quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Rebelião popular invade cena pop em rap de Jay-Z


Enquanto a crise econômica mundial aberta em 2008 não se fecha, o mundo pop não deixa por menos, chega junto e fatura em cima. Levando ao extremo a máxima do "aquilo que não me mata, me fortalece", o capitalismo transforma em mercadoria até mesmo as cenas de rebelião e insubordinação popular. Prova disso é o clipe do single "No church in the wild" dos rappers Jay-Z e Kayne West, primeira faixa do álbum "Watch the Throne" lançado em agosto do ano passado.

Jay-Z, nome artístico do novaiorquino Shawn Corey Carter, é daqueles rappers que não tem absolutamente nada a ver com a cultura hip-hop de raiz, seus rap's não cantam a vida do povo pobre do Brooklin, nem muito menos convidam a qualquer mudança. Milionário e tido como artista "mainstream", Jay-Z via de regra não faz parte do repertório músical dos levantes populares nem nos Estados Unidos, que viveram no ano passado o ápice do movimento Occuppy Wall Street, nem em nenhum outro lugar do mundo onde se tenha ido às ruas contra os planos de austeridade para salvar as grandes empresas da crise econômica. As manifestações na Grécia, Espanha, França, Irlanda ou Portugal não tem em Jay-Z sua trilha sonora.

Mas quem disse que ainda assim não se pode aproveitar do clima mundial de rebeldia? E é aí que entra em cena o video de "No church in the wild" (Não há igrejas no mundo selvagem) que contou com a direção do francês Romain Gavras, diretor de clipes com cenas de violência urbana como Stress da dupla francesa Justice e Born Free da anglo cingalesa M.I.A.

No clipe do rapper ianque o cenário é uma locação em Praga e o cenário é um enfrentamento entre populares e a tropa de choque. As cenas impressionam em especial pelo realismo. Tudo começa com um coquetel molotov sendo acesso para em seguida ser jogado contra um cordão de policiais de uma tropa anti-disturbio. Manifestantes colocam capuzes e provocam. Dois deles partem pra cima dos escudos. A pancadaria começa. Cacetetes, cavalos, cachorros, mata-leão, spray de pimenta ao que os manifestantes devolvem com muita quebradeira de carros, lojas e com um carro de polícia em chamas arremessado contra os policiais. Ao final um elefante, isso mesmo, um elefante surge imponente no meio da confusão.

A primeira vista, o clipe é simpático aos olhos dos que acreditam na necessidade das manifestações populares, mas uma visão mais apurada vai sentir falta por exemplo das boas e velhas bandeiras sejam elas de quais cores sejam, pretas, verdes ou as minhas preferidas, as vermelhas. Assim como não existem bandeiras, não existem faixas, nem muito menos motivos. Por que raios esses rapazes, e olha só que interessante, são somente rapazes, não estão lá garotas nem muito menos senhoras e senhores, foram pro meio da rua se enfrentar com a polícia? Pura diversão de uma juventude sem causa? E pra tornar a coisa ainda mais distante da realidade, adivinha de quem parte a ofensiva? Adivinhou? No clipe de Gavras/West/Jay-Z são os manifestantes os que não só correm pra cima, como também são eles os que provocam e desafiam a polícia.

Depois que assisti e reassisti o clipe fiquei pensando comigo: "afinal de contas esses caras tão tomando partido de quem mesmo?".

Busquei na letra da música algo que me explicasse as motivações dos músicos, mas honestamente não encontrei. Se você por um acaso já conseguiu ou quem sabe vier a conseguir agradecerei muito a gentileza de me explicar. De toda forma, pelo bem ou pelo mal, a rebelião popular invadiu um pouquinho do mundo pop.