segunda-feira, 7 de maio de 2012

Sexo por pedra: A prostituição como moeda para o crack. #FimDaViolenciaContraMulher


Ela tinha 15 anos quando foi apresentada ao crack pelo namorado que percebendo que seus roubos não eram suficientes para alimentar o próprio vício, mergulhou a menina nos delírios da pedra e passou a explorá-la sexualmente. Depois dele, a jovem hoje com 22, trocou de namorado várias vezes mas todos igualmente viciados também usaram de sua prostituição para se drogar. Ela conta que nesses setes anos perambulou por onde a droga a levasse a procura de programas um pouco mais caros e pedras um pouco melhores. "Cheguei a transar com mais de mil homens. Podia ter ganhado muito dinheiro, mas gastei tudo com droga para mim e para os outros".

A história dessa jovem é só mais uma entre as milhares de histórias de vidas perdidas pela maldita pedra do crack. Nada de novo. Mas merece muita atenção porque traz consigo o elemento do uso de meninas como verdadeiros soldados do tráfico. Talvez até o soldado ideal. Muito melhor do que qualquer usuário assaltante. Meninas que transam em média 4 vezes por dia para ter acesso à pedra e até 30 vezes no mesmo dia para quitar sua dívida com as bocas de fumo. Já não possuem família nem passado. Não trabalham. Comem muito pouco até porque o crack afasta do seu usuário a vontade de comer. Pra ser mais exato afasta a vontade de qualquer coisa colocando em seu lugar a necessidade insaciável por mais uns instantes de "nóia". Tudo que arrecadam é para alimentar o vício. Tão somente vivem e transam pelo crack.

A inclusão de meninas e mulheres na cultura do crack não pode ser enxergada em hipótese alguma como acaso e sim como uma tremenda jogada que transformou o usuário assaltante em cafetão afastando o risco permanente de morte. Não se pode fazer quatro assaltos por dia sem o perigo de perseguição policial e acerto de contas. Já quanto a prostituição a coisa é bem diferente. A polícia não só a tolera como muitas vezes se aproveita dela. E dessa maneira o tráfico cresce e se fortalece agora através do corpo de meninas em todo o país e com o devido apoio da polícia.

Já se vão pelo menos 20 anos desde a inclusão do crack no Brasil e como via de regra as principais vítimas da pedra são pobres, pretos, mulheres e meninas de periferia, muito pouco se fez. No máximo as "autoridades" se detém em operações de "higienização" como fez a prefeitura de São Paulo com o episódio da crackolandia no começo do ano. E assim agem as administrações de direita em todo o país enquanto as de "centro-esquerda" promovem um seminariozinho ali e outra medida paleativa acolá. Nada de sério e efetivo. Já a esquerda de verdade, aquela que está fora dos governos e ao mesmo tempo tão, tão distante do povo pobre desse país, simplesmente não dá a mínima atenção ao tema.

* Os dados deste post foram obtidos do artigo "Escravas do crack: elas mantêm o seu vício usando o próprio corpo como moeda."

sábado, 5 de maio de 2012

Fazemos coro com Camila Pitanga, #VetaDilma, mas #VetaTudoDilma


Parabéns a atriz Camila Pitanga pela atitude mais do que correta de não seguir o protocolo cerimonial do evento presidencial que entregou o título de Doutor Honoris Causa das cinco principais faculdades públicas do Rio de Janeiro ao ex-presidente Lula.

Após o "Olê-olê-olê-olá" característico das eleições de Lula e agora de Dilma, a atriz pediu desculpas por quebrar o protocolo para fazer um pedido. Foi um simples #VetaDilma que foi seguido do coro "Veta, veta, veta". Veja o video:



* Catado do blog Lingua Ferina que por sua vez catou a informação do Jornal do Brasil.

Desemprego na Espanha (#charge de Chad Crowe) #spanishRevolution

Touro: "Dou chifradas por Euros"
Toureiro: "Preciso de trabalho!"
Mais ilustrações de Chad Crowe aqui.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Um novo #Pinheirinho nasceu. Um novo despejo violento se aproxima.

Lembra da promessa do Marrom de um novo Pinheirinho em cada canto desse país. O Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) tem assumido o compromisso de tornar real o que foi prometido. No último dia 21 de abril organizou a ocupação de um terreno na Cinelândia, em Brasília, por mais de 300 famílias e assim nasceu o Novo Pinheirinho de Brasília. Dez dias depois o local já conta com 900 famílias alojadas. Vale registrar que Brasília não é governada pela corja tucana. O governo do Distrito Federal é do médico petista e ex-pcdobista Agnelo Queiroz, o que para alguns seria de se esperar uma atitude diferente dos nazi-tucanos que promoveram a barbára e ilegal desocupação do Pinheirinho de São José dos Campos. Mas não é bem assim que o MTST está vendo a situação não. O movimento postou neste dia 02 em seu site que os moradores se preparam pro pior. Seguem algumas imagens:







terça-feira, 1 de maio de 2012

Galeano explica como o primeiro de maio foi varrido da memória estadunidense #mayday #diadotrabalhador


Está no Livro dos Abraços de 1991 o pequeno fragmento de texto com o título desmemoria/4 do uruguaio Eduardo Galeano. Nele, o escritor fala sobre sua visita à cidade de Chicago onde queria muito ver com os próprios olhos os locais dos acontecimentos daquele primeiro de maio de 1886, quando a greve pela jornada de 8 horas deu origem ao assassinato de lideranças do movimento operário conhecidas como os mártires de Chicago. Procurou, procurou e nada encontrou. Segue a história contada por Galeano:

Chicago está cheia de fábricas. Existem fábricas até no centro da cidade,ao redor do edifício mais alto do mundo. Chicago está cheia de fábricas, Chicago está cheia de operários.

Ao chegar ao bairro de Heymarket, peço aos meus amigos que me mostrem o lugar onde foram enforcados, em 1886, aqueles operários que o mundo inteiro saúda a cada primeiro de maio.

— Deve ser por aqui — me dizem. Mas ninguém sabe. Não foi erguida nenhuma estátua em memória dos mártires de Chicago na cidade de Chicago. Nem estátua, nem monolito, nem placa de bronze, nem nada.

O primeiro de maio é o único dia verdadeiramente universal da humanidade inteira, o único dia no qual coincidem todas as histórias e todas as geografias, todas as línguas e as religiões e as culturas do mundo; mas nos Estados Unidos, o Primeiro de maio é um dia como qualquer outro. Nesse dia, as pessoas trabalham normalmente, e ninguém, ou quase ninguém, recorda que os direitos da classe operária não brotaram do vento, ou da mão de Deus ou do amo.

Após a inútil exploração de Heymarket, meus amigos me levam para conhecer a melhor livraria da cidade. E lá, por pura curiosidade, por pura casualidade, descubro um velho cartaz que está como que esperando por mim, metido entre muitos outros cartazes de música, rock e cinema.

O cartaz reproduz um provérbio da África: Até que os leões tenham seus, as histórias de caçadas continuarão glorificando o caçador.

Caranguejo gigante contra o novo código florestal #CodigoDesflorestal #VetaTudoDilma


A imagem é de uma foto de uma barraca em forma de caranguejo na praia de Sabiaguaba em Fortaleza. Na faixa, o caranguejo pede o veto presidencial ao novo código aprovado na câmara de deputados na última quarta-feira, dia 25 de abril e que está sendo chamado por alguns de "Código Desflorestal".

Feliz "dia do trabalho" (charges de @sinfronio1 e Bennett) #mayday #diadotrabalhador



Sinfrônio e Bennett em charges idênticas mas ambas muito bem vindas.

Fotos do primeiro de maio na França #frenchRevolution #mayday #diadotrabalhador





Fotos do primeiro de maio na Espanha #spanishRevolution #mayday #diadotrabalhador







Fotos do primeiro de maio na Grécia #greekRevolution #mayday #diadotrabalhador






A festa do "dia do trabalho" (charge de @newtoonsilva) #mayday #diadotrabalhador

Mais charges do Newton Silva aqui.

sábado, 28 de abril de 2012

O "destratamento" da dengue nas filas de hospitais


Foi notícia na última quinta, dia 26/04, no jornal O POVO, um dos de grande circulação na capital cearense: "Atendimento a pacientes com sintomas de dengue lotam hospitais em Fortaleza". Complementando a manchete estava a notícia: "Só no Hospital da Unimed, o número de casos confirmados cresceu mais de 1000%". Tanto o dado (hospitais lotados) como o número (1000% em um único hospital) se não assustam ao menos deveriam assustar. Se os hospitais, inclusive os particulares estão lotados, significa que eles não tem condições de atender a demanda dos pacientes por mais que os gestores dessas instituições digam o contrário. Com o menor distúrbio sazonal que seja no número de doenças estoura-se a capacidade de atendimento do sistema de saúde e lotam-se as filas de espera. E quando se trata de dengue, quadro que exige muito repouso, não faz o menor sentido que alguém passe 3 horas ou mais esperando atendimento. O hospital que deveria ser espaço para buscar cura no fim das contas acaba por ajudar a agravar o quadro da doença. É claro que a imensa maioria dos pacientes não será internada, aliás nem existem leitos suficientes para isso. Eles simplesmente falarão com um médico, farão um exame de sangue, e aguardarão o resultado para em seguida serem orientados a voltar pra casa, descansar, beber muito liquido e em caso de surgimento de sintomas mais graves voltar urgentemente para o hospital. Alguns serão orientados a voltar no dia seguinte e depois no dia seguinte e depois mais uma vez, enfrentando mais e mais filas, substituindo descanso por stress, picadas de agulhas e medo, muito medo da evolução para o quadro hemorrágico.

Outro aspecto da superlotação dos hospitais é obviamente a pressão para atender o mais rápido possível o que via de regra tende a provocar atendimento de má qualidade, cansaço excessivo nos profissionais de saúde, erros médicos, impaciência e atritos entre paciente e médicos e enfermeiros. E mais uma vez o hospital se torna ambiente não de cura mas de aflição e conflito.

E tem jeito pra isso? Claro que tem. Mas não com o atual sistema de saúde onde hospitais públicos convivem com particulares e planos de saúde rondam homens e mulheres em busca de lucro como abutres ao redor de carniça fresca. Muito menos será possível enquanto a conta saúde pública for sempre o primeiro lugar na lista do corte do orçamento pelo governo. Até lá, vamos de uma praga a outra, de uma endemia ou epidemia a outras e de um sistema de saúde ruim para um ainda pior.

domingo, 22 de abril de 2012

Em Alagoas, usou nariz de palhaço perto do governador vai preso por "anarquia" #QuemMandaSouEu


O cara da foto aí é o coronel Nascimento. No último dia 19, ao deter um jovem que estava com nariz de palhaço em uma manifestação no município de Palmeira do Índio em Alagoas, o coronel sintetizou o que é democracia com a frase "Quem manda sou eu e acabou-se". Isso mesmo. O coronel explicava pros jovens que eles poderiam ficar no local, mas sem faixas e sem nariz de palhaço, afinal "isso aqui não é anarquia, isso aqui é de-mo-cra-cia". Quando o detido tentou dizer que ele achava que o coronel estava enganado no conceito de anarquia, Nascimento arrematou explicando que enquanto o jovem "não acha o que é e o que não é, quem manda sou eu e acabou-se". E está devidamente explicado e esclarecido o que é democracia. Alguma dúvida?