terça-feira, 24 de julho de 2012

A Grécia no escuro #greekrevolution #criseeconomica



O portal espanhol verba-volant publicou no último dia 13, notícia que foi repercutida pelo portal Rebelion e que dá conta que cerca de 90.000 domicílios gregos estão sem energia elétrica em função de cortes realizados pela companhia elétrica por inadimplência dos consumidores. A inadimplência teria aumentado sensivelmente na Grécia após aprovação do imposto imobiliário inicialmente cobrado nas próprias contas de energia elétrica.

Segue o texto traduzido para o português:

Aumentou drasticamente em 2012 o número de domicílios sem energia elétrica em toda a Grécia. Nos primeiros cinco meses de 2012, o número de domicílios sem eletricidade quintuplicou tomando como referência o mesmo período de 2011. Também, os cortes de energia crescem dia a dia. Se em janeiro os cortes eram cerca de 7000, em maio passado o número disparou e alcançou os 30.000.

Esta situação começou a tornar-se evidente já no ano passado. Durante os oito primeiros meses de 2011 as ordens de cortes superaram o número de 900.000, enquanto durante os primeiros oito meses de 2010 foram cerca de 734.000. O aumento supera os 25%. Calcula-se que atualmente cerca de 90. 000 famílias estão sem eletricidade por não pode pagar nem a conta nem muito menos os impostos imobiliários acrescidos a ela.

Simultaneamente cresce a "dívida" dos consumidores com a companhia elétrica. Se em novembro passado o dinheiro das contas de eletricidade não pagas entre os pequenos consumidores chegava à 289 milhões de euros em maio passado já havia aumentado para 668 milhões.

A maioria desses consumidores não tem conseguido pagar a conta de energia elétrica por causa do tributo imobiliário extraordinário imposto pelo regime à população e que é cobrado nas contas de eletricidade. Logo de início se alguém não pagava ou se pagava somente o dinheiro que corresponde ao consumo de eletricidade (sem o imposto) sua luz era cortada. No entanto, como eram muitos os que não pagavam o imposto, e após a luta contra ele e uma decisão do Conselho de Estado contra o tributo, o regime promulgou uma lei segundo a qual a dívida passa a ser incorporada, juntamente com outros impostos e contribuições à declaração de renda.

De acordo com os dados disponíveis foram emitidas cerca de 12 milhões de contas que somam em torno de 2,5 bilhões de euros, correspondentes a cerca de 6,3 milhões de clientes, dos quais mais de um milhão não pagaram os impostos imobiliário (cerca de 272 milhões euros) ou mesmo a conta inteira. Assinalamos que este ano o aumento do preço da eletricidade for de 15% em relação ao ano passado. Destacamos também que às contas de eletricidade são incorporadas a taxa municipal e a contribuição para a emissora estatal. Esta última, o consumidor de eletricidade é obrigado a pagar mesmo que ele declare que não quer ver os canais estatais de televisão e até mesmo se não tiver um aparelho de TV...

Estas são algumas das consequências da ofensiva desencadeada pelo Estado e pelo capital contra a sociedade, contra o povo, contra as classes trabalhadoras. Ontem, o governo anunciou sua intenção de privatizar a empresa de energia elétrica, entre uma onda de privatizações anunciadas. Em outras palavras, vai vender barato ao capital as ações que não havia vendido ainda. Os ativos de eletricidade, de água, da moradia converteram-se por inteiramente em mercadorias. Mais aumentos estão por vir e espera-se que sejam anunciados neste verão.