sábado, 28 de abril de 2012

O "destratamento" da dengue nas filas de hospitais


Foi notícia na última quinta, dia 26/04, no jornal O POVO, um dos de grande circulação na capital cearense: "Atendimento a pacientes com sintomas de dengue lotam hospitais em Fortaleza". Complementando a manchete estava a notícia: "Só no Hospital da Unimed, o número de casos confirmados cresceu mais de 1000%". Tanto o dado (hospitais lotados) como o número (1000% em um único hospital) se não assustam ao menos deveriam assustar. Se os hospitais, inclusive os particulares estão lotados, significa que eles não tem condições de atender a demanda dos pacientes por mais que os gestores dessas instituições digam o contrário. Com o menor distúrbio sazonal que seja no número de doenças estoura-se a capacidade de atendimento do sistema de saúde e lotam-se as filas de espera. E quando se trata de dengue, quadro que exige muito repouso, não faz o menor sentido que alguém passe 3 horas ou mais esperando atendimento. O hospital que deveria ser espaço para buscar cura no fim das contas acaba por ajudar a agravar o quadro da doença. É claro que a imensa maioria dos pacientes não será internada, aliás nem existem leitos suficientes para isso. Eles simplesmente falarão com um médico, farão um exame de sangue, e aguardarão o resultado para em seguida serem orientados a voltar pra casa, descansar, beber muito liquido e em caso de surgimento de sintomas mais graves voltar urgentemente para o hospital. Alguns serão orientados a voltar no dia seguinte e depois no dia seguinte e depois mais uma vez, enfrentando mais e mais filas, substituindo descanso por stress, picadas de agulhas e medo, muito medo da evolução para o quadro hemorrágico.

Outro aspecto da superlotação dos hospitais é obviamente a pressão para atender o mais rápido possível o que via de regra tende a provocar atendimento de má qualidade, cansaço excessivo nos profissionais de saúde, erros médicos, impaciência e atritos entre paciente e médicos e enfermeiros. E mais uma vez o hospital se torna ambiente não de cura mas de aflição e conflito.

E tem jeito pra isso? Claro que tem. Mas não com o atual sistema de saúde onde hospitais públicos convivem com particulares e planos de saúde rondam homens e mulheres em busca de lucro como abutres ao redor de carniça fresca. Muito menos será possível enquanto a conta saúde pública for sempre o primeiro lugar na lista do corte do orçamento pelo governo. Até lá, vamos de uma praga a outra, de uma endemia ou epidemia a outras e de um sistema de saúde ruim para um ainda pior.