domingo, 3 de junho de 2012

Dois meses do assassinato de Carlinhos. O silêncio do governador é sua declaração de cumplicidade.


Completaram-se dois meses do assassinato do ambientalista Carlos Guilherme, o Carlinhos, ambientalista e integrante do instituto Viramundo. Foi morto aos 42 anos, no dia primeiro de abril, na Praça da Santíssima Trindade, no conjunto José Valter. Executado com um tiro na nuca. A polícia até o momento não tem suspeitos mas o crime tem todos os traços de uma eliminação calculada e não seria de se estranhar se fosse a mando de algum grupo econômico ligado à especulação imobiliária. Carlinhos não era somente uma pessoa errada no lugar errado na hora errada. Era um ativista político de larga história e um verdadeiro militante ambientalista.

Carlinhos era um homem amável mas firme em suas convicções e de um sorriso calmo e inesquecível. No final dos anos 80, Carlinhos era estudante do curso de Estradas da Escola Técnica Federal do Ceará, hoje IFET, quando concorreu ao grêmio estudantil, com uma chapa de militantes ligados à administração da então prefeita Maria Luiza e alguns independentes. O nome da chapa era "Levante a voz e lute" e em seus materiais defendia a educação pública e denunciava o então presidente da república José Sarney. A chapa de Carlinhos perdeu as eleições para a chapa "Nossa força, nossa voz" ligada ao PLP, Partido da Libertação Proletária, fortíssimo no movimento estudantil cearense por aqueles anos.

Passados algum tempo começou a se dedicar à luta ambiental se envolvendo com a causa dos catadores de materiais da cidade e ajudando a fundar e manter o instituto ambiental Viramundo.

A vida de Carlinhos foi dedicada à luta por um mundo melhor. Seu assassinato é um atentado contra todos aqueles que tal como ele acreditam que é urgente e necessário transformar esse mundo. Sua morte sem dúvida alguma entristece a todos que um dia conheceram ou militaram a seu lado e soma-se ao rol de crimes políticos ocorridos contra ambientalistas sob a administração do senhor Cid Gomes, tal como a de Zé Maria do Tomé. O silêncio e a indiferença do governador é a melhor declaração de cumplicidade nessas mortes.

Leia mais sobre Carlinhos no blog criado por sua família e amigos, aqui.