sábado, 1 de setembro de 2012

Seja na denuncia rimada de @emicida, seja no punho cerrado de Tony Tornado, a luta é necessária!


O rapper Emicida entrou com os dois pés na porta no Som Brasil em memória e homenagem aos Festivais da Canção. Nesta última sexta-feira, dia 31 de agosto, ao lado de Rael da Rima e Fióti, Emicida soltou a rima sobre Sinal Fechado do Paulinho da Viola, Pra não dizer que não falei das flores de Vandré e BR-3 de Tony Tornado. Resumindo em uma palavra só: fantástico! Não somente pelos artistas e músicas mas em especial pela forma. Vale destacar que uma homenagem aos festivais não seria a mesma coisa sem a marca do protesto. E coube justamente a Emicida acompanhando o próprio Tony Tornado deixar a marca do protesto no programa global ao protagonizar a cena emblemática do punho cerrado ao melhor estilo Panteras Negras ao final de BR-3. Uma imagem daquelas que merece ser mil vezes compartilhada.

Mas não foi só a imagem que colocou a necessidade da luta em pauta. Em "Pra não dizer que não falei das flores", Emicida não perdeu a oportunidade e relembrou em cadeia nacional a luta mais do que atual por moradia ou reforma agrária em Quilombo Rio dos Macacos, Pinheirinho, Favela do Moinho e Alcântara.

Esse é o verdadeiro papel da luta negra brasileira. Seja na denuncia cantada e rimada, seja de punhos cerrado e mão levantada, a luta é necessária!

Na sequência video e letra(*) da rima de Emicida em Pra não dizer que não falei das flores.




Pés soul luz
Pés na porta
Tribos mortas
Ódio grátis
Partes que o pódio não nota
A luta é necessária
Anti-pária
Na mão contrária
Por reforma agrária
Na área eu vi entrarem a mil
Pra tv: Psiu!
Ela mentiu
Vamos Brasil
Marta humilde nos resumiu
A mulata e fuzil
A gravata de bravata mil, hã!
Ao patrão que serve a Ku Klux Klã
Filosofia vã: Prada
Favela assassinada
Algoz de carteira assinada
Esse fã de fé cristã
Rap é divã
Pelo amanhã
Pronto falei
Fora da lei
De escravos a reis

Quilombo Rio dos Macacos
Pinheirinho
Favela do Moinho
Alcântara
Mais que nunca a rua é nós
Pode prender
Pode matar
Nossa causa é muito maior
Que a nossa vida
Pelo povo sempre

(*) A letra foi transcrita por mim e algumas passagens podem não ser exatamente como está escrito.