sábado, 19 de maio de 2012

Chupa! Foda-se! Vai dar esse cu!


A ofensa faz parte do dia a dia de qualquer bom cidadão na face da terra e quem disser o contrário ou vive em um país das maravilhas ou simplesmente está mentindo. Ofender é afrontar, é não aceitar o que se passa, e seu produto, a ofensa, está presente em todo o canto, seja nas coisas mais simples do dia a dia como o trânsito, a partida de futebol, a bronca tomada do patrão e uma mera topada, ou nas mais complexas como o ato de mostrar a bunda como forma de protesto feito normalmente por jovens do movimento estudantil ou mesmo os seios desnudos das loiras ucranianas do movimento Femen pela Europa adentro.

O conhecido "filho da puta" disparado contra os árbitros e suas pobres mães nos estádios de futebol são a verbalização do não engolir o gol roubado, o pênalti concedido, a falta não marcada ou quem sabe marcada indevidamente contra seu time do coração. E ja reparou quando finalmente vem o gol? Se veio do outro time é uma chuva de palavrões. Mas quando não… aí é um verdadeiro gozo e é claro que é preciso celebrá-lo. Acompanhe o twitter em dia de jogo no momento de um gol naquelas partidas disputadíssimas e tente contar a quantidade infindável de "Chupa!" disparados contra o adversário goleado para entender que a ofensa não é uma arma somente para os maus momentos. Não basta ganhar. É preciso humilhar o inimigo derrotado. Afinal que graça tem meu time ganhar se não puder sacanear o time arqui-rival, inimigo de todas as horas? Né verdade?

A ofensa, além da versão falada, também pode vir gesticulada como o internacionalmente conhecido dedo médio em riste, o cotoco, um verdadeiro símbolo de contestação normalmente apontado para o outro como uma arma onipotente e indestrutível. Nas mãos de quem sabe usá-lo acaba virando mesmo uma arma e que o diga o rapper Emicida, preso por usá-la em defesa dos moradores da comunidade Eliana Silva desabrigados pela polícia mineira.

Mas antes que me interpretem mal, este não é um elogio à ofensa na forma de gesto, ato ou palavrão. Não. Pelo menos não aos que estamos acostumados a ver, ouvir, falar e fazer. Na verdade prefiro confrontá-los. Por uma simples razão: não aceito que se alimente a ideia de que sexo violento é normal, usual e popular. Assim como não aceito que se relacione o preto com tudo que é ruim, não aceito que se relacione sexo como forma de agredir o outro. Por que raios "foder" tem que ser algo ruim? Por que mandar "tomar no cu" quem nos incomoda? Por que disparar o "chupa" na cara de quem se quer humilhar? Sexo é algo tão degradante e humilhante assim comparável a mandar alguém à merda? Ou quando disparamos as ofensas contra nossos desafetos estamos querendo que eles sofram "se fodendo", "dando o cu" ou "chupando"? Se é pra necessariamente ser sofrido e humilhante estamos admitindo que o sexo possa ser usado como violência contra os que nos desagradam? É isso? Se for, honestamente estou contra.

Que tal pensar nisso da próxima vez que for ofender alguém, hein? Fica a dica.