domingo, 25 de março de 2012

#TrayvonMartin, 17 anos. Morto por ser negro e estar encapuzado. #RacismoNão

O caso do assassinato do jovem Trayvon no estado da Flórida, Estados Unidos, ganhou nova repercussão nesta sexta-feira, dia 23 de março, quando Barack Obama veio a público dizer que "se tivesse um filho ele se pareceria com Trayvon". O caso aconteceu há quase um mês antes da declaração do presidente estadunidense.

Foi na noite do dia 26 de fevereiro. Chovia. Trayvon Martin, 17 anos, caminhava para a casa de seu pai, vestia capuz e moleton (muito comum na juventude negra dos EUA). Levava consigo um pacote de balas e uma lata de refrigerante. O vigilante voluntário de 28 anos, George Zimmerman, estava em seu carro tendo a seu lado uma pistola de 9 milímetros legalmente registrada. Zimmerman avistou Trayvon e ligou para o 911 informando sobre "um cara muito suspeito" e que "parece mal intencionado ou drogado". Ainda com o telefone ligado Zimmerman, ofegante, avisa à polícia que está perseguindo o suspeito. Uma briga começa e ouve-se um tiro. Trayvon estava morto com um bala dispara contra o peito.

Zimmerman foi detido, interrogado e em seguida solto, sem que nenhuma acusação formal fosse registrada. Todas as provas estão gravadas e em posse da polícia. Mas Zimmerman está solto. Por que? Porque na Flórida existe uma lei que permite a qualquer pessoa que tenha posse de arma a atirar primeiro e perguntar depois. Qualquer pessoa que se sinta ameaçada tem o direito de "defender seu espaço". E foi isso que Zimmerman fez. Era um negro, encapuzado, andando a noite com um volume na mão ou no casaco. Quer algo mais suspeito que isso?

Imagino que seja uma lei desse tipo que a classe média racista de São Paulo tanto almeje. Houvesse uma lei como essa os delinqüentes de Embu das Artes poderiam muito estar soltos agora. Afinal quer atitude mais suspeita do que a do ajudante de caminhoneiro que estava passeando de madrugada com a namorada no centro histórico da cidade? E a polícia brasileira então? Que maravilha seria poder matar qualquer suposto suspeito sem o medo de ter sua ação revelada pela mídia ou questionada pelos tais "direitos humanos". O censo comum celebraria afinal "bandido bom é bandido morto", não é mesmo?

Mas então por que essa confusão toda? A lei não ampara a atitude do vigilante voluntário? Do que estão se queixando? Lei não é pra ser cumprida e ponto final?

Nada disso! As leis são feitas sob circunstâncias históricas e se elas permitem atrocidades como essa que se abateu sobre o jovem Trayvon é um dever lutar pelo seu descumprimento e revogação. E é exatamente isso que vem fazendo milhares de estadunidenses ao se manifestarem pedindo justiça ao caso Trayvon. E a justiça nesse caso só pode ser feita passando por cima da lei do "atire primeiro". E é exatamente por causa da comoção nacional que só cresce que Obama se viu obrigado a fazer uma declaração pública.

Trayvon está morto. E a luta contra o racismo nas terras ianques está mais do que viva. Que sua morte não seja em vão.

Manifestante levata o cartaz: "Levante-se por Trayvon"
Milhares saíram às ruas pedindo justiça ao jovem Trayvon
Entre os manifestantes é comum o uso de capuz e moleton
"Justiça para Trayvon" e "Eu sou o próximo?"
"Por favor não mate meus filhos"