sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Mobilidade é a palavra da vez nessas eleições. Mas será que sua cidade precisa realmente disso?


Em praticamente toda grande cidade do país o termo mobilidade vai ser usado como tábua da salvação do caos urbanos que se transformaram as chamadas "metrópoles". E não é pra menos. Em tempos de todo apoio às grandes montadoras promovidos pelos governos Lula e Dilma, carros e motos se multiplicam aos montes nas ruas e avenidas como uma verdadeira praga moderna.

Como o transporte público rodoviário simplesmente é um horror na totalidade ou quase totalidade dos municípios, a imensa maioria dos trabalhadores correm na primeira oportunidade para o mundo das prestações a perder de vista para assim poder finalmente viver o sonho de conduzir sua própria moto ou automóvel. É sair do aperto do ônibus para cair no aperto do bolso. Com o estimulo sem fim do governo para que o povo se endivide em especial salvando as grandes montadoras, por que afinal não encarar a dívida e fugir do stress cotidiano de andar emprensado no coletivo? É claro que isso tem consequências medonhas tal como o aumento dos engarrafamentos, da poluição e dos acidentes de trânsito, aumentando também as filas dos hospitais para tratar o adoecimento por stress, doenças respiratórias e traumatismos de toda espécie que se possa imaginar. Mas se o governo estimula exatamente isso fazer o que? Continuar indo pro trabalho como se fosse uma sardinha? Ninguém merece não é mesmo?

Como saída para o enorme espetáculo do crescimento do inferno no trânsito, prefeituráveis de todas as matizes se revezarão em fórmulas mágicas que vão desde as obras faraônicas como alargamento de vias, túneis e viadutos, passando pela construção ou ampliação do metrô e chegando até à defesa do apoio ao uso da bicicleta como tábua de salvação para todos os males provocados pelos famigerados automóveis. Garantir a mobilidade do cidadão. É essa a grande promessa.

Mas a pergunta que deveríamos fazer é: mobilidade pra que mesmo? Pra que você precisa da garantia da mobilidade? Para que você precisa de mais ônibus, mais metrô, mais viadutos, mais avenidas, mais túneis, mais ciclovias? Isso tudo não passa do meio para chegar a algum lugar. Perceba: não é da mobilidade que você precisa, e sim do acesso ao trabalho, ao hospital ou posto de saúde, à escola ou universidade, ao comércio de uma forma geral, etc, etc, etc. Se você trabalhasse perto de sua casa e tivesse acesso a saúde, educação, lazer e ao comércio em seu próprio bairro com certeza a tal "mobilidade" se conseguira simplesmente andando. 

Então o que a maioria das cidades precisa não é da mobilidade para sair de uma ponta à outra do município ou dos bairros populares aos grandes comerciais. O que de fato se precisaria era um reordenamento da cidade, promovendo o desenvolvimento econômico e social dos bairros. Mecanismos as prefeituras tem para isso. Basta utilizar devidamente dos impostos como o IPTU e o ISS aumentando pra valer em uma região e chegando inclusive a isentar em outras, para que o comércio se desenvolva nos bairros. Se por exemplo for de shopping center que o bairro de periferia precisa para ter emprego e evitar que as pessoas percam boa parte do seu tempo indo e vindo, que se estimule a construção deles, assim como de mais escolas, mais creches, postos de saúde e por aí vai. Mas é claro que isso não se faz sem enfrentar os interesses do empresariado de uma forma geral. E é claro que a imensa maioria dos prefeituráveis não tem o menor interesse nisso.