terça-feira, 15 de julho de 2014

Robert Fisk: A história por trás de Gaza, que os israelenses não contam #StopSionism #GazaUnderAttack #PalestinaSomosTodos


Robert Fisk é um importante jornalista britânico que acompanha há anos a região do Oriente Médio tendo coberto guerras, conflitos e massacres passando pela guerra do Líbano de 1975, a guerra Irã-Iraque entre 1980 e 1988, o massacre de Sabra e Chatila de 1982 e as guerras do Golfo Pérsico de 1990 e 1991, entre tantos outros episódios particularmente marcados pelo sangue do povo árabe.

Na última quarta-feira, dia 09, Fisk publicou em sua coluna no jornal britânico The Guardian, artigo que conta a verdadeira razão pelo recente ataque à Gaza e chama atenção: o massacre em curso não tem absolutamente "nada a ver com o assassinato de três israelenses na Cisjordânia ocupada, nem com o assassinato de um palestino na Jerusalém Leste ocupada".

Vale a leitura.

A história por trás de Gaza, que os israelenses não contam


É terra. A questão é terra. Os israelenses de Sderot estão recebendo tiros de rojões dos palestinos de Gaza, e agora os palestinos estão sendo bombardeados com bombas de fósforo e bombas de fragmentação pelos israelenses. É. Mas e como e por que, para início de conversa, há hoje 1 milhão e meio de palestinos apertados naquela estreita Faixa de Gaza?

As famílias deles, sim, viveram ali, não eles, no que hoje há quem chame de Israel. E foram expulsas – e tiveram de fugir para não serem todos mortos – quando foi inventado o estado de Israel.

E – aqui, talvez, melhor respirar fundo antes de ler – o povo que vivia em Sederot no início de 1948 não eram israelenses, mas árabes palestinos. A vila palestina chamava-se Huj. Nunca foram inimigos de Israel. Dois anos antes de 1948, os árabes de Huj até deram abrigo e esconderam ali terroristas judeus do Haganah, perseguidos pelo exército britânico. Mas quando o exército israelense voltou a Huj, dia 31/5/1948, expulsaram todos os árabes das vilas... para a Faixa de Gaza! Tornaram-se refugiados. David Ben Gurion (primeiro primeiro-ministro de Israel) chamou a expulsão de "ação injusta e injustificada"). Pior, impossível. Os palestinos de Huj, hoje Sderot, nunca mais puderam voltar à terra deles.

E hoje, bem mais de 6 mil descendentes dos palestinos de Huj – atual Sderot – vivem na miséria de Gaza, entre os “terroristas” que Israel mente que estaria caçando, e os quais continuam a atirar contra o que foi Huj.

A história do direito de autodefesa de Israel, é a história de sempre. Hoje, foi repetida e a ouvimos mais uma vez. E se a população de Londres estivesse sendo atacada como o povo de Israel? Não responderia? Ora bolas, sim. Mas não há mais de um milhão de ex-moradores de Londres expulsos de suas casas e metidos em campos de refugiados, logo ali, numas poucas milhas quadradas cercadas, perto de Hastings!

A última vez em que se usou esse falso argumento foi em 2008, quando Israel invadiu Gaza e assassinou pelo menos 1.100 palestinos (escore: 1.100 mortos palestinos, a 13 mortos israelenses). E se Dublin fosse atacada por foguetes – perguntou então o embaixador israelense? Mas nos anos 1970s, a cidade britânica de Crossmaglen no norte da Irlanda estava sendo atacada por foguetes da República da Irlanda – nem por isso a Real Força Aérea britânica pôs-se a bombardear Dublin, em retaliação, matando mulheres e crianças irlandesas.

No Canadá em 2008, apoiadores de Israel repetiram esse argumento fraudulento: e se o povo de Vancouver ou Toronto ou Montreal fosse atacado com foguetes lançados dos subúrbios de suas próprias cidades? Como se sentiriam? Não. Os canadenses nunca expulsaram para campos de refugiados os habitantes originais dos bairros onde hoje vivem. Passemos então para a Cisjordânia. Primeiro, Benjamin Netanyahu disse que não negociaria com o "presidente" palestino Mahmoud Abbas, porque Abbas não representava também o Hamás. Depois, quando Abbas formou um governo de unidade, Netanyahu disse que não negociaria com Abbas, porque "unificara" seu governo com o "terrorista" Hamas. Agora, está dizendo que só falará com Abbas se romper com o Hamas – quando, então, rompido, Abbas não representará o Hamas... Enquanto isto, o grande filósofo da esquerda israelense, Uri Avnery – 90 anos e, felizmente, cheio de energia – ataca a mais recente obsessão de seu país: a ameaça de que o ISIS mova-se para oeste, lá do seu "califado" iraquiano-sírio, e aporte à margem leste do rio Jordão.

"E Netanyahu disse", segundo Avnery, que "se não forem detidos por uma guarnição permanente de Israel no local (no rio Jordão), logo mostrarão a cara nos portões de Telavive". A verdade, claro, é que a força aérea de Israel esmagaria qualquer "ISIS", no momento em que começasse a cruzar a fronteira da Jordânia, vindo do Iraque ou da Síria.

A importância da "guarnição permanente", contudo, é que se Israel mantém seu exército na Jordânia (para proteger Israel contra o ISIS), um futuro estado "palestino" não terá fronteiras e ficará como enclave dentro de Israel, cercado por território israelense por todos os lados. "Em tudo semelhante aos bantustões sul-africanos" – diz Avnery.

Em outras palavras: nenhum estado "viável" da Palestina jamais existirá. Afinal, o ISIS não é a mesma coisa que o Hamás? É claro que não é.

Mas Mark Regev, porta-voz de Netanyahu, diz que é! Regev disse à Al Jazeera que o Hamás seria "organização terrorista extremista não muito diferente do ISIS no Iraque, do Hezbollah no Líbano, do Boko Haram..." Sandices. O Hezbollah é exército xiita que está lutando dentro da Síria contra os terroristas do ISIS. E Boko Haram – a milhares de quilômetros de Israel – não ameaça Telavive.

Vocês entenderam o "espírito" da fala de Regev. Os palestinos de Gaza – e esqueçam as 6 mil famílias palestinas cujas famílias foram expulsas pelos sionistas das terras onde hoje está Sederot – são aliados das dezenas de milhares de islamistas que ameaçam Maliki de Bagdá, Assad de Damasco ou o presidente Goodluck Jonathan em Abuja.

Sim, mas... Se o ISIS está a caminho para tomar a Cisjordânia, por que o governo sionista de Israel continua a construir colônias ali?! Colônias ilegais, em terra árabe, para civis israelenses... na trilha do ISIS?! Como assim?!

Nada do que se vê hoje na Palestina tem a ver com o assassinato de três israelenses na Cisjordânia ocupada, nem com o assassinato de um palestino na Jerusalém Leste ocupada. Tampouco tem algo a ver com a prisão de militantes e políticos do Hamas na Cisjordânia. E nem o que se vê hoje na Palestina tem algo a ver com foguetes. Tudo, ali, sempre, é disputa por terra dos árabes.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Noam Chomsky: Barbárie em Gaza #StopSionism #GazaUnderAttack #PalestinaSomosTodos


O portal Outras Palavras publicou no sábado, dia 12, texto do marxista estadunidense Noam Chomsky sobre a barbárie em Gaza chamando atenção que já no dia 09, quinta, 70 pessoas haviam sido assassinadas pelos bombardeios de Israel, a maioria mulheres e crianças e que pouquíssimos ativistas do Hamas ou mesmo as tais instalações haviam sido atingidos. Um dos números apresentados por Chomsky é bem importante para dar reforçar o caráter do ataque: 70% das ambulâncias haviam sido destruídas. Setenta por cento da ambulâncias! A intenção não é atingir o Hamas. Nunca foi. A intenção é expulsar os palestinos de sua terra. Não tem a ver unicamente com esse bombardeio. É o objetivo permanente. Em condições normais, se é que podemos chamar assim, mais de duas crianças morrem semanalmente como fruto do bloqueio sionista.

É preciso parar Israel. É preciso parar a Barbárie em Gaza!

Barbárie em Gaza.


Às três da madrugada (horário de Gaza), de 9 de julho, em meio ao último exercício de selvageria de Israel, recebi um telefonema de um jovem jornalista palestino em Gaza. Ao fundo, podia ouvir o lamúrio de seu filho pequeno, entre sons de explosões de de jatos, atirando sobre qualquer civil que se mova e sobre casas. Ele acabava de ver um amigo, num carro claramente identificado como “imprensa”, voar pelos ares. E ouvia gritos ao lado de sua casa, após uma explosão — mas não podia sair, ou seria um alvo provável. É um bairro calma, sem alvos militares – exceto palestinos, que são presa fácil para a máquina militar de alta tecnologia de Israel, abastecida pelos Estados Unidos. Ele contou que 70% das ambulâncias haviam sido destruídas e, até aquele momento, mais de 70 pessoas [o número subiu para 120 na sexta, 11/7, segundo o Guardian] haviam sido mortas e 300 feridas – cerca de 2/3, mulheres e crianças. Poucos ativistas do Hamas, ou instalações para lançamento de foguetes, haviam sido atingidas. Apenas as vítimas de sempre.


É importante entender como se vive em Gaza, mesmo quando o comportamento de Israel é “moderado”, no intervalo entre crises fabricadas, como esta. Um bom retrato está disponível num relatório da UNRWA (a agência da ONU para refugiados palestinos) preparado por Mads Gilbert, o corajoso médico norueguês que trabalhou extensivamente em Gaza, mesmo durante os ataques mortíferos de Israel. A situação é desastrosa, por todos os ângulos. Gilbert narra: “As crianças palestinas em Gaza sofrem imensamente. Uma vasta proporção é afetada pelo regime de desnutrição imposto pelo bloqueio israelense. A prevalência de anemia entre menores de dois anos é de 72,8%; os índices registrados de síndrome consuptiva, nanismo e subpeso são de 34,3%, 31,4% e 31,45%, respectivamente”. E estão piorando.

Quando Israel está em fase de “bom comportamento”, mais de duas crianças palestinas são mortas por semana – um padrão que se repete há 14 anos. As causas de fundo são a ocupação criminosa e os programas para reduzir a vida palestina a mera sobrevivência em Gaza. Enquanto isso, na Cisjordânia os palestinos são confinados em regiões inviáveis e Israel tomas as terras que quer, em completa violação do direito internacional e de resoluções explícitas do Conselho de Segurança da ONU – para não falar de decência.

E tudo isso vai continuar, enquanto for apoiado por Washington e tolerado pela Europa – para nossa vergonha infinita.

Sete charges de @CarlosLatuff contra o massacre em Gaza #GazaUnderAttack #StopSionism #PalestinaSomosTodos








Mais charges de Carlos Latuff aqui.

domingo, 13 de julho de 2014

Massacre em Gaza, sexto dia, 165 mortos #MassacreNaPalestina #StopSionism #GazaUnderAttack


Já chegam a 165, o número de palestinos mortos e mais de 1000 o de feridos no sexto dia do massacre sionista em Gaza. Até o momento nenhum israelense foi morto apesar da gritaria sobre os foguetes lançados pelo Hamas. A imensa maioria das vítimas são civis, pelo menos 70%, e entre eles 30 são crianças.

Neste domingo milhares de palestinos abandonaram suas casas em 3 dos 10 bairros da cidade de Beit Lahiya em Gaza, após Israel ordenar que evacuassem ou sofressem as consequências. Segundo a Agência Reuters pelo menos 4 mil pessoas (mais de 5% da população) fugiram até o meio dia de domingo, dia 13/07.

A ONU mais uma vez é só lamentações enquanto Israel já iniciou suas primeiras incursões terrestres este final de semana com 20 assassinatos e tem mobilizado 40.000 reservistas para mais um banho de sangue.

A situação é cada vez mais urgente. É preciso construir atos de solidariedade por todo o mundo e exigir de todas as personalidades e governantes que se manifestem imediatamente contra o massacre ao povo palestino e condenem a violência e o ódio sionista.

Leia mais no blog:

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Os objetivos do Sionismo nas palavras de Ben Gurion #StopSionism

David Ben Gurion foi um dos principais líderes do movimento sionista e fundadores do Estado de Israel, sendo seu primeiro-ministro entre os anos de 1948 e 1963, e também um daqueles que melhor clarificou qual a estratégia do sionismo.

Para Ben Gurion, a fundação de Israel tomando boa parte da Palestina nunca foi suficiente, era preciso muito mais. Segundo ele:
"Quando nos convertermos em uma força com peso, como resultado da criação de um Estado, aboliremos a partilha e nos expandiremos para toda a Palestina. O Estado será somente uma etapa na realização e sua tarefa é preparar o terreno para nossa expansão. O Estado terá de preservar a ordem, não através da pregação, mas das metralhadoras"
Claríssimo não? Mas não era somente a totalidade do território palestino que os sionistas tinham mente. Ben Gurion nunca teve receio de afirmar que era preciso ir além:
"Deveríamos nos preparar para avançar em uma ofensiva. Nosso objetivo é esmagar o Líbano, a Transjordânia e a Síria. O ponto débil é o Líbano, porque o regime muçulmano é artificial e fácil de ser minado. Teremos de implantar um Estado cristão ali e então derrotaremos a Legião Árabe, eliminaremos a Transjordânia; a Síria cairá em nossas mãos. Então nós bombardearemos e ocuparemos Port Said, Alexandria e o Sinai."
Os dois trechos acima são do livro "A História Oculta do Sionismo" do judeu anti-sionista Ralph Schoenman publicado em 1988 e dão bem a ideia do que representa o Sionismo e porque a existência do Estado de Israel significa a impossibilidade de haver paz no Oriente Médio. A doutrina do Sionismo, que é a base do estado de Israel, é a da permanente guerra de expansão e vem sendo cumprida a risca desde sua fundação, com as bênçãos da ONU e com as milhares e milhares de vidas despedaçadas do povo palestino.

Massacre em Gaza, quarto dia, 105 mortos #MassacreNaPalestina #StopSionism #GazaUnderAttack


Ao concluir seu quarto dia de massacre, o ataque de Israel chega ao número de 105 mortos palestinos, com pelo menos 23 crianças entre as vítimas fatais, e no mínimo 700 pessoas feridas. Até o momento, nenhum israelense foi morto e segundo os dados oficiais 10 foram feridos, sendo dois deles militares.

O portal AlJazeera dá noticia que pelo menos 200 casas foram bombardeadas no território de Gaza, chegando ao número de 3000 casas parcial ou completamente destruídas a ofensiva sionista, em uma imagem que "se traduz em um ataque aéreo a cada quatro minutos e meio". Pelo menos mais 1.100 alvos estariam na mira dos israelenses.

A ONU, segundo o portal da revista Época, por sua vez começa a duvidar se a ação de Israel estaria de acordo com a lei internacional. Isso mesmo. Eles ainda não tem certeza se Israel está ou não exagerando. Enquanto isso, o massacre segue.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Massacre em Gaza, terceiro dia, 88 mortos #MassacreNaPalestina #StopSionism #GazaUnderAttack


São 88 mortos e 660 feridos em Gaza contra nenhuma morte e apenas duas pessoas feridas no terceiro dia do massacre levado adiante por Israel contra o povo Palestino. A grande imprensa internacional chama o episódio de "conflito". A ONU através de seu secretário geral, Ban-Ki-Moon, pede moderação a Israel (o assassino) e condena os ataques com "foguetes" dos palestinos.

Estamos diante de mais um genocídio do estado sionista de Israel que promete se intensificar. Vinte mil reservistas israelenses foram mobilizados para uma possível ofensiva terrestre contra o povo palestino.

Notícias podem ser acompanhadas via blog Gaza da Al Jazeera (em inglês).

Todo apoio e solidariedade ao Povo Palestino!
Baste de Genocídio! Basta de Sionismo! Basta de Israel!

terça-feira, 8 de julho de 2014

Foi-se a Copa? (poema de Carlos Drummond de 1978 sobre a Copa)


Foi-se a Copa? Não faz mal.
Adeus chutes e sistemas.
A gente pode, afinal,
cuidar de nossos problemas.

Faltou inflação de pontos?
Perdura a inflação de fato.
Deixaremos de ser tontos
se chutarmos no alvo exato.

O povo, noutro torneio,
havendo tenacidade,
ganhará, rijo, e de cheio,
A Copa da Liberdade.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Como assim "não é mais o momento", Luciana Genro?


A recente declaração de Luciana Genro, candidata do PSOL à presidência da república nas próximas eleições, acerca das mobilizações contra a injustiça da Copa da FIFA, afirmando que não mais seria "o momento do protesto" merece muita atenção. Tanto merece que a própria Folha utiliza exatamente essa afirmação como título da entrevista concedida por Genro ao jornalista Fernando Rodrigues meio que com o intuito de justificar a "inutilidade" dos protestos. Além disso a própria esquerda adepta tanto do #NaoVaiTerCopa como do #NaCopaVaiTerLuta vem reproduzindo a frase da presidenciável nas redes sociais repercutindo o que pode ser entendido como uma "desautorização" aos protestos contra a Copa.

Mas como assim "não é mais o momento", Luciana? Quer dizer que a luta contra as injustiças da copa tinham data de validade? É possível lutar até começarem os jogos, depois disso não pode mais, é isso? Até antes da bola começar a rolar e da euforia do "eu quero ver gol" era possível defender o #NaoVaiTerCopa como fez boa parte do PSOL, mas a seleção entrou em campo o jeito é torcer, é isso mesmo?

Bem... se for isso não tenho como concordar. Mas devo admitir: minha discordância com o "não é mais o momento" é muito mais pelo "mais" da frase do que pelo "momento" propriamente dito. Não é que não seja mais o momento para lutar contra a Copa. A verdade é que o tal momento não esteve verdadeiramente posto. Pelo menos não da forma como foi apresentado por boa parte da vanguarda da esquerda socialista.

Sim, é verdade que existem muitas injustiças relacionadas à Copa. É verdade que é um absurdo gastar com estádios de futebol enquanto a Saúde Pública está na UTI e a Educação Pública repete de ano. É tudo verdade e é sim, tudo muito injusto e, toda injustiça é um bom motivo para protestar.

Mas para ser franco é bom lembrar que injustiça é algo que não falta no Brasil nem muito menos no mundo. Só pra constar: vivemos no capitalismo, não esqueça disso, e as bases que sustentam o capitalismo é a exploração do homem pelo homem e não há como isso ser justo, entende? Nem era preciso uma copa no país com seus gastos nababescos para se ter motivo para um bom protesto. Nossa mesa de injustiças já está mais do que farta com o crescimento da inflação, a precarização do trabalho, o achatamento salarial, a falta de moradia, a seca no nordeste, as inúmeras enchentes e um larguíssimo etecetera. Então motivo, é claro que tem.

Mas minha nossa senhora do São Lênin desenganado, quem foi que disse que o conceito de justiça e injustiça é aquilo que move as pessoas? Nem nos sonhos mais fantasiosos é assim que funciona o motor das lutas sociais. Aquilo que em primeiro lugar move as pessoas são suas necessidades mais sentidas. E quando a carência de tais necessidades chega ao momento do insuportável explodem lutas sociais e isso independe da vontade de qualquer que seja a pessoa ou organização. A arte para a esquerda socialista é exatamente entender o momento, identificar tais necessidades, apresentar medidas que sejam capazes de atendê-las e materializá-las em bandeiras e palavras de ordem que possam ser abraçadas pelas massas trabalhadoras.

Ao invés disso, o que assistimos no primeiro semestre de 2014 foi uma campanha absolutamente desinteressante e infantil de hashtags sobre a Copa da FIFA. O #NaoVaiTerCopa de um lado com o #VaiTerCopa do outro soou a todo instante como uma grande "arenga" de meninos. Já o #NaCopaVaiTerLuta foi de uma inutilidade prática assustadora. Fiquei imaginando os bolcheviques fazendo campanha pela revolução em 1917 com um #NaoVaiTerConstituinte ou um #NaConstituinteVaiTerLuta quando o que interessava era "Paz, Pão e Terra". Ter ou não ter luta é o que chamamos de caracterização política e se tem algo que não faz sentido agitar na forma de uma bandeira ou numa hashtag que seja, é uma caracterização (vale ler Conceitos Políticos Básicos do trotskista argentino Nahuel Moreno).

Hashtags à parte, por um brevíssimo momento até se podia pensar que junho de 2014 poderia em parte resgatar o espírito de junho de 2013, em especial com o aumento do número de greves que presenciamos após o levante de carnaval dos garis cariocas. Mas infelizmente a forma como foram conduzidas as campanhas salariais, sendo subordinadas à luta contra as injustiças da Copa, meio que desarmaram a classe trabalhadora em sua luta mais do que justa por salário e condições dignas de trabalho.

De fato Luciana, não estamos em um momento para luta contra a Copa, por mais que hajam motivos para tanto. Mas honestamente este momento infelizmente, nunca esteve verdadeiramente posto.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Xingamento: @gduvivier disseca os palavrões que só reforçam o machismo


O ator e comediante Gregório Duvivier nos brindou essa semana em sua coluna da Folha de São Paulo com o texto Xingamento que explica de forma simples a imbecilidade dos palavrões que homens e mulheres usamos para ofender aos outros e que somente reforçam o machismo nosso de cada dia.

Fica o desafio a todos os que lutam contra o machismo: pare de ofender mulheres com seus "inocentes" palavrões. Pare com o Puta que Pariu, com o Filho da Puta, e até mesmo com o Corno. Aproveite e pare de associar sexualidade com violência e deixe de lado o Vai se Fuder, o Fudeu, o Foda, o Vai Tomar no Cu e o Chupa. Enfim, pare você o quanto antes de reforçar o machismo e a cultura do estupro.

Boa leitura!

Xingamento


Puta, piranha, vadia, vagabunda, quenga, rameira, devassa, rapariga, biscate, piriguete. Quando um homem odeia uma mulher — e quando uma mulher odeia uma mulher também— a culpa é sempre da devassidão sexual. Outro dia um amigo, revoltado com o aumento do IOF, proferiu: "Brother, essa Dilma é uma piranha". Não sou fã da Dilma. Mas fiquei mal. Brother: a Dilma não é uma piranha. A Dilma tem muitos defeitos. Mas certamente nenhum deles diz respeito à sua intensa vida sexual. Não que eu saiba. E mesmo que ela fosse uma piranha. Isso é defeito? O fato dela ter dado pra meio Planalto faria dela uma pessoa pior?

Recentemente anunciaram que uma mulher seria presidenta de uma estatal. Todos os comentários da notícia versavam sobre sua aparência: "Essa eu comeria fácil" ou "Até que não é tão baranga assim". O primeiro comentário sobre uma mulher é sempre esse: feia. Bonita. Gorda. Gostosa. Comeria. Não comeria. Só que ela não perguntou, em momento nenhum, se alguém queria comê-la. Não era isso que estava em julgamento (ou melhor: não deveria ser). Tinham que ensinar na escola: 1. Nem toda mulher está oferecendo o corpo. 2. As que estão não são pessoas piores.

Baranga, tilanga, canhão, dragão, tribufu, jaburu, mocreia. Nenhum dos xingamentos estéticos tem equivalente masculino. Nunca vi ninguém dizendo que o Lula é feio: "O Lula foi um bom presidente, mas no segundo mandato embarangou." Percebam que ele é gordinho, tem nariz adunco e orelhas de abano. Se fosse mulher, tava frito. Mas é homem. Não nasceu pra ser atraente. Nasceu pra mandar. Ele é xingado. Mas de outras coisas.

Filho da puta, filho de rapariga, corno, chifrudo. Até quando a gente quer bater no homem, é na mulher que a gente bate. A maior ofensa que se pode fazer a um homem não é um ataque a ele, mas à mãe — filho da puta- ou à esposa — corno. Nos dois casos, ele sai ileso: calhou de ser filho ou de casar com uma mulher da vida. Hijo de puta, son of a bitch, fils de pute, hurensohn. O xingamento mais universal do mundo é o que diz: sua mãe vende o corpo. 1. Não vende. 2. E se vendesse? E a sua, que vende esquemas de pirâmide? Isso não é pior?

Pobres putas. Pobres filhos da puta. Eles não têm nada a ver com isso. Deixem as putas e suas famílias em paz. Deixem as barangas e os viados em paz. Vamos lembrar (ou pelo menos tentar lembrar) de bater na pessoa em questão: crápula, escroto, mau-caráter, babaca, ladrão, pilantra, machista, corrupto, fascista. A mulher nem sempre tem culpa.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Kajuru: ˜Futebol é negócio. O Brasil vai ganhar a Copa. Já está combinado!" #Copa2014 #TáTudoCombinado #SabeDeNadaInocente


O jornalista esportivo Jorge Kajuru voltou à cena relembrando entrevista sua concedida ainda em 2010, onde, quando perguntado se o Brasil ganharia aquele mundial, ele afirmou: "Eu acho que essa Copa não. Copa é negócio. Futebol é negócio. Não se iluda. Essa Copa está combinado do Brasil não ganhar" e quando perguntado quem iria ganhar, respondeu: "Qualquer um. Menos o Brasil. Pra ele ganhar a de 2014 aqui no Brasil!".

É claro que a grande maioria das pessoas não dá bola para esse tipo de afirmação e prefere ficar torcendo, sofrendo, apostando, se emocionando e outras coisas do gênero. Fazer o que? Tem gente pra crer de um tudo, inclusive que o que vale em um dos esportes que mais movimenta dinheiro no mundo, é o talento com a bola. Tá bom. Cada um com suas crendices.

Particularmente, estou com Kajuru: Nesse mundial da FIFA, a seleção brasileira já levou. O Brasil perdeu é claro. Perdeu com gastos estratosféricos em aparelhos esportivos que não melhoram em nada a vida do povo. Perdeu com um show de brutalidade policial e com uma renovação do aparato repressivo. Perdeu com uma ofensiva para criminalizar os movimentos sociais. Perdeu com uma disputa boba no movimento de massas de #VaiTerCopa, #NaoVaiTerCopa e até mesmo de #NaCopaVaiTerLuta. Perdeu ainda com as campanhas salariais atreladas a essa tal disputa praticamente infantil. Perdeu com o aumento da exploração e do turismo sexual no país. Enfim, perdeu, perdeu e perdeu. Mas quanto à Copa da Fifa de 2014, essa meu amigo, essa já é nossa.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

PM torturou estudante em SP! Imediata punição para os torturadores! Alckmin, você é o culpado!


Se a greve dos metroviários de São Paulo já merecia todo apoio e solidariedade possível, nesta segunda-feira, dia 09, um motivo a mais nos foi dado para estar contra o governo Alckmin e a favor dos lutadores do metrô e de todos aqueles que lhe prestam solidariedade.

O estudante de direito da PUC-SP e militante da Anel e do PSTU, Murilo Magalhães, foi preso, humilhado e espancado pela polícia militar de São Paulo por participar de um ato em solidariedade à greve dos metroviários. Murilo iria se acorrentar ao prédio da Secretaria de Segurança Pública em um ato simbólico pela reabertura das negociações por parte do governo com o movimento grevista, uma ação aliás muito comum em muitas partes do mundo. O que não foi comum foi a reação da polícia, que sob alegação de depredação de patrimônio público e resistência à tortura, deteve Murilo.

Ao completarmos 50 anos do golpe de 1964, no qual muitos lutadores foram detidos, torturados e mortos, o episódio protagonizado pela Polícia de Alckmin escancara que a tortura não só fez parte de nossa história como está presente até os dias de hoje, sendo usada de forma indiscriminada e comprovando que o tal "Estado Democrático de Direito" não passa de repressão pura e deslavada contra todos os que ousam levantar a voz e lutar.
  • Nossa completa solidariedade a Murilo!
  • Pela imediata demissão dos torturadores!
  • Chega de tortura! Pelo afastamento do Secretário de Segurança Pública!
  • Que Alckmin venha a público declarar que não aceita tortura em seu governo. Se não o fizer que fique claro que o governador não só é conivente, como é responsável por ela, e que seja criminalizado por tanto!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

"Fim da letargia" (artigo de Ricardo Antunes de 21/06/2013) #RelembrarJunho


Em seu artigo, Fim da letargia, publicado em 21 de junho de 2013 na Folha de São Paulo, o professor Ricardo Antunes chama atenção para o momento de ruptura que significaram as lutas de junho do ano passado. Lembra que até a vitória eleitoral de Lula, o Brasil esteve profundamente marcado por lutas sociais e políticas e que "a eleição de 2012 acabou por se converter na vitória da derrota" com um governo de "pouca mudança mas nenhuma com substância" e com a desorganização da "quase totalidade do movimento opositor" (inclua-se aí tanto a oposição de direita como a de esquerda).

Mais um importante texto para relembrar junho e preparar novas jornadas.

Fim da letargia


Nosso país esteve à frente das lutas políticas e sociais na década de 1980, conseguindo retardar a implantação do neoliberalismo no Brasil fazendo com que a chamada “década perdida” fosse, para os movimentos sociais e políticos populares, o seu exato inverso.

Nesses anos, floresceu um forte sindicalismo de oposição. As greves caminharam em sentido inverso às tendências regressivas presentes no mundo ocidental. Nasceram incontáveis movimentos sociais. Ampliou-se a oposição à ditadura militar. Desenhou-se uma Assembleia Nacional Constituinte e vivenciamos, em 1989, um processo eleitoral que dividiu o Brasil em dois projetos distintos.

A década seguinte foi avassaladora: neoliberalismo, reestruturação produtiva, financeirização, desregulamentação, privatização e desmonte. Quando ocorreu a vitória política de 2002, com a eleição de Lula, o cenário era profundamente diverso dos anos 1980. Como a história é cheia de surpresas, caminhos e descaminhos, a eleição de 2012 acabou por se converter na vitória da derrota.

Oscilando entre muita continuidade com o governo de FHC e pouca mudança, mas nenhuma com substância, o primeiro mandato de Lula terminou de modo desolador, o que o obrigou a fazer mudanças de rota, sempre com muita moderação e nenhuma confrontação. Bolsa Família e altíssimos lucros bancários; aumento do salário mínimo e enriquecimento crescente no topo; nada de reforma agrária e muito incentivo ao agronegócio.

O nosso homem duplicado renasceu das cinzas em seu segundo mandato. Terminou o governo em alta: ao mesmo tempo em que fez seu sucessor, desorganizou a quase totalidade do movimento opositor. Era difícil opor-se ao ex-líder metalúrgico, cuja densidade fora solidamente construída nos anos 1970 e 80.

Quem se lembra de sua situação em 2005, atolado no mensalão, e dele se recorda no fim do seu mandato, em 2010, sabia que estava à frente de uma variante de político dos mais salientes. Se Dilma, sua criatura política – uma espécie de gestora de ferro – soube vencer as eleições, pudemos aqui, neste mesmo espaço, lembrar que algo maior lhe faltava: a densidade social, que sobrava em Lula.

Com paciência, espírito crítico e muita persistência, os movimentos populares haveriam de superar esse difícil ciclo. Acabariam por perceber que, para além do crescimento econômico, do mito falacioso da “nova classe média”, há uma realidade profundamente crítica em todas as esferas da vida cotidiana dos assalariados. Na saúde pública vilipendiada, no ensino público depauperado, na vida absurda das cidades, entulhadas de automóveis pelos incentivos antiecológicos do governo do PT. Na violência que não para de crescer e nos transportes públicos relativamente mais caros (e precários) do mundo.

Na Copa “branqueada” sem negros e pobres nos estádios que enriquecem construtoras e que, no caso do Engenhão, está desmoronando; nos assalariados que se endividam no consumo e veem seus salários se evaporar; no fosso colossal existente entre as representações políticas tradicionais e o clamor das ruas. Na brutalidade da violência da Polícia Militar de Alckmin e Haddad. Isso ajuda a compreender por que o movimento pelo passe livre encontra tanta acolhida na população. Estamos só começando.

terça-feira, 3 de junho de 2014

"Onde tudo começou" (artigo de @VladimirSafatle de 16/07/2013) #RelembrarJunho


Em 16 de julho do ano passado, o quase candidato a governador de São Paulo pelo PSOL, professor Vladimir Safatle, publicou em sua coluna semanal na Folha de São Paulo o artigo "Onde tudo começou", tratando sobre o que ele chamou de ensaio geral para as manifestações do ano passado. O artigo é um importante texto de reflexão sobre as causas do que nos acostumamos a chamar de jornadas de junho. Publicamos o texto como parte do esforço necessário de relembrar junho de 2013 para assim preparar novas jornadas. Boa leitura.

Onde tudo começou


Se procurarmos um ensaio geral para as manifestações de junho, deveríamos voltar os olhos para a Amazônia. Lá se encontra o megacanteiro de obras da usina de Jirau: uma das peças principais da política energética brasileira.

Em 15 de março de 2011, o Brasil viu uma das mais violentas manifestações do subproletariado contra suas condições degradantes de trabalho. Sem se sentirem representados por sindicatos e outros atores políticos tradicionais, os trabalhadores de Jirau, que descobriram como as condições de trabalho no novo Brasil continuam insuportáveis, atearam fogo em alojamentos e ônibus. Eles atearam fogo também na afirmação de que o subproletário brasileiro preza a ausência de radicalismo e a segurança.

Foi assim que começou o governo Dilma, ou seja, com um sinal de alerta gritante para a frustração da sociedade com os limites do desenvolvimento social brasileiro.

Depois de Jirau, veio uma sequência quase ininterrupta de greves: de policiais, bombeiros, professores, coveiros. Todos reclamando dos baixos salários, incapazes de dar conta dos gastos em um país onde somos obrigados a pagar por educação e saúde, onde não se pode contar com transporte público e onde o preço dos imóveis explodiu devido à especulação imobiliária. Um país onde o banco estatal de desenvolvimento (o BNDES) foi capaz de aplicar uma política de incentivo à formação de grandes "players" internacionais que acabou por oligopolizar ainda mais a economia.

Sendo assim, não é nem um pouco estranho que um dos eixos das manifestações de junho tenha sido a incapacidade de o Estado brasileiro parar o processo de corrosão dos salários e criar serviços públicos universais e de qualidade. Pois, se há algo que une tanto o subproletário quanto a classe média, é a consciência de que o processo de ascensão social produzido pelo lulismo esgotou. Ele só poderia continuar por meio da criação de um Estado capaz de oferecer serviços públicos que eliminassem os gastos das famílias com educação, transporte e saúde.

Para tanto, contudo, não há milagre. Como dizem os liberais, não há almoço de graça. O problema brasileiro é que, quanto mais rico você é, menos paga seu almoço. Para impedir que rentistas, herdeiros, empresários que recebem mapas da mina das mãos do pai privatista e outras figuras do bestiário nacional continuassem almoçando sem pagar, o governo deveria ter partido para uma reforma fiscal que obrigasse os ricos a fazer o que não fazem em nenhum país latino-americano: pagar impostos.

Mas, para isso, seria preciso outra ideia do que significa "garantir a governabilidade". Ela é necessária agora, quando não dá mais para esconder Jirau no meio da floresta.