segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Estupro não é espetáculo...


O programa Big Brother Brasil inovou em sua décima segunda edição: levou o estupro ao ar em cadeia nacional na madrugada do dia 15 de janeiro. A essa altura do campeonato pressuponho que não é preciso nem explicar quem é Daniel, Monique, ou mesmo contar o que ocorreu na casa dos "brothers" durante a "noitada" do último sábado. Sequer importa se você assiste ou não ao programa. Se você não for nenhum alienígena e tiver o mínimo de contato com os portais de notícia ou com as redes sociais, com certeza já está sabendo que a polícia bateu na porta do Projac hoje a tarde e a Rede Globo de Televisão se viu obrigada a expulsar o modelo Daniel do seu "reality" show. O motivo declarado: ele teria "infringido as regras do programa". Ah tá! Foi preciso o assunto estourar nas redes sociais ao ponto da polícia se ver obrigada a tomar satisfação na porta da Globo, para que a danada dessa regra fosse lembrada pelos organizadores do BBB. Pois bem, até pouco antes da memória deles ser recuperada, a cena de estupro que foi ao ar pela TV da família Marinho não passava de um lance mais quente debaixo dos edredons após uma boa bebedeira. "É o amor" como diria Pedro Bial.

E não para por aí. Para justificar o injustificável o produtor do programa, Boninho, tirou da manga a carta do racismo. Isso mesmo. A TV que mais promove e patrocina o racismo no país disse, através um dos seus produtores, que tudo não passa de um caso de racismo. Ora, senhor José Bonifácio, não ofenda ao povo negro desse país. Estupro é crime e ponto. Não tem preto, nem branco. É crime... e ponto. E é criminoso quem pratica, promove, patrocina e acoberta.

Também não importa se a vítima estava bêbada, trêbada ou o que quer que seja. Não importa se ela se insinuava, de que jeito dançava ou se tinha "hábitos libidinosos". Esses são argumentos de sempre de uma sociedade ultra-machista onde a culpa sempre é da mulher. São do mesmo naipe dos que culpam as vítimas de abusos sexuais por causa das roupas que vestem. Se você é um machista, pode até lhe parecer estranho, mas o tamanho da saia de alguém não lhe dá direito a passar a mão ou muito menos querer passar outras partes do seu corpo na pessoa que a usa.

Mas nem tudo é ruim nessa novela toda. Bem ou mal, a TV que tanto estimula a violência contra as mulheres nos vagões de metrô com o seu Zorra Total, acabou pautando para todo o Brasil, mesmo sem ter a menor das intenções de fazer isso, que não se pode transar com alguém sem o seu consentimento. Se alguém diz NÃO é NÃO. E se alguém sequer tem condições de dizer NÃO, também é NÃO. E não é porque passa na tela da Globo que estupro pode virar espetáculo. Não pode não. E praticar, promover e estimular, pode sim dar cadeia. Ou pelo menos deveria.