sábado, 7 de abril de 2012

Ponho fim à minha vida para não ter que vasculhar o lixo para sobreviver #GreekRevolution


"O governo de Tsolakoglou aniquilou toda possibilidade de sobrevivência para mim, que se baseava em uma pensão muito digna que paguei por minha própria conta sem nenhuma ajuda do Estado durante 35 anos. E dado que minha idade avançada não me permite reagir de outra maneira (embora se um compatriota grego pegasse uma kalashnikov, eu o apoiaria) não vejo outra solução que por fim a minha vida desta forma digna para não ter que terminar vasculhando as latas de lixo para sobreviver. Creio que os jovens sem futuro pegarão algum dia em armas e colocarão de cabeça para baixo os traidores deste país na praça Syntagma, como os italianos fizeram com Mussolini em 1945."

Com essa carta em um de seus bolsos, o farmacêutico aposentado de 77 anos, Dimitris Christoulas suicidou-se com um tiro na cabeça em frente ao parlamento grego, no último dia 04 de abril. Suas últimas palavras em forma de um grito teriam sido "Não quero deixar dívidas aos meus filhos".

O Tsolakoglou da carta de Dimitris é uma referência à Gerorgios Tsolakoglou, primeiro ministro colaboracionista que governou a Grécia entre 1941 e 1942 durante a ocupação nazista. A citação é uma clara comparação com o papel que cumpre o atual governo de Lucas Papademos, como colaboracionista da UE e do FMI às custas dos direitos e da própria vida dos trabalhadores gregos.

A carta e a atitude do velho farmacêutico é sem dúvida emblemática. Mostra entre outras coisas o sentimento do povo grego do papel anti-popular que cumpre o governo Papademos e a falta de perspectiva de uma saída coletiva por mais que esteja presente a vontade de "pegar em uma kalashnikov" e "colocar de cabeça para baixo os traidores do povo grego". E sem perspectiva coletiva, a saída grega segue sendo a alternativa individual do suicídio cujos índices aumentam mês após mês no país.

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