sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Krystal e a carne foi o que de melhor aconteceu neste triste espetáculo do The Voice Brasil

Tenho que confessar que assisto "The Voice Brasil". Assisto com grande desconfiança e tristeza por ver talentos submetidos ao triste espetáculo mercadológico que convencionou-se chamar de "Reality Show" (Show de realidade aonde meu irmão?).... mas admito, assisto. A noite de ontem compensou todas as outras quando algo explodiu na tela da Globo e na frente de todos os que estavam lhe servindo de espectadores. A nordestina Krystal arrancou o programa da mesmice chata e dependente do imperialismo ianque para o realismo gutural e chocante de Marcelo Yuka.

Elza Soares já havia dado a "a carne" uma roupagem que pareceria impossível qualquer um ousar cantá-la novamente. Kristal ousou. E que bom que ousou.

* Atualização em 07/12/2013: Infelizmente o video no YouTube foi removido possivelmente por "violação de direitos autorais". Diga-se de passagem o video era de alguém que filmou sua própria TV. No fim da contas a Carne de Kristal não é nada barata para a Rede Globo. Que ironia. De toda forma você pode assistir à interpretação da cantora na página da própria emissora. Clique aqui.

* Atualização em 05/01/2014: O video foi removido do YouTube mas está postado no DailyMotion. Ei-lo.



KHRYSTAL - A CARNE por asmf_pb

A carne mais barata do mercado é a carne negra
Que vai de graça pro presídio
E para debaixo do plástico
Que vai de graça pro sub-emprego
E pros hospitais psiquiátricos

Que vai de graça pro presídio
E para debaixo do plástico
Que vai de graça pro sub-emprego
E pros hospitais psiquiátricos

A carne mais barata do mercado é a carne negra
Que fez e faz história
Segurando esse país no braço, meu irmão

O gado aqui não se sente revoltado
Porque o revólver já está engatilhado
E o vingador é lento, mas muito bem intencionado
Enquanto esse Brasil vai deixando todo mundo preto
E o cabelo esticado

A carne mais barata do mercado é a carne negra
A carne mais barata do mercado é a carne negra

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Animação iDiots demonstra a idiotização da alienação do consumismo capitalista


A animação iDiots brinca com nossa dependência de falsas necessidades e sua obsolescência programada. Pequenos robôs fazem fila para comprar seu novo aparelho celular: o iDiot 4. O brinquedinho alegra e escraviza os pequenos com suas idiotices até que na hora devidamente certa ele dê seu lugar ao iDiot 5. Fantástico!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Lênin nos lembra qual nosso objetivo quando o assunto é o Estado.


Direto de setembro de 1917, Lênin esclarece o que almejam os comunistas quando o assunto é o Estado:

Nosso objetivo final é a supressão do Estado, isto é, de toda violência, organizada e sistemática, de toda coação sobre os homens em geral. Não desejamos o advento de uma ordem social em que caducasse o princípio da submissão da minoria à maioria. Mas, em nossa aspiração ao socialismo, temos a convicção de que ele tomará a forma do comunismo e que, em conseqüência, desaparecerá toda necessidade de recorrer à violência contra os homens, à submissão de um homem a outro de uma parte da população à outra. Os homens, com efeito, habituar-se-ão a observar as condições elementares da vida social, sem constrangimento nem subordinação.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

domingo, 17 de novembro de 2013

Os mensaleiros estão presos! E agora?


Os mensaleiros estão presos. Quase dez anos após a revelação do esquema de compra de votos no parlamento para aprovar medidas a favor dos interesses do governo e um ano após a sentença de culpados, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, ordenou que os condenados no esquema do mensalão fossem presos. A notícia foi veiculada em todas os meios de comunicação em caráter extraordinário. Nas redes sociais governistas e direitosos trocaram ofensas de todos os lados enquanto no mundo real a imensa maioria das pessoas comuns não celebrou, nem muito menos se comoveu. Ao longo do dia os presos petistas se apresentaram à polícia com direito a imagens que possivelmente ficaram entre as mais divulgadas deste final de semana na internet brasileira. Genoíno e José Dirceu com seus punhos erguidos e cerrados tentavam dar ao episódio um ar no mínimo mais glamuroso.

No fim das contas, todo o episódio da prisão não passou de um grande jogo de cena. Não é a toa que se deu exatamente no dia 15 de novembro, dia da proclamação da república. O ministro do supremo, amado por uns e odiado por outros, buscando um ar de moralidade para a justiça brasileira e talvez um pouco mais de luzes da grande mídia deu o ar de grande senhor da ordem. A imprensa alvoroçada deu cobertura especial para celebrar o tão esperado espetáculo de ver seus desafetos petistas na cadeia. E os presos... esses então é que fizeram um imenso jogo de cena tentando resgatar a áurea de resistência que os envolveu no passado quando então lutavam contra o regime militar brasileiro.

O Brasil está melhor após a "justiça" ser feita?

Nenhum pouco. A corrupção permanecerá, até porque ela parte é inerente não somente do sistema política partidário brasileiro mas do próprio capitalismo.

É um primeiro passo para o fim da impunidade no país?

Claro que não. As incontáveis causas que empilham os tribunais permanecerão mofando aguardando julgamentos que via de regra só seguirão sendo rápidos quando agradarem aos donos do poder.

A prisão efetiva dos condenados representará uma mudança nos rumos do governo, anulando as medidas aprovadas pelo expediente do mensalão, entre elas a famigerada reforma da previdência?

Mil vezes não! Esse tema então sequer está em discussão.

Não. O Brasil não está melhor com os petistas presos. E talvez esteja até um pouco pior. Não pelo fato da prisão em si. Lugar de corrupto é na cadeia e isso não se discute. O que precisamos estar atentos é com a possibilidade da grande massa dos trabalhadores comprar a ideia de que demos um passo para um Brasil mais correto, que é possível confiar na Justiça, que no Brasil até político vai parar na cadeia, etc, etc... se essa mensagem for assimilada pela grande população estaremos numa situação ainda mais delicada de confusão e apatia. O governo de frente popular petista terá emplacado mais esta trava na consciência da classe caso tal hipótese se afirme. Mais uma vez a mensagem, não lute, aceite o mundo como é, será reforçada.

E como se não bastasse essa ideia de que a justiça tarda mas não falha, ainda por cima, alguns ilustres nomes do governismo tem a cara de pau de falar em presos políticos ao mesmo tempo que praticamente desautorizam quaisquer campanhas contra tais prisões. Se o caso é de prisão política não se pode em hipótese alguma aceitá-la. Seria preciso desatar uma campanha de solidariedade para denunciar o governo de plantão que ordena ou aceita prisões políticas. Mas não. O PT cala. E ensina a calar-se jogando mais confusão e desmoralização sobre os trabalhadores.

Maldito governo de frente popular!

O lado irônico deste espetáculo todo é que tenha sido exatamente o PT, que teve muito dos quadros na luta contra o regime militar sangrento e corrupto; que fortaleceu-se na luta contra as oligarquias corruptas estaduais de todas as matizes durante os anos 1980; que foi às ruas em 1992 (ainda que contra sua vontade) pedir o impeachment do presidente corrupto; que gritou aos quatro ventos a corrupção dos dois governos FHC; que apresentou-se durante toda sua vida como o baluarte da ética na política.... e vejam só... foi exatamente o PT que emprestou seus dirigentes ao papel dos primeiros grandes presos por corrupção em nosso Brasil. Nenhum militar preso, nenhum dos representantes dos grande clãs da corrupção na cadeia, nenhum grande nome histórico da corrupção nacional atrás das grades, e o PT, que deu os braços, mimos, doces e mensalão aos que há muito tempo deveriam estar aprisionados, acabou tendo os seus próprios homens enjaulados.

Pois é PT. Quem te viu, quem te vê.

terça-feira, 12 de novembro de 2013

O machismo despedaça e aprisiona mulheres... e homens também.


"A mulher é a pior machista!"

Você já ouviu isso? Eu já ouvi uma quantidade enorme de vezes. E embora considere a afirmativa uma daquelas provocações das mais baratas em parte não tenho como discordar. A mulher via de regra é machista e ponto. Ora bolas... a sociedade é machista, a mulher faz parte dela, a mulher é machista. É isso!

E honestamente nem poderia ser diferente. 

O machismo precisa tornar as mulheres machistas para que ele continue se perpetuando. A culpa é da mulher? Não! Ela é vítima e é a principal vítima. A questão colocada aqui e agora não é de culpa nem de inocência. O machismo é um fato, assim como o racismo o é. Por incrível que possa parecer para alguns, assim como mulheres são machistas, negros são racistas. Absurdo? Não! A sociedade é machista e racista! E mulheres e negros não são elementos de fora da sociedade. Fazem parte dela. São vítimas do machismo e do racismo que os submete ao ponto de reproduzir o machismo e o racismo.

O simples fato de, nós, negros, nos colocarmos como "marrons" ou "moreninhos" é um sintoma do racismo. Quantos de nós, negros e negras, não nos enxergamos feios? Quantos não desejamos ter por exemplo um cabelo mais lisinho? O racismo, assim como o machismo, não são meros preconceitos individuais. São características da sociedade capitalista moderna que se alimenta da opressão para continuar existindo. É verdade que somos menos racistas e machistas que aqueles que viveram há uma século atrás. A isso damos graças aos avanços e vitórias do movimento de mulheres e de negros de todo o mundo. Mas seguimos vivendo nessa sociedade capitalista, e assim como não existe capitalismo sem racismo, não existe capitalismo sem machismo. 

Tudo bem até aqui?

Foquemos no tema do machismo então.

Desde pequenas mulheres aprendem a ser donas de casa. E isso não é só nas brincadeiras de boneca ou de casinha. Muito cedo elas assumem tarefas domésticas. Assim como aprendem a ser vaidosas, a se pintar, a "ser bonitas" aprendem a lavar suas peças íntimas, a arrumar seus quartos, a cuidar do irmão mais novo, a ajudar na cozinha, e um largo etcétera. Desde pequenas mulheres são moldadas a ser donas de casa, mas não só isso. Aprendem a respeitar o pai, mais até do que a mãe. Aprendem a se calar, a não questionar e inclusive a ser frágil. Ninguém diz a uma menina que não chore quando se machuca. Não se diz: "Deixe de bobagem, menina! Engula esse choro! Seja MULHER!". Não! Nossa sociedade ensina desde cedo às meninas a serem as mulheres que precisarão ser. E a pior das maldades, cabe às próprias mulheres, como mães, repassarem tal fardo às meninas.

Mas a tragédia não está completa.

Não só ensinamos meninas a aceitar o papel de oprimidas. Ensinamos também os meninos a se tornarem os opressores. Ensinamos desde cedo a ser HOMENS. Hoje até que não se repete mais com tanta frequência a frase de que "Homem não chora" mas o fato de não a dizermos não quer dizer que não seja exatamente esse o comportamento que esperamos dos meninos. Que se machuquem, engulam o choro e muito mais. Que subam nas árvores, que corram, arremessem pedras, joguem bola, não tragam desaforo pra casa, que sejam atletas... Que não façam absolutamente nada ou quase nada em casa. Meninos não lavam suas roupas íntimas, não arrumam suas próprias camas, não lavam sequer os pratos que sujam. Meninos devem proteger seus irmãos mais novos na escola mas isso é bem diferente de cuidar deles o que via de regra compete às meninas. E mais uma vez adivinhem a quem cabe o papel de ensinar meninos a ser os homens do amanhã? Pois é. Em primeiro lugar cabe a própria mãe.

A opressão é tanta e tanta que faz da principal vítima o principal fio do condutor do machismo.

E quanto aos homens? O que são eles? Os principais beneficiários dessa sociedade doentia?

É fácil imaginar isso quando só se olha pro produto acabado: o homem machista em seu estado adulto. Só olhando para a construção desse homem é que se pode ter noção do quão violento pode ser forjá-lo. Meninos devem ser fortes, predadores, perigosos, em suma... pequenos homens. E se não corresponderem às expectativas que aguentem a pressão, pra dizer o mínimo, dos colegas de escola a lhe chamar de "mulherzinha", "viado" e todo tipo de "insulto" que se possa imaginar. E esteja certo que tal como ocorre com as mulheres, da agressão moral para a agressão física é um quase nada. E é a isso que se chama benefício?

Não!

O machismo não nos liberta enquanto homens. O machismo nos aprisiona. Não somos beneficiários. Somos prisioneiros. Muitas das vezes nos tornamos monstros e aprendemos até a acreditar que gostamos disso. Mas honestamente se isso é um benefício é no mínimo daqueles que nos despedaça e nos consome.

O machismo só faz bem àqueles que o utilizam como instrumento de exploração e só poderá ser vencido se encarado exatamente assim. 

sábado, 9 de novembro de 2013

"Se o Estado é um instrumento de combate não pararemos até o destruí-lo" (ouça EINA cantando O Estado e a Revolução)

O grupo basco EINA está na estrada das músicas engajadas desde 1992 quando era conhecido como Inadaptats. De lá pra cá tem cativado fãs não só na Catalunha, como na Espanha e Portugal com suas letras politizadas como por exemplo "O Estado e a Revolução" com referências a Marx, Engels e Lênin. Vale conhecer e divulgar.



Não, não choraremos nunca mais
Chega de lamber nossas feridas pelos golpes da vida
Tantos erros convertidos em temores
Morreram utopias
Buscamos outras vias
Somos filhos dessas ruas
onde morreram tantos proletários
deixando de herança as suas experiências
Tantos combates onde fomos derrotados
Não repetiremos a história!
Agora viveremos a glória!

Sempre o que trabalha
não detém os meios que lhe dão trabalho
Não temos mais do que as feridas!
As nossas mãos são o nosso capital!

Tudo, tudo que aprendemos é guia para os proletários!
Marx, Engels, Lênin
Karl Marx, Engels, Lênin
Se o Estado é um instrumento de combate
não pararemos até o destruí-lo
e gritaremos: Vitória!

Sempre o que trabalha
não detém os meios que lhe dão trabalho
Não temos mais do que as feridas!
As nossas mãos são o nosso capital!

O Socialismo abre as portas para construir
a democracia real!

Sempre o que trabalha
não detém os meios que lhe dão trabalho
Não temos mais do que as feridas!
As nossas mãos são o nosso capital!

O Socialismo abre as portas para construir
a democracia real!

O comunismo é a nossa meta
onde celebraremos a extinção de todo o Estado
a extinção de todo o Estado!

domingo, 3 de novembro de 2013

Se os Tubarões Fossem Homens (#poema de Brecht e video de Pedro Cavalcanti)

"Se os Tubarões Fossem Homens" é um daqueles textos fantásticos de Bertold Brecht que relaciona a suposta selvageria dos temidos tubarões com a civilidade do ser humano. Existem versões diferentes sobre o poema. Um deles começa com uma pequena menina perguntando ao senhor "K" se os tubarões seriam mais amáveis com os peixinhos se por acaso fossem homens. A resposta do senhor K é reveladora.

Segue video editado por Pedro Cavalcanti aproveitando-se da narração de Antônio Abujamra e de várias imagens da internet que aliás ficou muito bom.



Se os Tubarões Fossem Homens

Bertold Brecht

Se os tubarões fossem homens, eles seriam mais gentís com os peixes pequenos. Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais. Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim de que não moressem antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões. Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. Aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos. Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos. Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência. Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista. E denunciaria imediatamente os tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre si a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que, entre os peixinhos e outros tubarões existem gigantescas diferenças. Eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro. Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, haveria belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nas quais se poderia brincar magnificamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.A música seria tão bela, tão bela, que os peixinhos sob seus acordes e a orquestra na frente, entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos. Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, eles ensinariam essa religião. E só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida. Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros. Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões, pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar. E os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiros da construção de caixas e assim por diante. Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

Charge fantástica de @WillLeite resgata letra de Engenheiros do Hawaii para dar som ao caso Amarildo


No último dia 25/10, Will Leite postou uma charge genial em sua página, o WillTirando. Will foi buscar matéria prima para seu traço na música "Somos quem podemos ser" do álbum de 1988, "Ouça o que eu digo: não ouça ninguém" da banda gaúcha Engenheiros do Hawaii.

Usando do recurso dos quadrinhos, o cartunista passou pelos versos "Quem ocupa o trono tem culpa/ Quem oculta o crime também/ Quem duvida da vida tem culpa/ Quem evita a dúvida também tem" trazendo à tona o caso do pedreiro Amarildo, morto pela polícia do Rio de Janeiro.

Fantástico Will. Meus parabéns.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Um chamado aos homens: como você seria se não estivesse preso à sua "Caixa de homem"?


Tony Porter é um educador e ativista estadunidense fundador da organização "A Call to Men" (Um chamado para os homens) dedicado ao combate e ao fim da violência contra as mulheres. Em seu chamado Tony explica o que ele define como "Caixa de homem" e a necessidade de simplesmente "não se agir como um homem". Não entendeu? Assista o video. E faça mais: divulgue-o.

sábado, 12 de outubro de 2013

O fantasma da proletarização atemoriza os médicos

A edição online da Le Monde Diplomatique publicou no último dia 02 de outubro um interessante artigo sobre o programa "Mais médicos" introduzindo um dos temas centrais no qual está inserido o polêmico programa governista: a proletarização do trabalho médico.

O texto escrito a "seis mãos" por Paulo de Tarso Soares, Ana Paula Paulino da Costa e José Paulo Guedes Pinto traz a tona a questão de classe relacionada com o "Mais médicos" e o quanto ele mete medo em uma boa parte dos médicos de todo o país justo porque coloca o espectro da proletarização na ordem do dia. Não é que a proletarização já não seja uma realidade. Nada disso. Mas na medida em que se aumenta a oferta de médicos no sistema público de saúde naturalmente os inúmeros negócios de medicina entram na linha de tiro. E esse é um dos motivos da revolta de boa parte dos filhos da classe média brasileira que tanto se esforçou para que seus rapazes e meninas subissem de vida ou mesmo os próprios filhos da burguesia médica que quer sua prole mantendo os negócios da família. Esse com certeza é um bom debate com o qual guardo muito acordo.

O que infelizmente o artigo não faz é a devida crítica ao Mais Médicos como um programa que acelera não a proletarização mas a precarização do trabalho médico na medida em que institui a bolsa como como forma de pagamento e legitima a possibilidade de trabalhadores temporários em sub-condições de trabalho. Então se os médicos brasileiros que sonham com a riqueza temem a proletarização é preciso que se diga que o programa do governo vai além e prepara a "sub-proletrização" do trabalho médico. É um ataque monstruoso aos trabalhadores, incluive do serviço público, travestido de medida estadista para combater as mazelas da saúde.

De toda forma é um bom artigo que merece ser lido. A ilustração do post é a mesma do Le Monde e é de autoria de André Dahmer. A quem se interessar recomendo ainda a leitura de nosso post - "Mais médicos" é um programa escravocrata?.


O fantasma da proletarização atemoriza os médicos


Mercado e saúde não têm se revelado uma boa combinação: custos elevados, mau atendimento, negativas de exames e de cirurgias. O setor público não se sai melhor. O corporativismo e uma política deliberada de privatização contribuem para isso. É nesse contexto que as reações ao Mais Médicos precisam ser analisadas

por Paulo de Tarso Soares, Ana Paula Paulino da Costa, José Paulo Guedes Pinto

O que ocorre na medicina não é diferente do que ocorre no resto da economia capitalista. A luta entre patrão e empregado, a tal luta de classes, faz que o trabalho direto seja substituído pelas máquinas. E esse processo não é indolor.

Os equipamentos médicos, em geral produzidos por empresas monopolistas, estão cada vez mais caros. Só são lucrativos se operados em grande escala. Clínicas e hospitais são uma resposta a isso. A centralização de capital ocorre também no lado da demanda, mediante os convênios de saúde que aglutinam pacientes. A monopolização (poder de mercado via cartelização) avança, com a omissão e mesmo com a cumplicidade das instâncias (Executivo, Legislativo e Judiciário) que, supostamente, deveriam coibi-la. Ela só não avança entre os médicos, que cada vez mais se transformam em assalariados (explícitos ou disfarçados).

Mercado e saúde não têm se revelado uma boa combinação: custos elevados, empobrecimento/assalariamento dos médicos, mau atendimento ao público, dificuldades para marcação de consultas, negativas de exames e de cirurgias. O setor público não se sai melhor. O corporativismo e uma política deliberada de privatização contribuem para isso. É nesse contexto que as reações ao Programa Mais Médicos precisam ser analisadas.

Como a profissão de médico é afetada pelo processo descrito? Excluindo os médicos que trabalham nos poucos centros de excelência, esse profissional, hoje, basicamente ouve as queixas dos pacientes, pede exames e receita remédios num modo simplificado. Ele não precisa mais de tanto estudo, de tanto conhecimento de doenças. A tal medicina baseada em evidências e os protocolos transferiram o conhecimento médico para o computador. Ele é quase um operador de computadores.

O fantasma da proletarização atemoriza os médicos. Mas convenhamos, a medicina que estão praticando facilita isso. Ouvir sintomas, inseri-los em um programa de computador que lhe devolve os exames a serem solicitados e os remédios a serem receitados − tais tarefas precisam mesmo de mais do que quinze a vinte minutos com cada paciente? Os convênios pagam mesmo tão pouco aos médicos? Com R$ 30 por consulta não dá mesmo para sonhar com riqueza e prestígio social, mas o médico que faz em média três consultas por hora, trabalhando oito horas por dia, durante vinte dias no mês, gera R$ 14.400 ao final do mês. Isso é pouco?

Ah, responderão os médicos, como amortizo/pago os elevados custos com a minha formação? Mais um personagem, então, entra em cena, pois a centralização de capital também ocorre na educação. Assim, além da monopolização dos equipamentos e dos convênios, a monopolização na educação também “espreme” os médicos.

Isso é tudo? Não! Com o conhecimento médico embutido no computador é preciso que todo e qualquer médico tenha mesmo tantos anos de estudo? Não se está colocando na graduação o que deveria estar na pós-graduação? Dito de outra forma: o perfil da demanda por saúde está de acordo com o perfil da oferta de saúde? É racional formar tantos médicos para lidar com doenças graves quando a maioria dos problemas é de simples resolução? Parece-nos que não! O país precisa muito mais de médicos de família do que médicos de hospital terciário.

Ir para o interior soluciona o problema do assalariamento/empobrecimento? Do ponto de vista privado, os dados indicam que não. Não há por que supor qualquer ilusão monetária nos médicos. A cidade grande é muito atrativa. Os custos de migração são altos, especialmente para as cidades pequenas.

Mas, se é assim, por que a reação histérica, descabida, contra a vinda de médicos estrangeiros, especialmente dos médicos cubanos? A resposta está em que o Programa Mais Médicos afronta a lógica perversa aqui descrita e mexe fundo na ideologia predominante.

Um estetoscópio, um termômetro, um medidor de pressão e outro de glicemia, com a formação adequada, são suficientes para atender a esmagadora maioria dos casos. A presença de mais médicos em locais carentes, sem dúvida, promove um salto quantitativo e qualitativo na saúde local, além de reduzir a pressão sobre os hospitais, que hoje vivem lotados de casos simples e de casos graves. Os controles de pressão e de diabetes mais a divulgação de noções de puericultura fazem isso. O atendimento básico a uma população carente não será feito consumindo os recursos milionários que a área da saúde tanto ambiciona.

O médico que não conseguiu ser uma estrela vê-se espremido por todos os lados. Ideologicamente, no entanto, ele só vê problema na proletarização, pois ela é a negação do sonho de ficar rico, de ascensão social etc. A formação especialista do médico não o ajuda a olhar para o contexto. Treinado em ciência à laGalileu, ele não procura as causas, não olha para o processo, apenas faz associação de eventos e, no caso, considera: evento A (proletarização) versusevento B (sonho de riqueza).

Interesses inconfessáveis e preconceitos afloram. Não se pode desprezar o temor de que os estrangeiros venham concorrer aqui nas grandes cidades. A história está cheia de exemplos de proletários lutando contra proletários. Os cubanos, ademais, remetem o imaginário para o socialismo, tão em baixa desde a queda do Muro de Berlim e a derrocada da URSS. Médico cubano joga na cara a proletarização que tanto repugna o médico sonhador com riquezas e prestígio social.

A irracionalidade é flagrante. A medicina cubana, reconhecida como excelente pela Organização Mundial da Saúde, é acusada de ser de quinta categoria. Toma-se como demagógica uma política de saúde na qual se inclui o Programa Mais Médicos, a qual é diferente da irracionalidade prevalecente no Brasil: a formação de médicos assessórios dos monopólios que dominam a saúde é incompatível com a realidade financeira do nosso país. A prova “tipo OAB” para os médicos é veementemente recusada para os médicos nacionais, mas querem exigi-la (Revalida) dos cubanos, um corporativismo mascarado em defesa da lei (corporativa) e da saúde pública. Chegaram a chamar os cubanos de escravos de Fidel, pois eles receberão menos do que o governo brasileiro pagará à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), que repassará os recursos ao governo de Cuba, mas esquece-se, omite-se, ignora-se, tapa-se a vista para o fato de que essa é a regra no capitalismo. Receber menos que o valor gerado, no capitalismo, é liberdade, mas no chamado socialismo é escravidão. Irônico? Não! Trágico.

Paulo de Tarso Soares
Doutor em Economia (FEA-USP).

Ana Paula Paulino da Costa
Mestre em Contabilidade e Controladoria (FEA-USP) e doutora em Administração – Estudos Organizacionais (EAESP/FGV-SP).

José Paulo Guedes Pinto
Professor doutor da Universidade Federal do ABC (UFABC).

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Todos contra a terceirização! (Videos de atores globais contra o PL 4330/2004)

A ANAMATRA - Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho - e o MHUD - Movimento Humanos Direitos - produziram recentemente dois video com atores globais contra o projeto de lei 4330/2004 que trata da terceirização proposto pelo empresário e deputado federal pelo PMDB de Goiás, Sandro Mabel . O primeiro video conta com a participação de Dira Paes Gilberto Miranda, Priscila Camargo, Bete Mendes e Osmar Prado, e o segundo como Wagner Moura e Camila Pitanga. Todos os atores abriram mão de seus cachês.

Apesar da iniciativa ser a de simplesmente barrar a aprovação do projeto de lei, e não a de verdadeiramente coibir a terceirização que já é uma realidade, vale a pena assisti-los e divulgá-los.