sábado, 10 de dezembro de 2011

Considerações sobre "A pornografia é uma das armas mais potentes nas mãos do Estado e das elites dominantes"

Arte de Guilherme Lepca
Recebi a recomendação no twitter via @ActivismTips para seguir a conta @The_Activists de um grupo de artistas, escritores, fotógrafos, blogueiros, poetas e ilustradores dedicados a criar informação revolucionária, como eles mesmos dizem em seu blog, o The Activists. Um de seus artigos que logo me chamou a atenção foi o "Pornography Is One of the Most Potent Weapons in the Hands of the State and the Ruling Elites", cuja tradução postei aqui no blog.

O texto chama a atenção para o quanto o macho médio estadunidense tem dedicado boa parte do seu tempo ao consumo da pornografia produzida por grandes empresas profissionais de mídia. São em média 300 horas por ano dedicadas a se deixar consumir pela imensa máquina pornográfica que movimenta uma verdadeira fortuna e ao mesmo tempo alimenta um monstro social que se auto-isola ao invés de buscar relações afetivas reais ainda que cheia de frustrações e decepções. O texto chega a comparar os consumidores como "vítimas de um sonho de Pygmalion", o artista mitológico grego que esculpia imagens de mulheres e por elas se apaixonava. A comparação é um pouco descabida na medida em que as vítimas da pornografia não se relacionam com o fruto de sua própria produção mas com as fantasias produzidas pela grande indústria pornográfica.

O ponto de vista do coletivo de escritores ativistas é interessante mas merece uma reflexão menos superficial. Qual a diferença entre o prazer enlatado via tela de TV ou computador e o prazer nas páginas de revistas masculinas ou via brinquedos sexuais? Por que o prazer obtido via pornografia causaria mais espanto do que o obtido via prostituição? Ou estaria o pagar pelo sexo entre as "relações humanas autênticas"? No fim das contas o que de fato é autêntico e o que não é entre tantas relações humanas, sejam elas "poliamor" ou monogâmicas, em especial em uma sociedade que prima e estimula a corrida pela satisfação pessoal a qualquer custo? Será autêntica a sede por satisfazer vontades, desejos e taras, sejam com objetos, sejam com outras pessoas, ou isso também não é fruto de um verdadeiro mecanismo de escravidão moderna?

Mas no fim das contas devo concordar com as conclusões dos autores: "Os capitalistas querem controlar todos os aspectos da vida do trabalhador, seu entretenimento, suas visões, suas aspirações e sua sexualidade também"... "querem controlar todos os aspectos da nossa existência, porque eles entendem que, se abrirmos nossos olhos, em qualquer sentido real, então, seus dias estarão contados."