturalizar dentro de organizações da esquerda, este debate deve fugir ao genérico e tornar se uma fonte de estratégias para combatermos o machismo tanto reproduzido pelo opressor, como reproduzido pelas oprimidas, conscientizando que nos lugares onde a classe trabalhadora se organiza para o combate ao sistema capitalista e suas classes, não há hierarquias de seres humanos e a prática do convívio de uma sociedade igualitária, deve começar a ser feita aqui e agora.

Vera L. da Silveira Aguiar

Coletivo Feminismo Sem Demagogia

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Ele são muitos... mas não podem voar. #FreePalestine


"Ai se eu corresse assim, tantos céus assim, muita história eu tinha pra contar..."

Acabei de ouvir Ednardo que completa 40 anos de carreira artística e como que por encanto fui levado a uma imagem de 2012 com uma menina que corre com a bandeira Palestina às costas como que voando com sua "cauda aberta em leque". E uma passagem após a outra da canção me veio a imagem do povo palestino que apesar dos agora completados 65 anos de humilhação do "conde raivoso" sionista continuam vivos e lutando pelo seu direito de existir.

Nunca é demais homenagear e lembrar a luta palestina. É... eles (os sionsitas) são muitos mas não podem voar.

Pra quem não conhece Ednardo e seu Pavão Misterioso fica aqui letra e música.



Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse teu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...

Pavão misterioso
Nessa cauda
Aberta em leque
Me guarda moleque
De eterno brincar
Me poupa do vexame
De morrer tão moço
Muita coisa ainda
Quero olhar...

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar...

Pavão misterioso
Pássaro formoso
No escuro dessa noite
Me ajuda, cantar
Derrama essas faíscas
Despeja esse trovão
Desmancha isso tudo, oh!
Que não é certo não...

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Um conde raivoso
Não tarda a chegar
Não temas minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos
Mas não podem voar...

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Afinal de contas o que foram as jornadas de junho? Ricardo Antunes e Ruy Braga nos ajudam a tentar entender.

O mês de julho vai chegando aos seus últimos dias e ainda que tenhamos vivido importantes manifestações e até mesmo um importante dia nacional de lutas, não vimos mais nenhum grande levante coordenado ou mesmo que de forma isolada nos últimos dias. Sim, tivemos ocupações de câmaras municipais, belas passeatas e até mesmo muita repressão. Mas nada mais como o que vimos na segunda quinzena de junho com mais de um milhão e quatrocentas mil pessoas protestando em mais de 130 cidades em todo o país em um único dia. Ainda que não tenha atingido sequer um por cento dos nossos 190 milhões de habitantes, foi sem dúvida a primeira grande onda de protestos dos últimos vinte anos no Brasil.

Alguns eufóricos e apressados dirão que a camisa de força que prendia a classe trabalhadora e a juventude no país foi rompida em um ato de impressionismo que nada ajuda a entender o que se passou e o que se passa na luta de classes do país. Essa prática nociva de agitar exageros descabidos empurra os ativistas para o movimentismo frenético e desenfreado que não só de nada adianta, como no fim das contas atrapalha e muito.

Nesses dias em que vivemos é preciso mais que antes duvidar das fórmulas prontas. É preciso questionar. E em especial é preciso se esforçar para entender. 

Como parte deste esforço, dois importantes intelectuais da esquerda revolucionária do país produziram juntos ao final do mês de junho um texto chamado "A explosão social no Brasil: Primeiras anotações (para uma análise posterior)" publicado originalmente em espanhol e que por sua importância traduzimos e disponibilizamos aqui.  Boa leitura.

terça-feira, 23 de julho de 2013

@PMERJ brinca com fogo: Coquetel molotov lançado contra policiais foi obra de P2. #Veja #Divulgue


Não é a toa que a policia militar do Rio tem interesse em deter a imprensa livre tal como fez com os repórteres do @MidiaNinja. Poucas horas após os acontecimentos da noite do dia 22 de julho em que um coquetel molotov foi arremessado contra policiais, fato este amplamente coberto pela grande mídia, videos independentes começaram a pipocar na internet associando o suposto ativista incendiário com agentes infiltrados nas manifestações, os agora mais que famosos e popularizados "P2".

Tudo é muito rápido mas é possível verificar que o homem que lançou a bomba caseira é branco, usa calça jeans e camisa preta. Seu rosto estava coberto com uma camisa branca. Em outro dois videos captados de diferentes ângulos é possível ver dois homens brancos de calças jeans e camisas pretas se misturando rapidamente com policiais e tratando de retirar a camisa o quanto antes. Um deles carrega uma mochila nas costas.

A cada novo elemento que vem a tona sobre as manifestações @PMERJ só confirma o que já gritaram os verdadeiros manifestantes: "Ei, Beltrame, a polícia é um vexame!"

O video a seguir faz a junção dos dois momentos. Veja e divulgue.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Impressionante: @PMERJ prende @MidiaNinja simplesmente por filmar protestos.



Parece piada mas não é. Filmar protestos passou a ser sinônimo de incitação a violência. Isso mesmo. Dois repórteres do MidiaNinja foram presos esta noite pela Policia Militar do Rio de Janeiro por simplesmente filmar e transmitir ao vivo as manifestações no Rio. Sem provas para mantê-los presos e acompanhados por advogados e vários manifestantes que ficaram fora da delegacia, os repórteres foram liberados. A falta de provas porém não intimidou os responsáveis pela conta do twitter da PM que divulgou a prisão dos dois ativistas detidos "por incitar a violência".

Relatos falam que a PM possuía ordens expressas para prender os integrantes do MidiaNinja.

Não só o ativismo de todo o país mas inclusive a imprensa e as entidades de direitos humanos precisam exigir explicações imediatas do senhor secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrame, e caso esse não o faça, o senhor governador Sérgio Cabral deve fazê-lo. Quem deu as ordens para prender o Midia Ninja? Que seja esclarecido imediatamente e que o responsável seja prontamente afastado.

Como gritaram os manifestantes durante o protesto que exigiu a libertação dos ninjas: "Ei Beltrame! A Polícia é um vexame!"

O que precisamos saber: Onde está Amarildo? #CabralOndeEstaAmarildo #OndeEstaAmarildo #WhereIsAmarildo


O pedreiro Amarildo Souza Lima, 47 anos, pobre, negro, morador da Rocinha, marido de Elisabete Gomes de Souza, pai de 6 filhos, está desaparecido desde o domingo, dia 14 de julho, após ser conduzido por policiais para prestar depoimento em uma delegacia da Unidade de Polícia Pacificadora, a UPP da Rocinha. Os quatro policiais envolvidos no desaparecimento foram afastados, mas até agora ninguém sabe onde está Amarildo.

Mais de uma semana depois, a TV e a grande mídia se dedicam exaustivamente à visita do papa Francisco dando conta de cada passo e gesto. Enquanto isso, a família do pedreiro conhecido como "Boi" aguardam pelo direito de ao menos de enterrar o corpo de Amarildo. Mas o desaparecimento arbitrário de um trabalhador pobre e preto da Rocinha não cabe nas manchetes dos jornais.

Nos solidarizamos com a família de Amarildo e exigimos das autoridades que assumam a responsabilidade por seu desaparecimento.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

O apogeu da covardia (texto de @mariomagalhaes_)


O jornalista carioca Mário Magalhães, autor do livro a biografia “Marighella – O guerrilheiro que incendiou o mundo”, publicou hoje em seu blog o texto "O apogeu da covardia" onde comenta sobre a comoção carioca acerca da depredação do Leblon na madrugada do dia 18 de julho e o silêncio desinteressado acerca dos dez mortos da Favela da Maré pelo BOPE na madrugada do dia 25 de junho. Vale a leitura.

O apogeu da covardia: lojas quebradas no Leblon comovem o Rio e o jornalismo, mas os mortos pela PM na Maré já foram esquecidos


O Rio se comoveu com o quebra-quebra ocorrido no Leblon na virada de 17 para 18 de julho de 2013. Balanço da baderna: depredação de orelhões, placas e 25 lojas.

O Rio não se comoveu com a morte de pelo menos dez pessoas na Maré na noite de 24 e na madrugada de 25 de junho, menos de um mês atrás.

O Rio em questão é o retratado pelo jornalismo mais influente. Danos ao patrimônio no bairro bacana, paraíso onde vivi por tantos anos, receberam muito mais atenção do Estado, dos meios de comunicação e de parcela expressiva da classe média do que a perda de vidas na favela Nova Holanda, no complexo da Maré.

É muita covardia. Contra quem? Contra os de sempre, os mais pobres.

Os crimes contra o patrimônio na zona sul foram obra de bandidos, de fascistoides, de ultra-esquerdistas, incluindo pseudo-anarquistas, de pequenos burgueses vagabundos e de alguns miseráveis desejosos de trajar roupas de grife (alguém viu um operário vandalizando?). Como queimam o filme dos protestos e beneficiam o governo estadual com o verniz de vítima, talvez haja infiltrados de origem nebulosa. Cometeram crimes, têm de ser punidos escrupulosamente, nos termos da lei.

Na Maré, o Bope invadiu a favela contra a vontade dos policiais que lá estavam. O efetivo era minúsculo, pois o grosso do batalhão estava cuidando de reprimir manifestações políticas. Resultado: uma bala provavelmente disparada por traficante de drogas matou um sargento da tropa de elite.

Em seguida, sobreveio a vendeta, com a invasão massiva. Nove moradores locais mortos e nenhum PM ferido gravemente. Confronto? Isso tem outro nome: chacina. No mínimo, dois jovens não tinham antecedentes criminais, um deles de 16 anos. A legislação penal brasileira não prevê pena de morte, para qualquer crime, ainda que seja o de assassinato.

Na Maré, o grosso do jornalismo não informou nem a identidade dos mortos, com exceção da do PM. No Leblon, os personagens tinham nome, sobrenome e lágrimas de quem perdeu alguns bens. Na favela, o pranto das mães que perderam seus rebentos quase não saiu no jornal.

A cúpula da segurança do Estado convocou uma reunião de emergência horas depois de os vândalos detonarem no Leblon. Alguém sabe de um encontro dessa natureza para tratar do morticínio na Maré?

Há mais diferenças além da essencial, entre crime contra a vida e crime contra o patrimônio. No bairro das adoráveis novelas do Manoel Carlos, aprontaram criminosos que devem responder judicialmente por si mesmos. Na Maré, atuaram agentes públicos. Se não se sabe ao certo qual foi o comportamento deles, a responsabilidade é do Estado, que deveria investigar para valer, e não encenar apurações.

As agências bancárias com vidros estilhaçados e as butiques dilapidadas costumam estar protegidas por seguros. Que seguro haveria de confortar os irmãos do pessoal morto na Maré?

Acadêmicos, jornalistas, autoridades e politiqueiros que não pronunciaram uma única sílaba sobre a Maré agora posam de valentões bradando contra a desordem no Leblon. Eles só saem em defesa dos mais ricos, os pobres que se danem. São covardes, não valentes.

Merece respeito o sofrimento de tantos antigos vizinhos meus que se assustaram com o pega pra capar. Mas a vida seguiu. Na Maré, para tantos pais, a vida seguiu sem seus filhos. Já cantou Chico Buarque, saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu _teria um quarto ou dormiria no colchão da sala o adolescente que mataram?

O farisaísmo não reconhece limites. Às vésperas do desembarque do papa, celebra-se a existência. Mas muitos corações, que nojo, abalam-se apenas com a perda de patrimônio, e não de vidas. O que diria Francisco?

O recado das últimas semanas é que, para muita gente, crime contra a vida não é nada diante de crime contra o patrimônio.

Isso não é só covardia. É barbárie.