domingo, 23 de junho de 2013

Música para refletir sobre os dias atuais: O dia em que o morro descer e não for carnaval.

Essa é com certeza para ajudar a refletir sobre os dias atuais em que manifestantes tomaram as ruas de todo o país. Serve para pensar tanto naquilo que é como naquilo que não é o levante que estamos vivendo por aqui. É bom que se diga que o povo pobre e trabalhador não se envolveu. Assistiu, opinou, mas via de regra não se moveu. Agora no dia que isso acontecer... ah meu amigo, não vai ter elogio de rede de tv, deputado, nem presidente. A história será outra, bem diferente.

O compositor e baterista Wilson da Neves, atualmente com seus 76 anos, descreveu o que seria esse cenário no samba "O dia em que o morro descer e não for carnaval", uma pérola em forma de poesia ritmada. O video que posto a seguir é da participação do músico ao lado do rapper Emicida em show no Sesc Pinheiro no dia 17 de janeiro deste ano. Na sua incursão, Emicida canta um trecho de seu rap "Soldado sem bandeira". Aperta o play e curta o som.


Wilson da Neves: O dia em que o morro descer e não for carnaval
ninguém vai ficar pra assistir o desfile final
na entrada rajada de fogos pra quem nunca viu
vai ser de escopeta, metralha, granada e fuzil
(é a guerra civil)

No dia em que o morro descer e não for carnaval
não vai nem dar tempo de ter o ensaio geral
e cada uma ala da escola será uma quadrilha
a evolução já vai ser de guerrilha
e a alegoria um tremendo arsenal
o tema do enredo vai ser a cidade partida
no dia em que o couro comer na avenida
se o morro descer e não for carnaval

O povo virá de cortiço, alagado e favela
mostrando a miséria sobre a passarela
sem a fantasia que sai no jornal
vai ser uma única escola, uma só bateria
quem vai ser jurado? Ninguém gostaria
que desfile assim não vai ter nada igual

Não tem órgão oficial, nem governo, nem Liga
nem autoridade que compre essa briga
ninguém sabe a força desse pessoal
melhor é o Poder devolver à esse povo a alegria
senão todo mundo vai sambar no dia
em que o morro descer e não for carnaval.

Emicida: Minha tropa vem do esgoto igual morlock otro esfarrapado
Os lóqui escroto em choque eu percebo os outros indo pro lado
...se nóis chega, sem glock, 9 nem precisa é só no psico
a frieza do nosso olhar já planta medo nos bico

Os vidro sobe, quem deve se apavora
pensando "e se eles quisessem se vingar da escravidão agora?"
To pra morrer igual os 300 de Esparta
cês duvidaram até chegar o teco de orelha nas carta

E agora é sério, nóiz num ta de brincadeira não
cê ainda acha que a guerra memo é no Afeganistão?
Seus rato se camufla com a roupa da cor da babilônia
E as quadrada cromada brilhando mais do que Antônia

Nego fujão de alma vazia com banzo tudo confuso
De capuz cabisbaixo no ultimo banco do buzo
Repelindo ódio, procurando razão pra viver
Problema pra nóis num é morrer, foda é num ter o porque