quarta-feira, 25 de março de 2015

"Experiência e intuição não nos bastam. É preciso método materialista para enxergar o momento."


Em momentos onde não predomina a rotina é preciso mais que intuição e experiência, nos faz lembrar o revolucionário russo Leon Trotsky, em seu História da Revolução Russa publicado em novembro de 1930. Sim, intuição e experiência são importantes, e podem até ser decisivos nos momentos de normalidade. Mas aos revolucionários é preciso muito mais.

O capítulo "A arte da insurreição" é sem sombra de dúvida parada obrigatória para todos aqueles que entendem que é preciso dedicação individual e coletiva para que a humanidade possa livrar-se dos pesados grilhões da exploração capitalista e de todas suas mazelas.

Aqui destacamos uma pequena passagem do texto:

"A intuição e a experiência são necessárias à direção revolucionária, tal como em todos os outros domínios da arte criadora. Mas isso não basta. A arte do mágico pode também, com sucesso, repousar sobra a intuição e a experiência. A arte do curador político não basta todavia senão para as épocas e períodos onde predomina a rotina. Numa época de grandes reviravoltas históricas não tolera as obras dos mágicos. A experiência, mesmo inspirada pela intuição, não basta. É preciso um método materialista permitindo descobrir, por detrás das sombras chinesas dos programas e das palavras de ordem, o momento real dos corpos da sociedade."

Particularmente, gosto da sua acidez ao comparar aqueles movidos tão somente pela aura da experiência com bons mágicos e seus truques que podem até impressionar em momentos de normalidade política. Mas palavras mágicas repetidas ao vento não são suficientes em momentos de reviravoltas. É preciso o método materialista. Ou seja, é preciso ciência. E para que? Para "descobrir por trás das sombras chinesas dos programas e das palavras de ordem, o momento real dos corpos da sociedade". Leia-se é preciso entender a correlação de forças das classes sociais. E tanto o programa como as palavras de ordem são os instrumentos para isso. Não para expressar nossas vontades, mas para capturar "o momento real dos corpos da sociedade". Eis a verdadeira arte para os revolucionários.

Aos interessados, vale a visita ao Arquivo Marxista na Internet para a leitura..