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sábado, 20 de janeiro de 2018

Bernie Sanders: é hora de nova rebeldia global (*)

Compartilho texto do senador estadunidense Bernie Sanders publicado recentemente mais pela curiosidade do que pelo acordo político. Claro que é impossível ter desacordo quanto a análise e o prognóstico que Sanders apresenta, mas já quanto as saídas a divergência é gritante. "Controlar o poder corporativo" como se ele é incontrolável? "Eliminar os fundos offshore" para na sequência outras manobras ilegais serem criadas? "Aumentar substancialmente a riqueza global de forma justa" é um completo descalabro, não é preciso aumentar a riqueza global, ela já é gigantesca, é preciso devolvê-la aos seus criadores, os trabalhadores de todo o mundo.

De toda forma, segue o texto para apreciação de a quem interessar possa.

Eis onde estamos como planeta em 2018: depois de todas as guerras, revoluções e grandes encontros internacionais nos últimos 100 anos, vivemos em um mundo onde um pequeno punhado de indivíduos incrivelmente ricos exercem níveis desproporcionais de controle sobre a vida econômica e política da comunidade global.

Difícil de compreender, o fato é que as seis pessoas mais ricas da Terra agora possuem mais riqueza do que a metade mais empobrecida da população mundial — 3,7 bilhões de pessoas. Além disso, o top 1% tem agora mais dinheiro do que os 99% de baixo. Enquanto os bilionários exibem sua opulência, quase uma em cada sete pessoas luta para sobreviver com menos de US$ 1,25 [algo como R$ 4] por dia e – horrivelmente – cerca de 29 mil crianças morrem diariamente de causas totalmente evitáveis, como diarreia, malária e pneumonia.

Ao mesmo tempo, em todo o mundo, elites corruptas, oligarcas e monarquias anacrônicas gastam bilhões nas mais absurdas extravagâncias. O Sultão do Brunei possui cerca de 500 Rolls-Royces e vive em um dos maiores palácios do mundo, um prédio com 1.788 quartos, avaliado em US$ 350 milhões. No Oriente Médio, que possui cinco dos 10 monarcas mais ricos do mundo, a jovem realeza circula pelo jet set ao redor do mundo, enquanto a região sofre a maior taxa de desemprego entre os jovens no mundo e pelo menos 29 milhões de crianças vivem na pobreza, sem acesso a habitação digna, água potável ou alimentos nutritivos. Além disso, enquanto centenas de milhões de pessoas vivem em condições de vida indignas, os comerciantes de armas do mundo enriquecem cada vez mais, com os gastos governamentais de trilhões de dólares em armas.

Nos Estados Unidos, Jeff Bezos — fundador da Amazon, e atualmente a pessoa mais rica do mundo — tem um patrimônio líquido de mais de US$ 100 bilhões. Ele possui pelo menos quatro mansões que, em conjunto, valem várias dezenas de milhões de dólares. Como se isso não bastasse, está gastando US$ 42 milhões na construção de um relógio dentro de uma montanha no Texas, que supostamente funcionará por 10.000 anos. Mas, nos armazéns e escritórios da Amazon em todo o país, seus funcionários usualmente trabalham em jornadas longas e extenuantes e ganham salários tão baixos que precisam crucialmente do Medicaid, de cupons de alimentos e subsídios públicos para habitação, pagos pelos contribuintes dos EUA.

Não só isso: neste momento de riqueza concentrada e desigualdade de renda, pessoas em todo o mundo estão perdendo a fé na democracia. Eles percebem cada vez mais que a economia global foi manipulada para favorecer os que estão no topo à custa de todos os demais — e estão revoltados.

Milhões de pessoas estão trabalhando mais horas por salários mais baixos do que há 40 anos, tanto nos Estados Unidos quanto em muitos outros países. Elas olham à frente e sentem-se indefesas diante de poucos poderosos que compram eleições e uma elite política e econômica que se torna mais rica, enquanto futuro de seus próprios filhos torna-se cada dia mais incerto.

Em meio a toda essa disparidade econômica, o mundo está testemunhando um aumento alarmante do autoritarismo e do extremismo de direita — que alimenta, explora e amplifica os ressentimentos dos que ficaram para trás e inflamam o ódio étnico e racial.

Agora, mais do que nunca, aqueles que acreditamos na democracia e em governos progressistas devemos mobilizar as pessoas de baixa renda e trabalhadoras em todo o mundo para uma agenda que atenda suas necessidades. Em vez de ódio e divisão, devemos oferecer uma mensagem de esperança e solidariedade. Devemos desenvolver um movimento internacional que rejeite a ganância e a ideologia da classe bilionária e conduza-nos a um mundo de justiça econômica, social e ambiental. Isso será uma luta fácil? Certamente não. Mas é uma luta que não podemos evitar. Os riscos ao futuro são altos demais.

Como o Papa Francisco observou corretamente em um discurso no Vaticano em 2013: “Criamos novos ídolos; a adoração do antigo bezerro de ouro encontrou uma nova e impiedosa imagem no fetichismo do dinheiro e na ditadura da economia sem rosto nem propósito verdadeiramente humanos.” Ele continuou: “Hoje, tudo está sob as leis da competição e da sobrevivência dos mais aptos enquanto os poderosos se alimentam dos sem poder. Como consequência, milhões de pessoas encontram-se excluídas e marginalizadas: sem trabalho, sem possibilidades, sem meios de escapar”.

Um novo movimento progressista internacional deve comprometer-se a enfrentar a desigualdade estrutural tanto entre as nações como em seu interior. Tal movimento deve superar o “culto do dinheiro” e a “sobrevivência dos mais aptos”, como advertiu o Papa. Deve apoiar políticas nacionais e internacionais destinadas a aumentar o nível de vida das pessoas pobres e da classe trabalhadora — desde o pleno emprego e salário digno até o ensino superior e saúde universais e acordos de comércio justo. Além disso, devemos controlar o poder corporativo e interromper a destruição ambiental do nosso planeta que tem resultado nas mudanças climáticas.

Este é apenas um exemplo do que precisamos fazer: apenas alguns anos atrás, a Rede de Justiça Fiscal (Tax Justice Network) estimou que as pessoas mais ricas e as maiores corporações em todo o mundo esconderam entre US$ 21 trilhões e US$ 32 trilhões em paraísos fiscais, para evitar o pagamento de sua justa contribuição em impostos. Se trabalharmos juntos para eliminar o abuso tributário offshore, a nova receita que será gerada poderá pôr fim à fome global, criar centenas de milhões de novos empregos e reduzir substancialmente a concentração de renda e a desigualdade. Tais recursos poderão ser usados para promover de forma acelerada uma agricultura sustentável e para acelerar a transição de nosso sistema de energia dos combustíveis fósseis e para as fontes de energia renováveis.

Rejeitar a ganância de Wall Street, o poder das gigantescas corporações multinacionais e a influência da classe dos bilionários globais não é apenas a coisa certa a fazer — é um imperativo geopolítico estratégico. Pesquisa realizada pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas mostrou que a percepção dos cidadãos sobre a desigualdade, a corrupção e a exclusão estão entre os indicadores mais consistentes para definir se as comunidades apoiarão o extremismo de direita e os grupos violentos. Quando as pessoas sentem que as cartas estão empilhadas na mesa contra si e não veem caminho para o recurso legítimo, tornam-se mais propensas a recorrer a soluções prejudiciais a elas próprias e que apenas exacerbam o problema.

Este é um momento crucial na história do mundo. Com a explosão da tecnologia avançada e os novos paradigmas que ela permitiu, agora temos a capacidade de aumentar substancialmente a riqueza global de forma justa. Os meios estão à disposição para eliminar a pobreza, aumentar a expectativa de vida e criar um sistema de energia global barato e não poluente.

Isto é o que podemos fazer se tivermos a coragem de nos unir e confrontar os poderosos que querem cada vez mais para si mesmos. Isto é o que devemos fazer pelo bem de nossos filhos, netos e o futuro do nosso planeta.

(*) tradução de Mauro Lopes publicada no site Outras Palavras.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Se tivesse realmente vencido, Mandela não seria apresentado como herói universal (texto de Slavoj Žižek)(*)


Nas últimas duas décadas da vida, Nelson Mandela foi festejado como modelo de como libertar um país do jugo colonial sem sucumbir à tentação do poder ditatorial a sem postura anticapitalista. Em resumo, Mandela não foi Robert Mugabe, e a África do Sul permaneceu democracia multipartidária com imprensa livre e vibrante economia bem integrada no mercado global e imune a horríveis experimentos socialistas. Agora, com a morte dele, sua estatura de sábio santificado parece confirmada para toda a eternidade: há filmes sobre ele (com Morgan Freeman no papel de Mandela; o mesmo Freeman, aliás, que, noutro filme, encarnou Deus em pessoa). Rock stars e líderes religiosos, esportistas e políticos, de Bill Clinton a Fidel Castro, todos dedicados a beatificar Mandela.

Mas será essa a história completa? Dois fatos são sistematicamente apagados nessa visão celebratória. Na África do Sul, a maioria pobre continua a viver praticamente como vivia nos tempos do apartheid, e a ‘conquista’ de direitos civis e políticos é contrabalançada por violência, insegurança e crime crescentes. A única mudança é que onde havia só a velha classe governante branca há agora também a nova elite negra. Em segundo lugar, as pessoas já quase nem lembram que o velho Congresso Nacional Africano não prometera só o fim do apartheid; também prometeu mais justiça social e, até, um tipo de socialismo. Esse CNA muito mais radical do passado está sendo gradualmente varrido da lembrança. Não surpreende que a fúria outra vez esteja crescendo entre os sul-africanos pretos e pobres.

A África do Sul, quanto a isso, é só a mesma versão repetida da esquerda contemporânea. Um líder ou partido é eleito com entusiasmo universal prometendo “um novo mundo” – mas então, mais cedo ou mais tarde, tropeçam no dilema chave: quem se atreve a tocar nos mecanismos capitalistas? Ou prevalecerá a decisão de “jogar o jogo”? Se alguém perturba esse mecanismo, é rapidamente “punido” com perturbações de mercado, caos econômico e o resto todo. Por isso parece tão simples criticar Mandela por ter abandonado a perspectiva socialista depois do fim do apartheid. Mas ele chegou realmente a ter alguma escolha? Andar na direção do socialismo seria possibilidade real?

(...) Marx disse (...) em sua fórmula bem conhecida que, no universo da mercadoria, “as relações entre pessoas assumem o disfarce de relações entre coisas”.

Na economia de mercado, acontece de relações entre pessoas aparecerem sob disfarces que os dois lados reconhecem como liberdade e igualdade: a dominação já não é diretamente exercida e deixa de ser visível como tal. (...) É preciso ter em mente que a grande lição do socialismo de estado foi, sim, que a abolição direta da propriedade privada e a regulação das trocas pelo mercado, se não vierem acompanhadas de formas concretas de regulação social do processo de produção, acabam sempre, necessariamente, por ressuscitar relações diretas de servidão e dominação.

Se apenas se extingue o mercado (inclusive a exploração do mercado), sem substituí-lo por uma forma própria de organização comunista da produção e das trocas, a dominação volta como uma vingança, e com a exploração direta pelo mercado.

A regra geral é que, quando começa uma revolta contra regime opressor semidemocrático, como aconteceu no Oriente Médio em 2011, é fácil mobilizar grandes multidões com slogans que só se podem descrever como “formadores de massa”: pela democracia, contra a corrupção, por exemplo.

Mas adiante, quando nos vamos aproximando das escolhas mais difíceis, quando nossa revolta é vitoriosa e alcança o objetivo direto, logo nos damos conta de que o que realmente nos atormentava (a falta de liberdade pessoal, a humilhação, a corrupção das autoridades, a falta de perspectiva de, algum dia, chegar a ter uma vida decente) rapidamente troca de roupa e reaparece sob um novo disfarce.

A ideologia governante mobiliza aqui todo o seu arsenal para nos impedir de chegar àquela conclusão radical. Põem-se logo a dizer que a liberdade democrática implica responsabilidades; que a liberdade democrática tem seu preço; que ainda não estamos plenamente amadurecidos, se esperamos demais da democracia.

Assim, rapidamente, passam a nos culpar, nós mesmos, pelo nosso fracasso: numa sociedade livre – é o que nos dizem – todos somos capitalistas que investimos na nossa própria vida; e temos de alocar mais dinheiro para a educação do que para nossas festas e noitadas e lazer. Que se não fizermos assim, nossa democracia não terá sucesso.

Num plano diretamente mais político, a política externa dos EUA elaborou detalhada estratégia para controle de danos: basta converter o levante popular em restrições capitalistas-parlamentares palatáveis. Isso, precisamente, foi feito com sucesso na África do Sul, depois do fim do regime de apartheid; foi feito nas Filipinas depois da queda de Marcos; foi feito na Indonésia depois da queda de Suharto e foi feito também em outros lugares

Nessa precisa conjuntura, as políticas radicais de emancipação enfrentam o seu maior desafio: como fazer avançar as coisas depois de acabado o primeiro estágio de entusiasmo, como dar o passo seguinte sem sucumbir à catástrofe da tentação “totalitária”, em resumo: como avançar além de Mandela, sem se converter num Mugabe.

Se quisermos permanecer fiéis ao legado de Mandela, temos de deixar de lado as lágrimas de crocodilo das celebrações e nos focar em todas as promessas não cumpridas infladas sob sua liderança e por causa dela. Assim se verá facilmente que, apesar de sua indiscutível grandeza política e moral, Mandela, no fim da vida, era também um velho triste, bem consciente de que seu triunfo político e sua consagração como herói universal não passavam de máscara para esconder derrota muito amarga. A glória universal de Mandela é também prova de que ele não perturbou a ordem global do poder.

(*) Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu, no redecastorphoto

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Afinal de contas o que foram as jornadas de junho? Ricardo Antunes e Ruy Braga nos ajudam a tentar entender.

O mês de julho vai chegando aos seus últimos dias e ainda que tenhamos vivido importantes manifestações e até mesmo um importante dia nacional de lutas, não vimos mais nenhum grande levante coordenado ou mesmo que de forma isolada nos últimos dias. Sim, tivemos ocupações de câmaras municipais, belas passeatas e até mesmo muita repressão. Mas nada mais como o que vimos na segunda quinzena de junho com mais de um milhão e quatrocentas mil pessoas protestando em mais de 130 cidades em todo o país em um único dia. Ainda que não tenha atingido sequer um por cento dos nossos 190 milhões de habitantes, foi sem dúvida a primeira grande onda de protestos dos últimos vinte anos no Brasil.

Alguns eufóricos e apressados dirão que a camisa de força que prendia a classe trabalhadora e a juventude no país foi rompida em um ato de impressionismo que nada ajuda a entender o que se passou e o que se passa na luta de classes do país. Essa prática nociva de agitar exageros descabidos empurra os ativistas para o movimentismo frenético e desenfreado que não só de nada adianta, como no fim das contas atrapalha e muito.

Nesses dias em que vivemos é preciso mais que antes duvidar das fórmulas prontas. É preciso questionar. E em especial é preciso se esforçar para entender. 

Como parte deste esforço, dois importantes intelectuais da esquerda revolucionária do país produziram juntos ao final do mês de junho um texto chamado "A explosão social no Brasil: Primeiras anotações (para uma análise posterior)" publicado originalmente em espanhol e que por sua importância traduzimos e disponibilizamos aqui.  Boa leitura.

sábado, 22 de dezembro de 2012

Papai Noel e os gnomos rebeldes (um conto de James Petras) (*)


Às vésperas do Natal de 2004, o intelectual estadunidense James Petras publicou um conto de natal bem inusitado chamado Papai Noel e os gnomos rebeldes que relata o que teria sido a produção e distribuição de presentes no Polo Norte há 8 anos atrás. Vale lembrar que em 2004 faziam então três anos do atentado do 11 de setembro que abriram as portas para a invasão do Afeganistão ainda em 2001 e do Iraque em 2003. O Haiti também vivia uma ocupação iniciada das tropas da ONU em junho daquele mesmo ano. E é nesse cenário que Petras nos conta a aventura de 10 gnomos às vésperas do natal que avizinhava com mais e mais brinquedos por produzir contando agora com as novas nações recém "libertas".

Há vários dezembros que gostaria de tê-lo traduzido e publicado. Mas como o conto é um pouco longo sempre deixei pra fazê-lo no Natal seguinte. Dessa vez saiu. Vale a pena ler até o fim.

Uma história de natal: Papai Noel e os gnomos rebeldes  

Ho, ho, ho! Papai Noel riu ao ver os 10 gnomos que vieram para a oficina cantando a música que ele lhes havia ensinado.

        Hi Ho Hi Ho
        Vamos trabalhar
        Trabalhamos todos os dias
        Não cobramos nada
        Hi Ho Hi Ho

Papai Noel sorriu feliz ao ver que caminhavam para seus postos de trabalho e começavam a produzir brinquedos para entrega de Natal.

"Teremos de fazer bonecos com rostos e mãos de cores diferentes", disse Papai Noel para os gnomos, "porque o Natal vai ser realizada em novos países como o Iraque, Afeganistão e Haiti, enquanto os sinos da liberdade ressoam por Cristo, o Salvador. "

A gnomo Maria franziu a testa, "Multicultural, multidinheiro;
Mais trabalho sim, mas quem recebe o dinheiro?"

Papai Noel olhou para as mãos ocupadas que costuravam bonecas e fios de solda para teclados eletrônicos. Satisfeito, ele soltou uma risada novamente "Ho, ho, ho!". Reprimiu um bocejo e caminhou para fora de sua loja para apreciar seu café da manhã ao lado de sua enorme lareira.

Logo que terminou sua terceira porção de salsichas e estava se preparando para tirar sua soneca no meio da manhã, veio uma forte batida de porta. Papai Noel chamou seu servo-gnomo para atender a porta. "Quem está aí?" perguntou Papai Noel com uma voz sombria.

"Sou eu, Papai Noel, Peter, o gnomo trabalhador".

"Ho, Ho, Ho, Peter, estamos todos trabalhando ... Ah, os trabalhadores no nosso jeito especial. O que ocorreu para você largar seu trabalho faltando apenas uma semana para o Natal? ".

"Joseph queimou sua mão soldando o video game, Bozo o destruidor."

"Basta dizer 'Bozo' - isso economiza tempo. Apenas uma mão queimada? Bem, então ele ainda tem outra mão e diga à enfermeira para não exagerar com o curativo, temos que manter os custos baixos para sermos competitivos com os chineses."

Peter ficou surpreso com a falta de interesse de Papai Noel. Este desprezo cruel para o irmão Joseph desmentia o seu riso jovial e olhos alegres. Mas ele correu de volta para a bancada.

Maria, sem perder o ponto, sussurrou: "O que disse o papai?"

"Continue cantando e continue trabalhando. Joseph tem um outra mão."

Maria começou a cantar:

        Hi Ho Hi Ho
        Trabalhamos todos os dias
        Não podemos falar
        Hi Ho Ho Hi Hi Ho

Automaticamente os outros gnomos juntaram-se a ela.

Pouco antes de ir almoçar e depois de terminar a sua soneca, Papai Noel apareceu para saudar seus gnomos. "Ho Ho Ho! Este vai ser um Natal muito Feliz para todas as crianças do mundo!", gritou e começou a cantar a música de trabalho para acelerar a produção. Em seguida, Papai Noel foi para seu descanso do meio-dia, duas horas de almoço com lagosta, sopa e bife, queijo, morangos e creme, regado por um bom vinho tinto.

Os duendes engoliram seus sanduíches de queijo e presunto antes do toque do sino de Natal lembrá-los que sua pausa de vinte minutos para o almoço havia acabado.

Maria olhou para o sofrido e pálido rosto de Joseph, da forma como caminhou lentamente de volta para seu banco. "Peter, esta noite nós temos que falar", disse ela.

Quando a escuridão caiu, e o dia de trabalho de 12 horas chegou ao fim, Papai Noel liderou o coro com sua voz forte:

        Hi Ho Hi Ho
        Vamos para a cama
        Trabalhamos todos os dias
        Não cobramos nada
        Hi Ho Ho Hi Hi Ho

Os gnomos estavam muito cansados, mas ainda assim tentaram seu melhor para cantar tão vigorosamente como Papai Noel - exceto Maria, que ficou em silêncio e pensando.

Depois do costumeiro jantar de sopa aguada de uma batata e biscoito velho como sobremesa, os gnomos cansados foram para suas camas, parando primeiro para falar com o ferido Joseph. Maria foi a primeira a falar, mas não para Joseph - mas sobre Joseph - e Papai Noel.

"Irmãos e irmãs. Todos os trabalhadores. Nós não invejamos Papai Noel com suas grandes refeições e sestas frequentes, sua lareira crepitante e seu anel grande no dedo indicador, mas não podemos aceitar a sua falta de interesse por Joseph!" Maria parou.

Os gnomos levaram um choque. Eles nunca tinham ouvido uma única palavra contra o alegre Papai Noel. Eles eram bem treinados e sempre comentou-se sobre quão cavalheiro, atencioso e alegre que ele era. Houve silêncio por pelo menos cinco minutos.

Peter tossiu e gaguejou. "O que podemos fazer? Podemos nós dizer ao Papai Noel o que é certo e o que é errado? O Papai Noel é do povo! ".

"É correto ignorar a lesão de Joseph de hoje, os seus ferimentos de amanhã, nossas dores de cabeça de sempre?" rebateu Maria.

"Nããão!" Responderam de uma só vez todos os gnomos.

"Amanhã vamos dizer ao bom Papai Noel que queremos ser tratados melhor  e que queremos mais respeito para os trabalhadores acidentados", gritou Maria.

No dia seguinte, antes do amanhecer, os gnomos rolaram para fora de suas camas, pegaram suas marmitas e dirigiram-se para trabalhar cantando sua música de trabalho habitual. Quando eles entraram na oficina, Papai Noel espiou da porta de sua casa grande, e sorriu alegremente sob os olhos inchados e vermelhos (resultado de algumas garrafas vazias de vinho) e juntou-se à música, aguardando que eles terminassem a cantoria para voltar para a cama. Mas eis que os gnomos alinharam-se em frente de sua casa em vez de ir para suas máquinas de trabalho.

Espantado, Papai Noel gritou: "O que acontece? Estamos há seis dias do Natal... as crianças ficarão desapontadas!".

Houve um silêncio de morte. Alguns gnomos viraram-se para seus bancos, enquanto outros olharam para baixo envergonhados. Todos pareciam nervosos e inquietos - exceto Maria, ereta e confiante.

"Papai Noel, nós estamos descontentes com a forma como você reagiu ao ferimento de Joseph de ontem. Queremos mais interesse e atenção quando um gnomo trabalhador é ferido no trabalho."

Papai Noel ficou vermelho e depois branco e depois verde, com indignação, raiva e avareza tudo de uma vez. Ele caminhou em direção a Maria, que não vacilou nem se virou.

"Eu quero que você saiba que tenho que me preocupar apenas com todas as crianças do mundo, e você se sente por um pequeno arranhão na mão de um único gnomo!" Papai Noel derramou seu desprezo em Maria e em todos os gnomos estavam a seu lado.

Os gnomos estavam envergonhados. Mas Maria disse calmamente.

"Mas se nós, os gnomos, com as nossas pequenas mãozinhas não fizermos os brinquedos e trabalharmos todos os dias, o dia todo e também parte da noite, nunca as crianças receberiam brinquedos, e você, Papai Noel, você não seria ninguém."

Papai Noel ficou furioso. "Estou com a boa ideia de enviar todos vocês gnomos de volta e trancá-los em seus quartos com pão seco e água!" ele gritou.

Maria já estava irritada com essas ameaças. "Nós não somos 'gnomos' - somos gnomos trabalhadores. E você sabe muito bem que não haverá brinquedos para entregar, se nós não os produzirmos!"

O bolso do Papai Noel falou antes de sua boca e disse-lhes que se não houvesse brinquedos não haveria o pagamento da véspera de natal.

"Eu te ordeno, Maria, para retornar ao seu quarto. O resto a trabalhar!"

Como os gnomos voltaram ao trabalho, Maria voltou sozinha para seu quarto frio. E enquanto os gnomos trabalharam o dia todo sem remuneração, Maria pensou profundamente.

"Ele me escutou quando estávamos juntos. Mandou somente a mim embora", raciocinou. Ela continuou, "Por que nós trabalhamos o dia todo sem pagamento e ele que não trabalha pega nosso salário? Por que trabalhamos o dia todo? Por que não somente meio dia e com pagamento? Por que Papai Noel não trabalha enquanto nós cantamos?

Ao cair da noite, Maria tinha feito um plano. E depois do jantar de sopa aguada, pão seco e um biscoito, Maria se levantou e falou. E todo ouviram pois se sentiam culpados por permitir que Maria levasse toda a culpa.

"Quando nos reunimos com Papai Noel sobre o ferimento de Joseph, ele teve que nos ouvir. Sozinhos, ele me afastou. Devemos estar juntos em solidariedade para que ele nos ouça. "

Todos os gnomos trabalhadores balançaram a cabeça concordando.

"Trabalhamos como escravos durante todo o dia e não recebemos nada; nós apenas cantamos sobre isso. Mas Papai Noel recebe dinheiro em suas viagens do dia de Natal. Devemos compartilhar esses pagamentos assim como fazemos com o trabalho. Vamos mudar nossa canção, tipo assim":

        Hi Ho Hi Ho
        Vamos trabalhar
        Queremos nossos salários
        Ou não vamos
        Hi Ho Hi Ho

"E para onde vamos?" Perguntou Matilda, a menor dos gnomos.

"Ficaremos em casa, faremos bonecos de neve, patinaremos no escorregador ... mas nós não trabalharemos", disse Maria.

"Mas Papai Noel ficará com muita raiva, ele não ficará feliz!", gritou Robin, o gnomo de bochechas vermelhas.

"Não importa. Queremos igualdade e liberdade!" gritou Maria, que foi acompanhada por todos os gnomos. "Amanhã vamos marchar até a porta de Papai Noel cantando a nossa música nova e dizer-lhe, antes de iniciar o trabalho, o que queremos!.

Na manhã seguinte, os gnomos-trabalhadores (agora se chamavam principalmente assim e alguns dos mais valentes unicamente de "trabalhadores") estavam muito animados e nervosos porque nunca haviam marchado para dizer qualquer coisa para o Papai Noel.

Maria puxou o canto mas todos cantaram mais alto do que nunca.

        Hi Ho Hi Ho
        Vamos ver Noel
        Nós queremos nossos salários
        Nós queremos o que pedimos
        Hi Ho Hi Ho

Quando chegaram à Casa Grande e bateram na porta, Papai Noel ainda estava de pijama vermelho, que mal cobriam sua grande barriga redonda.

"Ho Ho! O que é isso? É muito cedo para trazer seus presentes para o Papai Noel! Ho Ho Ho! "

"Não é um presente que trazemos. É uma petição. Uma petição coletiva. E é isso que nós queremos!"

Enquanto Maria lia as demandas, Papai Noel tinha a vontade de agarrá-la e bater nela, mas pensou melhor, pois não tinha certeza de como os outros nove gnomos reagiriam. Ele ouviu e fingiu um olhar alegre.

"... E se não recebermos nossos salários, não vamos trabalhar um único dia antes de véspera de Natal," finalizou Maria para a alegria de seus companheiros gnomos trabalhadores.

"Bem, eu vejo", disse Papai Noel ", então vamos todos ser pagos em seu devido tempo."

"Não", disse Maria sentindo uma farsa ou uma mentira, "queremos nosso salário hoje."

"Tudo bem", disse Papai Noel, "depois do trabalho pagarei a todos igualmente." Ele disse, com olhos risonhos.

Todos os gnomos voltaram para os seus empregos assobiando sua nova canção e os brinquedos voaram de suas mãos para as sacolas de entrega.

Sem o conhecimento dos gnomos, Papai Noel estava ao telefone ligando para ver se ele poderia produzir os brinquedos mais baratos na África, Ásia ou América Latina, onde os trabalhadores não reivindicavam salários e não havia Marias para ensinar música aos trabalhadores.

Mas para todo lugar que ele ligou, disseram que era tarde demais, faltavam apenas alguns dias antes do Natal.

No final do dia, Papai Noel contou os sacos de brinquedos e ficou muito satisfeito. Mas disse aos gnomos-trabalhadores que não poderia pagar porque o dinheiro ainda estava a caminho.

Naquela noite os gnomos se reuniram e desta vez estavam muito irritados porque tinham aprendido que o feliz Papai Noel havia mentido.

Matilda falou alto e claro. "Nós fazemos os brinquedos. Por que temos que esperar que ele nos pague?"

Robin continuou: "Ele sempre fala sobre o "nós" mas nunca levantou um dedo para fazer um brinquedo".

Ao fim de muitas falas, mais do que se pode ser lembrado, Maria falou: "Amanhã nós vamos dizer ao Papai Noel que não vamos deixar de trabalhar mas que ele deve se juntar a nós na linha ou que não deve receber nenhum pagamento."

Todo mundo gritou com alegria. E a pequena Matilda acrescentou: "E todos nós devemos compartilhar nossas refeições e repouso também!'"

Na manhã seguinte, os gnomos trabalhadores apareceram na porta e disseram que Papai Noel não era o proprietário, que não era "Papai Noel", mas "trabalhador Noel" e que eles iriam produzir e distribuir os brinquedos e se ele quisesse compartilhar desta situação, teria o seu lugar na bancada.

"Por que profana revolução que vai contra a criação de Deus?!",  ele gritou e quase desmaiou com a idéia de uma dia inteiro de pintura (de brinquedos).

"Quem não trabalha não come", disse Maria, enquanto os gnomos marchavam para o trabalho.

Ao meio-dia, os gnomos entraram na Casa Grande e compartilharam uma refeição suntuosa com legumes e frutas, peixe e queijo, enquanto trabalhador Noel choramigava baixinho resmungando sozinho. No meio da tarde, os trabalhadores pararam e fizeram uma pausa para a assembléia para decidir quais os horários mais adequados para o trabalho e para o lazer.

Logo era véspera de Natal e os gnomos-trabalhadores decidiram eleger quatro mamães e papais Noel para entregar os brinquedos e distribuir os pagamentos. E o velho Papai Noel ... O que aconteceu com ele? Ele logo percebeu que se ele não participasse das assembléias e do dia a dia da oficina em breve estaria sozinho, com fome e fora do mundo. Então ele saiu para trabalhar e cantou esta:

        Hi Ho Hi Ho
        Vamos trabalhar
        Nós temos nossa voz
        Recebemos o nosso salário
        Hi Ho Ho Hi Hi Ho

Os gnomos trabalhadores produziram brinquedos para as crianças mais do que nunca. Mas a entrega foi cheia de dificuldades. Mamães e Papais Noel tiveram que evitar os helicópteros e bombas no Iraque e as balas dos invasores ocupantes na Palestina.

"Ai dos invasores e ocupantes que negam a crianças o direito a seus brinquedos e felicidade!" Gritaram os gnomos.

"Vamos negar a eles e suas famílias os seus dias de festa e eles estarão para sempre fora das nossas listas de visitas de alegria."

(*) Traduzido de A Christmas story: Papa Noel and the rebellious dwarfs de James Petras.

terça-feira, 24 de julho de 2012

A Grécia no escuro #greekrevolution #criseeconomica



O portal espanhol verba-volant publicou no último dia 13, notícia que foi repercutida pelo portal Rebelion e que dá conta que cerca de 90.000 domicílios gregos estão sem energia elétrica em função de cortes realizados pela companhia elétrica por inadimplência dos consumidores. A inadimplência teria aumentado sensivelmente na Grécia após aprovação do imposto imobiliário inicialmente cobrado nas próprias contas de energia elétrica.

Segue o texto traduzido para o português:

Aumentou drasticamente em 2012 o número de domicílios sem energia elétrica em toda a Grécia. Nos primeiros cinco meses de 2012, o número de domicílios sem eletricidade quintuplicou tomando como referência o mesmo período de 2011. Também, os cortes de energia crescem dia a dia. Se em janeiro os cortes eram cerca de 7000, em maio passado o número disparou e alcançou os 30.000.

Esta situação começou a tornar-se evidente já no ano passado. Durante os oito primeiros meses de 2011 as ordens de cortes superaram o número de 900.000, enquanto durante os primeiros oito meses de 2010 foram cerca de 734.000. O aumento supera os 25%. Calcula-se que atualmente cerca de 90. 000 famílias estão sem eletricidade por não pode pagar nem a conta nem muito menos os impostos imobiliários acrescidos a ela.

Simultaneamente cresce a "dívida" dos consumidores com a companhia elétrica. Se em novembro passado o dinheiro das contas de eletricidade não pagas entre os pequenos consumidores chegava à 289 milhões de euros em maio passado já havia aumentado para 668 milhões.

A maioria desses consumidores não tem conseguido pagar a conta de energia elétrica por causa do tributo imobiliário extraordinário imposto pelo regime à população e que é cobrado nas contas de eletricidade. Logo de início se alguém não pagava ou se pagava somente o dinheiro que corresponde ao consumo de eletricidade (sem o imposto) sua luz era cortada. No entanto, como eram muitos os que não pagavam o imposto, e após a luta contra ele e uma decisão do Conselho de Estado contra o tributo, o regime promulgou uma lei segundo a qual a dívida passa a ser incorporada, juntamente com outros impostos e contribuições à declaração de renda.

De acordo com os dados disponíveis foram emitidas cerca de 12 milhões de contas que somam em torno de 2,5 bilhões de euros, correspondentes a cerca de 6,3 milhões de clientes, dos quais mais de um milhão não pagaram os impostos imobiliário (cerca de 272 milhões euros) ou mesmo a conta inteira. Assinalamos que este ano o aumento do preço da eletricidade for de 15% em relação ao ano passado. Destacamos também que às contas de eletricidade são incorporadas a taxa municipal e a contribuição para a emissora estatal. Esta última, o consumidor de eletricidade é obrigado a pagar mesmo que ele declare que não quer ver os canais estatais de televisão e até mesmo se não tiver um aparelho de TV...

Estas são algumas das consequências da ofensiva desencadeada pelo Estado e pelo capital contra a sociedade, contra o povo, contra as classes trabalhadoras. Ontem, o governo anunciou sua intenção de privatizar a empresa de energia elétrica, entre uma onda de privatizações anunciadas. Em outras palavras, vai vender barato ao capital as ações que não havia vendido ainda. Os ativos de eletricidade, de água, da moradia converteram-se por inteiramente em mercadorias. Mais aumentos estão por vir e espera-se que sejam anunciados neste verão.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Protesto em Londres mostra solidariedade com a luta na Grécia (*) #greekrevolution


Centenas de manifestantes marcharam ao redor da embaixada grega em Londres ontem, sábado, em solidariedade à luta contra a austeridade na Grécia.

A multidão de maioria grega cantou "pessoas da Europa, unir e lutar!" durante o percurso da manifestação "não anunciada".

Ativistas da Grã-Bretanha e de outros países da zona euro participaram do protesto.

Nick Grant, do comitê executivo do sindicato nacional NUT trouxe saudações de solidariedade da organização.

"A irmandade internacional significa que os trabalhadores gregos não estarão sozinho", disse ele.

Membros executivos do PCS e dos sindicatos Unite enviaram mensagens de apoio.

Representantes da campanha Right to Work e da Associação Cultural dos Trabalhadores Refugiados da Turquia e do Curdistão também falaram.

Eleni, um estudante, disse: "Muitos dos meus amigos estão deixando a Grécia por causa do desemprego. A austeridade não vai resolver o problema. "

Tanya, que trabalha no teatro, descreveu os eventos na Grécia como "devastador". "Existe essa sensação de que não há futuro para toda uma geração", disse ela.

Virginia, uma ativista espanhola, também estava no protesto. Ela disse: "O que está acontecendo é sistemático. Não é sobre como um estado-nação indivíduo opera, é sobre as forças internacionais ".

Depois da marcha, os manifestantes realizaram uma assembléia em frente à embaixada.

Eles decidiram protestar, na tarde de quarta-feira frente aos escritórios da União Europeia, e no próximo sábado na Catedral de São Paulo.

(*) Tradução de "London protest shows solidarity with struggle in Greece"  de Patrick Ward publicado no portal Socialist Worker

sábado, 24 de dezembro de 2011

Eu sou a voz revolucionária (*)

Eu sou a voz revolucionária
Eu sou o naufrágio do desespero
Eu sou o momento da luta
Eu sou a decisão de revolta
Eu sou o desejo de se rebelar
Eu sou a energia da multidão
Eu sou a esperança nos olhos das crianças
Eu sou a força de vontade para destruir a opressão
Eu sou a derradeira fuga da depressão

(*) Tradução de I Am the Revolutionary Voice do Coletivo de Artistas Poetas.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Nós somos rebelião (*)

Nós somos rebelião, nós somos a energia da multidão, a esperança das massas, a luta do povo.

Nós somos o desejo de enfraquecer, de ultrapassar, para instigar a revolução em cada alma.

Nós somos o poder do coletivo, subindo a partir da morte de dormência política.

Nós somos o futuro da humanidade, a capacidade de superar, para devorar os inimigos da luta social.

Nós somos a retaliação psicológica contra a capitalização dos instintos humanos.

Nós somos o movimento que nunca dorme, as vozes que nunca se calam, o murmúrio à distância.

Nós somos um exército de mentes, a vida que permanece na sombra, o sangue da psique coletiva, fluindo, circulando, preparando-se.

Nós estamos chegando.

(*) Tradução de We Are Rebelion do coletivo de escritores ativistas.

sábado, 10 de dezembro de 2011

"A pornografia é uma das armas mais potentes nas mãos do Estado e das elites dominantes"(*)

"Existem muitas pessoas que enxergam a pornografia como uma expressão inofensiva da sexualidade humana. São muitos os homens que assistem a pornografia como uma mera atividade de lazer. Este tipo de perspectiva é absolutamente delirante e totalmente irresponsável.

Primeiro de tudo, a pornografia é uma indústria altamente regulada. É regulada por um Estado opressivo para esvaziar a energia emocional e psicológica em milhões de pessoas. O macho médio nos Estados Unidos dedica incontáveis ​​horas de pornografia a cada semana, as estimativas variam de 3,2 a 5,1 horas. Isso se torna ainda mais problemático quando você considera o fato de que a pornografia é uma forma muito complexa de consumo.

Quando você assiste a pornografia o que você está essencialmente assistindo é uma máquina que ordenha sua sexualidade. Quando você focaliza seus olhos sobre a imagem na tela, o que você está essencialmente fazendo é tendo relações sexuais com a máquina. Quando você dedica toda a sua atenção sexual e emocional para a tela, o que essencialmente você está fazendo é tornando-se um com a tela, adorando a visão corporativa da sexualidade humana. Isto é muito perigoso, porque lhe isola completamente e lhe torna mais uma vítima de um sonho de Pygmalion. A pornografia é uma falsa consciência em seu mais alto nível. É verdade de que na vida real você pode ser rejeitado ou magoado, mas pelo menos você estabelece relações humanas autênticas. No mundo da pornografia sua sexualidade é apenas sugada para fora de você, assim você pode voltar ao trabalho, como um bom escravo eficiente.

Não há nada de puritano nestes argumentos. Acredito que a sexualidade humana deve ser livre e aberta, não tenho qualquer problema com a masturbação, relações poliamor ou experimentação física. Mas tenho um problema com a idéia de que nós, como seres humanos estamos entregando nosso corpo e alma para a máquina pornográfica. Tenho um problema com a noção de que o Estado e as elites dominantes está criando armadilhas psicológicas que destroem e distorcem as visões dos seres humanos.

Agora imagine um mundo no qual os homens não assistem pornografia. Um mundo no qual a nossa energia é canalizada para os fluxos criativos, em relacionamentos saudáveis, em valores comuns, em vez de ver a nossa essência em um derramamento programado e orientado pela tela.

Imagine um mundo em que os homens não gastam 300 horas por ano, olhando para uma tela, desejando mulheres, esperando que esta falsa cyber-sexualidade possa se tornar realidade.

Também considere o fato de que 95% da pornografia é produzida por empresas profissionais de mídia. Assim, ao observar esta visão corporativa da sexualidade humana, você está se entregando à máquina corporativa. Parece absurdo, mas não há nada de absurdo nisso. Os capitalistas querem controlar todos os aspectos da vida do trabalhador, seu entretenimento, suas visões, suas aspirações e sua sexualidade também.

Os capitalistas querem controlar todos os aspectos da nossa existência, porque eles entendem que, se abrirmos nossos olhos, em qualquer sentido real, então, seus dias estão contados."


(*) Traduzido de "Pornography Is One of the Most Potent Weapons in the Hands of the State and the Ruling Elites" postado no blog The Activists