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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

G1 promove anti-jornalismo pra atingir Marcelo Freixo e criminalizar movimentos sociais


Parece brincadeira mas não é.  Apesar de engraçado foi exatamente isso, tirando os bonequinhos é claro, que o G1 publicou em sua página no dia 09/02. A manchete é claramente uma obra prima do anti-jornalismo no melhor estilo global. O senhor Roberto Amigão da Ditadura Marinho deve estar pulando de orgulho no além túmulo. O bom e velho vale tudo para criminalizar movimentos sociais e desafetos políticos voltou a ordem do dia.

Teoria da conspiração? Deixa disso menino! É bom que você saiba que as organizações Roberto Marinho são campeãs olímpicas em mentira e manipulação.

Por acaso você conhece o episódio da falsificação descarada associando o então presidenciável Lula com o sequestro do empresário Abílio Diniz em 1989? Não? Pois façamos uma rápida recapitulação:
  1. No dia 11 de dezembro de 1989 militantes da organização chilena MIR sequestraram o dono do Pão de Açucar para financiar às Forças Populares de Libertação de El Salvador.
  2. No sábado, dia 16/12, o sequestro chegou ao fim, com os guerrilheiros sendo presos vestindo a camisa da campanha eleitoral do PT. No lugar, vários materiais de campanha foram encontrados.
  3. Do dia 16 até o resultado da eleição ser conhecido a imprensa bombardeou a informação do envolvimento dos sequestradores com Lula.
  4. O jornal o Globo do dia 18/12 destacava "Tuma assegurou que os terroristas integram duas organizações de extrema esquerda no Chile - Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR) e Organização de Resistência Armada (Ora) e que em poder dos que foram presos foi apreendido material de propaganda política do PT".
  5. No dia 17/12 houve o segundo turno da eleição que deu a vitória a Fernando Collor de Melo.
  6. Poucos dias após a eleição a imprensa passou a desmentir quaisquer envolvimentos entre o candidato derrotado e o episódio do sequestro. 
  7. Em seu livro "Pão de Fel: utopias revolucionárias ao seqüestro de Abílio Diniz", Raimundo Rosélio, o único brasileiro que participou da operação de sequestro, faz o relato do dia em que o cativeiro caiu e como foi forçado pela polícia a vestir a camisa do Lula antes de sair da casa para que pudesse ser exibido para os jornalistas que aguardavam ansiosos pelas imagens que envolveriam o presidenciável petista com o episódio.
Bonito não?

Pois bem... o intuito da grande imprensa em dezembro de 1989 é exatamente o mesmo de agora. Aproveitar um fato condenável e associá-lo a todo custo a um de seus desafetos que tendo em vista o aquecimento das lutas estaria bem no páreo eleitoral de outubro próximo. O problema para os jornalões é que 2014 não é 1989. Mídias sociais existem e fazem circular informação em uma velocidade mais que estonteante. E pra piorar a situação deles as eleições ainda estão bem distantes dando tempo suficiente para que as muitas mentiras possam ser desmentidas.

E por falar em mentiras, o rojão que matou o cinegrafista Santiago Andrade nos leva a outro grande episódio de nossa história que vale muito a pena relembrar: O atentado do Rio Centro em 1982. Dele você lembra, né? Não? Bem... esse deixamos para recapitular em outra oportunidade. Mas até lá vê se faz um favor a você mesmo: Pare de acreditar nas Sheherazades, Jabor's e Mirians Leitão da vida.

domingo, 7 de outubro de 2012

Folha requenta e vende como nova a trollada de Maluf e seu "comunismo" perto do PT #eleições2012


Nada como uma eleição pra vender notícia política velha com uma carinha de nova. A Folha publicou hoje as 10:17 e atualizou às 12:19 a declaração de que Maluf se sente um comunista diante do PT. Diz ainda que é a "primeira vez" que o procurado pela Interpol usa o termo para se comparar aos petistas. Bem... que é uma bela de uma trollada que o Paulo Salim deu no PT é. Mas, "primeira vez" Folha? Sério? Vocês poderiam pelo menos ler o que vocês próprios já escreveram né?  Não lembram? Olha só essa imagem do caderno Poder da Folha de São Paulo ainda deste ano:


Ah... e tem video também, viu? E é da própria Folha, ó:



E tem mais velho viu? Só que não é da Folha que pelo jeito chegou bem atrasada na notícia. É do programa "É notícia" do Kennedy Alencar. Saca só:



Tsc, tsc, tsc... Coisa feia hein Folha?

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Trotskistas se esbaldavam nos prostíbulos do Brasil em 1911 e tiraram a virgindade de Ho Chi Minh?


Saiu em alguns jornais nos últimos dias a notícia de que Ho Chi Minh perdeu a virgindade lá pelos idos de 1911 no Brasil quando o navio francês em que o vietnamita trabalhava como cozinheiro aportou no Rio de Janeiro (veja aqui e aqui) . Segundo o que nos conta a "notícia" a proeza de ajudar a "tornar homem" o futuro líder revolucionário teria cabido a um grupo de trotskistas que teria apresentado ao rapaz as "delícias da vida" em uma zona de baixo meretrício.

Originalmente o assunto me chamou atenção pelo fato de trotskistas brasileiros serem clientes de prostíbulos o que embora seja absolutamente possível é uma contradição das mais absurdas na medida em que o próprio Trotsky dizia por exemplo que seria "imperdoável falar do triunfo do socialismo enquanto subsista a prostituição". (ver A Revolução Traída)

Mas eis que reparei com mais cuidado na data da visita do vietnamita ao Brasil que ao que consta ocorreu mesmo no ano de 1911. Bem, ou os trotskistas inventaram uma máquina do tempo ou a informação de que eles foram os grandes colaboradores da perda da virgindade de Ho Chi Minh é pra lá de estapafúrdia. Por que? Porque não existiam trotskistas em 1911 em lugar nenhum do mundo, quanto mais no Brasil. Nem o próprio Davidovich era trotskista nessa época. Até 1911 os revolucionários de todo mundo estavam nas fileiras da II Internacional, a primeira guerra mundial não havia dado ainda sequer seu primeiro tiro, os mencheviques e os bolcheviques na Rússia czarista, embora divididos, estavam ainda sobre a mesma bandeira do POSDR. Enfim, não existia o "trotskismo".

Fiz um esforço então para tentar verificar se àquela época existiam ativistas que viriam a se tornar seguidores de Trotsky no Brasil e não tive o menor sucesso. Os futuros primeiros trotskistas brasileiros como o cearense Lívio Xavier e o pernambucano Mário Pedrosa estavam com seus 11 anos de idade. Muito difícil crer que os meninos introduziram o mancebo Ho Chi Minh na vida do mal caminho.

Nem de longe podemos afirmar que não existam trotskistas (ou pseudo-trotskistas) tanto no passado como no presente que embora tenham dito ou ainda digam que a prostituição seja um mal que escraviza e coisifica as mulheres, tenham sido clientes da prostituição. Seria no mínimo ingenuidade de minha parte. Aliás creio que seja até fácil associar o trotskismo ao episódio em função do tipo de militância que a corrente gerou a partir dos anos 1970, onde o discurso da liberdade sexual é muito forte e os limites dos desvios morais são muito tênues. Mas daí a colocá-los como os "bon vivants" de 1911 é, digamos assim, esticar demais.