terça-feira, 29 de novembro de 2011

Salário mínimo: 14% em cima de muito pouco é quase nada ou menos ainda


O novo mínimo de R$ 622,73 está nas manchetes dos principais jornais do país ressaltando-se o aumento de 14,3% para 2012 dando fôlego ao discurso do "enriquecimento" cada vez maior das classes despossuídas, da "ascensão social" que tira milhares da linha da miséria e todo o restante de argumentos desse naipe. Agora me permitam perguntar: Dá pra uma família de 4 pessoas viver dignamente com R$ 622,73 por mês? Sério?

Façamos uma conta simples para verificar o quanto isso significaria em gasto por integrante da família por dia:

R$ 622,73 / 4 pessoas / 30 dias =  R$ 5,18 por dia.

Dá pra encarar? Alguém em sã consciência acredita que com pouco mais de R$ 5,00 é possível cumprir o preceito constitucional que fixa o salário minimo como:
"capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim" 
Tudo isso aí com cinco reais diários por pessoa? É claro que não.

Segundo o Dieese o salário necessário em outubro de 2011 para atender o que determina a Constituição Federal deveria ter sido R$ 2329,94 e durante todo o ano o valor calculado pelo Departamento se manteve nesse patamar, atingindo em outubro seu ponto mais alto ano até agora como se pode perceber no gráfico abaixo:


Perceba a desproporção. Se é bem verdade que há sim uma sensação de bem estar na maioria dos assalariados em função da suposta recuperação do salário mínimo, mais verdade ainda é que o assalariado brasileiro vive muito abaixo da linha do mínimo de dignidade e os governos Lula/Dilma quase nada contribuíram para mudar isso.