domingo, 23 de dezembro de 2012

Os brinquedos de Natal não vem das mãos de gnomos de papai Noel.

É Natal! Tempo de festejar e presentear. Em especial, tempo de presentear crianças e reafirmar a história do bom velhinho barbudo de roupa vermelha viajando o mundo em seu trenó puxado por renas voadoras e distribuindo presentes para as crianças que se comportaram direitinho durante todo o ano. E como não são poucas as crianças no mundo, muitos e muitos brinquedos precisam ser fabricados. Na historinha de Noel, gnomos trabalham 364 dias do ano preparando os milhares e milhares de presentes que seriam distribuídos entre a noite do dia 24 e a madrugada do dia 25 de dezembro. Se a canção estivesse correta (aquela do "seja rico ou seja pobre, não se esquece de ninguém"), os gnomos teriam de produzir presentes para 27% da população mundial atualmente estimada em 7.086 milhões de pessoas, ou 1,9 bilhão de pessoas. Seria o equivalente a 5 milhões de brinquedos por dia contando que os gnomos não folgariam aos finais de semana.

Bem... preciso te contar uma "novidade": Papai Noel não existe, muito menos gnomos. 

Brinquedos são produto do trabalho humano. E diferente da grande indústria automobilistíca que esconde os operários propagandeando os grandes braços mecânicos montando veículos, a indústria de brinquedos é movida fundamentalmente por milhares e milhares de braços humanos. E como no capitalismo a finalidade da produção de qualquer coisa é a lucratividade, quanto menor o custo, maior o lucro. E por custo em produção de brinquedos entenda-se matéria-prima, instalações e principalmente gente. Não é a toa que 70% da produção mundial de brinquedos esteja exatamente na China onde o custo da mão de obra é dos mais baratos do planeta. E é barato exatamente porque o nível de exploração e a consequente extração de mais-valia é das maiores do mundo. 

O fotógrafo Michael Wolf registrou através de suas lentes algumas imagens da produção de brinquedos na China. As fotos mostram em sua grande maioria mulheres nas situações mais inusitadas, algumas delas trabalhando sem fardamento, sem máscaras, em bancadas mal projetadas, ao lado de latas de tintas  e dormindo em papelão ao lado da bancada de trabalho. Aí estão os verdadeiros ajudantes de Papai Noel produzindo felicidade (ou não) momentânea na base da exploração permanente. 

"Feliz" natal!