terça-feira, 20 de agosto de 2013

Leon Trotsky: Presente! Até o socialismo: Sempre!


Em 21 de agosto de 1940 morreu Lev Davidovich Bronstein, o homem cujas ideias e pseudônimo, Leon Trotsky, fizeram a seu tempo e de grande maneira fazem ainda hoje, 73 anos depois, estremecer de horror e ódio o coração de muitos poderosos. Foi assassinado por Ramon Mercader, um agente provocador que fingiu-se de namorado de sua secretária pessoal para aproximar-se, espionar e se possível matar o revolucionário russo. O atentado foi feito com um golpe de picareta de alpinista na cabeça do homem de então 60 anos. Ainda que ferido de morte gritou a seus seguidores que não matassem o assassino para que assim ele pudesse tornar pública a mente criminosa por trás daquilo: o carniceiro Iosef Stalin. Chegou ao hospital ainda lúcido mas logo entrou em coma vindo a morrer no dia seguinte.

Muito antes do golpe que arrancou-lhe a vida, Trotsky tinha consciência que seus dias estariam contados. Mais cedo ou mais tarde morreria. Ainda naquele ano, em fevereiro, acometido de problemas de saúde escreveu um texto que ficou conhecido como seu testamento onde professa seu amor à causa da revolução socialista que abraçara ainda aos 18 anos, à sua esposa Natasha ("fonte inesgotável de amor, magnanimidade e ternura") e à própria vida.

Rendemos aqui nossa homenagem ao velho Leon. Que estejamos à altura de livrar o mundo de todo mal, toda opressão e toda violência tal como nos propõe seu testamento.

Leon Trotsky! Presente! Até o socialismo! Sempre!

"Minha pressão sangüínea elevada (e que continua a elevar-se) engana àqueles que me são próximos sobre minhas reais condições físicas. Estou ativo e capaz de trabalhar, mas o fim está evidentemente próximo. Estas linhas serão tornadas públicas após minha morte.

Não preciso mais uma vez refutar aqui a calúnia vil de Stalin e seus agentes: não há uma só mancha sobre minha honra revolucionária. Não entrei, nem direta nem indiretamente, em nenhum acordo, ou mesmo em nenhuma negociação de bastidores, com os inimigos da classe operária. Milhares de adversários de Stálin tombaram, vítimas de falsas acusações. As novas gerações revolucionárias reabilitarão sua honra política e tratarão seus carrascos do Kremlim como eles merecem.

Agradeço ardentemente aos amigos que se mantiveram leais através das horas mais difíceis de minha vida. Não cito nenhum em particular, porque não os posso citar todos.

Apesar disso, considero-me no direito de fazer exceção para o caso de minha companheira, Natália Ivanovna Sedova. Além da felicidade de ser um combatente da causa do socialismo, quis a sorte me reservar a felicidade de ser seu esposo. Durante quarenta anos de vida comum, ela permaneceu uma fonte inesgotável de amor, magnanimidade e ternura. Sofreu grandes dores, principalmente no último período de nossas vidas. Encontro algum conforto no fato de que ela conheceu também dias de felicidade.

Nos quarenta e três anos de minha vida consciente, permaneci um revolucionário; durante quarenta e dois destes, combati sob a bandeira do marxismo. Se tivesse que recomeçar, procuraria evidentemente evitar este ou aquele erro, mas o curso principal de minha vida permaneceria imutável. Morro revolucionário proletário, marxista, partidário do materialismo dialético e, por conseqüência, ateu irredutível. Minha fé no futuro comunista da humanidade não é menos ardente; em verdade, ela é hoje mais firme do que o foi nos dias de minha juventude.

Natascha acabou de chegar pelo pátio até a janela e abriu-a completamente para que o ar possa entrar mais livremente em meu quarto. Posso ver a larga faixa de verde sob o muro, sobre ele o claro céu azul, e por todos os lados, a luz solar. A vida é bela, que as gerações futuras a limpem de todo ó mal, de toda opressão, de toda violência e possam gozá-lá plenamente."