sábado, 11 de janeiro de 2014

Ariel Sharon está morto. Um carniceiro a menos no mundo. Mais um obituário com hurras.



Ariel Sharon, o carniceiro, está morto. Vai tarde, muito tarde. Soma-se ao panteão dos canalhas que nos fazem relembrar imediatamente o poema que o uruguaio Mário Benedetti escreveu em homenagem à Ronald Reagan, mas se encaixa muito bem em todos os grandes canalhas. Sharon é um deles. Vamos festejar todos. Mais um canalha está morto.

OBITUÁRIO COM HURRAS

Vamos festejar
venham todos
os inocentes
os maltratados
os que gritam de noite
os que sonham de dia
os que sofrem do corpo
os que alojam fantasmas
os que pisam descalços
os que blasfemam e ardem
os pobres congelados
os que gostam de alguém
os que nunca se esquecem
vamos festejar
venham todos
o crápula morreu
se acabou a alma negra
o ladrão
o indecente
se acabou para sempre
hurra
que venham todos
vamos festejar
a não dizer
a morte
sempre apaga tudo
tudo purifica
qualquer dia
a morte
não apaga nada
ficam
sempre as cicatrizes
hurra
morreu o cretino
vamos festejar
a não chorar de vício
que chorem seus iguais
e engulam suas lágrimas
se acabou o monstro prócer
se acabou para sempre
vamos festejar
a não ficar mornos
a não crer que este
é um morto qualquer
vamos festejar
a não tornarmos frouxos
a não esquecer que este
é um morto de merda.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Sabe qual é o lema que os EUA deveriam adotar? George Carlin sabe.


"Um país que foi fundado por donos de escravos, 
que queriam se tornar livres.
Então eles mataram um monte de brancos ingleses
para que eles pudessem continuar sendo donos de seus negros africanos,
para que eles pudessem dizimar o resto dos índios pele vermelhas
e rumassem para o Oeste roubar o resto das terras dos mexicanos pardos,
dando a eles um lugar para decolarem e lançar bombas atômicas nos japoneses amarelos!
Sabe qual é o lema que os EUA deveriam adotar?
Você nos dá uma cor e nós acabamos com ela!"

George Carlin (humorista americano)

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

"Enquanto eu respirar, eu lutarei pelo futuro" (texto do jovem Trotsky em 1901)


Quando o revolucionário russo Leon Trotsky tinha seus vinte e dois anos, lá pelos idos de 1901, escreveu um texto saudando, ainda que ao seu jeito, o recém chegado século XX. É um trecho pouco conhecido da obra de Trotsky que foi resgatado pela organização "Reagrupamento Revolucionário" que fez a gentileza de traduzir para o português e publicar no Marxist Internet Archive com o título "Otimismo e PessimismoSobre o Século XX e Muitas Outras Coisas".

Boa leitura.

Dum spiro spero! [Enquanto há vida, há esperança!] ... Se eu fosse um dos corpos celestiais, eu olharia com completo desapego para esta bola miserável de sujeira e poeira ... Eu brilharia indiferente entre o bem e o mal ... Mas eu sou um homem. A história do mundo que para você, desapaixonado cálice de ciência, para você, guarda-livros da eternidade, parece apenas um momento insignificante no equilíbrio temporal, para mim é tudo! Enquanto eu respirar, eu lutarei pelo futuro, este radiante futuro no qual o homem, poderoso e belo, se tornará mestre do fluxo incerto da História e irá direcioná-lo para um horizonte sem fim de beleza, alegria e felicidade!

O século dezenove de muitas formas satisfez e de ainda mais formas enganou as esperanças do otimista ... Ele o compeliu a transferir a maioria das suas esperanças para o século vinte. Sempre que o otimista se confrontava com um fato de atrocidade, ele exclamava: Como pode isso acontecer no limiar do século vinte! Quando ele imaginasse maravilhosamente desenhado um futuro harmonioso, ele o colocava no século vinte.

E agora este século chegou! O que trouxe com ele em sua inauguração?

Na França – o escarcéu venenoso do ódio racial(1); na Áustria – disputa nacionalista...; na África do Sul – a agonia de um povo pequeno, que está sendo assassinado por um colosso(2); na própria “ilha da liberdade” – o canto triunfante da vitoriosa avareza de agiotas chauvinistas; dramáticas “complicações” no leste; rebeliões de massas populares famintas na Itália, Bulgária, Romênia ... ódio e morte, fome e sangue ...

Parece até que o novo século, este gigante recém-chegado, está determinado mesmo no momento do seu surgimento a levar o otimista ao absoluto pessimismo e a um nirvana cívico.

– Morte à Utopia! Morte à fé! Morte ao amor! Morte à esperança! Esbraveja o século vinte em salvas de fogo e ao retumbar das armas.

– Renda-se seu patético sonhador. Aqui estou eu, o seu tão esperado século vinte, o seu “futuro”.

– Não, responde o inabalado otimista: Você, você é apenas o presente.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Abram alas pro morro! Salve a música popular brasileira! Alcione e Leci Brandão cantam "O morro não tem vez"

Que tal um pouco mais de espaço pro morro? Que tal Leci Brandão e Alcione cantando "O morro não tem vez"? Salve a música popular brasileira!



O morro não tem vez
E o que ele fez já foi demais
Mas olhem bem vocês
Quando derem vez ao morro
Toda a cidade vai cantar

Samba pede pasagem
O morro que só estar
Abram alas pro morro
Tamborim vai falar
É 1, é 2, é 3, é 100
São 1000 a batucar
O morro não tem vez
Quando derem vez ao morro
O mundo inteiro vai cantar
Samba pede passagem
O morro quer se mostrar

Abram alas pro morro
Tamborim vai falar
É 1, é 2, é 3, é 100
É 100 a batucar
O morro não tem vez
Mas se derem vez ao morro
O mundo inteiro vai cantar
Vai cantar, vai cantar

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

A voz brasileira silenciada no "The Voice BraZil"


Quase trinta milhões de votos deram ao cearense Sam Alves o título de "A voz do Brasil" no novo "reality show" da TV brasileira. Ganhou Sam, aliás "Sæm" segundo os próprios pais, com aquela pronuncia bem americanizada com o "a" pendendo pro "e".  Pois é, ganhou "Sæm", perdeu a música brasileira. Isso mesmo. A disputa foi inclusive inusitada. Enquanto o grande vencedor interpretou “Hallellujah”, canção do canadense Leonard Cohen, seus concorrentes cantaram Tim Maia ("Me dê motivo"), Dominguinhos ("De volta pro aconchego") e Renato Russo ("Monte Castelo"), três monstros sagrados da música e da voz brasileira, todos batidos pelos gritos estridentes, ainda que afinados, do cearense.

Diferente de sua primeira temporada, onde Ellen Oléria, uma mulher, negra, lésbica e musicalmente brasileiríssima arrastou o título de "a Voz", desta vez o "The Voice" brasileiro meio que atingiu seu apogeu, consagrando um homem, branco, cearense ainda que só de feto, enquanto que de fato mesmo, é estadunidense em todos os sentidos. E quando falo em todos os sentidos, não me refiro unicamente à pessoa do artista, mas em especial ao seu próprio cantar, bem no estilo Whitney Huston, e completamente importado lá das terras do norte e massificado pela grande industria fonográfica.

A cada quinta-feira um pouco da nossa brasilidade foi sendo silenciada. E aqui não me refiro sequer ao cantar em inglês, nada disso. É possível cantar em português e ainda assim não cantar o Brasil. "Sæm" fez isso, por exemplo, em seu "Hallelujah". Aliás, façamos justiça, não só ele. Da mesma forma, é possível cantar em inglês e ainda assim cantar muito de nossa identidade, a banda Sepultura, por exemplo faz isso.

Insisto: essa não é uma questão de forma. É de conteúdo.

No "The Voice" a voz do Brasil com toda sua riqueza cultural foi sendo calada, semana atrás da outra. A exclusão da potiguar Khristal foi um enorme acinte. A da carioca e sambista Gabby Moura deixou de novo o "morro sem vez". A do cearense Marcos Lessa e sua voz que nos remetia a Emilio Santiago, foi de uma frustração inenarrável. E poderíamos citar muitos outros que cantaram o samba, o rock, o sertanejo, a MPB, e muito mais. Por fim, veio a derrota de Lucy Alves, em uma de suas apresentações mais emocionantes, e que quase que inevitavelmente me trouxe a mente a ideia de que levamos uma goleada do time adversário e que ainda por cima ao celebrar seus gols pediu silêncio pra nossa torcida.

É claro que nossa voz e nossa arte é muito mais que um programa da Rede Globo. Mas é bom que estejamos preparados. O resultado do segundo "The Voice" é meio que só uma anunciação. Muitos "Sæms" ainda estão por vir.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Se tivesse realmente vencido, Mandela não seria apresentado como herói universal (texto de Slavoj Žižek)(*)


Nas últimas duas décadas da vida, Nelson Mandela foi festejado como modelo de como libertar um país do jugo colonial sem sucumbir à tentação do poder ditatorial a sem postura anticapitalista. Em resumo, Mandela não foi Robert Mugabe, e a África do Sul permaneceu democracia multipartidária com imprensa livre e vibrante economia bem integrada no mercado global e imune a horríveis experimentos socialistas. Agora, com a morte dele, sua estatura de sábio santificado parece confirmada para toda a eternidade: há filmes sobre ele (com Morgan Freeman no papel de Mandela; o mesmo Freeman, aliás, que, noutro filme, encarnou Deus em pessoa). Rock stars e líderes religiosos, esportistas e políticos, de Bill Clinton a Fidel Castro, todos dedicados a beatificar Mandela.

Mas será essa a história completa? Dois fatos são sistematicamente apagados nessa visão celebratória. Na África do Sul, a maioria pobre continua a viver praticamente como vivia nos tempos do apartheid, e a ‘conquista’ de direitos civis e políticos é contrabalançada por violência, insegurança e crime crescentes. A única mudança é que onde havia só a velha classe governante branca há agora também a nova elite negra. Em segundo lugar, as pessoas já quase nem lembram que o velho Congresso Nacional Africano não prometera só o fim do apartheid; também prometeu mais justiça social e, até, um tipo de socialismo. Esse CNA muito mais radical do passado está sendo gradualmente varrido da lembrança. Não surpreende que a fúria outra vez esteja crescendo entre os sul-africanos pretos e pobres.

A África do Sul, quanto a isso, é só a mesma versão repetida da esquerda contemporânea. Um líder ou partido é eleito com entusiasmo universal prometendo “um novo mundo” – mas então, mais cedo ou mais tarde, tropeçam no dilema chave: quem se atreve a tocar nos mecanismos capitalistas? Ou prevalecerá a decisão de “jogar o jogo”? Se alguém perturba esse mecanismo, é rapidamente “punido” com perturbações de mercado, caos econômico e o resto todo. Por isso parece tão simples criticar Mandela por ter abandonado a perspectiva socialista depois do fim do apartheid. Mas ele chegou realmente a ter alguma escolha? Andar na direção do socialismo seria possibilidade real?

(...) Marx disse (...) em sua fórmula bem conhecida que, no universo da mercadoria, “as relações entre pessoas assumem o disfarce de relações entre coisas”.

Na economia de mercado, acontece de relações entre pessoas aparecerem sob disfarces que os dois lados reconhecem como liberdade e igualdade: a dominação já não é diretamente exercida e deixa de ser visível como tal. (...) É preciso ter em mente que a grande lição do socialismo de estado foi, sim, que a abolição direta da propriedade privada e a regulação das trocas pelo mercado, se não vierem acompanhadas de formas concretas de regulação social do processo de produção, acabam sempre, necessariamente, por ressuscitar relações diretas de servidão e dominação.

Se apenas se extingue o mercado (inclusive a exploração do mercado), sem substituí-lo por uma forma própria de organização comunista da produção e das trocas, a dominação volta como uma vingança, e com a exploração direta pelo mercado.

A regra geral é que, quando começa uma revolta contra regime opressor semidemocrático, como aconteceu no Oriente Médio em 2011, é fácil mobilizar grandes multidões com slogans que só se podem descrever como “formadores de massa”: pela democracia, contra a corrupção, por exemplo.

Mas adiante, quando nos vamos aproximando das escolhas mais difíceis, quando nossa revolta é vitoriosa e alcança o objetivo direto, logo nos damos conta de que o que realmente nos atormentava (a falta de liberdade pessoal, a humilhação, a corrupção das autoridades, a falta de perspectiva de, algum dia, chegar a ter uma vida decente) rapidamente troca de roupa e reaparece sob um novo disfarce.

A ideologia governante mobiliza aqui todo o seu arsenal para nos impedir de chegar àquela conclusão radical. Põem-se logo a dizer que a liberdade democrática implica responsabilidades; que a liberdade democrática tem seu preço; que ainda não estamos plenamente amadurecidos, se esperamos demais da democracia.

Assim, rapidamente, passam a nos culpar, nós mesmos, pelo nosso fracasso: numa sociedade livre – é o que nos dizem – todos somos capitalistas que investimos na nossa própria vida; e temos de alocar mais dinheiro para a educação do que para nossas festas e noitadas e lazer. Que se não fizermos assim, nossa democracia não terá sucesso.

Num plano diretamente mais político, a política externa dos EUA elaborou detalhada estratégia para controle de danos: basta converter o levante popular em restrições capitalistas-parlamentares palatáveis. Isso, precisamente, foi feito com sucesso na África do Sul, depois do fim do regime de apartheid; foi feito nas Filipinas depois da queda de Marcos; foi feito na Indonésia depois da queda de Suharto e foi feito também em outros lugares

Nessa precisa conjuntura, as políticas radicais de emancipação enfrentam o seu maior desafio: como fazer avançar as coisas depois de acabado o primeiro estágio de entusiasmo, como dar o passo seguinte sem sucumbir à catástrofe da tentação “totalitária”, em resumo: como avançar além de Mandela, sem se converter num Mugabe.

Se quisermos permanecer fiéis ao legado de Mandela, temos de deixar de lado as lágrimas de crocodilo das celebrações e nos focar em todas as promessas não cumpridas infladas sob sua liderança e por causa dela. Assim se verá facilmente que, apesar de sua indiscutível grandeza política e moral, Mandela, no fim da vida, era também um velho triste, bem consciente de que seu triunfo político e sua consagração como herói universal não passavam de máscara para esconder derrota muito amarga. A glória universal de Mandela é também prova de que ele não perturbou a ordem global do poder.

(*) Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu, no redecastorphoto

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Krystal e a carne foi o que de melhor aconteceu neste triste espetáculo do The Voice Brasil

Tenho que confessar que assisto "The Voice Brasil". Assisto com grande desconfiança e tristeza por ver talentos submetidos ao triste espetáculo mercadológico que convencionou-se chamar de "Reality Show" (Show de realidade aonde meu irmão?).... mas admito, assisto. A noite de ontem compensou todas as outras quando algo explodiu na tela da Globo e na frente de todos os que estavam lhe servindo de espectadores. A nordestina Krystal arrancou o programa da mesmice chata e dependente do imperialismo ianque para o realismo gutural e chocante de Marcelo Yuka.

Elza Soares já havia dado a "a carne" uma roupagem que pareceria impossível qualquer um ousar cantá-la novamente. Kristal ousou. E que bom que ousou.

* Atualização em 07/12/2013: Infelizmente o video no YouTube foi removido possivelmente por "violação de direitos autorais". Diga-se de passagem o video era de alguém que filmou sua própria TV. No fim da contas a Carne de Kristal não é nada barata para a Rede Globo. Que ironia. De toda forma você pode assistir à interpretação da cantora na página da própria emissora. Clique aqui.

* Atualização em 05/01/2014: O video foi removido do YouTube mas está postado no DailyMotion. Ei-lo.



KHRYSTAL - A CARNE por asmf_pb

A carne mais barata do mercado é a carne negra
Que vai de graça pro presídio
E para debaixo do plástico
Que vai de graça pro sub-emprego
E pros hospitais psiquiátricos

Que vai de graça pro presídio
E para debaixo do plástico
Que vai de graça pro sub-emprego
E pros hospitais psiquiátricos

A carne mais barata do mercado é a carne negra
Que fez e faz história
Segurando esse país no braço, meu irmão

O gado aqui não se sente revoltado
Porque o revólver já está engatilhado
E o vingador é lento, mas muito bem intencionado
Enquanto esse Brasil vai deixando todo mundo preto
E o cabelo esticado

A carne mais barata do mercado é a carne negra
A carne mais barata do mercado é a carne negra

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Animação iDiots demonstra a idiotização da alienação do consumismo capitalista


A animação iDiots brinca com nossa dependência de falsas necessidades e sua obsolescência programada. Pequenos robôs fazem fila para comprar seu novo aparelho celular: o iDiot 4. O brinquedinho alegra e escraviza os pequenos com suas idiotices até que na hora devidamente certa ele dê seu lugar ao iDiot 5. Fantástico!

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Lênin nos lembra qual nosso objetivo quando o assunto é o Estado.


Direto de setembro de 1917, Lênin esclarece o que almejam os comunistas quando o assunto é o Estado:

Nosso objetivo final é a supressão do Estado, isto é, de toda violência, organizada e sistemática, de toda coação sobre os homens em geral. Não desejamos o advento de uma ordem social em que caducasse o princípio da submissão da minoria à maioria. Mas, em nossa aspiração ao socialismo, temos a convicção de que ele tomará a forma do comunismo e que, em conseqüência, desaparecerá toda necessidade de recorrer à violência contra os homens, à submissão de um homem a outro de uma parte da população à outra. Os homens, com efeito, habituar-se-ão a observar as condições elementares da vida social, sem constrangimento nem subordinação.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013