quinta-feira, 4 de outubro de 2012

É preciso estudar outubro. #95anosDaRevolucaoRussa


Neste outubro de 2012, ou no próximo novembro para quem preferir o calendário gregoriano, completam-se 95 anos da revolução bolchevique, que foi sem a menor sombra de dúvida, um dos maiores acontecimentos da história do século XX.

Para os que como eu simplesmente não aceitam o mundo tal como ele é e acreditam na necessidade de transformá-lo, entender a revolução russa de 1917 é uma tarefa indispensável, ou como diria o próprio Lev Davidovich, é preciso estudar outubro. Bem, se isso era válido nos idos de setembro de 1924, quando muitos dos que viveram a revolução ainda estavam vivos, o que dizer então nos dias de hoje.

E estudar outubro não é uma tarefa simples em especial quando a Rússia e todos os países que compuseram a extinta URSS voltaram aos braços do capitalismo, o marxismo foi negado e renegado por uma infinidade de seus ex-seguidores e a esquerda mundial de uma forma geral está em mil pedacinhos. Mas é exatamente por isso que debruçar-se sobre os acontecimentos em torno da revolução de 1917 se torna ainda mais importante. E somado à atual falta de perspectiva das massas trabalhadoras diante da crise econômica mundial, entender a revolução russa é uma tarefa das mais importantes que todo ativista que luta ou sonha por um mundo melhor precisa abraçar.

Se não fazemos isso no cotidiano que o façamos ao menos por ocasião dos seus 95 anos.

Na Rússia de 17, como nos ensina Trotsky, "a classe trabalhadora, guiada pelos bolcheviques, tentou reconstruir a vida, para eliminar a possibilidade dos acessos periódicos de loucura da humanidade e lançar as bases de uma cultura mais elevada"(*). Não foi uma tarefa pequena o que fizeram aqueles homens e mulheres. Nos deram o exemplo de que é possível. Tiraram do mundo das idéias e trouxeram para o mundo real a possibilidade dos trabalhadores governarem sem patrões a lhe explorar e parasitar; nos mostraram que é possível trabalhar menos e ainda assim viver melhor; que é possível libertar as mulheres trabalhadoras dos grilhões do trabalho doméstico; que é possível distribuir o conhecimento e a sabedoria a todos, universalizando o ensino, sem que isso signifique simplesmente preparar-se para o maldito "mercado de trabalho"; e muito, muito mais.

A revolução tem muito a nos ensinar, tanto em seus maravilhosos acertos, como nos inúmeros erros que vieram depois, em especial se a compreendemos tão somente como um "ponto de partida da nova história da humanidade em seu conjunto"(*) que ainda precisa ser escrita.

(*) As citações são da conferência pronunciada por Leon Trotsky em 27 de novembro de 1932. Ver O que foi a Revolução Russa.