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sábado, 20 de outubro de 2012

Você precisa assistir "Eles se atreveram" #95anosDaRevoluçãoRussa


"As grandes lutas pela liberdade nos são ocultadas. Se uma revolução é derrotada pelas armas, buscam que os vencidos sejam esquecidos. Se uma revolução é traída a partir de dentro buscam impor a ideia de que esse é o único final possível. Para seguir nos expropriando todo os dias os capitalistas necessitam expropriar nossa história. A história mais terrível para eles é aquela que mostra que podemos vencer". É com esse texto narrado nas vozes de  Silvia Helena Legaspi e de Eduardo 'Tato' Pavloski que se encerram os primeiros cinco minutos do documentário argentino de quase duas horas com o nome de "Eles se atreveram" (Ellos se atreveieron).

Produzido no ano de 2007 pelo Instituto do Pensamento Socialista Karl Marx e realizado pelo estúdio ContraImagem, a partir da adaptação de textos de Lenin, Trotsky, Rosa, John Reeds, Maiakovsky e Pierre Broué, entre outros autores revolucionários e fazendo uso de uma excelente seleção de imagens e músicas históricas, o documentário apresenta a revolução russa de 1917 passando pelos principais acontecimentos que a antecedem assim como seu derradeiro final com a restauração do capitalismo pelas mãos da própria burocracia russa.

Muito bem dividida, a película cumpre um papel didático fenomenal para ajudar a entender toda a complexidade envolvida no episódio da revolução bolchevique e no seu triste desdobramento. Em seus últimos minutos uma imagem das operárias e operários da Fábrica Putilov é exibida enquanto é lida uma citação da alemã Rosa Luxemburgo: "O que se trata é distinguir o essencial do não essencial na política dos bolcheviques. Não se trata desta ou daquela questão secundária sobre táticas, mas da capacidade de ação do proletariado, sua força para atuar, da vontade de poder do socialismo como tal. Neste sentido, Lênin, Trotsky e seus companheiros foram os primeiros a dar o exemplo ao proletariado mundial. São ainda os únicos que até agora podem gritar: 'Nós nos atrevemos!'".

Eles se atreveram é um excelente filme que você não pode deixar de assistir. Uma versão com legendas foi disponibilizada pelo Marcelo1917 no YouTube e pode ser baixada no formato MP4 pelo KeepVid clicando aqui.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

A revolução que deu o maior cartaz #95anosDaRevoluçãoRussa


A Rússia de 1917 era um país dos mais atrasados de toda a Eurásia com uma taxa de analfabetismo sem igual comparação àquela época. Tendo expulso em um único ano tanto o regime czarista como a democracia burguesa em duas revoluções, os russos se viram diante da grandiosa tarefa de fazer chegar às mãos de todo o povo russo a informação necessária para defender sua conquista. Os inúmeros cartazes publicados e espalhados pelas cidades de todo o país foram uma das formas de conseguir isso.

Como forma de tentar registrar um pouco da imensidão de cartazes publicados e também como homenagem à revolução que sem dúvida alguma abalou o mundo é que foi criado o tumblr "Rússia soviética em cartaz".

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

É preciso estudar outubro. #95anosDaRevolucaoRussa


Neste outubro de 2012, ou no próximo novembro para quem preferir o calendário gregoriano, completam-se 95 anos da revolução bolchevique, que foi sem a menor sombra de dúvida, um dos maiores acontecimentos da história do século XX.

Para os que como eu simplesmente não aceitam o mundo tal como ele é e acreditam na necessidade de transformá-lo, entender a revolução russa de 1917 é uma tarefa indispensável, ou como diria o próprio Lev Davidovich, é preciso estudar outubro. Bem, se isso era válido nos idos de setembro de 1924, quando muitos dos que viveram a revolução ainda estavam vivos, o que dizer então nos dias de hoje.

E estudar outubro não é uma tarefa simples em especial quando a Rússia e todos os países que compuseram a extinta URSS voltaram aos braços do capitalismo, o marxismo foi negado e renegado por uma infinidade de seus ex-seguidores e a esquerda mundial de uma forma geral está em mil pedacinhos. Mas é exatamente por isso que debruçar-se sobre os acontecimentos em torno da revolução de 1917 se torna ainda mais importante. E somado à atual falta de perspectiva das massas trabalhadoras diante da crise econômica mundial, entender a revolução russa é uma tarefa das mais importantes que todo ativista que luta ou sonha por um mundo melhor precisa abraçar.

Se não fazemos isso no cotidiano que o façamos ao menos por ocasião dos seus 95 anos.

Na Rússia de 17, como nos ensina Trotsky, "a classe trabalhadora, guiada pelos bolcheviques, tentou reconstruir a vida, para eliminar a possibilidade dos acessos periódicos de loucura da humanidade e lançar as bases de uma cultura mais elevada"(*). Não foi uma tarefa pequena o que fizeram aqueles homens e mulheres. Nos deram o exemplo de que é possível. Tiraram do mundo das idéias e trouxeram para o mundo real a possibilidade dos trabalhadores governarem sem patrões a lhe explorar e parasitar; nos mostraram que é possível trabalhar menos e ainda assim viver melhor; que é possível libertar as mulheres trabalhadoras dos grilhões do trabalho doméstico; que é possível distribuir o conhecimento e a sabedoria a todos, universalizando o ensino, sem que isso signifique simplesmente preparar-se para o maldito "mercado de trabalho"; e muito, muito mais.

A revolução tem muito a nos ensinar, tanto em seus maravilhosos acertos, como nos inúmeros erros que vieram depois, em especial se a compreendemos tão somente como um "ponto de partida da nova história da humanidade em seu conjunto"(*) que ainda precisa ser escrita.

(*) As citações são da conferência pronunciada por Leon Trotsky em 27 de novembro de 1932. Ver O que foi a Revolução Russa.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

O jornalista, o operário e o tal "fim das greves"


Plínio Bortolotti é jornalista e diretor do Grupo de Comunicação O POVO. No passado Plínio já foi de esquerda, se não me engano, trotskista. E como um bom ex-trotskista agora diretor de um grande grupo de comunicação, Plínio é um verdadeiro soldado armado até os dentes contra quaisquer matizes da esquerda revolucionária, em especial a que reivindica a classe trabalhadora e a revolução russa de 1917. Sendo assim, o candidato a prefeito de Fortaleza pelo PSTU que se prepare, porque se depender do jornalista deslize algum do operário prefeiturável será perdoado. Aliás, será explorado com um vigor que nenhum outro candidato oponente, mesmo os de direita, se interessaria em fazer.

No último dia 24, o pedreiro e prefeiturável Gonzaga concedeu entrevista à Rádio CBN/O POVO que foi divulgada pelo jornal do mesmo grupo no dia seguinte com a seguinte chamada: "Candidato do PSTU promete fim das greves em Fortaleza". Um título escolhido a dedo onde obviamente o verbo prometer não foi colocado à toa. O interessante é quem por acaso parar para ler a própria matéria perceberá que tal promessa simplesmente não foi feita. Em seu lugar uma explicação sobre a relação entre direitos e greves foi dada partindo do pressuposto correto de que se direitos são respeitados as greves, ao menos via de regra, perdem seu sentido. O operário explicou isso a seu modo dizendo: "Não haverá mais greve em um governo socialista como o nosso, porque os trabalhadores vão ter direitos iguais". Por sua vez o jornal divulgou como "PSTU promete fim das greves". Leviandade pouca é bobagem. Mas nada que um jornalista ex-trosko não possa piorar.

Em sua página no jornal, Bortolotti retomou o tema nesta quinta, dia 26, afirmando que Gonzaga se iguala aos demais candidatos convencionais vendendo promessas vazias que nunca irá cumprir. E trata de deixar claro que a tal "promessa" não poderia ser nenhum ato falho e sim um ato premeditado. O candidato "prometeu como sem falta" sabendo que "faltaria como sem dúvida" afinal "Gonzaga sabe disso, pois é uma pessoa que conhece a história das revoluções no mundo".  Para desenvolver seu ponto de vista o jornalista aborda o tema das greves contra o próprio governo bolchevique russo usando argumento similares ao que fizemos no post "Não será uma prefeitura, mesmo socialista, que dará fim às greves dos trabalhadores". Similares mas opostos pelo vértice. Plínio tira da manga mais uma vez a carta preferida de anarquistas, reformistas e ex-troskos ressentidos: a revolta de Konstadt. Segue a passagem do texto:
O Partido Bolchevique, depois transformado em Partido Comunista da União Soviética, enfrentou – e reprimiu com mão de ferro – várias manifestações de trabalhadores, a maior delas a revolta dos marinheiros Kronstadt, revolucionários de primeira hora, que se voltaram contra os novos donos do poder – e por isso foram esmagados.
Não é a primeira vez que o jornalista traz o argumento à tona. Ele fez isso por exemplo quase que para explicar os motivos da repressão da prefeita Luizianne contra os professores em seu artigo de junho de 2011 "Prefeitura X professores: “A Kronstadt de Luizianne”". Nada de se estranhar que Plínio volte ao tema, afinal o episódio é praticamente um mantra sagrado para aqueles que pretendem demostrar que não existe diferença entre um governo dos trabalhadores e qualquer outro governo. Aliás, o dos trabalhadores é ainda pior. Afinal, como nos conta o jornalista, o tal governo revolucionário "reprimiu com mão de ferro" os próprios "revolucionários de primeira hora".

Sem dúvida alguma o governo soviético cometeu muitos erros na construção da URSS. Em especial os cometeu sem cessar após a chegada de Stalin ao poder, estes últimos verdadeiros crimes. Mas Kronstadt não está entre eles. Para quem não sabe em 1922 havia uma guerra civil em curso contra exércitos invasores e os marinheiros amotinados levantaram armas contra o governo. E isso não se poderia permitir. Não é que fosse uma greve. Aliás muitas foram feitas e diferente do que afirma Bortolotti, elas não foram reprimidas. O que houve na cidade russa na ilha de Kotlin no Golfo da Finlândia foi um levante armado, feito não pelos "revolucionários de primeira hora" mas por uma nova geração de marinheiros, sua grande maioria vinda do campo, e que não participou das jornadas revolucionárias que tomaram o poder. Os marinheiros de 1917 ou estavam mortos em função da guerra contra os exércitos invasores ou estavam assumindo novas responsabilidades no governo soviético. Vale dizer que por vários dias, soldados bolcheviques foram mortos pelos amotinados de Kronstadt até que finalmente a fortaleza caísse. Não se podia esperar outra coisa do que agir com firmeza, ou com "mão de ferro" se assim prefere o jornalista.

Mas tudo isso é detalhe para quem não pode admitir em hipótese alguma que um governo socialista dos trabalhadores pode tornar realidade medidas que resolvam de fato os problemas da grande maioria do povo, coisa que nenhum governo democrático a serviço da burguesia fez até hoje ou sequer pode sonhar em fazer.

domingo, 18 de dezembro de 2011

"Dividir o pão" (arte)

Arte do coletivo de artistas ativistas do The Activists mostrando
um pão e muitas mãos egícpcias. Original aqui.

sábado, 10 de dezembro de 2011

As revoluções são as festas dos oprimidos e explorados (Lenin)


Vladimir Ilich Ulianov Lenin cunhou essa frase em julho de 1905 na brochura Duas Táticas da Social-Democracia na Revolução Democrática que mais que relembrada merece ser revitalizada à luz dos levantes populares que correram o mundo em 2011 e que não deixarão de correr em 2012. Segue trecho do capítulo final em que a frase aparece:
As revoluções são as locomotivas da história, dizia Marx. As revoluções são a festa dos oprimidos e explorados. Nunca a massa do povo é capaz de ser um criador tão activo do novo regime social como em tempo de revolução. Em tais períodos o povo é capaz de fazer milagres, do ponto de vista da medida estreita e pequeno-burguesa do progresso gradual. Mas em tais períodos é necessário que também os dirigentes dos partidos revolucionários apresentem as suas tarefas de um modo mais amplo e audaz, que as suas palavras de ordem vão sempre à frente da iniciativa revolucionária das massas, servindo de farol para elas, mostrando em toda a sua grandeza, em toda a sua beleza, o nosso ideal democrático e socialista, mostrando a via mais curta e mais directa para a vitória completa, incondicional e decisiva.
Que falta faz para a humanidade a audácia e a presença de homens como Lênin e de organizações como a que ele tanto defendeu e construiu.