quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Trotsky e a Frente Popular

"No momento atual, a questão das questões é a Frente Popular" escreveu Leon Trotsky em 1936. A crise econômica mundial varria toda a Europa capitalista. A Alemanha marchava desde 1933 sob a bandeira do fascismo hitleriano. A Espanha estava às portas da guerra civil entre os fascistas de Franco e o governo frente-populista de Manuel Azaña. Na França o partido socialista de Léon Blum, ao lado do partido comunista de Maurice Thorez e do partido radical-socialista de Edouard Daladier recém haviam ganho as eleições presidenciais. A questão das questões era sem sombra alguma a Frente Popular.

Banido da URSS desde 1928 e exilado na Noruega desde 1935, Trotsky não poupou esforços para ajudar seus partidários a encontrar o justo caminho do enfrentamento com a frente popular francesa. Tinha em seu currículo a autoridade histórica de quem havia enfrentado o governo de coalizão de classe russo de 1917, antes mesmo que esse tipo de governo tivesse ganhado o nome de Frente Popular. As inúmeras cartas do ex-comandante do exército vermelho fazem parte de uma compilação conhecida como "Aonde vai a França?" que nos dá uma verdadeira aula sobre como aqueles que buscam a revolução social devem se portar diante de governos como esses.

Apesar de todo seu esforço, os anos 1930 passaram por sobre a dedicação do velho Leon como um locomotiva desgovernada rumo ao ápice do fascismo europeu com a segunda guerra mundial, e seu próprio assassinato, no México pela picareta stalinista. Mas a obra de Trotsky segue viva, extremamente rica e muito mais que atual. "A questão das questões" ainda está colocada no cenário mundial e até por isso é preciso estudar Trotsky.

Em 1982, o trotskista francês Jean Paul Jubert, escreveu o texto “Trotsky et le Front Populaire” para o “Cahiers Leon Trotsky N.º 9” que compõe um importante aporte aos que pretendem conhecer um pouco sobre o tema.

Para os interessados segue o link para o texto traduzido para o espanhol. Boa leitura.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Artigo fantástico de @gduvivier ridiculariza as idiotices reacionárias dos últimos dias


Simplesmente fantástico o artigo "Acabou a baderna" publicado na coluna de Gregorio Duvivier no portal da Folha nesta segunda-feira, dia 17. Gregorio que é ator, escritor, humorista e um dos criadores do Porta dos Fundos, com este texto ganha definitivamente o posto de colunista político do momento. Com o dom da ironia como poucos, ele consegue em poucas palavras desmontar os inúmeros argumentos utilizados para criminalizar os movimentos sociais, e em especial Marcelo Freixo do PSOL, que foi o alvo predileto da grande imprensa nos últimos dias.

Em uma passagem de seu texto Gregório divinamente ridiculariza a manchete do G1 que espalhou a anti-notícia bomba que "Estagiário do advogado diz que ativista disse que homem, etc, etc, etc". Mas apesar do formato zombeteiro, o texto de Gregório é dos mais sérios, em especial em suas últimas conclusões.

Vale demais a leitura.

Acabou a baderna


Acabou a baderna. Encontraram o grande financiador do movimento. Já foi provado que membros do PSOL doaram 150 reais para se realizar uma ceia de Natal para mendigos e o dinheiro foi usado para comprar várias rabanadas. Como se sabe, poucas coisas são mais letais que uma rabanada na cara, especialmente se ela estiver dormida.

Muita gente já deve ter morrido a golpes de rabanada do PSOL. Isso porque o pessoal não declarou o panetone. Um panetone é uma arma branca! Ainda mais se for daqueles bem duros, da Visconti. Quando pega na testa, mata na hora. Mas não vai mais matar ninguém. A fonte secou!

Engraçado pensar que alguns acreditavam que o motivo da revolta de junho era a insatisfação popular. Finalmente ficou provado que não. O povo está muito feliz. Eduardo Paes já aumentou a passagem de novo. E não vai dar em nada. O povo não tem problema nenhum com aumento de passagem. O povo não tem problema nenhum com nada. Quem inventa problema é a esquerda caviar. O povo está feliz. Sempre esteve.

Detalhe: ao exumarem o corpo de Josef Stálin, descobriu-se que em sua farda, no bolso esquerdo, havia uma estrela na qual podia-se ler as impressões digitais de Iran Kruschewsky, assessor de Stálin, cuja filha primogênita, Anna Nicolaievna, foi amante de Miriam Pletskaya, embaixatriz da extinta Tchecoslováquia cujo filho, Benjamin Berndorff, tem as mesmas iniciais de Bruno Bianchi, ortopedista brasileiro nascido em 1967, mesmo ano em que nasceu o deputado Marcelo Freixo. Procurado, o deputado negou qualquer envolvimento com o regime stalinista.

"Não acho que o ano em que eu nasci seja um dado relevante para tecer esse tipo de conexão estapafúrdia", afirmou o deputado, saindo pela tangente. A palavra "estapafúrdia", no entanto, já havia sido usada por José Sapir, meu cunhado, para designar a roupa que uma senhora usava em Copacabana, bairro do Rio de Janeiro, cidade onde nasceu Oscar Niemeyer, stalinista confesso. Ou seja...

A legislação vai mudar, graças a Deus (e à Dilma). Não vamos mais tolerar baderna. A ex-guerrilheira, quem diria, vai baixar o AI-5. O Brasil finalmente está virando um país sério: bandido preso no poste, Polícia Militar ameaçando Porta dos Fundos, leis antiterrorismo. O caminho se abriu. Este é o ano em que Bolsonaro vai assumir a presidência da Comissão de Direitos Humanos. Chegou o momento, Capitão! Em abril, nossa revolução faz 50 anos.

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

G1 promove anti-jornalismo pra atingir Marcelo Freixo e criminalizar movimentos sociais


Parece brincadeira mas não é.  Apesar de engraçado foi exatamente isso, tirando os bonequinhos é claro, que o G1 publicou em sua página no dia 09/02. A manchete é claramente uma obra prima do anti-jornalismo no melhor estilo global. O senhor Roberto Amigão da Ditadura Marinho deve estar pulando de orgulho no além túmulo. O bom e velho vale tudo para criminalizar movimentos sociais e desafetos políticos voltou a ordem do dia.

Teoria da conspiração? Deixa disso menino! É bom que você saiba que as organizações Roberto Marinho são campeãs olímpicas em mentira e manipulação.

Por acaso você conhece o episódio da falsificação descarada associando o então presidenciável Lula com o sequestro do empresário Abílio Diniz em 1989? Não? Pois façamos uma rápida recapitulação:
  1. No dia 11 de dezembro de 1989 militantes da organização chilena MIR sequestraram o dono do Pão de Açucar para financiar às Forças Populares de Libertação de El Salvador.
  2. No sábado, dia 16/12, o sequestro chegou ao fim, com os guerrilheiros sendo presos vestindo a camisa da campanha eleitoral do PT. No lugar, vários materiais de campanha foram encontrados.
  3. Do dia 16 até o resultado da eleição ser conhecido a imprensa bombardeou a informação do envolvimento dos sequestradores com Lula.
  4. O jornal o Globo do dia 18/12 destacava "Tuma assegurou que os terroristas integram duas organizações de extrema esquerda no Chile - Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) e Organização de Resistência Armada (Ora) e que em poder dos que foram presos foi apreendido material de propaganda política do PT".
  5. No dia 17/12 houve o segundo turno da eleição que deu a vitória a Fernando Collor de Melo.
  6. Poucos dias após a eleição a imprensa passou a desmentir quaisquer envolvimentos entre o candidato derrotado e o episódio do sequestro. 
  7. Em seu livro "Pão de Fel: utopias revolucionárias ao seqüestro de Abílio Diniz", Raimundo Rosélio, o único brasileiro que participou da operação de sequestro, faz o relato do dia em que o cativeiro caiu e como foi forçado pela polícia a vestir a camisa do Lula antes de sair da casa para que pudesse ser exibido para os jornalistas que aguardavam ansiosos pelas imagens que envolveriam o presidenciável petista com o episódio.
Bonito não?

Pois bem... o intuito da grande imprensa em dezembro de 1989 é exatamente o mesmo de agora. Aproveitar um fato condenável e associá-lo a todo custo a um de seus desafetos que tendo em vista o aquecimento das lutas estaria bem no páreo eleitoral de outubro próximo. O problema para os jornalões é que 2014 não é 1989. Mídias sociais existem e fazem circular informação em uma velocidade mais que estonteante. E pra piorar a situação deles as eleições ainda estão bem distantes dando tempo suficiente para que as muitas mentiras possam ser desmentidas.

E por falar em mentiras, o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade nos leva a outro grande episódio de nossa história que vale muito a pena relembrar: O atentado do Rio Centro em 1982. Dele você lembra, né? Não? Bem... esse deixamos para recapitular em outra oportunidade. Mas até lá vê se faz um favor a você mesmo: Pare de acreditar nas Sheherazades, Jabor's e Mirians Leitão da vida.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Identifique quem é "pessoa de bem" (#charge de Quinho para os SHEHERAZADES da vida)

Via página do Quinho no Facebook.

'Eu não, meu senhor' (artigo de José de Sousa Martins no @estadao)

O Estadão publicou neste sábado texto do sociólogo e professor da USP, José de Sousa Martins, sobre o caso do garoto negro de 15 anos encontrado nu e acorrentado pelo pescoço em um poste. O caso ficou nacionalmente conhecido por ter sido veiculado no jornal do SBT com um depoimento de defesa dos "justiceiros" feito pela âncora ultra-reacionária Raquel Cheiragrade Sheherazade. Por consideramos extremamente relevante publicamos na íntegra o texto que pode ser lido no próprio site aqui.

'Eu não, meu senhor'

Era de noite. Foi no Flamengo. Trinta marmanjos chegaram em 15 motos. Os quatro adolescentes caminhavam para Copacabana, "para tomar um banho de mar". "Era (um) fortão e tinha um magrinho. O magrinho já chegou jogando a moto em cima. Vou matar! Vou matar os quatro!" A moto e a enturmação fizeram o magrinho ficar fortão e valente. O magrinho foi acusando: "Bando de ladrão, fica roubando bicicleta dos outros". Três dos garotos conseguiram fugir. O menino de 15 anos, não. Nenhum deles estava de bicicleta.

Desde quando seus antepassados foram trazidos da África, empilhados em navios negreiros, para serem vendidos no Valongo depois de estirados na praia para destravar o corpo, o menino negro sabe quem manda e quem obedece. O tronco e a chibata no lombo de seus antepassados surraram também sua memória e lhe ensinaram as lições que sobrevivem 125 anos depois da liberdade sem conteúdo da Lei Áurea. A lei que libertou os brancos do fardo da escravidão antieconômica. Mais de um século depois, o menino ainda sabe como é que se fala até mesmo com moleque que herdou os mimos da casa-grande: "Eu não, meu senhor, todo mundo aqui é trabalhador", defendeu-se.

Esse menino descende de homens livres há mais de um século. Mas a chibata ficou lá dentro da alma, ferindo, dobrando, humilhando, criando desconfiança, ensinando artimanhas de quilombo para sobreviver. Esse "meu senhor" diz tudo, fala alto, grita na consciência dos que a tem. Esse "meu senhor" desdiz a liberdade, desmente a Lei Áurea, nos leva de volta aos tempos da senzala, do tronco e do pelourinho. Esse "meu senhor" expressa uma liberdade não emancipadora, que não integrou o negro senão nas funções subalternas de uma escravidão dissimulada, mas não na ressocialização para a liberdade e para a cidadania. Quem acusa o menino não sabe que a sociedade não pode colher o fruto que não semeou.

No dia 13 de maio de 1888 não libertamos ninguém. Continuamos todos escravos da escravidão que não acaba, da moral retorcida que nos legou, da consciência cindida que nos faz crer que somos uma coisa sendo outra. No mundo novo da liberdade abstrata de um contrato fictício não podemos nos encontrar porque não encontramos o outro, não podemos ser livres porque não nos libertamos no outro, não podemos ter direitos de que os outros carecem.

O menino levou uma surra de capacetes. "Bateu, bateu", disse ele a uma repórter. Desmaiou. Foi ferido a faca na orelha. Com uma trava de bicicleta, foi amarrado pelo pescoço num poste. Coisa de gente muito valente, coisa de macho: 30 homens contra um menino franzino. E na Câmara dos Deputados houve quem se orgulhasse disso. Confessou um deputado mais inclinado ao justiçamento do que à Justiça: "Praticou um ato corajoso quem deu uma surra nesse vagabundo, porque os moradores estão cansados de serem roubados e assaltados por essa gentalha". Isto é, gentinha, populacho, ralé. O mesmo tratamento que tinha vigência antes da lei do 13 de Maio, quando o escravo era considerado coisa, semovente, mercadoria, um ser abaixo da condição humana. Mero animal de trabalho, com a diferença de que das azêmolas diferia porque falava, gemia, chorava, sabia.

A Lei Áurea trouxe implícita a igualdade jurídica do negro liberto, coisa que não ficou muito clara na Constituição de 1891, que condicionou a cidadania ao ter propriedade e ao ser alfabetizado, não ser mendigo, não ser mulher, não ser praça de pré. A igualdade do 13 de Maio era, portanto, uma igualdade relativa. Porém, quem não é igual não pode ser livre. O deputado que agora, no próprio Parlamento, se congratula com os agressores do menino negro, revoga a Lei Áurea, restaura a inferioridade social do cativo e dos filhos e herdeiros do cativeiro. Traz de volta o feitor.

O Estado brasileiro, de que o deputado é membro e privilegiado beneficiário, é um Estado omisso, descumpridor das próprias leis que inventa e promulga. A delinquência juvenil é fruto dessa omissão e do desamparo que engendra e alimenta. Mas fruto, também, da pseudocidadania dos atiradores de pedra e dos linchadores, dos que reclamam direitos, omitindo-se quanto aos deveres correspondentes. No próprio caso ocorrido no Flamengo, alguns boyzinhos de 14 que foram presos e já estão soltos declararam que patrulham "o Aterro em busca de potenciais autores de delitos". O caso do menino deixa claro que os "potenciais autores de delitos" têm cor e raça. O vigilantismo reacionário ergue uma muralha de terror para criar um território fechado e excludente, só deles. Uma pátria particular, impatriótica.

O menino foi libertado pelos bombeiros que o socorreram. Tiveram que usar maçarico para cortar o cabo de aço que lhe atava o pescoço ao poste. Foi levado para o hospital. De lá fugiu e foi espontaneamente se apresentar na casa abrigo da prefeitura do Rio. Os agressores louvados pelo deputado não se apresentaram em lugar nenhum. Fugiram. Por aí se vê que ao menos o menino tem recuperação.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Já ouviu falar da "nova classe média"?

Desde o segundo mandato de Lula e com muito mais força durante todo o governo Dilma, um novo termo passou a ser utilizado tanto por governistas, como pela imprensa e parte da grande burguesia nacional, em especial, a burguesia das grandes redes de varejo interessada em novos e ávidos consumidores. É a "nova classe média". Você já ouviu falar sobre ela? Não? Pois preparamos uma compilação de cinco videos que falam sobre o assunto: Assiste aí e deixe seu comentário (se quiser é claro) que depois a gente fala sobre isso. 


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Amor à vida... desde que não seja a vida dos palestinos, não é mesmo Rede Globo?

A novela "Amor à vida" ou "novela do Félix" possui uma história de romance proibido entre um palestino e uma israelense que funciona como uma das histórias de fundo que "inocentemente" martela a grande mentira sobre a "Guerra entre Palestina e Israel" e sobre o "Terrorismo palestino". É claro que a comunidade palestina brasileira não poderia ficar calada diante de tão descarada propaganda sionista. Abaixo reproduzo o manifesto publicado no blog "Somos Todos Palestinos".

Abaixo todas as mentiras e falsificações! Toda solidariedade ao povo palestino!

Não à falsificação histórica sobre os palestinos na novela da Globo


Nós, organizações reunidas na Frente em Defesa do Povo Palestino-SP, nos comitês de outros estados, bem como demais entidades abaixo-assinadas, repudiamos veementemente a forma como os palestinos são representados na novela “Amor à Vida”, da TV Globo. Sua resistência legítima à ocupação e apartheid israelenses que já duram 66 anos é retratada como terrorismo contra vítimas inocentes nos diálogos entre um personagem palestino, Pérsio (Mouhamed Hartouch), e uma judia (Paula Braun). Todas as vezes em que é feita referência à Palestina, fala-se em guerra, o que pressupõe dois lados iguais disputando um território. Na verdade, é uma distorção da realidade: tem-se um opressor e ocupante (Israel) e um oprimido (palestinos). Em nenhum momento, a novela faz referência ao muro do apartheid, aos inúmeros postos de controle a que estão submetidos os palestinos, bem como às leis racistas que lhes são impostas e à limpeza étnica e ataques contínuos contra eles.

O diálogo que inaugura essa farsa é permeado por desinformação e manipulação da verdade. Rebeca chega a afirmar que há muitos casais judeus e palestinos em Israel, como conviria a qualquer Estado democrático. A verdade é que Israel foi criado em 1948 como um Estado exclusivamente judeu, um entrave à democracia, já que esses têm tratamento diferenciado. Desde então, a própria convivência está comprometida. O apartheid imposto aos palestinos impede até que vivam no mesmo bairro. Os palestinos que vivem onde hoje é Israel (território palestino até 1948, ano da criação desse Estado exclusivamente judeu) são considerados cidadãos de segunda ou terceira categoria, discriminados cotidianamente, e as leis que valem para eles não são as mesmas que valem – e privilegiam – os judeus. O apartheid é explícito e amparado por uma legislação que fere o direito internacional.

Em 1948, ano que na memória coletiva árabe é conhecido como “nakba”, a catástrofe, foram expulsos de suas terras e propriedades cerca de 800 mil palestinos e aproximadamente 500 aldeias palestinas foram destruídas para dar lugar a Israel. Massacres cometidos por grupos paramilitares sionistas, contra agricultores palestinos desarmados e sem treino militar, são hoje comprovados. Os palestinos têm sido desumanizados desde o início da colonização de suas terras. Essa contextualização histórica também ficou fora da telinha.

O autor de “Amor à vida”, Walcyr Carrasco, reforçou, assim, mitos que são denunciados por vários historiadores, inclusive israelenses, como Ilan Pappe, em seu artigo “Os dez mitos de Israel”. Entre eles, o mito de que a luta palestina não tem outro objetivo que não o terror e que Israel é “forçado” a responder à violência. Segundo ele, a história distorcida serve à opressão, à colonização e à ocupação. “A ampla aceitação mundial da narrativa sionista é baseada em um conjunto de mitos que, ao final, lançam dúvidas sobre o direito moral palestino, o comportamento ético e as chances de qualquer paz justa no futuro. A razão é que esses mitos são aceitos pela grande mídia no Ocidente e pelas elites políticas como verdade.”

O Brasil não é exceção. Na contramão da campanha global por boicotes ao apartheid israelense, o governo federal se tornou nos últimos anos o segundo maior importador de tecnologias militares da potência que ocupa a Palestina e porta de entrada dessa indústria à América Latina. E sua cumplicidade com a opressão, a ocupação e o apartheid a que estão submetidos os palestinos é justificada a milhares de espectadores desavisados da novela da Globo, através de um discurso que reproduz a versão falsificada da história e se fortalece perante a representação orientalista – em que os árabes seriam “orientais” bárbaros e atrasados, ante cidadãos “pacíficos e civilizados”.

Como detentora de concessão pública (o espaço eletromagnético está na Constituição Federal, como um bem do povo) e ciente de que as telenovelas moldam comportamentos, ideias e conceitos ou ajudam a reforçar preconceitos e discriminações, a Globo comete erros históricos graves, injustiças ao povo palestino em particular e aos árabes em geral e um desrespeito ao seu público ao desinformá-lo. Denunciamos publicamente essas distorções e exigimos que a Globo se retrate nos próximos capítulos de “Amor à Vida”, programa de maior audiência da TV brasileira.

Frente em Defesa do Povo Palestino-SP / BDS Brasil
Centro Brasileiro de Estudos do Oriente Médio
Comitê Brasileiro de Defesa dos Direitos do Povo Palestino
Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino do Rio de Janeiro
Centro Cultural Palestino do Rio Grande do Sul
Comitê Gaúcho de Solidariedade ao Povo Palestino
Sociedade Árabe Palestino Brasileira de Corumbá
Comitê Democrático Palestino – Brasil
Comitê Pró-Haiti
Tribunal Popular
GTNM-SP – Grupo Tortura Nunca Mais do Estado de São Paulo
Ciranda Internacional de Comunicação Compartilhada
Rede Mulher e Mídia
Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social
Associação Islâmica de São Paulo
UNI – União Nacional das Entidades Islâmicas
ICArabe - Instituto da Cultura Árabe
FST-SP – Fórum Sindical dos Trabalhadores-SP
CSP-Conlutas – Central Sindical e Popular
Anel – Assembleia Nacional dos Estudantes Livre
UJC – União da Juventude Comunista
PCB – Partido Comunista Brasileiro
PSOL-SP – Partido Socialismo e Liberdade
PSTU – Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
Mopat – Movimento Palestina para Tod@s
Coletivo Periferia, Nossa Faixa de Gaza
Coletivo de Mulheres Ana Montenegro
União da Juventude Comunista - Brasil
Marcha Mundial de Mulheres
Movimento Mulheres em Luta
Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Algumas poucas palavras sobre aquilo que não é o #Rolezinho

Só muito, muito, muito preconceito para insinuar que o rolezinho tem qualquer traço de arrastão e isso já está mais do que claro para quem tem uma gotinha de bom senso. Nem precisava dizer isso, mas ainda assim é bom dizer. Mas assim como não é arrastão é preciso dizer que rolezinho também não é protesto. Pelo menos até esse momento. É manifestação popular da juventude proletarizada e subproletarizada paulista mas não é protesto. Parece desproposital ter que anunciar isso, mas de repente é tanta gente teorizando e inclusive apontando o rolezinho como uma forma justa e necessária de protesto que colocar os pingos nos i's acaba sendo importante.

O que vimos assistindo nos shoppings do sudeste e que vem horrorizando a classe média e a burguesada tem muito mais a ver com uma versão "flashmob" popular com uma bela pitada de pegadinha do que com uma ocupação da Avenida Paulista, por exemplo. De coincidências com os atos de protesto do último ano temos fundamentalmente o fato de ser marcado pelo Facebook. Fora isso, é preciso cautela ao analisar.

Algumas análises tentam de forma superficial fazer a relação da manifestação dos atuais rolezinhos com as jornadas de junho. Muito cuidado nessa hora. Existe uma relação do ponto de vista econômico, sim. E é muito importante estudá-la. Mas quando aprofundamos um pouquinho que seja a análise claramente vemos que o sujeito social de junho é bem diferente dos atuais passeios da juventude pobre aos templos do consumo da pequena-burguesia. O sujeito daquelas mobilizações foi fundamentalmente o novo precariado, já o das atuais "visitinhas" é a juventude subproletarizada mesmo. O teor é outro, o caráter é outro e diga-se de passagem o medo da burguesia, talvez seja muito, muito maior. Associar uma coisa a outra sem a devida cautela, é puro impressionismo.

É claro que, em especial em virtude da repressão, o lance todo pode até se tornar algo muito maior e o que até então foi brincadeira pode saltar sim para a área do protesto. Mas veja bem: "poder se tornar" e "já ser" são coisas bem diferentes. Para tornar protesto essa grande brincadeira da juventude prole é preciso muito mais. É preciso arregaçar as mangas e organizar mais que a juventude pobre, o que já é um imenso desafio não assumido por absolutamente nenhuma organização de peso nesse país. É preciso se dispor a organizar a própria periferia.

Mas como fazê-lo? E pior ainda, com que se poderá contar para fazê-lo?

Com o MST rendido e governista? Com a CUFA muito mais que oportunista? Com o movimento hip-hop via de regra já cooptado, enlatado e etiquetado para venda? Com o movimento popular esfacelado em mil pedaços graças a obra e empenho dos governos petistas? Com o eleitoralismo do PSOL ou com o movimentismo-sindicalista desenfreado do PSTU? Não. Nada disso.

O MTST até já cumpriu esse papel  no passado inclusive organizando visita da favela aos shoppings cariocas. Mas isso foi lá pelos idos de 2000, antes do governo de Frente Popular, do bolsa família, do "minha Casa, minha vida" e de um sem número de ofensivas para desmoralizar e desmobilizar a classe trabalhadora.

Diferente do que se passou em junho, não temos nenhum MPL para o povo pobre e preto do nosso Brasil varonil, que tenha autoridade para empalmar o momento. Não existe e me atrevo a afirmar que aqueles que ousarem se oferecer a sê-lo a essa altura do campeonato se candidatam a cumprir o papel de grandiosos tontos (pra dizer o mínimo).

Isso quer dizer que ninguém deve ousar fazê-lo? Depende. É pra valer ou mera coisa de momento? Se for por pura onda, honestamente que fique na sua, e deixe a juventude encontrar seu próprio caminho. Mas se não for, o desafio está posto e será preciso muito mais do que se tem feito até o momento.

A onda dos rolezinhos está aí mas honestamente ela vai passar. Já o nosso racismo, esse não, esse continuará com todas sua venerável hipocrisia. E quem ao menos sonhar em organizar nosso povo pobre precisa verdadeiramente se dispor a entender e combater o racismo. Será preciso muito mais do que palavras ditas ao vento ou impressas no papel. Será preciso atitude.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A favela foi ao shopping. Video de 2007 mostra que não é de hoje que #rolezinho de pobre não pode.


O rolezinho é a nova onda do Brasil. E que bom que seja. Ao seu modo a juventude de periferia escancara a hipocrisia nacional numa grande brincadeira que é claro assusta e muito a classe média paulista. Mas engana-se quem associa o rolezinho com uma forma de protesto ainda que inconsciente. Não. O rolezinho não é isso. Até poderia ser. Mas não é. E se fosse não seria a primeira vez que se vê isso por aqui.

Em agosto de 2000 um grupo de trabalhadores sem teto organizou uma ocupação em um grande shopping da zona sul da cidade do Rio de Janeiro que foi acompanhado pela grande imprensa e ficou guardado em especial na memória daqueles manifestantes e foi contado em um documentário prezadíssimo de menos de 20 minutos chamado "Hiato :" e que vale muito assistir.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Ariel Sharon está morto. Um carniceiro a menos no mundo. Mais um obituário com hurras.



Ariel Sharon, o carniceiro, está morto. Vai tarde, muito tarde. Soma-se ao panteão dos canalhas que nos fazem relembrar imediatamente o poema que o uruguaio Mário Benedetti escreveu em homenagem à Ronald Reagan, mas se encaixa muito bem em todos os grandes canalhas. Sharon é um deles. Vamos festejar todos. Mais um canalha está morto.

OBITUÁRIO COM HURRAS

Vamos festejar
venham todos
os inocentes
os maltratados
os que gritam de noite
os que sonham de dia
os que sofrem do corpo
os que alojam fantasmas
os que pisam descalços
os que blasfemam e ardem
os pobres congelados
os que gostam de alguém
os que nunca se esquecem
vamos festejar
venham todos
o crápula morreu
se acabou a alma negra
o ladrão
o indecente
se acabou para sempre
hurra
que venham todos
vamos festejar
a não dizer
a morte
sempre apaga tudo
tudo purifica
qualquer dia
a morte
não apaga nada
ficam
sempre as cicatrizes
hurra
morreu o cretino
vamos festejar
a não chorar de vício
que chorem seus iguais
e engulam suas lágrimas
se acabou o monstro prócer
se acabou para sempre
vamos festejar
a não ficar mornos
a não crer que este
é um morto qualquer
vamos festejar
a não tornarmos frouxos
a não esquecer que este
é um morto de merda.