quinta-feira, 9 de abril de 2015

Barrar nas ruas a PL da terceirização. Exigir de Dilma não só o veto mas que rompa com a burguesia.


A PL da terceirização foi aprovada na Câmara dos Deputados. O sociólogo Ruy Braga talvez seja um dos que melhor definiu o que significa tal proposta: "a maior derrota da classe trabalhadora desde a ditadura militar". Exatamente. Nenhum outro ataque ocorrido sobre os governos Dilma, Lula, FHC, Itamar, Collor, Sarney ou até mesmo os próprios governos militares pode ser considerado tão duro e nefasto. Nenhum deles teve a ousadia para simplesmente rasgar a Consolidação das Leis Trabalhistas com tanta determinação. Também nenhum congresso havia chegado a esse ponto. Agora isso é passado. Trezentos e vinte e quatro deputados federais não se intimidaram e resolveram avançar com tudo contra os já tão poucos direitos dos trabalhadores brasileiros.

Já estava claro que o Congresso empossado em primeiro de janeiro de 2015 era o mais reacionário desde a queda dos governos militares em 1985. Já estava claro que viria chumbo grosso por aí. Os doze anos de conciliação de classe empurrados goela abaixo na classe trabalhadora brasileira pelos governos do PT não passariam sem cobrar sua fatura. Quanto mais os trabalhadores e os movimentos sociais foram desmobilizados e desmoralizados no decorrer desses doze anos, mais os setores reacionários se sentiram e se sentem a vontade para avançar.

Isso está expresso mais do que comprovadamente na forma como se deu a votação. Vinte dos vinte e sete partidos votaram majoritariamente para que a terceirização passe a ser a regra no país. Dentre eles, seis votaram 100% contra os trabalhadores (PEN, PMN, PRP, PSDC, PV e Solidariedade). Alguns ficaram na casa dos 90 a 80% contra por ocasião de um ou outro desgarrado como é o caso do DEM (17 x 2), do PMDB (55 x 6) , do PP (34 x 3) e do PSDB (44 x 2). Somente cinco partidos, com seus 71 parlamentares, foram 100% a favor de nossos direitos trabalhistas. Nem mesmo o PCdoB entrou nessa seleta lista, com 1 deputado votando vergonhosamente pela terceirização.

O PT embora tenha votado em bloco contra a PL governa o país ao lado da imensa maioria dos que querem o Brasil precarizado. É claro que o PT tem culpa. Como chamar de base aliada PP, PRB, PMDB, PSD, PR e PDT que votam em imensa maioria em posição contrária ao partido da presidenta? A quem interessa a tal governabilidade construída com partidos de destroem nossos direitos trabalhistas? Com certeza não a nós, trabalhadores.

Aqui está colocada uma imensa possibilidade na arena da luta de classes brasileira. Em nossa história recente nunca esteve colocada a possibilidade de construção de uma verdadeira greve geral que sacuda o país. Não que não houvesse necessidade. Não que não houvesse razões para tanto. Mas o cenário nunca foi tão propício. O ajuste fiscal de Levy e Dilma por mais que representassem uma ofensiva contra a classe, nem de longe a motivava a cruzar os braços ou tomar decididamente as ruas. O mesmo não se pode afirmar agora.

É preciso massificar o que significa a PL da terceirização e acumular forças para sacudir o Brasil. Construir grandes atos em todas as grandes cidades unindo na luta todos os que estão contra a terceirização. E na medida que lutamos juntos é preciso colocar o petismo na parede exigindo que essa tal governabilidade seja desfeita, exigindo de Dilma que vete a PL e que rompa com a burguesia, construindo um governo dos trabalhadores da cidade e do campo.

É hora de preparar as barricadas!
Exigimos não só o veto presidencial mas que os ministros de partidos que votaram na PL da terceirização saiam imediatamente do governo!
Ou eles param essa PL ou não devemos poupar esforços para parar o Brasil!