terça-feira, 26 de março de 2013

O beijo gay de Wolverine e o décimo terceiro trabalho de Hércules


Fez um mês hoje, dia 26 de março, o estardalhaço que corre o mundo nerd com o beijaço com direito a pegada de perna entre o mutante mais macho dos quadrinhos, o baixinho Wolverine, e o semi-deus Hércules. Pois é, depois de comprar a briga com os homofóbicos de plantão ao anunciar em maio do ano passado o primeiro grande casamento gay do mundo Marvel, a editora resolveu ir além na defesa da bandeira LGBT e tirou o canadense de garras de adamantium do armário, e como era de se esperar deu a louca no macharal nerd mundo afora. Não acredita? Saca só o xilique do Cauê Moura no seu programa no Youtube, o giro de quinta, do começo do mês.
O cara ficou tão atacado que não conseguiu distinguir o semi-deus romano Hércules do deus nórdico Thor. Aliás nem importava. O Wolverine já não podia ser o super-cara dos sonhos dele e de tantos outros mascu-nerds. Foi mal Cauê, mas que desespero todo é esse, meu?

É claro que qualquer um que tenha acompanhado a construção da figura do Wolverine sabe que não encaixa na história do cara uma relação homoafetiva. E como a Marvel resolveu isso? Com um mundo alternativo que é algo muito comum no mundo dos quadrinhos: o chamado multiverso. Ou seja, Em uma realidade paralela o personagem correspondente ao Wolverine, no caso James Howlett, é gay. Simples assim. No fim das contas, qual o problema? 

Quanto ao Hércules não era nem preciso dizer absolutamente nada, mas com tanta crise nervosa de pseudo seguidores de quadrinhos por aí, é bom dizer que tanto em Roma como na Grécia antiga a relação homofoafetiva era absolultamente comum e obviamente isso foi representado nos mitos religiosos de então. O próprio Hércules teve pelo menos três eromenos (amantes adolescentes): Abdero, Hilas e Lolau

Mas voltando à pergunta de qual o problema, eu respondo: HOMOFOBIA. Como sempre ninguém se permite admitir, mas é exatemente isso. Ora, não faltam versões alternativas do Wolverine no mundo Marvel.
Até versão Zumbi tem. Não haveria problema se fosse uma versão feminina do Wolverine tascando um beijo em outra mulher. Estaria tudo tranquilo se Wolverine fosse transformado no vilão mais canalha das histórias em quadrinhos. Nem mesmo se o cara se transformasse em ser humano comum dos mais medrosos isso teria grande repercussão. Mas um Wolverine gay, mesmo sendo em uma realidade alternativa é um afronta à simbologia masculina. Então até por isso, mais uma vez, meus parabéns Marvel Comics. 

Honestamente não importa se o interesse da editora era simplesemente chamar a atenção e assim vender mais. A atitude em si de confrontar os preconceitos é digna de respeito. Diante de tanta repercussão, os 12 trabalhos de Hércules foram fichinha, comparado a este décimo terceiro, que é o de combater a homofobia de alguns pseudo aficcionados. 

Se você gosta de quadrinhos e ficou curioso com a série, o X-men blog e o Coringa Files disponibilizaram as dez primeiras edições do título X-Treme X-Men já traduzidas (vai precisar de um leitor de cbr). Na série você verá a mutante Cristal liderando uma equipe composta centralmente por uma cabeça voadora do Charles Xavier, o James Howlett e uma versão adolescente do Noturno. No decorrer da série serão apresentadas versões que vão desde um Ciclope negro a um Namor japonês e um Charles Xavier nazista. Bom proveito.