sábado, 24 de março de 2012

Policia executa e o senso comum aprova: "Tem mais é que matar mesmo"


Era por volta de quatro da tarde quando veio o tiroteio. A agência do Bradesco da Santos Dumont com Desembargador Moreira, em Fortaleza, estava sendo assaltada e o confronto com a polícia havia começado. Em uma das laterais da agência, uma janela quebrada, e um corpo deitado no chão ao lado de um carro vermelho. A polícia se aproxima. O indivíduo segue deitado. A praticamente dois passos do corpo a policia atira mais uma vez. Agora sim... está morto. Após o disparo o policial olha para cima. Ele e seus colegas de farda percebem algo no mínimo inusitado: celulares levantados pelos diversos parapeitos e janelas dos prédios vizinhos.
E entre tantas imagens gravadas, uma delas conseguiu registrar o momento do disparo a queima roupa. Pouco tempo depois foi parar no YouTube e no mesmo dia foi removido pela autora da gravação que pelo ângulo das imagens deve trabalhar no quinto andar do edifício empresarial Torre Santos Dumont. E por que foi removido? Possivelmente medo ou intimidação. Pipocavam comentários ofensivos e ameaçadores, alguns deles com nick's fazendo referência à própria polícia.

Em um segundo video, também gravado da Torre Santos Dumont, colegas de trabalho conseguem gravar o momento da execução. A distância não os permite entender o que está acontecendo. Eles chegam a imaginar que o policial estaria atirando nos pneus do carro vermelho. Os ditos pneus eram dois dos assaltantes.




Em outro video, esse gravado do edifício vizinho à agência, é possível ver o momento em que um dos corpos é removido do local e colocado dentro de uma viatura. Enquanto gravam, três pessoas conversam e é possível ouvir: "Agora eles atiraram, os caras já estavam no chão". Mais testemunhas da execução.



No noticiário de uma forma geral ninguém fala sobre possibilidade de execução. A polícia cumpriu seu papel, impediu o assalto e ponto final. O tema central passa a ser a questão da segurança ou insegurança bancária. Muito mais do que justo afinal bastaria reduzir um pouco que fosse os lucros exorbitantes dos banqueiros, investir entre outras coisas em detetores de metal, e assaltos como esses poderiam ser detidos na porta da agência. Mas e a execução? Pode? Mesmo sendo um assaltante? A resposta deixo para meu filho de 11 anos quando ouviu a notícia de que o bandido foi morto pela polícia: "Foi morto? Mas não existe pena de morte no Brasil". Pois é. Mas quem disse que isso impede a polícia de julgar quem passar por sua frente, decretar o veredicto e executá-lo? Isso não é novidade pra ninguém.

O que mais chama a atenção não é nem isso. É a reação do senso comum. Você diz: "Mas o cara estava já baleado sem ameaçar risco", e o senso comum responde: "E daí? Tem mais é que matar mesmo. Bandido bom é bandido morto". E se você diz que a polícia não pode fazer isso, o senso comum retruca: "Tá com peninha? Você acha que um marginal desse ia ter peninha de você e da sua família?". E aí você lembra que essa mesma polícia mata inocente só por ser negro nesse país e quanto mais se dá razão à polícia quando ela executa mais se permite que ela continue matando e torturando inocentes e ainda por cima plantando provas e espalhando mentiras. E como o senso comum normalmente sabe disso, ele se retrai, nem um pouco convencido de que está errado, mas se retrai esperando a hora de sair na defesa da necessidade de que saia matando os bandidos malvados espalhados por aí.