quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Alguns comentários sobre a entrevista de Marília Coutinho e a resposta do PSTU

Marília Coutinho, irmã do cartunista Laerte Coutinho, é atleta de powerlifting. Lutou durante anos contra um disturbio mental que a fez tentar inclusive o suicidio. Antes disso foi militante política do Partidão (1978) e da Convergência Socialsta (1979 a 1981), também conhecida como CS e que em 1994 dissolveu-se para dar origem ao PSTU, seçao brasileira da Liga Internacional dos Trabalhadores.

Recentemente o nome de Marília voltou às rodas da militância, inclusive à página do PSTU, em função de declarações dadas por ela à revista Trip em 2011 e à folha de São Paulo no último dia 25 de fevereiro. Nessas declarações a atleta afirma e reafirma: "Fui estuprada na CS".

Entendendo o caso

1. Marília ingressou na CS com 15/16 anos e mal entrou teve suas primeiras experiências sexuais com membros da direção, tal como ela relata na entrevista à Folha:

Suas primeiras experiências sexuais aconteceram com líderes partidários das duas organizações. "Sexo fazia parte da política", diz. "Eu estava despertando para a sexualidade e, de repente, tinha que transar para fazer parte do grupo", conta.

2. No mesmo ano que ingressou na CS e ainda com 15/16 anos foi estuprada em uma festa por um militante. Não sabemos se o militante é o mesmo lider partidário falado anteriormente, mas é um militante tal como confirma o texto de resposta dos militantes da época e que ainda estão no PSTU:

"quando desacordada numa festa foi estuprada por outro jovem militante da época".

3. O caso foi investigado, o militante foi punido e este acabou por se afastar por conta própria. Textualmente:

"o militante em questão foi punido e retirou-se da militância".

4. Em 1981, com 18/19 anos, Marília se afasta da organização psicologicamente destruída ao ponto de ter tentado o suicídio como reitera a entrevista.

"Marilia saiu da militância em 1981 e, no mesmo ano, recebeu o diagnóstico de psicose maníaco-depressiva".

5. Em 2011 em uma entrevista à Trip, Marília contou sobre sua superação e falou sobre a agressão que sofreu. O PSTU não repondeu mas 9 militantes da época postaram o seguinte comentário no artigo da Trip:

Lendo a entrevista de Marília Coutinho achamos necessário vir a público pois, como ela, fomos jovens e adolescentes que ao final da década de 1970 e início dos oitenta participamos do movimento estudantil contra a ditadura e militamos na mesma organização, na época a Convergência Socialista e sua seção de juventude, o Alicerce.

Antes de tudo, ficamos entristecidos com a difícil crise psicológica que Marília superou recentemente, mas vemos sua dedicação ao esporte como um sinal de que ela se encontra bem melhor.

Também nos solidarizamos com a lembrança de um triste e revoltante episódio ocorrido com ela, quando desacordada numa festa foi abusada sexualmente por outro jovem militante da época. Ela denunciou o fato na época, o caso foi para julgamento numa comissão interna da organização e o militante em questão foi punido e retirou-se da militância. Essa reação do partido em defesa de Marília ocorreu porque, ao contrário do que ela escreveu, não existia uma cumplicidade com este tipo de atitude, mas mecanismos de defesa moral dela e do partido.

A cultura machista reinava então como até hoje e sempre nos dedicamos a lutar contra ela, defendendo os movimentos e as causas feministas, dos direitos homossexuais e de todos os setores oprimidos e por isso participamos, desde a década de 70, na luta por essas questões que são parte do programa emancipatório do socialismo.

Por isso, ficamos chocados com a afirmação de Marília na entrevista, quando diz que "as militantes de base eram obrigadas a fazer sexo com os líderes". Nem ela nem ninguém que conheçamos foram obrigadas a isso. O caso específico por ela denunciado ocorreu entre jovens militantes e foi amplamente repudiado. A frase generalizante é obviamente uma calúnia, um absurdo completo, como também é dizer que mulheres da geração anterior foram mais mal tratadas por seus companheiros do que pelos torturadores.

A agressão que sofreu há 30 anos ou o seu rancor pela esquerda não podem justificar acusações graves e genéricas que se constituem como calúnias difamatórias contra os movimentos estudantis e de esquerda dos quais ela hoje parece se arrepender de ter participado.

Independente das opiniões políticas que possuímos hoje somos testemunhas de que as generalizações afirmadas nessa entrevista não expressam em nada a realidade do que foi o ambiente juvenil e estudantil da esquerda nos anos da derrubada da ditadura.

Carlos Alberto Baptistella
Fábio Bosco
Henrique Soares Carneiro
Karin Andreia Botini
Maria Mercedes César
Moacir Sousa
Rose Colombo
Ulysses Silva
Vera Guasso

6. Agora em 2013, Marília reiterou em entrevista à folha que foi estuprada no "PSTU, Convergência" e fez afirmações novas sobre a prática machista dentro da organização à época:

“Você é revolucionária, então vai limpar o chão! Abre a perna e dá pro cara! Faz não sei o quê!”

7. A falta de resposta do PSTU em 2011 não se repetiu desta vez e entre seus argumentos se lê:
7.1. Estranho Marília não citar que o estuprador foi punido e afastou-se por conta própria.
7.2. Mais estranho ainda falar em PSTU quando este foi fundado somente em 1994.
7.3. Como Marília não é desinformada o que ela está fazendo é uma calúnia com o intuito de desmoralizar a esquerda.
7.4. Militantes não são nem nunca foram obrigadas a transar com chefes partidários.

Consideração número 1: Afinal, o que é mais importante nessa história toda?

Em primeiro lugar vamos ao fato primordial de todo o episódio: HOUVE ESTUPRO. Este é o ponto fundamental e a partir daí é que deve partir toda a análise do caso. Não se pode em hipótese alguma menosprezar tal fato. Para termos noção do que isso pode significar na vida de uma mulher vale recorrer ao recente artigo de Cecília Toledo, militante do PSTU e dirigente da LIT:

"O estupro é um tipo de violência contra as mulheres que deixa marcas pelo resto da vida. Uma mulher que já sofreu estupro passa a sentir-se permanentemente ameaçada e com medo de que isso se repita, o que a torna um ser fragilizado para todas as tarefas que tem adiante. É uma agressão física e psicológica que dificilmente se supera."

Se isso é verdade para qualquer mulher tal como afirma Cecília imaginemos então o que não terá sido para a jovem Marília que recém iniciava sua vida sexual em 1979. Não é a toa que dois anos após ingressar nas fileiras foi diagnosticada com psicose maníaco-depressiva.

Diante de uma situação como essa, como uma organização trotskista deve se comportar? Mais uma vez vale recorrer ao artigo da Cecília:

"Em primeiro lugar, não esconder os fatos, apurá-los até o fim e punir os envolvidos com a expulsão de nossas fileiras."

É claro que para não esconder é preciso haver um ambiente propício para que a vítima se sinta a vontade para denunciar. É preciso grande força de vontade para fazê-lo. Marília fez. Talvez estimulada por alguns companheiros mas fez. Não se sabe se o fez logo quando aconteceu ou meses depois, talvez até próximo de sua própria saída da organização, mas fez, e a organização, por sua vez, apurou e puniu. Expulsou? Não, não expulsou. Por conta própria o agressor retirou-se. Parece um pequeno detalhe mas nestes casos pequenos detalhes fazem toda a diferença.

Mas por que não expulsou? Talvez o fato dela estar desacordada e não ter lutado contra seu agressor tenha pesado. Era uma festa. Todos eram jovens. Haviam bebido muito. Ela já havia transado com outros, inclusive com seus "líderes partidários". Quem sabe tenham pensado que foi grave mas não foi tão grave assim. Essas são coisas da juventude, não é mesmo?

Mas de qualquer forma houve uma punição. Não sabemos qual foi mas pelo menos houve. Mas e quanto à vítima? Como ela foi tratada? Como se manifestou o companheirismo de seus colegas militantes? Ela passou pelo momento com o apoio de seus pares ou teve que enfrentar sozinha? Não temos a resposta mas aparentemente Marília enfrentou tudo sozinha afinal seus contemporâneos praticamente ficaram surpresos com toda a paranóia pela qual a ex-militante teve que passar.

E como isso tudo se manifesta na cabeça de uma jovem? Quantos fantasmas alguém que passou pelo que passou Marília não teve que enfrentar depois disso? Pelo visto não foram poucos.

E por que Marília ao falar sobre seus fantasmas do passado não falou que a CS puniu e não expulsou seu agressor? Será porque a punição, que sequer foi a expulsão, acabou sendo algo insignificante diante da agressão? Será pelo fato de ter tido que encarar sozinha os traumas que sua passagem pela organização acabou por ajudar a construir? Será pelo fato de praticamente ter se visto forçada a manter o caso nas fileiras ou melhor consigo mesma ao invés de fazer a denuncia da agressão à polícia? Os motivos podem ser vários mas se não percebermos que isso é extremamente pequeno diante da violência sofrida acabaremos por reforçar a tese de que a vítima é quem é a culpada, que se faz de coitadinha, mas que no fundo quer mesmo é prejudicar o "suposto" culpado tal como no deixa a entender o referido texto de resposta:

"...a calúnia é proposital e pensada para desmoralizar a esquerda da qual um dia fez parte, talvez por um trauma e uma mágoa justificados, mas com declarações desonestas".

Consideração número 2: Marília se arrepende de seu passado e por isso calunia a CS/PSTU?

Tendo passado pelo que passou é difícil não se arrepender. Um exercício um pouco maior de empatia talvez nos ajudasse a todos a entender pelo que passou aquela menina, hoje mulher. Conheço gente que se arrependeu de sua militância por muito, muito menos e que guarda rancores absolutamente sem fim. Talvez tais rancores deturpem a visão da pessoa sobre o que de fato aconteceu com ela mas, via de regra, não consigo responsabilizar o indivíduo nesses casos. Via de regra defendo que o problema está exatamente no coletivo, na organização, que ao invés de estar disposta a "investigar e punir" deveria, em primeiro lugar, esforçar-se ao máximo para criar um ambiente propício a inibir problemas de moral.

Mas como fazer isso? Esse, sem dúvida, é um grande desafio. O que de cara posso dizer é que com certeza não será dando em cima das meninas que entram na organização nem muito menos dando bola às próprias investidas da nova militante, algumas vezes deslumbrada com a desenvoltura dos camaradas. Como nos diz o texto de Cecília:

"O respeito revolucionário em relação a uma mulher que entra no partido e se dispõe a dar sua vida pela revolução é tudo, porque ao entrar no partido ela estará superando obstáculos muito maiores que um homem". (...) "Dentro do partido, as mulheres conscientes, as militantes revolucionárias, não esperam encontrar o mesmo que encontram todos os dias na sociedade em geral. Dentro do partido, elas confiam nos camaradas, baixam sua guarda em relação a eles, e só esperam em troca confiança e uma relação de respeito e camaradagem".

Mas e quanto às calúnias? Não é preciso respondê-las? Bem... pra ser sincero eu nem trataria como calúnia. Trataria de ajudar a esclarecer o ocorrido, admitindo que sim, além do próprio caso de estupro, os militantes com que Marília conviveu podem ter tido atitudes machistas, muito dificilmente com o tom que ela expressou, mas que pode ter sim ocorrido e que a CS, mesmo compreendendo que tais atitudes são inadmissíveis e que devem ser combatidas de forma incansável, pode não ter estado à altura para em determinado momentos inibi-las. Uma resposta mais simpática, mais humilde e desprovida de patriotismo partidário cairia muito melhor neste caso do que uma defesa da honra da organização.

Consideração número 3: Não se obriga militantes a transar com seus chefes.

De fato acho muito difícil que qualquer organização obrigue seus militantes a transar com seus chefes. Mesmo em seitas religiosas onde jovens transam com seu mentor espiritual isso não é feito na base da obrigação. Existe todo um jogo de sedução que é jogado nesse terreno. O fato de que a possível transa com os dirigentes não seja tal como descreve Marília ("é revolucionária então abra as pernas") não diminui a gravidade do fato de que alguns quadros possam se utilizar de seu prestígio para rodear, seduzir e levar para a cama uma nova militante. Não considerar essa hipótese é o mesmo que fechar os olhos e compactuar com ela.

Para falar sobre a gravidade do que uma atitude como essa pode significar me valho novamente e pela última vez ao texto de Cecília Toledo:

"Nós, que lutamos contra a opressão das mulheres, sabemos como é importante para uma mulher tornar-se consciente politicamente e, sobretudo, entrar no partido. Por isso se os casos de machismo são graves na sociedade como um todo, eles são duplamente perniciosos dentro de nossas fileiras, porque estarão destruindo uma militante e também o nosso objetivo final, ou seja, a própria construção do partido, o instrumento que vamos construindo dia a dia para conquistar uma sociedade socialista e, com ela, a emancipação total das mulheres".

Em suma: compactuar com desvios morais machistas, e aí inclui-se o desvio do satisfazer desejos e taras pessoais que via de regra se escondem atrás do véu da "vida pessoal", é compactuar com a destruição de militantes mulheres e do próprio partido revolucionário o que por sua vez é conspirar contra a própria revolução.

Para concluir

De alguém que enfrentou os monstros e fantasmas que Marília enfrentou não vejo porque fazer quaisquer cobranças sobre o tema. Posso lamentar posições políticas e confusões desmedidas e nada críveis como a de afirmar que o abuso dentro da antiga CS poderia ser maior que os cometidos pela ditadura. Mas de uma organização revolucionária como o PSTU com certeza é preciso esperar muito mais do que o tom da resposta que foi dado inclusive com o argumento de que o partido ainda nem existia em 79. Tenho alguns bons amigos e companheiros no partido pelos quais guardo grande apreço e sinceramente torço para que o episódio, ao invés de fortalecer o patriotismo acima de qualquer coisa, sirva para fazer o debate sobre a moral revolucionária e a forma correta de como devem se portar seus militantes, e em especial seus quadros, diante de mulheres e meninas que ingressam em suas fileiras.

Tchau, tchau Bento (#charge de Lailson)


Mais charges de Lailson aqui.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Você faz ideia do que é ser mulher e militante? (texto de Thais Justen via @BiscateSC)

O texto a seguir é da anarcofeminista Thais Justen e foi publicado no blog Biscate Social Club com o título Militância há quase 10 dias. Trata de um tema que está intimamente relacionado com o post  "A opressão e o machismo devem ser combatidos de forma implacável" de Cecília Toledo. A abordagem é absolutamente diferente mas é uma variação do tema "machismo e opressão nas organizações dos movimentos sociais".

Neste texto a militante aborda faces distintas do machismo no movimento de massas como a falta de preocupação com a segurança para mulheres nas reuniões, a intimidação, o desrespeito, o assédio, a falta de um simples espaço adequado para os filhos, além da violência e de estupro pelos próprios "companheiros". Pela forma como trata o assunto aparentemente Thais parte das suas próprias experiências ou mesmo de outras militantes do movimento de ocupações urbanas do centro do Rio, mas tal como o texto da Cecília, pelo menos em grande medida suas preocupações poderiam ser transportadas para quaisquer outros movimentos ou partidos de esquerda. E isso é muito preocupante. Percebam que não me preocupo com a direita que por definição já é machista em si. A preocupação é que qualquer movimento de esquerda, em especial os da esquerda socialista, possuem a necessidade de combater de forma implacável o machismo e a opressão. E isso se faz em primeiro lugar dentro de casa, na própria organização.

Em determinado ponto o tom parece contrapor a luta de classe com a luta contra a opressão. E uma coisa não deve contradizer a outra. Não há porque ser assim. Mas é compreensível que escorregue para esse terreno, na medida em que o próprio machismo nas organizações operárias também faça isso.

Anarcofeminista, Thais conclui reproduzindo Bakunin. Sendo trosko obviamente prefiro citações de Lênin, que não são poucas sobre o combate ao machismo, mas de forma alguma isso poderia ser impeditivo para divulgar o texto aqui.

Militante


O que alguns militantes esquecem é seu lugar de privilégio na militância e no mundo, pelo simples fato de serem homens. Você sabe, militante, o que é ter medo de ir numa reunião porque o lugar é escuro? e porque, se for estuprada, vão dizer que a culpa é sua? sabe o que é estar numa reunião num lugar muito quente e com pouca água e não poder usar roupas curtas ou tirar a camisa, porque os companheiros de luta dizem que, neste caso, isso estaria desrespeitando eles? sabe o que é estar numa reunião e um homem dizer aos outros que não falará com você porque certamente você não entende tanto quanto eles(homens) sobre algum assunto qualquer independente da sua formação ou vivência, só por ser de outro gênero? sabe o que é após ter ocupado um imóvel ter um companheiro que se recusa a levar o prato pro local que foi escolhido pra ser a cozinha o que dirá então lavá-lo, e ainda por cima te chama pra fazer isso, porque afinal, você é mulher?

Eu poderia dar mais exemplos que você certamente não vive na pele, como, por exemplo, a possibilidade de ser excluída de um meio de militância porquê já transou com vários de lá. Ou o horror de ser estuprada numa ocupação e os companheiros de luta ainda dizerem que a culpa é sua porque já dormiu com vários. Ou o abandono de ser estuprada por seu companheiro que é militante e os companheiros de luta falarem que ele é um bom homem, por isso não farão nada. Ou ainda o medo de ir aos espaços de militância porque já apanhou de algum companheiro de luta que, em algum momento, foi seu namorado, e os outros companheiros de luta não considerarem isso um assunto importante.

Um lugar de privilégio, o seu, que ignora quem não pode ir às reuniões porque tem filhos e os espaços de militância não são adequados a presença de crianças e afinal, como a responsabilidade pela criação dos filhos é da mãe – diz a sociedade – ela não vai pra reunião pra cuidar de seu filho mas o companheiro vai. Um lugar de privilégio indiferente ao fato de que existe quem tem que se preocupar mais com preservativos, porque se engravidar e não puder abortar (e mesmo podendo, arcar com o julgamento e condenação social) é sobre ela que o peso da criação vai cair. E tem a questão, que você não pensa, do problema de que se não consegue gozar, não há ajuda pra isso, enquanto pros homens existem vários medicamentos pra impotência, e contraditoriamente, se goza com facilidade também é problema, porque aí os companheiros de luta que se deitarem com você podem achar que “não é boa pra casar” porque gosta muito de sexo.

Mas não, certamente você não sabe o que são essas preocupações, e aí, sendo homem, é muito fácil falar que o movimento que quer acabar com a sua hegemonia – ou seja, seu poder de bater, estuprar, não cuidar dos filhos, não pegar tarefas de cozinha, e ainda ser considerado bom militante – enfim, falar que esse movimento está errado, e deve se preocupar com a classe trabalhadora apenas, sem gênero, porque, afinal isso te interessa. Que mundo bom seria pros homens se vivêssemos no socialismo, não houvesse mais patrões, mas as mulheres continuassem a ter dupla jornada, o sexo continuasse a ser focado no homem e o prazer da mulher permanecesse não sendo importante, num mundo onde “ser muito homem” continuasse a ser um elogio e ser “mulherzinha”, um xingamento. E que mundo merda seria esse pras mulheres…

Como disse Bakunin, não poderei ser um homem verdadeiramente livre até que esteja cercado de homens verdadeiramente livres também, pois a existência de um único escravo basta para diminuir minha liberdade. Assim, só poderei ser uma mulher livre no dia que ninguém puder ser estuprada por ser mulher. Pois enquanto puderem estuprar uma burguesa por ser mulher, as proletárias também poderão ser estupradas pelo mesmo motivo (coisa que não ocorre com os homens, frise-se, pois nenhum homem é estuprado apenas por ser homem e/ou por usar pouca roupa). Assim também, nenhum homem, mulher, intersex etc, poderá ser livre enquanto alguma categoria não for, só seremos realmente livres quando nem mulheres, nem negrxs, nem indigenas, nem homossexuais forem vitimas de opressão!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

"A opressão e o machismo devem ser combatidos de forma implacável" (artigo de Cecília Toledo via @litci)

A Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI), organização mundial fundada pelo trotskista argentino Nahuel Moreno em 1982 e que segue na ativa desde então, publicou na semana passada um importante artigo de Cecília Toledo em seu portal tratando sobre a questão da moral revolucionária.

A partir de um episódio de machismo flagrante no SWP inglês, Cecília retoma um debate de moral imprescíndivel para os revolucionários e que quando ignorado, adiado ou menosprezado tende a transformar organizações inteiras em verdadeiros lixos imprestáveis para o movimento social.

No artigo, Cecília relata ainda que nem mesmo sua própria organização estaria imune à deformação moral e em função disso a necessidade do combate constante em defesa da moral revolucionária no seio da LIT e como se pode perceber, nada mais apropriado no momento para manter ativo o debate principista do que tal episódio inglês. O teor do artigo é claramente um alerta e um chamado para os partidos da própria LIT, mas sem dúvida alguma vale para qualquer organização que se pretenda revolucionária.

Colo aqui na íntegra o texto da trotskista.

Crise no SWP envolve a moral revolucionária e a luta contra a opressão das mulheres

Uma grave crise vem abalando o SWP inglês, um dos maiores partidos de esquerda da Inglaterra, que inclusive se reivindica trotskista. É uma crise de cunho moral e da qual a LIT não pode ficar à margem. Por um lado, os fatos graves que ocorrem em um partido de esquerda afetam os demais porque a burguesia trata de destruir a imagem da esquerda de forma conjunta, como se fossem uma única organização. Por outro lado, é através das ações de cada organização que se reivindica revolucionária que a esquerda vai construindo sua trajetória junto ao proletariado mundial.

Síntese do que ocorreu

Uma militante do partido acusou um dos membros do Comitê Central de tê-la estuprado. A Comissão de Disputas (comissão de moral) investigou o caso durante quatro dias e chegou à conclusão de que não havia provas suficientes contra o acusado. Nesse ínterim, outra militante do partido também acusou o mesmo dirigente de tê-la molestado sexualmente, desta vez por meio do assédio sexual. A Comissão de Disputas não levou em consideração essa segunda denúncia e manteve o relatório inicial, o que gerou descontentamento por parte dos delegados à Conferencia na qual o relatório foi apresentado. Também gerou protestos o fato de a militante que acusou o dirigente não ter sido convidada à Conferencia. Frente ao clima de descontentamento que se instalou, a Comissão de Disputa tratou de conduzir a discussão de forma burocrática, reduzindo o tempo de intervenção e cortando bruscamente a palavra dos oradores, impedindo que houvesse uma discussão ampla. Todos esses fatos lançaram suspeita sobre o trabalho da Comissão e do relatório apresentado, tanto que o plenário praticamente dividiu-se ao meio no momento da votação, com 231 votos a favor do relatório, 209 contra e 18 abstenções. Depois disso, abriu-se uma crise sem precedentes, com diversos militantes rompendo com o partido e inclusive vários intelectuais que sempre trabalharam com o SWP agora se recusam a qualquer colaboração com essa organização.

Por que não houve plena liberdade de discussão?

Em nossa opinião, esses fatos são graves e exigem uma reflexão profunda. Uma denúncia de estupro dentro das fileiras de um partido que se reivindica revolucionário tem de ser encarada com a maior seriedade por todos os militantes, em especial pela direção. O estupro é um tipo de violência contra as mulheres que deixa marcas pelo resto da vida. Uma mulher que já sofreu estupro passa a sentir-se permanentemente ameaçada e com medo de que isso se repita, o que a torna um ser fragilizado para todas as tarefas que tem adiante. É uma agressão física e psicológica que dificilmente se supera.

Por isso, a denúncia feita pela militante deve ser investigada exaustivamente, e a direção do partido tem de ser a maior interessada em encontrar a verdade para evitar que isso jamais volte a se repetir no seio do partido. Ela deveria ser a primeira em garantir a mais plena liberdade de discussão, incentivando todos os militantes a se pronunciar, sobretudo a própria companheira que fez a denúncia, sem qualquer tipo de constrangimento.

Mas não foi isso que aconteceu. A companheira que fez a denúncia não foi convidada a participar da Conferência, mas o dirigente acusado sim, fazendo com que o conjunto dos delegados ouvisse apenas um dos lados. Isso é extremamente grave, porque se houvesse por parte da direção do SWP um interesse sincero em esclarecer a denúncia e encontrar a verdade, teria sido fundamental a participação dessa militante. Por outro lado, o informe da Conferência mostra que, ao invés de garantir a mais ampla liberdade na discussão do relatório, os membros dessa Comissão procuraram a todo custo evitar que todos se manifestassem, prejudicando o esclarecimento dos fatos e criando um clima de desconfiança entre os delegados.

Um questionamento importante feito pelos delegados foi o fato de a Comissão de Disputas não ter levado em consideração a segunda acusação contra o mesmo dirigente, feita por outra companheira, para rever sua decisão de absolver o dirigente ou, como mínimo, de levantar dúvidas sobre sua decisão inicial.

A partir daí, a própria Comissão de Disputas ficou questionada e sob a suspeita de haver agido de forma a proteger o dirigente. Isso porque tem dois de seus integrantes indicados pelo CC, sendo que outros três são ex-membros do CC. O mais democrático é que todos os seus integrantes sejam indicados pelos delegados do Congresso, justamente para não incorrer no erro de favorecer os dirigentes do partido.

A questão da moral revolucionária

No Programa de Transição, Trotsky diz que “em uma sociedade baseada na exploração, a moral suprema é a moral da revolução socialista. Bons são os métodos que elevam a consciência de classe dos operários, a confiança em suas forças e seu espírito de sacrifício na luta. Inadmissíveis são os métodos que inspiram o medo e a docilidade dos oprimidos diante dos opressores”. O que ocorreu no SWP foi justamente o contrário: aplicaram-se métodos que minaram a confiança das militantes e inspiraram o medo diante dos opressores.

Esse texto de Trotsky mostra como a luta contra a opressão das mulheres está implicada na defesa da moral revolucionária em nossas organizações e como essas questões não podem ser tomadas de maneira formal.

Nenhuma organização política está isenta de incorrer em desvios da moral revolucionaria. A questão que se coloca é como esses desvios são tratados no interior da organização. Na LIT (Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional) também já sofremos problemas desse tipo. Inclusive alguns deles foram tão graves que chegaram a ameaçar a existência da própria LIT. Qual foi a atitude tomada? Em primeiro lugar, não esconder os fatos, apurá-los até o fim e punir os envolvidos com a expulsão de nossas fileiras. Inclusive chegamos ao ponto de perder uma seção inteira de nossa Internacional. A companheira do principal dirigente da seção boliviana da LIT acusou-o de agredi-la de forma violenta e reiteradamente. O caso foi amplamente investigado por nossa Comissão de Moral, que acabou por comprovar as acusações. Mesmo sendo um dirigente de longa trajetória e responsável por uma seção inteira da Internacional, esse dirigente foi expulso de nossas fileiras, o que levou o restante dos militantes dessa seção a abandonarem as fileiras da LIT em solidariedade a ele. Assim, a LIT preferiu perder toda uma seção a manter em suas fileiras um militante que incorreu em graves problemas morais. A questão da moral revolucionária foi um ponto amplamente discutido entre todos os militantes e no IX Congresso Mundial (2008) da LIT foi votado o documento Em Defesa da Moral Revolucionária, que nos serve de parâmetro para nossa atividade diária como parte essencial de nossa construção. Esses fatos nos mostraram que a questão da moral revolucionária não é uma questão a mais, mas sim, a questão chave para uma organização de esquerda que se constrói para destruir o capitalismo e a sociedade burguesa.

Foi uma batalha dura, mas temos certeza de que a LIT saiu fortalecida. No entanto, somos conscientes de que a ameaça permanece, porque a burguesia sempre trata de impor a sua moral para nos destruir. Nós estamos sob a pressão constante da sociedade burguesa e sua moral degenerada, à qual temos de resistir com firmeza para essa moral não penetrar em nossas fileiras e destruir as nossas organizações.

Na LIT, também nesse terreno reivindicamos os ensinamentos de Trotsky. Abrimos com clareza essa discussão em nossas fileiras e enfrentamos os problemas, batalhando por uma moral comunista em nossas seções, no sentido de evitar que as pressões cresçam e acabem por nos destruir. Por isso nos preocupamos com o que está ocorrendo no SWP, e queremos que nossa experiência ajude a todos os militantes revolucionários nos diversos países a compreender a sua importância, a se conscientizar de que essa é uma batalha constante, se queremos construir uma verdadeira organização que sirva para a luta revolucionária do proletariado. A cada dia que passa nos convencemos mais e mais de que não haverá uma construção sólida de um partido revolucionário nacional e nem da Internacional à qual tanto aspiramos se não defendermos com toda a coragem e doa a quem doer a moral revolucionária em nossas fileiras.

A moral partidária

Assim como a classe operária necessita de uma moral própria para lutar contra a burguesia, que envolve questões específicas do movimento operário, como a proteção mútua entre os trabalhadores perseguidos, nunca entregar um companheiro de luta à patronal ou à polícia, não utilizar meios violentos para dirimir divergências e manter relações de lealdade e honestidade entre as organizações operárias, o partido revolucionário também tem uma moral específica.

O partido é um instrumento mais avançado- que luta para derrubar a burguesia e pela ditadura do proletariado. Para isso, precisa ter uma disciplina de ferro e uma moral superior inclusive à moral proletária, ainda que parta dela.

A confiança entre todos é seu cimento essencial, é a chamada “confraria dos perseguidos”, dos que querem destruir o capitalismo e por isso são perseguidos e podem pagar o preço com a própria vida. Portanto, é necessária uma moral superior para manter a força dessa organização, para resistir às pressões que a burguesia nos impõe. No partido, o coletivo é tudo, em oposição à idéia típica do capitalismo, onde prevalece o individualismo e o egoísmo. É preciso fortalecer a confiança de cada um em suas próprias forças, e ao mesmo tempo desenvolver a confiança entre todos os militantes, fazendo com que um confie no outro, porque nos momentos mais graves de nossa luta, vamos ter de confiar em nossos companheiros. Para isso, queremos e fazemos com que cada um cresça e se desenvolva politicamente. Porque nosso partido tem de ser conspirativo contra o Estado, e isso exige uma total confiança entre os camaradas, sejam homens ou mulheres.

A confiança nas mulheres

Como na sociedade existe uma defasagem entre os homens e as mulheres – estas têm menos condições de militar, são vistas como seres inferiores, tardaram mais na história a entrar para a vida política, continuam carregando o peso da dupla jornada –, o esforço para que as mulheres cresçam deve ser redobrado.

Em casa, no trabalho, na escola, em todos os âmbitos da sociedade, a mulher é colocada em situação de inferioridade e sofre todo tipo de opressão, preconceito e abuso sexual. O partido tem de ser o oposto. Nele ela deve encontrar um ambiente de respeito e interesse por seu desenvolvimento político. O respeito revolucionário em relação a uma mulher que entra no partido e se dispõe a dar sua vida pela revolução é tudo, porque ao entrar no partido ela estará superando obstáculos muito maiores que um homem.

Dentro do partido, quando um dirigente partidário oprime sexualmente uma camarada, comete uma falta gravíssima, sobretudo porque não é isso o que se espera de um militante que se disponha a dedicar sua vida à revolução socialista. O socialismo é incompatível com esse tipo de atitude. Dentro do partido, as mulheres conscientes, as militantes revolucionárias, não esperam encontrar o mesmo que encontram todos os dias na sociedade em geral. Dentro do partido, elas confiam nos camaradas, baixam sua guarda em relação a eles, e só esperam em troca confiança e uma relação de respeito e camaradagem.

Nós, que lutamos contra a opressão das mulheres, sabemos como é importante para uma mulher tornar-se consciente politicamente e, sobretudo, entrar no partido. Por isso se os casos de machismo são graves na sociedade como um todo, eles são duplamente perniciosos dentro de nossas fileiras, porque estarão destruindo uma militante e também o nosso objetivo final, ou seja, a própria construção do partido, o instrumento que vamos construindo dia a dia para conquistar uma sociedade socialista e, com ela, a emancipação total das mulheres. Um partido revolucionário que não incorpora a luta contra a opressão em sua atividade cotidiana não pode ser vitorioso na luta pela liberação da classe. É necessário combater todos os desvios morais e, ao mesmo tempo, ser coerente com o programa de liberação para toda a classe trabalhadora; homens e mulheres.

Um combate constante

Inseridos na sociedade burguesa, onde prevalece uma moral degenerada, existe para o partido uma necessidade impostergável, que é educar teórica e programaticamente a sua militância na moral revolucionária. E essa tarefa tem de ser diária. Quando os desvios morais ocorrem, fica evidente que essa tarefa não está sendo levada a sério ou é levada apenas de maneira formal. E com isso o partido fica mais exposto ainda aos ataques da imprensa burguesa e das forças conservadoras, que se aproveitam desses desvios para fazer todo tipo de ataque às organizações de esquerda.

Por isso é tão importante ir até o fim na apuração dos fatos. Para mostrar à classe trabalhadora e ao conjunto da sociedade que nossos partidos são distintos dos partidos burgueses, onde reina a corrupção, a calúnia, o engodo. Para mostrar que os políticos revolucionários são diferentes dos políticos burgueses, que usam a política para se promover e para roubar os cofres públicos. Para mostrar que nós temos uma moral distinta e que nossa luta contra a opressão das mulheres é uma luta sincera, que não figura apenas em nossos documentos, mas faz parte de nossa vida cotidiana. Só dessa forma poderemos ganhar os trabalhadores - homens e mulheres - para as nossas fileiras.

Os camaradas do SWP têm um exemplo na própria Grã Bretanha de como esse tipo de desvio moral pode destruir nossas organizações, por mais fortes que elas sejam. O WRP, de Healy, uma organização com uma longa trajetória na esquerda inglesa, mas que nos anos 80 veio abaixo por desvios morais. Como dirigente máximo do partido, Healy traiu a confiança dos militantes, sobretudo das mulheres. Várias delas foram abusadas sexualmente por ele, e quando encontraram coragem para denunciá-lo, a maior parte da direção tratou de abafar os fatos e desqualificar as acusações para proteger o dirigente. O resultado dessa atitude veio logo em seguida: a destruição total da organização.

Precisamos aprender com esses erros para evitar que se repitam e cheguem ao ponto de nos destruir. A opressão das mulheres e os desvios machistas dentro de nossas organizações devem ser combatidos de forma implacável. A moral revolucionária exige de nós uma vigilância constante, que implica não apenas em uma discussão frequente junto à militância por meio de debates, palestras e cursos, mas, sobretudo, uma apuração exaustiva de seus desvios. Nossa experiência mostra que se não exercemos uma vigilância constante e uma posição firme e principista em relação a esses desvios, não seremos capazes de evitar resultados desastrosos e irreversíveis.

Extraída de nossa experiência diária e muitas vezes dolorosa, essa é a maior lição que devemos deixar para todos os militantes, homens e mulheres que hoje estão aderindo às organizações revolucionárias no mundo inteiro e se dispondo a combater a moral burguesa, assentada no egoísmo, no privilégio de uns sobre outros e na odiosa opressão das mulheres.

Cansei de Cuba (#charge de @Benett_)


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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Ratzinger não aguentou o tranco e pediu pra sair. Vaticano deveria chamar o Lula.


A grande notícia da semana não é a bomba de Kim Jong-il nem os beijos, bundas e peitos das personalidades globais do carnaval do Rio. Não que não haja espaço na grande imprensa e redes sociais para ambos mas o papo que de fato bomba é a renúncia do papa.

Pois é... o velho Ratzinger não aguentou o tranco e pediu pra sair. O motivo anunciado: a saúde não o permitiu prosseguir. Não se sabe ao certo qual mal teria derrubado o papa mas aos poucos informações vão sendo noticiadas tal como a que revela que há três meses o velho homem trocou as baterias de seu marca-passo, o que para alguns é de fato uma grande novidade, havia dúvidas se o sumo pontífice tinha qualquer coisa parecida com coração.

Ainda assim, vamos e venhamos, isso por si só não é motivo pra pedir pra sair. Assim fosse o velho Joseph não deveria nem sequer ter assumido o posto máximo do catolicismo mundial, afinal o aparelhinho já estava em seu peito quando a fumaça branca saiu pela última vez da chaminé de capela sistina no Vaticano. Doença por doença, seu antecessor segurou a onda até o dia de sua morte. No fim das contas, os reais motivos com certeza não estão no que foi dito e sim naquilo que não foi dito.

Apesar da justificativa oficial a tese que mais ganha força e não sai dos noticiários, embora nenhum deles se aprofunde, é a de uma disputa no interior da empresa católica. Bem... isso sim dá um pouco de sentido à renúncia, desde que tal disputa seja não entre "liberais" e conservadores, como os mais devotados se apressam em reproduzir e sim, entre conservadores e ultra-conservadores. No fim das contas o papa não teria pedido pra sair. Ele praticamente teria sido posto pra fora por não estar à altura de cumprir o papel reservado ao sumo-sacerdote católico em uma Europa no meio de uma crise econômica.

É preciso entender o mundo em seu tempo e o catolicismo não pode ser isento disso. Já se vão cinco anos que a crise mostrou-se de forma inquestionável e até o momento não há menor sinal de vestígio algum de seu fim ou de qualquer saída suave que seja. Ao passo que segue, a luta de classes se apresenta. Ventos revolucionários sopram forte por toda região do mediterrâneo, a oeste na Espanha e em Portugal, a leste na Grécia, ao sul no Egito e até mesmo ao norte na França, ainda que em menor medida. Diante de tal turbulência Ratzinger até que cumpriu seu papel de "santo homem" estando ao lado dos governos e seus planos de austeridade que atacaram direitos dos trabalhadores da União Européia. Mas ao passo que tais planos não dão conta de paralisar as massas, governos perdem força e aparelhos ideológicos que os apóiam também.

Nessa queda de braço, como os trabalhadores de todo o mundo vivem ainda sua maldita crise de direção e a direita não mais dá conta de ganhar a partida, é a ultra-direita quem põe suas manguinhas de fora. Enquanto na Grécia crescem as marchas fascistas, na Espanha, Ópus Dei e outras pestes do mesmo naipe reivindicam um programa católico ainda mais à direita com um acobertamento da pedofilia em uma escala muito superior ao que o Vaticano conseguiu realizar e muito pelo contrário se viu obrigado inclusive a investigar e condenar publicamente. No fim das contas Ratzinger e seu papado do retorno ao culto ao místico fechando os olhos para os anseios populares caducou muito rápido. Os ultra-conservadores não querem olhos fechados. Os querem abertos, prontos e ávidos a liberar uma nova Santa Inquisição se preciso for. Para conseguir isso nem mesmo o assassinato de seu chefe maior estaria descartado tal como insinuou o canal Euronews.

Para o azar dos ultra-católicos, em tempos de internet e redes sociais, é muito mais difícil do que parece encobrir escândalos ou mesmo anestesiar o movimento dos trabalhadores quando esses ganham as ruas. Mas não que seja impossível. Prova disso está bem aqui em nosso Brasil: já não se fala em reforma agrária, passeata é coisa difícil de se ver, o maldito FMI agora virou nosso amigo, torturadores e corruptos seguem impunes e tudo isso após 10 anos de um governo de Frente Popular. Então fica a sugestão ao próximo conclave católico que elegerá o sucessor do Bento: chamem o Lula. Esse sabe como falar para os pobres, governar para os ricos, esconder escândalos e trocar seis por meia dúzia mantendo tudo exatamente como estava e ainda assim estar entre os políticos mais amados e queridos de norte a sul do país. É de um Lula que o Vaticano precisa.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Novecentas e vinte famílias felizes por seus filhos. Parabéns pra elas. Coitados de nós.


Me perdoem as famílias dos novos 920 policiais militares empossados no Ceará na última terça-feira, dia 5 de fevereiro, mas não dá pra ficar feliz com a imagem. Sim, é empregos garantidos para os rapazes. Mas também é violência praticamente certa contra povo pobre e movimentos sociais.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Charges de carnaval: Inflação (Alecrim, Clayton, Dum, Dálcio, Nani, Paixão)


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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

O que você faria se estivesse armado e frente a frente com Renan #Foto #ForaRenan

Viu a foto da Reuters onde a espada do milico ficou na linha de degola do novo presidente do senado? 


O que será que passou pela cabeça do rapaz nessa hora hein? Abaixo algumas variações sobre o tema.