sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Não se lê Neruda


Não se lê Neruda. 
Neruda se sente.
Mas assim como não há tempo para o ler
também não há para o sentir.
Só há o tempo do produzir.
E o sentir somente se fará impor 
quando a dor se impor senhora.
E assim se morre lentamente,
como escravo do hábito,
a televisão como guia,
as paixões evitadas,
sem viagens, nem leituras,
sem os sentimentos à pele
versados em Neruda.

Giambatista Brito